Você já se perguntou se está preparado para entrar no Céu?
Quais seriam as qualidades necessárias para você entrar no Céu? Como posso
viver de tal modo que não seja decepcionado em minhas expectativas e anseios
para morar um dia no Paraíso celeste? De fato, esta é uma grande preocupação, e
deve ser respondida, antes que seja tarde demais.
O Salmo 14 ensina a universalidade do pecado: todos são
pecadores, e não há quem busque a Deus. Mas, de acordo com o Salmo 15, como
poderia um pecador sequer pensar na possibilidade de entrar na presença de
Deus? Após a revelação do Salmo 14, é lógico pensar na impossibilidade de
termos acesso a Deus. Entretanto, diz o Salmo 5:7, que é pela riqueza da
misericórdia de Deus que entramos na Sua casa, e nos prostramos diante do Seu
santo templo, no Seu temor. É pela graça de Deus que somos transformados de
pecadores em santos. Somente os santos habitarão no Seu “santo monte”.
O salmo 14 foi escrito para que soubéssemos quão pecadores
somos. O Salmo 15 foi escrito para que soubéssemos quão perfeitos podemos ser.
O Salmo 14 nos coloca no pó; o Salmo 15, nos coloca na glória. O Salmo 14
humilha o pecador; o Salmo 15 exalta o justo. Ele é estimulante e desafiador.
Ele nos leva a um profundo exame de consciência e a um desejo de agradar a Deus
a fim de podermos estar com Ele. Este é o verdadeiro equilíbrio das Escrituras.
Este salmo é mais uma jóia da Inspiração que usou o poeta
Davi para nos presentear com a sabedoria divina. Aqui estão as qualidades do
verdadeiro cidadão do Céu. Portanto, trata-se de um assunto essencial, a fim de
que não fiquemos desavisados de nossas obrigações espirituais e sociais para
com Deus e nosso semelhante.
I – UMA PERGUNTA PERSCRUTADORA (v. 1)
O salmo começa com uma pergunta dirigida a Deus Jeová: “Quem,
SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte?” Esta
é uma das perguntas mais perscrutadoras, mais perturbadoras, mais temidas, mais
decisivas. Já pensou você fizesse esta pergunta e Deus lhe respondesse: “Você
está longe disso!”? Mas Cristo disse certa vez para alguém: “Não estás longe do
reino de Deus!” (Mc 12:34).
Muitos estão se perguntando em nossos dias: Diante de tantas
igrejas cristãs, qual é a igreja verdadeira? Qual é a que se aproxima um pouco
mais da verdade? Mas a pergunta que deveria estar em nossa mente, nestes dias
de tanta insegurança e confusão religiosa é esta: “Quem, SENHOR, habitará no
teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte?” Certamente, uma pessoa
que fizer tal pergunta jamais será desapontada com referência à verdade.
A palavra “SENHOR” é correspondente a Yahweh no original, e,
portanto, invoca ao próprio Jeová, que é o Deus da redenção e da aliança com o
Seu povo. “Tabernáculo” ou “tenda” é o símbolo tradicional de Sua presença para
um peregrino, porque somos peregrinos neste mundo, em direção à Canaã
celestial, onde é o país dos nossos sonhos. Isso nos traz à lembrança o texto
de Hebreus 11, onde lemos acerca dos Heróis da fé, como os patriarcas Abraão,
Isaque e Jacó, além de muitos outros, que viveram em tendas e ansiavam habitar
com Deus, mas morreram sem ter obtido a concretização de suas esperanças.
Por outro lado, a expressão “santo monte” se refere ao monte
Sião, onde foi edificado o templo de Jerusalém, a casa de Deus, na Palestina,
monte que se tornou um símbolo da habitação de Deus no Céu, onde foram vistos
os 144.000 diante do Seu trono (Ap 14:1).
A pergunta (Sl 15:1) de início poderia transparecer uma
conotação legalista, em que certas pessoas exclusivas teriam acesso à morada de
Deus, na condição de preencher certos requisitos da Lei e dos mandamentos de
Deus. De uma leitura superficial, alguém poderia citar as palavras deste Salmo
para dizer que ninguém pode alcançar um alvo tão elevado como a pretensão de
habitar com o Eterno, o Criador do universo.
Entretanto, o contexto indica que esse não é o caso.
Qualquer pessoa pode chegar ao soberano ideal de subir ao Céu e habitar com o
Altíssimo por toda a eternidade. A primeira coisa que tal pessoa faz é se
dirigir a Deus e Lhe fazer a mesma pergunta, sinceramente: “Senhor, como é que
eu posso estar contigo sempre e morar em Tua companhia? Senhor, eu Te anseio e
desejo tanto morar contigo, porque te amo tanto que desejo habitar no Céu onde
estás. Como é que eu consigo isso?”
II – UMA RESPOSTA INTRIGANTE (vs. 2-5b)
A pergunta acima só será feita por uma pessoa humilde que já
possui características essenciais para ser um cidadão do Céu, porque está sendo
atraída pelo Espírito Santo, e é um crente no poder, na bondade e sabedoria de
Deus. A resposta de Deus para tal pessoa é como encontramos nos versos
seguintes.
1 – O Cidadão do Céu
é Íntegro (v. 2a)
“O que vive com integridade.”
Arthur Gordon numa conferência em 1986, contou a seguinte
história: Na sala de operação de um grande hospital, uma jovem enfermeira
experimentou o seu primeiro dia de responsabilidade total.
- "O senhor retirou 11 esponjas, doutor," disse
ela ao cirurgião. "Nós usamos 12."
- "Nós as removemos todas," declarou o doutor.
"Vamos fechar a incisão agora mesmo."
- "Não!" objetou a enfermeira. "Nós usamos
12."
- "Eu tomo a responsabilidade!" retorquiu o
cirurgião com severidade "Suture!"
- "O senhor não pode fazer isso," gritou a
enfermeira. "Pense no paciente!"
O doutor sorriu e mostrou à enfermeira a 12ª esponja. -
"Você passou," disse o médico. Ele estava testando a sua integridade
- e ela tinha passado no teste.
O salmista apresenta a maior virtude do cidadão do Céu:
integridade! Esta é uma palavra que tem um significado amplo. Muito mais do que
a ilustração acima pôde transmitir. Não basta procurar um Dicionário para
defini-la. Um Dicionário diria que integridade é “inteireza moral, retidão,
imparcialidade, inocência.” (Michaelis). Entretanto, integridade vai muito mais
além do que simples ética moral; integridade na Bíblia é excelência moral na
ética e na espiritualidade. É um conjunto de qualidades morais e espirituais
que justificam a sua existência. Portanto, para definir integridade
corretamente, é preciso consultar a Bíblia.
Integridade no Salmo 15 vem da palavra hebraica “tâmyîm” que
significa “perfeição”, como encontramos em Génesis 17:1, onde lemos a mensagem
de Deus para Abraão: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê
perfeito.” Esse homem de Deus tinha 99 anos e ainda não era perfeito. Em certo
sentido isso é uma consolação para todos. Mas Deus lhe dava a fórmula para ser
perfeito e íntegro: “Anda na minha presença!” Abraão em sua natureza pecaminosa
não era íntegro, tanto é que falhou em algumas vezes, mentindo, desconfiando e
dissimulando. Mas quando ele se encontrava na presença de Deus, e andando com
Ele, era íntegro e perfeito.
Portanto, integridade significa harmonia com Deus, porque
ninguém é completo se não estiver em harmonia com o seu Criador.
Assim, integridade é excelência de caráter espiritual que se
expande para todas as áreas da vida, e que só pode ser adquirida por meio de
uma obra de Deus que permitimos ser realizada em nós, pelo Espírito Santo. Vem
do próprio conhecimento do Todo-Poderoso.
Integridade é o clímax de todas as virtudes. É por isso que
ela vem em primeiro lugar. Logo depois, vemos as demais virtudes, nos versos
seguintes, que são apenas um desdobramento da integridade, e que servem apenas
de ilustrações não exaustivas do que faz ou deixa de fazer uma pessoa íntegra.
Este é o método em muitos poetas e profetas do Antigo Testamento: Primeiro eles
apresentavam o clímax, o melhor, e depois passavam a demonstrar como chegar lá.
Integridade (“tâmyîm”=perfeição) é mais do que aparência
externa. Integridade é uma virtude que parte do



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