sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Dez Passos Para Se Reconciliar Com Deus

O Primeiro passo: Para se aproximar-se de Deus é a FÉ. A Fé vem pelo ouvir a palavra de Deus. Diga-me: como ela soa ao s seus ouvidos? Ela é interessante, lhe parece digna de crédito ou é algo que não lhe traz nenhum interesse? O modo como se encara as coisas sagradas é a chave da reconciliação. O modo profano despreza tudo que é Deus e se afasta do caminho. Quando alguém tem interesse pelas coisas santas torna-se agradável a Ele.

Considerando que as coisas santas lhe atraem, saiba que Deus se deixa achar por aqueles que o buscam. Há coincidência de interesses. Tomemos como exemplo bíblico o chefe dos fiscais da cidade de Jericó, em Lucas 19. Zaqueu queria apenas ver Jesus, mas acabou por receber o convite para uma visita inesperada, em sua casa. A um desejo sincero da parte humana sempre corresponderá a boa vontade de Deus. Uma coisa está estreitamente ligada à outra.

Religião não é a mesma coisa que Deus.

Saulo de Tarso antes de sua conversão era um jovem religioso de uma formação teológica máxima. Era zeloso mas, estava na direção errada. Ele pensava estar agradando a Deus, perseguindo e matando os cristãos. Ele tinha interesse em ser fiel a seu Senhor. Mas não sabia que estava no caminho errado, pois estava servindo a uma religião pensado que servia a Deus. Por causa da sua sinceridade de coração, Deus não o deixou no erro, chamando-o de uma maneira singular: O Senhor o derrubou do cavalo em meio à poeira do deserto. Ficou cego para poder ver. Compreendeu sua situação, que ele estava perseguindo o verdadeiro povo de Deus a mando do Judaísmo. Arrependeu-se e buscou a reconciliação com Cristo.

O segundo passo: Para sua reconciliação é aceitar Jesus como Senhor e suficiente Salvador. Assim diz na Bíblia, a Palavra de Deus, no evangelho segundo João 1; 11 e 12: Ele (Cristo) veio para os seus, mas eles não o receberam. Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o direito de se tornarem filhos adotivos de Deus Pai quando aceitam sinceramente a seu filho Jesus Cristo.

O terceiro passo: É o arrependimento. Uma lavadeira arrumou um trouxa muito grande de roupas sujas e desceu para o riacho. Lá, muitas outras já estavam trabalhar. Com vergonha de mostrar a sujidade das suas roupas, entrou lá no meio do riacho e afundou a trouxa nas águas. Molhou-se toda ao levantar aquele fardo molhado e pesado, e voltou para sua casa.

As roupas foram lavadas? Decerto que não. Ela deveria esfregar cada peça com sabão até não ficar nenhum vestígio de sujidade. Da mesma forma se você quer se reconciliar com Deus, entre no seu quarto ou onde puder ficar a sós. Ali, ajoelhe-se como se Deus estivesse presente. Conte-Lhe cada mentira, cada mágoa, cada ódio, os seus maus costumes, palavrões imundos – não deixe nenhum pecado sem lavar.

O quarto passo: É perdoar para ser perdoado- tendo feito a lavagem da confissão das suas iniquidades – peça perdão a Deus por tantas ofensas. Cuidado com as mágoas, elas são como correntes do diabo destruindo a vida. Cada mágoa perdoada é uma corrente quebrada. Livre-se das mágoas, sejam grandes ou pequenas. Ler Mateus 18; 23 ao 35. Um texto bíblico que fala de perdão dos pecados é I Carta de João capítulo 1 versículos 8 e 9.

O quinto passo: É escolher uma Igreja para ir regularmente – hoje há muita dificuldade para se escolher uma Igreja. Mas elas são necessárias com são as maternidades. Em ambas nascem pessoas. A Igreja é uma instituição criada pelo próprio Jesus Cristo. Mesmo não sendo bem recebido ele ia todo ano adorar no templo de Jerusalém. Ninguém nasce sozinho em cima da grama, por conseguinte a Igreja existe para cuidar dos fiéis do Senhor.

Uma boa Igreja tem essas características: prega aos pecadores certamente contra o pecado, não se mostra avarenta no trato com o dinheiro, seus membros dão bom testemunho perante a sociedade, ela ensina a buscar o batismo com o Espírito Santo. Ensina que a salvação é pela graça (favor) de Deus por meio do sangue de Jesus Cristo e que uma vez salvo há que se dar bom testemunho e praticar a justiça.

Ela não deve adorar imagens e esculturas porque isto é abominação a Deus e traz a miséria para dentro da família. Ela usa apenas Bíblia Sagrada como norteador de conduta moral.

O sexto passo: É seguir uma vida de oração: orando em todo lugar, seja com palavras ou pensamento. Hoje isto é difícil? É! Às vezes passamos duas horas na net e não temos cinco minutos para o Senhor. É como se você deixasse seu melhor amigo no ostracismo. Sem uma palavra. Analise como está sua comunicação com o Senhor.

Orar é se comunicar com Deus: agradecendo, adorando, pedindo para si, pedindo em favor dos outros, orando para que o Senhor salve parentes, vizinhos, colegas de trabalho. Orando pelos missionários, autoridades politicas. A Bíblia ensina assim.

O futuro da sua vida, é você que tem o poder de decidir. Se o seu relaciomento, sua comunicação com Deus for boa – você será muito feliz e abençoado(a). Seu futuro está nas suas próprias mãos. Se você for sincero(a) com ele: ele trabalhará para abençoar você, sua casa, seus estudos, ele vai cuidar de você como um(a) filho(a) querido(a). O Salmo 37 leia ainda hoje.

Nas causas mais difíceis – jejuar, isto é deixar de comer alimentos sólidos e tomar líquidos (não há necessidade de evitar água – a não ser em jejuns curtos). Tanto Paulo como a rainha Ester, diante de uma causa e problema muito difícil praticaram o jejum completo de três dias. Alimentos somente depois de 72 horas. Água pode.

Se nunca jejuou antes, comece apenas com um dia. Pode ter dor de cabeça. Use um medicamento. Nosso corpo reage com mudanças bruscas. Só jejue por causas JUSTAS (saúde, perseguições, necessidades graves). Jejum não é magia. Se não for dentro da vontade do Senhor – não trará resultado algum. Fazer jejum por causas egoístas e malvadas é pecado grave.

Particularmente quando fui orar para certa pessoa com câncer e também para Jesus batizar os crentes da Igreja que cuidava, exercitei o jejum de três dias. Contudo, o jejum só funciona dentro da direção do Espírito Santo. Também já fiz o mesmo tipo de jejum por uma pessoa e não houve cura. Tudo tem que ser da vontade do Senhor. Se jejua por uma necessidade justa. Por costume e desejos egoístas, não!

O sétimo passo: É procurar ansiosamente aprender a palavra de Deus. Estudando a Bíblia, frequentando regularmente todos os cultos da Igreja, indo a Escola Dominical onde há bom ensino. O tempo que passamos aprendendo a palavra de Deus é precioso porque estamos em contado com Deus. Mas que ninguém se tranque 24 horas em seu quarto para estudar a bíblia pois isto é falta de juízo.

O oitavo passo: É ofertar a Deus de maneira sábia e com o coração alegre. Há três lugares, que conheço, na bíblia que diz para não comparecer diante de Deus com as mãos vazias. Ele não precisa de dinheiro. Mas sua Igreja sim. Todas outras instituições usam o dinheiro em suas causas. Nossa Igreja não pode, portanto, ser uma casa horrorosa e mal cuidada. Por outro lado, cuidado com igrejas avarentas que pressionam os crentes com palavras persuasivas e até ofensivas mas, não estão nem aí com a vontade de Deus. Também tem os ímpios em cujo coração habita o maligno que adoram espinafrar os crentes zombando de suas contribuições na Igreja. O diabo e seus enviados não estão preocupados com você. Querem mais é que você seja infeliz e miserável como eles.

O nono passo: É dar bom testemunho de fé pregando o evangelho aos não crentes sem se envergonhar de Cristo. Muitos há que ainda não aprenderam a palavra de Deus e já querem ensiná-la. Primeiro, é preciso ter alguma coisa para depois poder dar. Aquilo que se aprendeu corretamente é o que se pode ensinar. Deus chamou a todos para reconciliação. Distribuiu dons a cada um que chamou. É um absurdo ver nos dias de hoje tanto crente ocioso sem ocupação alguma na Igreja do Senhor. Quem não trabalha para Cristo está afastando o Espírito Santo do próprio coração. O desejo do Espírito Santo é que você se ofereça voluntariamente para fazer algo agradável ao Senhor.

Sem o Espírito Santo o cristão está desviado.

O décimo passo é o amor fraternal: Alegrar com os que se alegram mas também chorar com os que choram. Antes de comer, vestir, morar, ter um carro, um sítio, uma empresa, há que se importar com os que nada têm. Somos as mãos generosas de Deus aqui na terra. É vergonhoso ver algumas vezes os ímpios sendo mais cuidadosos do que alguns cristãos. O amor é o vínculo da presença de Deus na vida do crente.

Muitos outros passos há – queremos finalizar incentivando você que chegou a ler até aqui a não descansar sua alma enquanto não receber a bênção da salvação e o genuíno Batismo no Espírito Santo que traz uma alegria indizível a vida do novo cristão além de capacitá-lo para testemunhar do amor do Senhor Jesus Cristo.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

ALGUÉM SABE E COMPREENDE

PRECE: Senhor Deus! Nós nos achegamos a Ti, nosso compassivo Redentor; e rogamos-Te, por amor de Cristo, por amor do Teu próprio Filho. Nosso Pai, que manifestes o Teu poder entre os que se achegam a Ti. Precisamos de sabedoria; precisamos da verdade; precisamos que o Espírito Santo esteja connosco, esta noite e sempre. Por Jesus. Amém.
Recentemente uma senhora quis falar comigo. Sentia-se nas suas palavras uma grande tristeza e até uma profunda frustração quando disse:
         O meu casamento a partir de uma certa altura começou a ir na direcção errada. Como quem viaja por uma estrada em que as placas de indicação estão todas erradas, o que prometia ser uma viagem de felicidade era uma estrada estreita rumo a um inferno.
Estas palavras resumiam os 14 anos de vida conjugal. A terminar acrescentou:

– Não sou a favor do divórcio, mas o que podia fazer? Se me sentia impotente para salvar o meu casamento, talvez possa pelo menos salvar a minha família que são os meus filhos. O meu marido entrava em casa à 1, 2 horas da manhã embriagado, nem sempre pude suportar com calma essa situação e quando lhe dizia alguma coisa, ele batia-me, ficava envergonhada especialmente porque os meus filhos assistiam.

O casamento desta senhora transformou-se numa estatística. Foi mais um número que se juntou a milhares de outros naquele ano! Os filhos dela juntaram-se aos milhares de meninos e meninas que no nosso país vivem em lares desfeitos. O pior de tudo é que aquela senhora e aqueles meninos, não são uma simples estatística! São pessoas, são seres humanos. Privados dos seus sonhos mais acalentados. Ela foi esmagada pela noção de que falhou na maior aventura da vida. Agora, com o seu orgulho e auto-confiança despedaçados, ela ficou desorganizada, mal-humorada, incapaz de se concentrar, preocupada com os filhos.

Como ela e o seu marido muitos casais felizes, vão ao altar dizer: "até que a morte nos separe". Eles dão as mãos e ouvem as palavras ditas por Jesus: "... Portanto o que Deus juntou não o separe o homem". Mateus 19:6 Eles inclinam a cabeça com reverência às palavras ditas originalmente pelo Criador: "Assim não são mais dois, mas uma só carne...". Mateus 19:6

Mas, infelizmente, o casamento – esse acordo sagrado dado pelo próprio Deus é tão rebaixado que pouco se assemelha com o que Deus tencionava que fosse. O laço sagrado é transformado numa cadeia de frustrações, discussões, violência, abandono, adultério.

Alguém disse: "vamos considerar o casamento como um cinto de avião, que se aperta e desaperta”. Noutras palavras, se não está satisfeito, livre-se!

Um menino de 10 anos disse à sua namoradinha:

"Eu gosto tanto de ti que quando crescermos quero que sejas a minha primeira esposa."

Qual é o problema? O que é que está errado? O que acontece entre o altar e o processo de divórcio? Por que razão a realidade não é como o sonho?

Todos os casais olham o futuro e aguardam com ansiedade o dia do casamento, anseiam que o sonho se torne realidade. Parece que ele nunca mais chega. Mas chega. E agora são marido e mulher. E muitos em poucas semanas tornam-se ansiosos que a realidade se torne sonho! Um sonho, ao acordar nada é realidade.

Mas é realidade. O que é que está mal no casamento? Será o casamento ou a instituição? O problema é com as pessoas. São as pessoas que devem mudar. Casais felizes não se desiludem com o casamento.

Uma vez perguntaram-me:

– Acha que o casamento pode ser bem sucedido?

– Sim, pode! E não há um grande segredo para isso. Não seria difícil não fosse a fraqueza da natureza humana. Casamentos felizes são feitos de pequenas coisas. Coisas simples. Gentilezas fundamentais. Atenção sem egoísmo. As pequenas coisas que vêm tão naturalmente durante o namoro.

Conheço a seguinte história: Um casal estava prestes a comemorar as bodas de ouro. Alguém perguntou ao marido:

– Qual é a sua receita para um casamento feliz?

– Eu era órfão, e tive que começar a trabalhar muito para pagar o quarto e a comida. A Sara foi a primeira namorada que eu tive. E quando chegou a hora de lhe propor casamento, fiquei assustado. Depois do casamento, o pai dela chamou-me ao lado e deu-me um pequeno embrulho.

– "Aqui está tudo o que precisas saber para ser feliz".

Isto foi o que lá encontrei: um relógio de bolso em ouro. Abriu-o, e indicou-me o que estava no mostrador e que ele tinha que ver todas as vezes que visse as horas: "diz uma coisa linda a Sara".

– Mas não pense que não temos tido ao longo destes 50 anos, algumas disputas – e acrescentou – sabe qual é o segredo dum casamento feliz? É saber resolver os problemas e continuar a caminhar juntos!

Creio que não há nenhum casal, que não tenha uma ou outra vez vivido alguma dificuldade de relacionamento conjugal. Nem pode ser de outro modo!

 Todos os lares têm problemas. Um conselheiro conjugal perguntou a um jovem casal:

– O que é que vocês têm em comum? – a jovem esposa  respondeu:

– Uma coisa: não nos suportamos um ao outro.

John Milton, o poeta mal casado, ouviu uma vez a esposa ser comparada a uma rosa. Ele disse:

– Não percebo nada de flores, mas pode ser verdade, pois sinto os espinhos diariamente.

Há quem diga que as disputas limpam o ar. E talvez o façam, às vezes. Mas as zangas deixam cicatrizes. E ferimentos feitos com palavras são mais sérios que os ferimentos físicos. Os ferimentos físicos podem curar rapidamente. Mas as feridas provocadas por palavras talvez nunca curem.

Muitos casamentos poderiam ser salvos se estivéssemos dispostos a ouvir e a aceitar que o outro talvez possa estar certo. É claro, faz parte da natureza humana pensar que temos sempre razão. Um poeta disse uma vez:

– Eu só vejo dois pontos de vista: aquele que está errado e o meu.

O Dr. Paul Tournier, um famoso psiquiatra suíço, afirmou que é uma coisa muito perigosa querer ter sempre razão e acrescenta:

“As horas mais frutíferas da vida são as da nossa humilhação, quando vemos os nossos pecados e erros, e quando estamos tristes por causa deles. Mas enquanto nós mantivermos zelosamente uma rota na qual sabemos que estamos certos, estaremos imunes a tais sentimentos interiores. E não obteremos qualquer ajuda.” Dr. Paul Tournier

Dr. Tournier afirma num dos seus livros sobre casos de conflito matrimonial: “Aquele que está errado e admite a sua culpa e se humilha, experimenta uma genuína renovação espiritual. Mas aquele que acha que tem razão e recusa perdoar, sai mais amargo que quando entrou.”

Um lar onde não existe o reconhecimento de culpa, um lar onde não existe o perdão, um lar que não faz provisão para um novo começo, é um lar perto do ponto onde não há retorno. Os conflitos são perma­nentes, tornam-se crónicos!

Na Palavra de Deus existe solução até para os conflitos crónicos. A Bíblia coloca todas as nossas discussões na perspectiva exacta. Devemos olhar o relacionamento conjugal, como Deus nos olha.

O Novo Testamento mostra o modo como Deus nos olha. Um Deus que não desculpa o culpado, mas olha o arrependido como inocente. O ponto de partida, como cristãos, é que todos estamos errados, inteiramente imperfeitos. A Palavra de Deus é clara. Paulo diz em Romanos 3:23: "Porque todos pecaram, e destituídos estão da glória de Deus."

Todos estamos diante de Deus, um ser sagrado. Perante a Sua justiça, a nossa bondade parece trapos sujos. Deus é o único que tem cem por cento razão! A interminável luta do homem para ter razão, ou seja para se justificar, é uma causa perdida.

Talvez a nossa relação com os nossos pais esteja ferida! Ou com os nossos irmãos ou irmãs! Pode ser com o marido ou com a esposa! Pode até ser com o nosso filho ou com a nossa filha!
Oh, Senhor, precisamos tanto de ajuda! Precisamos tanto da palavra certa! Alguém, esta noite sente necessidade de ajuda? A relação com os seus queridos está tão defeituosa, e sente-se infeliz? 
Se é assim, deixem que vos diga que na Bíblia encontramos uma mulher parecida connosco. Era uma mulher que vivia numa aldeia, nas aldeias, toda a gente sabe tudo da nossa vida.
A mulher de que vos falo vivia na aldeia de Sicar. Era uma mulher muito infeliz. Ao ponto que tinha decidido não andar na rua. O seu mundo interior estava tão pejado de imagens negativas, de feridas, de descrença no ser humano e nela própria, estava tão desiludida com a vida! Que só saía à rua, quando sabia que toda a gente estava em casa. A hora do calor.
Saiu naquele dia para ir buscar água ao poço de Jacó, do poço via-se o monte de Gerizim, era um lugar sagrado, Deus segundo a crença dos samaritanos devia ser adorado naquele monte. Ela era samaritana!
Mas esse Deus estava tão dolorosamente distante da angústia interior daquela mulher, que ela já nem olhava para o monte. Olhava, isso sim, para as suas recordações cheias de relacionamentos fracturados, com ela própria e com os outros. Eram tantos os conflitos interiores e as mágoas ocultas!
Estava só, e encontrou outra pessoa solitária junto do poço. Alguém sentado na borda do poço. A pessoa que estava sentada no poço, era um homem, era judeu, o que significava um inimigo. Entre os samaritanos e judeus, existia ódio e desprezo. Os samaritanos eram considerados traidores e desprezíveis.
Os judeus não falavam com os samaritanos, mas mais do que isso nem o próprio marido falava com a esposa na rua. Este homem, quebra todas as barreiras, todos os preconceitos, não só se dirige a ela com modos meigos, mas pede-lhe ajuda. Pede água. Ela fica tão surpreendida que reage desta forma: “Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher e samaritana?” João 4:9
Ela desconhecia ainda que pessoa alguma estava ou está fora dos limites de Jesus! Ela não sabia que Aquele que estava ali e lhe pedia água, é muito sensível e que todos os nossos problemas, O afectam, e Ele quer participar e ajudar a resolver. Ela não sabia que Aquele que estava ali falava a língua da Terra mas com sotaque do Céu!
Jesus viu na resposta daquela mulher samaritana uma barreira muito mais profunda que a do sexo ou do nacionalismo. Ele viu o íntimo, o profundo daquela mulher, e viu um ser em necessidade!
A mulher tentou levantar a barreira do orgulho, da incredulidade, da religião. Mas Jesus vai ao âmago da necessidade à origem do problema. Ele o fez com aquela mulher e o faz com cada um de nós. Ele deseja hoje, neste mesmo instante, sentar-se na beira do nosso caminho, dos nossos problemas.
E Ele quer partilhar um segredo, será que há alguém que queira escutar o segredo de Jesus? Alguém que queira libertar-se dos seus complexos e dos preconceitos só para ouvir Jesus?
Então Ele diz: “Se conheceras o dom de Deus, e Quem é O que te pede água, tu lhe pedirias e Ele te daria água viva...”. João 4:10
Jesus prepara aquela mulher para que ela O interrogue, para que ela fale. Ela precisa tanto de falar para confiar. Ela não tinha ninguém para a ouvir. A nossa grande necessidade é de ter alguém que nos escute! É ou não verdade?
E ela fica curiosa, interessada e pergunta: “Senhor, tu não tens com que tirá-la, e o poço é fundo. Onde tens a água da vida? És tu maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, do qual ele próprio bebeu e, bem assim, os seus filhos e o seu gado?” João 4:11-12
E ela nunca mais se cala, mas Jesus estava à espera exactamente que ela abrisse o seu coração e falasse. O poço de Jacó era um tipo de cisterna com cerca de 30 metros de profundidade. Enchia-se com água de uma nascente e com as águas que caíam da chuva.
O que Jesus oferecia, era água viva que quer dizer, água corrente. Água que vem da fonte, de nascentes subterrâneas, fluindo com abundância. Não é pois de admirar que a mulher tivesse perguntado: “Onde tens tu água viva?” Queria dizer, onde vais encontrar, ou trazer água desse género? Não está aqui nenhum ribeiro de água fresca!
A conversa atinge um nível profundo e Jesus vai revelar-Se mais e mais àquela mulher. Sabem, Jesus revela-Se sempre de forma progressiva. Vai-se revelando para que os nossos olhos o possam realmente ver, os nossos ouvidos ouvir e a nossa mente compreender. Encontro muita gente, que me diz: “Não compreendo a Bíblia!” E eu respondo, “Compreendo” porque a Palavra de Deus compreende-se progressivamente, sacia-nos, não de uma só vez, mas vai-nos saciando.
Agora Jesus diz: “Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Deveras, a água que lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna.” João 4:13-14
A mulher olhou para Jesus. E pensou: Quem é Este? Como pode fazer tal afirmação? Ela sentiu que Ele era especial. Muito especial! Sim Jesus é especial. Como homem, dormiu no barco. Como Deus, acalmou a tempestade. Como homem, chorou. Como Deus, disse a Lázaro: “Vem para fora!” Como homem, foi posto no sepulcro, como Deus, levantou-Se da morte! Jesus é especial. É Alguém que sabe e compreende!
E de repente ela diz: “Senhor, dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede e não volte aqui para buscá-la.” João 4:15
Jesus tinha tocado na sua sede profunda pela vida. Mas ela responde ainda de forma superficial, ela esconde ainda o seu interior, a sua necessidade real, ela não deixa ainda que a água da vida flua e sacia a necessidade real do seu coração. Quantos de nós somos assim!
O coração cheio de mágoas e ressentimentos está ainda oculto. Mas Jesus não desiste, há muito que Ele conhecia a samaritana. Oh, divina Omnisciência! Ele conhece! Jesus é o Senhor do Universo e da História, num mistério de amor apossa-Se dos homens, e especial­mente dos pobres, dos abandonados, dos tristes, dos que têm o coração vazio e os enche com a Sua santa e linda presença!
“Vai, chama o teu marido, e vem cá.” João 4:16
Crueldade ou compaixão nestas palavras? Digo que se trata de com­paixão! Jesus sabia que a vida dela era uma sucessão interminável de relacionamentos infelizes, magoados e quebrados.
Jesus compreendeu o problema da mulher mas não a podia ajudar, não podia violar a consciência dela. Ele só podia entrar na séde da sua vida, lá no jardim da alma e reparar todos aqueles sofrimentos, se ela o quisesse. Ele não pode ajudar a resolver os problemas de ninguém se não Lhe for dado espaço para entrar. Então Ele entrará no nosso mundo interior e curará os sentimentos feridos. Como só Ele pode curar!
Jesus não pode tratar as necessidades superficiais sem primeiro tratar as profundas! A mulher ficou, por momentos, sem saber o que fazer. Mas vai ousar confiar, ao menos um pouco e diz: “Não tenho marido.” João 4:17
É a confidência que lhe sai dos lábios, escondendo ainda a sua angústia com uma desonestidade dissimulada. Como quem vai à confissão e fala de tudo, mas não daquilo que a aflige. Como confiar num homem?! Seja ele padre ou pastor?! Há coisas que não queremos e Deus não nos obriga a partilhá-las com ninguém a não ser com Ele que é o nosso Pai e que nos conhece e ama!
Também a samaritana, não confia ainda plenamente. Mas Jesus, sem a abandonar fica ali e não acusa, não a recrimina, não a culpa e diz: “Tens razão em dizer que não tens marido, pois já tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido. Isto disseste com verdade.” João 4:17-18
Queridos amigos que podia fazer a mulher, agora? Que teríamos feito nós? Ou melhor, que fazemos quando Jesus coloca o dedo na nossa ferida, lá onde dói, lá onde há sofrimento, onde nós sabemos que há pecado? Ela ainda tenta argumentar com as antigas tradições. Ela ainda tenta uma discussão religiosa. Tenta desviar o assunto daquilo que tem escondido no seu coração ao dizer: “Nossos pais adoraram neste monte, mas vós, os judeus, dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.” João 4:20
Quantas vezes ouvimos nós isto, hoje! Nós guardamos o Domingo, já os nossos avós o guardavam, mas vós dizeis que é o Sábado! Mas o que é que tem uma coisa a ver com outra! Ela, como muitas pessoas, tentou colocar de lado a oferta de Jesus, tentou fugir com os seus problemas. Ela ainda não percebeu que não se trata de doutrinas, de dogmas, de tradições, trata-se do problema dela. E no lugar de abrir o coração, está a tentar argumentar, a fugir da água refrescante, a única que pode saciar a sua alma ressequida!
Esta noite, quero fazer um apelo: Por favor, não estejam a ouvir com reservas no coração! Não pensem que a vossa religião é diferente, melhor ou pior, não é disso que se trata. Do que se trata é da Pessoa de Jesus. Jesus Cristo perdoou voluntariamente, morreu em nosso lugar, ressuscitou visivelmente e vive vitoriosamente à dextra do Pai. É disto que se trata!
Jesus podia-se ter cansado com a samaritana. Mas Ele amava profundamente. Amar profundamente é ser como Jesus, e Jesus não podia deixar aquela mulher com os problemas dela, à beira do poço, sem esperança! Ele podia ter passado horas a discutir sobre a Bíblia para a convencer que os Judeus estão certos, eram o povo de Deus. Mas não vale a pena discutir religião. A religião tem que ser vista e vivida, o que interessa é falar do amor de Deus e é o que Jesus faz. Deus não está limitado pelas religiões: “Deus é Espírito, e importa que os que O adoram o adorem em espírito e em verdade.” João 4:21
O Novo Testamento usa duas palavras para “espírito” nesta passa­gem a palavra que se refere ao Espírito de Deus é pneuma. E a pa­lavra para o espírito que habita no homem é pneumati, que quer dizer a parte mais profunda do ser, com a qual o Espírito de Deus pode e quer ter relacionamento. É aí que Deus quer falar, por isso Jesus disse à samaritana: “Mas vem a hora, e já chegou (para ti) em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim O adoram.” João 4:23
Deus não está interessado numa adoração de lábios, ou de lugares, lá no Monte de Gerizim ou em Jerusalém. Não numa adoração de tradição, não numa adoração de catedrais. A verdadeira religião foi assim apresentada por Jesus: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizámos nós em Teu nome? E em Teu nome não expulsámos demónios? E em Teu nome não fizemos milagres? Então lhes direi abertamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade!” Mateus 7:21-23
Ou em: “E nisto sabemos que O conhecemos: se guardamos os Seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-O, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade.” I João 2:3,4
‘São estes que o Pai procura’, diz Jesus à Samaritana. São estes que o Pai quer como Seus adoradores. É uma das afirmações mais sublimes de Jesus, é uma mensagem de autenticidade e de verdade. E ela compreende! A voz de Jesus ressoou no mais profundo da sua alma com toda a autoridade, por isso Jesus revela-Se: “´Ego Eimi´Eu o sou, eu que falo contigo.” João 4:26. Jesus afirma aqui que é o EU SOU. O Filho de Deus, o próprio Deus!
Eu fico maravilhado com Jesus porque faz esta revelação a uma mulher, a uma mulher que até nem é uma grande conhecedora do poder de Deus, nem uma grande cristã, diríamos em linguagem moderna. E fico não menos maravilhado com a atitude da mulher. Assim que ela descobre Quem é Aquele que está diante dela, ela deixa de se preocupar com questões pessoais, esquece-se até que as pessoas da aldeia a criticam pelo seu estilo de vida. Esquece-se dos preconceitos religiosos.
Corre para a aldeia a fim de contar a todas as pessoas que encontrou o Homem que lhe contava tudo o que ela tinha feito. É possível que ela tenha gritado em todas as esquinas, batido em cada porta, porque era hora de calor e toda a gente estava em casa. ‘Encontrei Aquele que pode curar todas as feridas. Sou feliz, encontrei o Cristo, o Filho de Deus, e isso me basta, venham!’
Aquela mulher, habitualmente taciturna, tem agora um brilho no rosto. E os seus vizinhos podiam ver que ela tinha encontrado o Salvador. Ela era uma luz, ela que tinha sido uma vela apagada, brilhava agora, e o povo correu a encontrar-se com Jesus e convidaram Jesus a ficar com eles. Dois dias depois do Senhor ter ficado com eles, davam testemunho: “Já não é pelo que disseste que nós cremos, mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do Mundo.” João 4:40,42
Jesus foi um ponto de viragem na vida da samaritana. Ela sentiu que era uma mulher pegada e largada, uma mulher não amada, cinco maridos que a tinham abandonado, e o que estava com ela agora, não queria casar, não queria publicamente dizer: “Até que a morte nos separe”. Isto deve fazer mal a um coração? Depois que encontrou a Jesus, era uma nova pessoa!
Deixem que vos pergunte: Já encontrastes Jesus? Tendes a alegria de viver a paz, ou sinceramente reconheceis que viveis como pessoas taciturnas, tristes, sem paz?!
A primeira coisa que Jesus fez pela mulher foi revelar-Se como o “Eu Sou”, Aquele que antes de ser já era, Aquele que encarnou para revelar Deus. E ela intuitivamente compreendeu que não havia nada que ela Lhe pudesse dizer que Ele já não soubesse.
É verdade que podemos resistir-Lhe e Ele conservar-se-á longe porque Ele não impõe a Sua presença, Ele respeita a liberdade com que nos criou. Mas não podemos impedir que Ele saiba, mesmo mantendo-O à distância, que Ele saiba quais são os nossos sentimentos e as nossas necessidades. O salmista teve estas palavras: “Ó Senhor, tu me sondaste e me conheces. Tu conheces o meu sentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar, conheces todos os meus caminhos. Sem que haja uma palavra na minha língua, ó Senhor, tudo conheces.” Salmo 139:1-4
A verdadeira sabedoria não vem pela observação exterior, mas pela revelação interior. Por isso aquilo que o salmista tinha dificuldade em compreender, Jesus encarnou para vir pessoalmente a fim de nos ajudar a abrir os nossos corações.
A segunda ilação que a samaritana tirou foi: Jesus pode perdoar e reconciliar-nos connosco próprios e com Deus.
Gosto muito da afirmação de um autor cristão que diz: “Encontrar o perdão real, conhecer o estranho poder de um amor que não nos abandonará, e conhecer um novo sentido de limpeza interior, é isto o que significa ser salvo. Ser salvo de tudo o que significa separação de Deus.” Josiah Royce
A mulher samaritana pensava que os seus problemas eram todos os seus casamentos fracassados, mas ela veio a descobrir que o que a debilitava era a orientação que tinha dado à sua vida. E que era isso mesmo que a debilitava e certamente fazia com que aqueles que com ela viviam se afastassem. A partir do momento em que o “Ego Eimi” tomou o controlo da sua vida, Jesus perdoou o passado, consertou o presente e guiou-a no futuro!
Às vezes precisamos de começar de novo, como uma caixa registadora, do zero, sem nada na fita. Isso é o que significa o perdão.

Porque será que temos palavras amáveis para os outros durante todo o dia, mas quando entramos pela porta de nossa própria casa há uma tendência para sermos diferentes? Amamos a nossa família de todo o coração. Mas ela sabe disso? Ou agimos como se já soubesse?
Vou terminar com a história mais linda que eu conheço. Trata-se de um jovem agricultor que chegou a casa numa noite, cansado, depois de um longo dia de trabalho. Por razões que a sua esposa ignorava, as vacas fugiram da cerca. E ele culpou-a por isso:
– Tu não tinhas mais nada para fazer – ele disse – podias pelo menos ter vigiado as vacas.
Imediatamente ele arrependeu-se. Mas o efeito das palavras já sangrava no coração da jovem esposa. Ele sentiu que devia pedir perdão aquela noite, mas o orgulho foi mais forte.
Na manhã seguinte ele estava com pressa e deixou a reconciliação para outra hora. Naquele dia, à tarde uma terrível tempestade aproximava-se e ele foi para casa. A casa estava vazia. Em cima da mesa havia um bilhete que dizia o seguinte: "As vacas fugiram outra vez, lamento. Fui procurá-las. Quando eu voltar, por favor, não me trates mal!” A esposa... naquela tempestade? Ele apressou-se em procurá-la, sem se importar com os animais. Ela não tinha percebido a gravidade da tempestade, que agora estava com toda a fúria. Relâmpagos rasgavam o céu. Os estrondos dos trovões eram ensurdecedores e o vento cegava. Ele procurou desesperadamente a sua amada. Toda a noite procurou nos vales e nas colinas. Quando o sol começou a brilhar ele voltou para casa e encontrou o corpo da esposa estirado não muito longe onde ele a tinha ferido com palavras. Agora era tarde para as palavras amáveis, ele teria dado tudo para as poder dizer.
Oh, se pela manhã, ele tivesse apagado as palavras duras da noite! Oh,... uma palavra, um gesto, teria evitado tanta angústia e tanta lágrima!
Oh,... lábios que mostram impaciência com palavras acusadoras e que provocam uma vida tão cruel... Oh, se a noite não fosse tão tarde, a manhã brilharia com sol!

Todos nós falhamos. Mas graças a Deus, podemos encontrar Jesus junto à beira do nosso caminho, hoje! Ele sabe, Ele tem remédio, para que se opere em nós uma mudança, uma cura se permitirmos que a divina presença entre na nossa alma. Que daria por um coração novo? Um lar feliz? Você prometeu junto ao altar o melhor. O Céu está pronto a ajudar!

José Carlos Costa, pastor 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O QUE FAZES TU AQUI?

PRECE: Bom dia, Sábado feliz! Senhor Deus nós nos achegamos a Ti, nosso compassivo Redentor; e rogamos-Te, por amor de Cristo, por amor do Teu próprio Filho, nosso Pai, que manifestes o Teu poder entre os que se achegam a Ti. Precisamos de sabedoria; precisamos da verdade; precisamos que o Espírito Santo esteja connosco. Em nome de Jesus. Amém.

História para crianças: Esta é a minha história preferida. Era uma vez na Tailândia, a Tailândia fica situada mesmo no sul da China, por isso já estão a ver que é muito longe. Esta história passou-se numa aldeia, as casas eram feitas de bambu. Numa das casas vivia o pai, que trabalhava no campo a cultivar arroz, a mãe que cozinhava e a filha. A menina tinha um nome Tailandês, mas podemos traduzi-lo para o nome da menina que tenha 6 anos. Quem é que tem 6 anos?

A coisa que esta menina mais gostava de fazer era olhar pela janela, olhava um largo que havia diante da janela da cozinha. Ela gostava de olhar os meninos a brincar no largo enquanto a mãe fazia o almoço. Naquele dia brincavam os seus melhores amigos e ela estava com vontade de pedir à mãe para a deixar ir brincar com eles. De repente viu lá ao fundo uma coluna de fumo, olhou durante uns instantes e o fumo continuava a subir para o céu. Então disse à sua mãe:
– Mãezinha, estou a ver fumo!

A mãe atarefada com o almoço respondeu:

– Muito bem, minha filha, continua a olhar!

Passou-se algum tempo e a Susana, começou a ver labaredas de fogo. Mas ela nem queria acreditar, por isso olhou mais algum tempo e finalmente ficou convencida que era mesmo fogo. Então disse:

– Agora, estou a ver fogo, fogo muito grande!

A mãe que continuava muito atarefada, pensou que os meninos que brincavam no lago tinham acendido uma fogueira e não deu muita importância. Por fim disse:

– Está bem, continua a olhar.

E a Susana continuou a olhar, mas o que viu foi que o fogo avançava rapidamente e queimava as casas todas, eram casas de bambu, e os vizinhos fugiam para a montanha. Então disse:

– Mãezinha, agora estou a ver as pessoas todas a fugirem para a montanha e as casas estão quase todas queimadas!

Nesta altura, a mãe começou a compreender que o que a menina estava a dizer era uma coisa muito séria e aproximou-se da janela. Ao ver o que se estava a passar, esqueceu-se do almoço, pegou na mão da Susana para fugir. Mas a Susana não estava de acordo e disse:

– Mãezinha, tu ensinas-me que devemos confiar em Jesus e que quando há perigo, nunca devemos fugir sem contar-Lhe os nossos problemas.

A mãe ajoelhou-se e fez uma oração muito rápida e já estava a levantar-se quando a Susana começou a orar:

“Senhor Jesus, Tu és tão forte e tão grande que podes apagar o fogo. Tu podes fazer qualquer coisa, soprar e apagar o fogo. Ou podes mandar chuva do céu e apagar o fogo…”

Entretanto a mãe começou a ficar impaciente porque a Susana nunca mais terminava a oração e tentou levantar-se e arrastar a Susana, mas ela continuava: “eu tenho muita fé, e confio em Ti meu Jesus… Não deixes que a nossa casinha se queime… Foi o meu pai que a fez e teve tanto trabalho… Olha, Jesus, eu sei que me estás a ouvir. Amém.”

Quando ela disse “Amém”. A mãe levantou-se rapidamente e já ia a sair de casa, quando olha para trás e vê que a Susana está à janela:

– Susana, minha filha, anda depressa, o fogo é muito grande e já está muito perto.

A Susana, com muita calma, olhava pela janela e ria-se, sentia uma grande felicidade, olhou para a mãe e disse:

– Eu sabia que podia confiar em Jesus. Ele ouve sempre as minhas orações. Vê? O fogo está apagar-se.

A mãe aproximou-se da janela e confirmou o que dizia a sua filha. De facto o vento tinha mudado de direcção e agora empurrava as chamas na direcção das casas que já tinham sido queimadas.

Sabem, meus queridos meninos, muitas pessoas pensam que foi o vento que mudou de direcção de forma natural. Mas, para a menina que eu chamo Susana e para mim, foi Jesus que respondeu à sua oração.

Quantos acreditam que foi Jesus que apagou o fogo, levantem as mãos!

A Susana ensinou uma grande lição à sua mãe. A lição que nas horas de perigo só Jesus pode ajudar!

Ela foi uma menina de fé, confiou em Jesus na hora difícil e não fugiu, orou e depois foi ver o que Jesus tinha feito. Jesus quer adul­tos, jovens e muitas crianças como esta menina. É isso que diz Jesus nesta passagem:

 “Vós sois o sal da terra. Mas se o sal se tornar insípido, com que se há-de salgar? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte. Nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo de um vasilha, mas no candelabro, e ilumina a todos os que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” Mateus 5:13-16

Há uma passagem correspondente no Antigo Testamento que encontramos em Isaías:
 “Levanta-te, resplandece, pois já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti. As trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o Senhor vem surgindo, e a Sua glória se vê sobre ti. As nações caminharão à tua luz, e os reis ao resplendor que te nasceu.” Isaías 60:1-3

Deus depositou toda a Sua luz, a luz que o mundo em trevas necessita, em pessoas como vós e como eu, gente simples e com defeitos! O sal moral e espiritual que um mundo moralmente doente necessita, Deus colocou-o em pessoas como vocês, como eu! Pessoas limitadas nos recursos económicos, recursos da sabedoria, gente que se engana e gagueja!

Além disso, estamos matematicamente derrotados. Parece que o fogo avança mais depressa que a nossa acção de evitar que pessoas sejam destruídas, perdidas, não recebam o aviso que o fogo se aproxima. A população mundial cresce mais rapidamente que prega­mos o evangelho. Até em Portugal, onde a população cresce lenta­mente, não conseguimos acompanhar o ritmo do crescimento espiritual.

Fazemos planos, como a Missão Global, ou seja estabelecer uma presença adventista, isto é ter uma igreja organizada, em todos os países, tribos, línguas e povos da Terra.

Todos desejamos que cada ser humano ouça falar da volta de Jesus! Todos queremos que ouçam a mensagem dos três anjos! Todos queremos ver o Céu rasgar-se e Jesus voltar em glória e majestade, como Rei dos reis e Senhor dos senhores! Queremos ir para o Lar! Eu quero ir! Pensei dar este título a esta mensagem: “Eu quero ir!” mas depois pensei: como posso apresentar este título se há tanto para fazer e estamos tão bem aqui?! Como podem este punhado de 8.000 Adventistas pregar a 10 milhões de portugueses?

No livro Serviço Cristão p. 7 diz assim:
“Deus poderia ter proclamado a Sua verdade por meio de anjos sem pecado…” E eu pergunto: Porque o não fez?

Deus poderia enviar uma companhia de anjos para anunciar a Sua mensagem numa noite escura, os anjos poderiam brilhar no céu, colocados em pontos estratégicos e, em menos de meia hora, anunciar o Evangelho a todo o Portugal, todas as aldeias, vilas e cidades deste país onde não há presença Adventista, poderiam saber que estamos a viver o Dia Final! Angola, Moçambique até chegar a S. Tomé e Príncipe, quem sabe às Ilhas de Cabo Verde, ao Brasil, fazer isto falando numa só língua, o português.

Poderia enviar uma Companhia de anjos, numa noite escura e escrever no céu de Portugal em letras de fogo. E num instante todos saberiam a verdade! Deus poderia ter feito isto porque Ele tem todo o poder!

E poderia fazê-lo em todos os países, tribos, línguas e povos da Terra. Então terminaria a obra num instante. Ninguém ignoraria o anúncio. Mas o texto inspirado do Serviço Cristão acrescenta: “…mas não era este o Seu plano.” Porquê?

Por que razão não é o plano de Deus? Porque Satanás poderia imitar os planos de Deus, se o Senhor enviasse Companhias de anjos para anunciar de viva voz ou com letras de fogo a mensagem, Satanás enviaria ele também Companhias de anjos maus para anunciar uma mensagem contrária. Então o mundo ficaria ainda mais confuso. Reconheçamos, com tantas religiões muitas pessoas vivem já confundidas!

Satanás pode falar a língua dos homens e a língua dos anjos. O jornalista Mexicano, José Pagés Llergo, foi jornalista em Berlim antes da II Guerra Mundial, ouviu Hitler falar no Palácio dos Congressos.

Diz que ele falava com poder e arrebatamento. Impressionava as multidões. Um dia enquanto discursava, de repente parou e começou a olhar para o alto, com as mãos estendidas para o céu. Permaneceu nesta posição muito tempo. A multidão estava no mais profundo silêncio. Muitas pessoas choravam.

O jornalista, não compreendia muito bem a língua alemã e não percebeu por que razão Hitler estava naquela posição e menos ainda o silêncio do povo e as lágrimas. Então perguntou a uma senhora que estava ao seu lado:

– O que está a fazer o Furher?

Ela respondeu de forma ríspida:

 – Cale-se, o Furher está a falar com Deus!

O homem mais sanguinário do século XX, fez crer às pessoas que estava a falar com Deus. Por isso Deus não Se serve dos anjos. Não usa esse plano porque Satanás poderia facilmente imitá-lo. O livro Serviço Cristão, ainda na página 7 conclui dizendo: “Temos, porém este tesouro em vasos de barro”

O apóstolo Paulo exorta a cada crente fiel:

 “Pois Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.” II Coríntios 4:6-7

Deus mandou que das trevas resplandecesse a luz ao dizer: “Vós sois a luz do mundo”, para que isto pudesse acontecer Ele teve primeiro que brilhar nos nossos corações, “para iluminação do conhecimento da glória de Deus”. Por esta razão “colocou” o tesouro, as indescritíveis riquezas de Cristo, a Luz que um mundo em trevas necessita, e o sal da Terra, em vasos de barro.

Porquê?
Porque quer beneficiar e educar a toda a humanidade. Quer que participemos do Seu amor, sabe que necessitamos desta participação para desenvolvermos o nosso carácter. Sabe que necessitamos de participar no Seu plano de salvar outros homens e mulheres para que alcancemos a perfeição. Para sermos semelhantes a Jesus Cristo.

Mas também porque Satanás não pode imitar! Satanás não pode imitar as palavras de um coração renovado, tocado pelo amor de Cristo, resgatado de uma vã maneira de viver “sem esperança e sem Deus no mundo”!

Satanás não pode imitar uma vida santa. Não pode imitar a modulação de uma voz que foi tocada pelo amor de Cristo.

Foi com este tipo de pessoas que Deus trabalhou no Antigo Testamento. Foi com este género de homens e mulheres que Jesus trabalhou no Novo Testamento e é com este barro humano que Deus quer trabalhar no presente tempo!

Uma das experiências mais emocionantes é a vivida por Gideão e os trezentos audazes. É uma história que se encontra em dois capítulos, Juízes 6,7. Os midianitas oprimiam severamente os filhos de Israel. Deus ordenou a Gideão que organizasse um exército e Gideão fez o que o Senhor mandava e reuniu 32.000 soldados.

Quando Gideão viu que tudo estava preparado para ir à batalha em nome do Senhor, Deus diz-lhe: “É demais o povo que está contigo, para eu dar os midianitas nas suas mãos. A fim de que Israel não se glorie contra Mim, dizendo: o meu próprio poder me livrou.” Juízes 7:2

E Deus acrescenta: “Experimenta-os”: “Anuncia aos ouvidos do povo: Quem for medroso e tímido, volte, (volte para casa). Então voltaram do povo vinte e dois mil, e dez mil ficaram.” Juízes 7:3

Deus olhou aqueles dez mil e disse: Ainda há povo a mais. Experimenta-os outra vez: “Fez Gideão descer o povo às águas. Então o Senhor disse a Gideão: Qualquer que lamber as águas com a sua língua, como as lambe o cão, esse porás à parte…” Juízes 7:5. Só 300 beberam água como a bebem os cães. E Deus disse a Gideão: “Com estes trezentos homens que lamberam a água eu vos salvarei.” Juízes 7:7

Perante esta situação Gideão exprimiu o seu temor: “Senhor, eles são como a areia do mar, são uma grande multidão, e Tu queres que eu vá contra eles, só com estes 300 homens?”

Deus pacientemente ouviu e animou-o, dizendo: “Se ainda temes, vai com o teu criado Purá ao arraial dos midianitas e ouvirás o que dizem, e então se fortalecerão as tuas mãos.” Juízes 7:10-11

(contar o sonho do soldado midianita aos seus companheiros (Juízes 7:13-15)

Agora Gideão sabia que esta vitória não seria ganha pela força ou habilidade dos seus homens, estes seriam instrumentos nas mãos de Deus para trazerem paz, segurança ao povo de Deus. Saberiam que quando se tem Deus por perto, não há impossíveis. Sim, se o povo Adventista em Portugal quiser viver a experiência de Gideão de confiar no poder de Deus, veremos milagres, nós somos o povo que Deus necessita para ir e anunciar as maravilhas de Deus!

Porém, Gideão compreendeu uma coisa muito importante: apesar do poder de Deus disponibilizado para a vitória, são ainda assim precisas duas coisas: disponibilidade completa do instrumento humano e uma estratégia, ou seja, organização. Assim, dividiu o seu exército de trezentos homens em três companhias, ou batalhões. Depois colocou-os em posições estratégicas ao redor do acampamento dos midianitas, deu uma tocha, um cântaro e uma trombeta a cada soldado e ordenou:

 “Eu tocarei a trombeta e os que estiverem comigo, então também vós tocareis a trombeta ao redor de todo o arraial, e direis: Pelo Senhor e por Gideão!… Tocaram as trombetas, e partiram os cântaros que traziam nas mãos.” Juízes 7:18,19

Os midianitas dormiam profundamente e no silêncio da noite não ouviram 300 trombetas! Ouviram a trombeta do juízo final. Não viram 300 tochas! Viram carros e espadas de fogo nas colinas. Levantaram-se aterrorizados, deixaram tudo e fugiram abandonando as suas tendas e vendo em cada homem que se movimentava um inimigo.

Sim, homens disponíveis são ainda hoje vasos de barro, mas nas mãos de Deus continuam a ter poder!

Foi esta também a experiência de Eliseu, o servo do Altíssimo. Vamos ler:

 “Os homens da cidade disseram a Eliseu: Como o meu senhor vê, esta cidade é bem situada, mas as águas são más, e a terra é estéril. Disse Eliseu: Trazei-me uma tigela nova, e ponde nela sal. E eles a trouxeram. Então saiu ele à nascente das águas, e deitou sal nela, dizendo: Assim diz o Senhor: Sararei estas águas. Jamais causarão morte nem esterilidade. Ficaram sãs aquelas águas até ao dia de hoje, conforme a palavra que Eliseu tinha dito.” II Reis 2:19-22

“Tragam uma tigela nova, e ponde nela sal” foi exactamente o que disse Deus. Irmãos e irmãs, hoje, esta terra é boa! Quando saiu das mãos do Senhor, Ele disse que era “muito boa”. Mas as águas, segundo Apocalipse 17:15 “os povos, multidões, nações e línguas” que a habitam, são maus.

A terra está enferma: “Toda a cabeça está enferma, e todo o coração fraco.” Isaías 1:5 e no capítulo 24 e versículos 4-5 o mesmo profeta diz: “A terra seca-se e se murcha, o mundo enfraquece e se murcha, enfraquecem os mais altos do povo da terra. A terra está contaminada por causa dos seus moradores; desobedeceram às leis, mudaram os estatutos, e quebraram a aliança eterna.” Isaías 24:4,5

A terra está enferma, seca-se e murcha, o mundo enfraquece, a terra está contaminada por causa dos seus moradores, porque desobedecem às leis, mudaram os estatutos, e quebraram a aliança eterna. A terra está doente. Precisa de cura, precisa de remédio. Necessita do medicamento, do sal e da luz. Chegaram ao ponto como está descrito ainda no profeta Isaías 60:2 “As trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos.”

Mas Jesus disse: “Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo”. Toda a luz que um mundo em trevas necessita, Jesus a tem conservado em vasos de barro. Todo o sal que este mundo contaminado necessita, o Senhor Jesus tem-no guardado, conservado em vasos de barro. Mas os vasos devem ser novos, a tigela tem de ser nova como disse Eliseu. O sal da justiça de Cristo quando está colocado em tigelas novas, em vidas convertidas e santificadas, tem poder!

Tem de haver uma grande obra de transformação na nossa vida. E todos nós a desejamos. Mas porquê, às vezes, achamos isso impossível? Numa recente meditação lia-se a história de um velho Chevrolett que queria ser um carro novo.

Para isso, pediu ao seu dono que lhe trocasse o escape. Logo a seguir, percebeu que continuava o mesmo carro. Pediu, então, para o porem a consumir gasolina especial. O resultado foi o mesmo. A seguir, achou que ele deveria receber uma nova pintura. Quando saiu pelas ruas da cidade, estava feliz e orgulhoso, mas, no íntimo, continuava a ser o velho Chevrolett. Teve até a ideia de trocar o ano de fabrico nos documentos, mas nada disso resolveu. Finalmente, disse ao proprietário: “Leve-me ao fabricante.” E assim foi. Ao chegar à fábrica, foi levado a um lugar estranho. À entrada estava escrito: “Ferro velho” O velho Chevrolett ficou assustado, mas submeteu-se humildemente a um longo e doloroso processo. Foi desmontado, peça por peca, e finalmente transformado num carro zero.

Nas nossas tentativas para ser um vaso novo, queremos nós vencer o mal, a ferrugem que nos consome e que nos retira poder. Usamos muitas estratégias, mas só uma funciona: colocar o “homem velho” nas mãos do Fabricante celestial. Ele tem poder, o poder que Deus manifestou em Samaria, ainda o tem hoje!

Samaria foi sitiada pelos Sírios. Havia fome na terra. Tanta fome que as mães cozinhavam os seus próprios filhos e os comiam (II Reis 6:23-29). E havia quatro homens leprosos que estavam da parte de fora da cidade. Os leprosos naquele tempo eram desprezados. Eu posso imaginar a desgraça destes quatro homens, doentes e nada para comer, nem restos. Então tomaram uma decisão: “Para que estaremos nós aqui assentados até morrermos? Se dissermos: Entremos na cidade, há fome na cidade, e morreremos aí. Se ficarmos aqui, também morreremos. Portanto, vamo-nos ao arraial siro e nos rendamos. Se nos deixarem viver, viveremos; se nos matarem, tão-somente morreremos.” II Reis 7:3,4

Eles não tinham como costumamos dizer: por onde escapar! Faz-me pensar na via rápida que liga Aveiro a Vilar Formoso, conhecida como a estrada da morte. A primeira vez que aí passei, fiquei admirado porque nas zonas mais perigosas existem pequenas saídas. Se os travões não travarem, podem entrar nessas saídas que são uma espécie de beco em que a rua é metade alcatroada e metade de areia, para travar as rodas dos veículos. A estrada da morte, mesmo assim tem saídas de emergência. Mas estes quatro homens não tinham saída. Por isso foram para o acampamento dos Siros. Mas não estava lá ninguém!

 “Pois o Senhor fizera ouvir no arraial dos Siros um ruído de carros e de cavalos, como o ruído de um grande exército, de maneira que disseram uns aos outros: Vede, o rei de Israel alugou os reis dos heteus e os reis dos egípcios, para virem contra nós. Pelo que se levantaram e fugiram, ao crepúsculo, e abandonaram as suas tendas, os seus cavalos, e os seus jumentos. Deixaram o arraial como estava, e fugiram para salvar a sua vida.” II Reis 7:6,7

Quando os leprosos chegaram ao arraial encontraram comida, as mesas estavam postas e comeram e beberam até saciar-se. Agora, que estavam com o estômago cheio, começaram a dar uma volta pelo acampamento e ficaram surpreendidos com o ouro, os colares, anéis, e tantas jóias que os siros ali tinham deixado. Pensaram, “o nosso futuro está garantido”, e começaram a abrir buracos durante toda a noite para esconder aquele precioso tesouro. Mas, pensaram um pouco melhor e disseram: “Não fazemos bem. Este dia é dia de boas novas, e nos calamos. Se esperarmos até a luz da manhã algum castigo nos sobrevirá. Pelo que vamos e o anunciemos à casa do rei.” II Reis 7:9

Quantos crentes estão acumulando tesouros, enquanto tanta gente perece por falta das boas novas! Mas irmãos, se chega o amanhecer, o dia em que começa a eternidade, e não anunciámos as boas novas, como disseram os leprosos “algum castigo nos sobrevirá”, é hora de dizermos: “Pelo que vamos e o anunciemos à casa do Rei.”

Sim, quantos estão acumulando tesouros! Participando em negócios, a estudar nas Universidades com o único propósito de acumular dinheiro, de ter património! “Que estamos a fazer aqui?” disseram os leprosos. Sim, querido irmão e irmã, o que estás a fazer aqui? Estão vocês seguros de que é a vontade de Deus que estejam aqui? Não será porventura que o Senhor Deus tem para si uma obra num outro lugar e o irmão e a irmã têm vivido indiferentes a isso?

Será que ao vosso lado há homens e mulheres com fome do pão da vida e não o tendes partilhado com eles? Que estamos a fazer aqui? Iremos ficar fora das muralhas da cidade para morrer ou vamos pelos campos e valados de forma destemida?

Um dia ouvi um irmão contar uma história com lágrimas nos olhos e na alma. Ele vivia numa pequena cidade da Áustria. Vivia no R/C Direito, mas no R/C Esquerdo, vivia um homem viúvo. Era um homem que não falava, vivia a sua dor de viúvo, sozinho. Um dia o nosso irmão disse à esposa:

–Tens visto o nosso vizinho?

Ela parou, pensou e disse:

– Há muitos meses que não o vejo!

Ele saiu e bateu à porta. Ninguém respondeu. Vigiou dois ou três dias, mas ninguém entrou ou saiu. Finalmente decidiu-se por chamar a Polícia e os Bombeiros. Estes vieram, arrombaram a porta. E o nosso irmão pôde ver uma caveira estendida no corredor, com a cabeça na direcção da porta. Perguntou a um médico que estava ali, se lhe podia dizer há quanto tempo teria este homem morrido. O médico disse-lhe no mínimo dois anos e meio.

Agora ao contar a experiência. O nosso irmão dizia:

– Há dois anos e meio o meu vizinho provavelmente pensou em mim, precisou de mim, há dois anos e meio numa madrugada ele ter-se-á sentido mal, um aperto no coração, precisou de ajuda, de socorro e caminhou na direcção da porta, mas não teve força para abrir, caiu e morreu. Morreu sem saber que ao lado havia alguém que tem o pão e o sal da vida! “Não quero acreditar que isto se passou comigo”, dizia.

Há quase três mil anos, um homem, escondeu-se numa gruta no Monte Horebe. Este lugar é no extremo sul da Península do Sinai e Deus foi ter com ele e perguntou-lhe: “O que fazes aqui, Elias?” I Reis 19:9. A obra que tens a realizar é no Norte. Alimentei-te com trigo do céu e pão dos anjos para que fosses para o Norte. O que fazes tu aqui no Sul? E Elias começou a argumentar com o Senhor. Deus, porém, ordena:
 “Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco.” “Quando lá chegares, unge a Hazael rei sobre a Síria.”
“E a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel.”
“Ungirás a Eliseu profeta em teu lugar.” I Reis 19:15,16

Estamos seguros e certos perante Deus e a nossa consciência de que estamos no lugar certo, a fazer o que Deus quer? O que estás tu a fazer aqui?

Conta uma antiga lenda que quando Jesus voltou para o Céu teve uma conversa com o Anjo Gabriel. O Anjo perguntou-Lhe:
– Senhor, sofreste muito para salvar os homens?
Jesus respondeu:
– Sim, Gabriel, muito.
– E todos os homens sabem? – Voltou a perguntar o Anjo.
– Não – disse Jesus – só o sabem algumas pessoas na Palestina.
– E que farás para que todos o saibam? – perguntou Gabriel, preocupado.
– Bom – disse Jesus – pedi a Pedro, a Tiago e a João e aos outros Meus discípulos que o contassem a outras pessoas, e aos que os ouvissem que dissessem a outros, até que toda a Terra o saiba.
–  Mas, Senhor – disse Gabriel – suponhamos que passe o tempo, e os Teus discípulos esqueçam de anunciar as boas novas. Que farás nesse caso?
Jesus calmamente respondeu:
– Não tenho outro plano, Gabriel. Espero que cumpram com o seu dever.

Jesus disse: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós”. Saiamos irmãos e anunciemos a boa nova. Jesus ainda confia. Confia em ti, confia em mim, e nós no poder do Espírito não podemos desiludir Quem tanto amou e confiou! Ele disse: “Vós sois o sal e a luz do mundo!” Foi Ele que disse, Ele quer agir através do SEU Espírito, mas precisa dum vaso, para transformar as águas que não prestam em água viva!

José Carlos Costa, pastor