sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Chamados a Uma Missão e para ela Fomos Dotados

João 15: 1-27
"Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; afim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda." João 15: 16.
Introdução
A igreja exerce um papel profético. Embora enfrente crises e obstáculos, tem a grandiosa promessa de Jesus: “Eis que estou convosco”. Seu grande desafio é permanecer firmada em Jesus, a fim de dar fruto, Jo 15: 5.
Para que os planos e estratégias da Igreja sejam bem-sucedidos, cada crente precisa entender que não foi chamado para viver dentro das quatro paredes do templo. Ele precisa ser o sal da terra e a luz do mundo, pregar contra o pecado e ter uma vida frutífera, Mt 5: 13 e 14. Este é nosso tema de hoje.
1.      Chamados a dar frutos.
Na alegoria de João 15: 1-27, Jesus se apresenta como sendo a “videira verdadeira”. Seus discípulos são os ramos e só frutificam se estiverem ligados a Ele, fonte verdadeira de vida. Nesse processo divino, todo ramo que não dá fruto é cortado e lançado fora; e todo aquele que dá fruto requer um cuidado especial, para que frutifique ainda mais, v. 2.
A vida de frutificação pregada por Jesus precisa ser vista como base de crescimento e maturidade da Igreja. Deus não está interessado em salvar o pecador simplesmente para usufruir de suas bênçãos. Ele requer de cada cristão uma vida frutífera.
a) O chamado é para todos. Não são apenas alguns que precisam santificar suas vidas, orar, pregar a Palavra, etc. Todos os salvos têm os mesmos compromissos diante de Deus. Quando o Senhor voltar para buscar sua Igreja, pedirá contas a todos, 2 Co 5: 10.
b) O compromisso é pessoal, Jo.15: 4. Jesus atribui a cada cristão a missão de trabalhar pelo crescimento da igreja. Essa individualidade implica compromisso pessoal e envolvimento diário por parte de cada um de nós, como um corpo bem ajustado, 1 Co 12: 12.
2. Aperfeiçoando os talentos.
Deus jamais exigiria de um cristão uma vida de frutificação sem antes prover os recursos necessários para o trabalho. Se não fosse assim, poderíamos nos escusar quando o Senhor viesse para ajustar as contas com sua igreja. A parábola dos talentos, narrada em Mt 25: 14-30, ilustra esta verdade. A história diz que certo homem ausentou-se de sua terra e entregou seus bens a seus servos, para serem trabalhados com disposição, seriedade e coragem. O que nos ensina esta passagem?
a) Talento gera talento. O homem que recebera cinco talentos ganhou com eles outros cinco; o que tinha dois granjeou outros dois, w. 20 e 22. A diligência levou à multiplicação. Então, se talento gera talento, poe-se dizer que ovelha gera ovelha. Para tanto, cada crente precisa colocar suas aptidões cristãs a serviço do Reino de Deus. É maravilhoso saber que quando usamos nossos talentos e dons na obra de Deus, a Igreja é favorecida e abençoada.
b) Frutificar requer esforço e trabalho. Os servos se esforçaram para que os talentos se multiplicassem. Trabalharam com seriedade, porque sabiam que seu senhor haveria de voltar a qualquer momento e pediria contas dos bens. Aquele que recebeu um talento nada fez para que o valor recebido fosse multiplicado; sequer o entregou aos banqueiros, v. 27.
Na vida espiritual também é assim. Nada acontece sem que haja esforço, empenho, disposição e amor. O Senhor disse a Josué: "Esforça-te, e tem bom ânimo…" Js 1: 9.
3.O perigo de não dar fruto.
Para ilustrar este ponto, vamos à parábola da figueira estéril, Lc 13: 6-9. Aprendemos as seguintes lições:
a) Fidelidade e privilégios. O Judaísmo foi comparado por Jesus a uma figueira infrutífera. Esperava-se que entre o povo escolhido houvesse fé, devoção, contrição e santidade. No entanto, havia apenas formalismo religioso e pecados ocultos. Deus não queria folhas, mas frutos. Deus exige fidelidade proporcional às aptidões espirituais que Ele nos concede.
b) Uma igreja infrutífera. Qual não foi a decepção do senhor da vinha que, durante três anos, não pôde encontrar um fruto sequer em sua plantação. O povo escolhido não estava correspondendo ao chamado de Deus. Por isso, estava sendo infrutífero em suas realizações, como uma planta que ocupa a terra inutilmente, v. 7. Muitas igrejas hoje assemelham-se ao Israel daquela época. A cada ano Deus tem procurado frutos, mas nada tem encontrado.
Conclusão:
Assim como a figueira, o cristão infrutífero na vida espiritual corre o risco de ser cortado. O que contribuiu para que a figueira infrutífera não fosse cortada foi a pronta e amorosa atitude do vinhateiro, Lc 13: 8, 9. No entanto, nada se sabe sobre o seu o seu fim. Mas, uma coisa é certa, ela teve a oportunidade de continuar plantada, para apresentar os frutos ao seu senhor.

Deus tem dado a cada crente muitas oportunidades de se envolver com o crescimento da igreja. Vamos aproveitá-las e, com muita dedicação, fazer a obra do Senhor.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Diante da Morte - Funeral


Sermão para ocasião especial: Funeral    

Título: Diante da morte
Texto: São João 11: 25,26.



Introdução:
A – Este é um momento de tristeza para todos nós...
B – O ser humano não se acostuma com a morte. Ninguém quer morrer. Todos nós gostamos da vida.
Experiência de Steve Jobs, o poderoso da Apple. Estando com um câncer sem cura, prestes a morrer, foi convidado a falar na numa universidade. Aproveitou para falar de sua doença e da esperança de continuar vivendo. Dizia: “Ninguém quer morrer. Nem mesmo aqueles que aspiram a um lugar no céu querem morrer. Eles preferem continuar vivos”.
Acredito que Steve Jobs tenha razão. Porque, se aqui neste cemitério, eu procurasse se alguém quer ir para o céu agora que caia neste buraco, quem iria cair? Certamente ninguém gostaria de ser sepultado, porque todos amam a vida.


I – NÃO NOS ACOSTUMAMOS COM A MORTE
A – Por que o homem não se acostuma com a morte?
1– Porque o homem não foi criado por Deus para morrer.
2– A morte é uma consequência do pecado.
“Então a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em dele comerdes se vos abrirão  os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal”. (Gen. 3:4 e 5).
“No suor do rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.” (Gen. 3:19).
B – É por isso que todos os homens morrem.
1 – Pode uma criança dizer: “Eu ainda não iniciei a vida”.
2 – Pode um jovem dizer: “Eu ainda não me preparei para a vida”.
3 – Pode um idoso dizer: “Eu ainda não me enfadei da vida.”
B – A morte é inexorável. Quando Ela chega não escolhe:
1– Idade, sexo, cultura, religião, posição social, cor da pele...
2– Diante da morte todos os homens são iguais.
a)No cemitério, todos os homens estão no mesmo nível.


II – O SALÁRIO DO PECADO.
A – Que aceitemos ou não, a morte é o salário do pecado.
1 – São Paulo diz: “Porque o salário do pecado é a morte”. (Rom. 6:23 primeira parte).
2 – Mas, na segunda parte do verso, há uma esperança: “Mas o dom gratuito de Deus é a  vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”. (Segunda parte).

III – HÁ ESPERANÇA PARA O PECADOR MORTAL
A – A morte não é o fim.
1 – Os mortos viverão outra vez por ocasião da volta de Jesus. Foi o próprio Jesus que disse: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do  juízo”. (S. João 5:28 e 29).

IV – PARA O CRENTE, A MORTE É UM SONO.
A – Jesus ilustrou este fato com a morte de Lázaro.
1 – O lar de Lázaro, Maria e Marta era o lugar onde Jesus sempre encontrava abrigo. Lázaro adoecera e logo em seguida veio a falecer. Jesus estava em outra província distante, quando soube do que acontecera.
2 – Jesus disse a seus discípulos: “Nosso amigo Lazaro adormeceu, mas vou despertá-lo”. (S. João 11:11, 12). Os discípulos, não entendendo a linguagem de Jesus, disseram: “ Senhor, se dorme, então, está vivo.”
3 – Jesus explicou-lhes claramente: “Lázaro morreu.” (V. 14)
4 – Jesus e seus discípulos se dirigiram a Betânia, lugar onde Lázaro, Maria e Marta viviam.


V – DIANTE DA MORTE  
A – Lázaro já estava sepultado fazia quatro dias.
1 – Diante do túmulo Jesus chorou. Quando os incrédulos viram Jesus chorar, pensaram: “Por que deixou Lázaro morrer?”
a)Ele não curou  muitos cegos, coxos, paralíticos, leprosos... Por que deixou acontecer? Por que agora está chorando?
2 – Você que agora está chorando também, lembre-se: Nem mesmo Jesus se livrou das lágrimas. A Bíblia diz que Jesus chorou duas vezes:
a) Chorou por Jerusalém e chorou no túmulo de Lázaro. 
B – Jesus orou ante ao túmulo de Lázaro. Existem muitos cristãos que acreditam que a pessoa, quando morre se é boa vai logo para o céu; se é má, para o inferno. Mas onde estava Lázaro? No céu ou no inferno? 
1 - Em nenhum dos dois lugares: Lázaro estava na sepultura.
2 – Jesus disse: “Lazaro, vem para fora”.
a)Lázaro saiu do túmulo, onde estava há quatro dias.
C – Jesus é a ressurreição e a vida. 
“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim ainda que morra viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?” (S. João 11:25, 26).
D – “Crês isto?”
1 – Estas palavras de Jesus foram ditas a Marta, a irmã do morto.
2 – Jesus está dizendo a mesma coisa a nós, aqui, neste momento de dor: “Crês tu na ressurreição?”
a)”Eu sei” - replicou Marta – “que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia”.
(1) E você que me ouve neste momento solene? Você, como Marta, crê na ressurreição?
(2) Jesus nos diz: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim ainda que morra, viverá.” (S. João 11:25).


Conclusão e apelo:
1 – Deve ser este um momento de profunda reflexão para todos nós. Hoje estamos vivos. Amanhã, não sabemos. Por isso, devemos nos preparar para a morte.
2 – Como está a sua vida com Deus? Se você morresse hoje estaria preparado?
3 – Faço um apelo à família enlutada para viver unida, aguardando a volta de Jesus, quando os mortos irão ressuscitar.
4 – Que Deus abençoe a todos nós. Amém!
Hinos Sugeridos: H.A.  570, 571, 563, 554, 272, 274.


Pr. Emmanuel de Jesus Saraiva 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A POBREZA DE UMA VIDA COM RIQUEZAS!

ECLESIASTES 2.1-11
As riquezas têm sido o alvo de muita gente. Vivendo sob um sistema económico capita­lista e em um contexto cultural e social plenamente consumista, a obtenção de riquezas tem-se traduzido no alvo de vida e realização de muitas pessoas. Muitos pensam que ao atingir uma certa independência financeira, ao montar seu “império” económico, a felici­dade, a satisfação e o sentido da vida vão fluir interiormente, trazendo paz ao coração conturbado. É o pensamento de que quanto mais se tem (bens e riquezas) mais se é algo na vida. Assim sendo, não importa a maneira como se chega a possuir; o importante é possuir.
Vemos o aumento da violência, dos assaltos, sequestros, roubos, extorsões, golpes, ne­gociatas, trapaças, sonegações etc., tudo isso, geralmente, em busca de riquezas. O pior de tudo é que estas pessoas nunca se satisfazem com o que conseguem acumular. É a pobreza de uma vida com riquezas.
1 AMBIENTE HISTÓRICO
O rei Salomão era filho do rei Davi com a ex-mulher de Urias – Bate-Seba. Seu nome significa “pacífico”. O profeta Natã o chamou de Jedidias, que quer dizer “amável do Senhor” (II Sm 12.25). Salomão começou a reinar com a idade de 20 anos. Obediente às orientações de seu pai, seguiu inicialmente os caminhos do Senhor, e por isso recebeu de Deus o presente da sabedoria (I Rs 3.3-28). Assim, Salomão começou seu reinado julgando seu povo com a luz divina. Salomão construiu um império económico invejável (I Rs 10).
Contudo, as suas diver­sas alianças com os povos vizinhos o levaram a inúmeros casamentos, o que acabou prejudi­cando o seu reinado. Ele começou a importar os costumes religiosos destas suas mil mulheres (I Rs 11.1-8), e seu coração se deixou seduzir pelos cultos pagãos. Apesar de toda pompa e riqueza, Salomão viveu dias de profunda pobreza. Seu coração apartou-se do Senhor, ele passou a explorar terrivelmente o povo e a vida se tomou uma enorme vaidade, algo sem sentido, como se lê em Eclesiastes: “correr atrás do vento” (v. 11). Salomão: a pobreza de uma vida cheia de riquezas. Tal condição de vida pode ser assim caracterizada:
2 VIDA CENTRADA NA AUTO-PROMOÇÃO
Salomão, quando começou a reinar, pediu a Deus sabedoria para servir ao povo que liderava, com justiça e verdade. Contudo, sua atuação política e seus conchavos sociais o levaram a um afastamento de Deus e dos ideais que antes sustentava.
Em Eclesiastes 2.1-11 encontramos um ideal alterado. Vemos um homem a serviço de si mesmo. Alguém somente preocupado com seu nome, com seus feitos, com suas obras. Perde-se a conta de quantas vezes aparecem no texto as expressões: “meu”, “minha”, e os verbos na primeira pessoa do singular, em alusão ao “eu”.
A pobreza de uma vida cheia de riquezas é marcada por uma visão absolutizada de si mesmo, onde descarta-se o semelhante e ignora-se Deus, onde a expressão “serviço” deixa de existir no dicionário da vida, a não ser se for para ostentar e evidenciar seu próprio nome.
Hoje, essa postura de Salomão tem tomado conta da vida de muita gente. É a vida ego centralizada, onde “não se move uma palha” pelas necessidades do semelhante e do necessitado. Temos em nosso país pessoas que fazem de tudo para ter seus nomes em desta­que. Pessoas que só se preocupam com seus próprios interesses. A vida de nossa nação tem-se tornado cada vez mais pobre, por causa da vida que está centralizada em si mesma.
3 VIDA PREOCUPADA COM FUTILIDADES
Uma outra realidade da vida de Salomão, no início de seu reinado, era a preocupação com a justiça social, com a verdade dos fatos, com uma política voltada para o bem-estar do povo, com a decência. Ideais nobres, porém frágeis em sua vida que, ao desviar-se de Deus modifica-os terrivelmente.
Em Eclesiastes vemos a tremenda preocupação de Salomão em fazer alguma coisa. Ele procurava satisfação e paz de consciência em suas obras. Mas estas obras não lhe conferiram nada. Diz o texto: “Empreendi grandes obras, edifiquei para mim casas, plantei vinhas, fiz jardins, pomares. Fiz para mim açudes…”(vv.4-6). Mas nada disso preencheu os seus anseios.
A preocupação de uma vida marcada pela pobreza, ainda que cheia de riquezas materi­ais é evidenciada pela consolidação das futilidades. Para muitas pessoas a vida se resume apenas em férias no exterior, gastos astronómicos com carros caríssimos, mansões, praias particulares, banquetes em restaurantes requintadíssimos, grifes… Para muita gente, isto é vida. Que pobreza interior!
Enquanto isso, milhares de pessoas trabalham para amenizar a fome no país. Outras acordam nas madrugadas para enfrentar as filas e as greves nos transportes urbanos das cidades. Moram em barracos nas encostas dos morros que, em épocas de chuva, desabam matando muitos.
As reais necessidades humanas são desprezadas, enquanto se dá grande valor às maio­res futilidades.
4 BUSCA DO PRAZER NA VIDA VAZIA
Outra realidade descrita no reinado iniciante de Salomão, era o prazer que tinha em ser instrumento de Deus para o governo do povo. Uma vez que se perde isto na vida, o homem anda desesperadamente à procura de algo que possa substituir esta realidade.
Eclesiastes apresenta um Salomão boémio, desvairado, inveterado, ébrio, alguém que forja inúmeras alternativas de prazer, para trazer gozo à sua alma. Veja a descrição do texto: “Amontoei para mim prata e outro… provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens: mulheres e mulheres”(v.8); e ainda: “Disse comigo: Vamos! eu te provarei com a alegria; goza, pois, a felicidade…” (v. 1); “resolvi no meu coração dar-me ao vinho…” (V.3).
Veja a luta deste homem para tentar superar a pobreza de sua alma. A tristeza de uma vida sem ideal divino é desfalecida. Uma vida sem Deus torna-se um deserto árido, seco e sem verdor. Não pode haver prazer, nem gozo contínuo. E o homem se torna cativo, escravo de paliativos do prazer.
E desta forma que se explicam os inúmeros casos de depressão, suicídio por “overdose” (no meio elitizado principalmente), os pais de família caídos nas sarjetas, embriagados, o crescimento da prostituição, dos bordéis e motéis que incentivam a promiscuidade sexual como alternativa de prazer. As jovens que se entregam sem pudor às relações sexuais ilícitas e buscam em seguida o aborto para solucionar um problema criado pelo prazer desenfreado. É a Síndrome de Lúcifer, bem descrita na biografia de Judas. O homem totalizando o prazer na vida vazia e sendo escravizado pela sua necessidade de prazer sem Deus.
Entretanto, em meio às desilusões da pobreza de uma vida com riquezas, Salomão chega à mais surpreendente, feliz e sábia conclusão capaz de revestir de sentido a existência humana, tornando-a uma experiência profundamente rica. Ele conclui: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos, porque isto é dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más”(Ec 12.13-14).
5 DISCUSSÃO
Por que Salomão chegou à conclusão de que tudo é vaidade e correr atrás do vento?
No meio evangélico há preocupação com as futilidades como acontece no meio secu­lar?

O que você acha do sistema económico que incentiva a acumulação cada vez maior de riquezas?

sábado, 7 de setembro de 2013

As Perguntas de Deus a Jó

“Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus? Porventura pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? (Rm 9.20).
INTRODUÇÃO
As perguntas são um aspecto importante do ensino. Podem ser usadas para ensinar aos homens o que não sabem ou reforçar aquilo que já sabem. Quando Deus interrogou a Jó, foi para ensinar-lhe coisas que já sabia, mas que recentemente falhara em reconhecer e aplicar. As perguntas de Deus foram calculadas para produzir resultados certos. Esses mesmos resultados podem ser produzidos na sua vida hoje, se você aplicar as perguntas de Deus a si mesmo.
TU ESTAVAS LÁ? (Jó 38.1-7)
Esta seção das Escrituras é a primeira parte de um capítulo contendo aproximadamente 42 perguntas feitas por Deus a Jó (Jó 38.1-41). Todas foram calculadas para fazer com que Jó tomasse consciência de sua atitude errada em relação ao seu sofrimento.
O fato de Deus ter falado a Jó “do meio de um redemoinho” (v. 1) enfatizou o grande poder do Criador. Quando Deus perguntou: “Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento?” ele não estava pedindo a Jó que se identificasse (v. 2). A ideia que colocou diante dele foi esta: “Quem você pensa que é?” Pretendia com isso censurá-lo pela sua atitude presunçosa. Questionando a justiça de Deus, Jó havia colocado o Seu propósito sob uma luz falsa. Esta argumentação teve um resultado positivo, pois mais arde Jó confessou o seu pecado (Jó 42.3). (1 Jo 1.9.)
Através de todo o livro não há um indício sequer de ter sido feita a Jó al­guma revelação que lhe explicasse a razão do seu sofrimento. Jó pode nunca ter vindo a saber por que sofria. Deus não era obrigado a dar-lhe uma razão. Quando você sofre, a pergunta a ser feita é esta: “como posso glorificar a Deus no meu sofrimento?”
O interesse de Deus por Jó fez com que Ele fizesse algo além de condenar e punir. Ele queria restaurar Jó. Seu método foi humilhá-lo, a fim de poder edificá-lo e restaurar nele a atitude certa.
“Cinge, pois, os teus lombos” (v. 3) é a ordem de Deus para que! Jó se prepare para agir. Jó deveria ficar pronto para fazer qualquer coisa que o Senhor exigisse dele, seja mental ou física. (Veja 1 Re 18.46; 1 Pe 1.13.)
Jó tentara usurpar o lugar de Deus enquanto argumentava o seu caso perante os amigos. Deus o fez lembrar que não passava de um simples mortal. Dizendo-lhe que cingisse os seus lombos “como homem” (v. 3), Deus estava lembrando-o de sua mortalidade, assim como enfatizava a espécie de preparação que ele deveria fazer. Deus estava declarando guerra ao orgulho e presunção de Jó.
A pergunta seguinte de Deus (v. 4) fez com que Jó encarasse a realidade do fato de que não passava de simples criatura em lugar de Criador.
“Se é que o sabes” (v. 5) é a maneira de Deus lembrar a Jó de sua falta de conhecimento. Jó evidentemente falara da criação como se estivesse lá, quando esta ocorreu. Deus, com gentileza, mas firmemente lembrou-lhe que ele não estava lá.
Jó não podia oferecer nenhuma explicação para as maravilhas da criação. Deus tinha marcado com cuidado o lugar que a terra deveria ocupar (v. 5) e tinha suspendido o globo no espaço (v. 6). A ordem e coesão do universo, assim como os seus movimentos, estão além da capacidade de explicação de Jó.
Ele era inferior a Deus, sendo, também, inferior aos anjos. O homem não tem nenhuma reivindicação sobre a divindade. Ele está ainda mais distante da divindade do que os anjos.
TU ME CULPAS? (Jó 40.6-9)
“Passar adiante a culpa” é uma velha tradição humana que data dos tempos do jardim do Éden. Adão tinha culpado Eva por dar-lhe o fruto da árvore proibida para comer. E também culpou a Deus pelo que acontecera de errado no paraíso. “A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi” (Gn 3.12), acusou Adão.
Em suas respostas aos amigos, Jó havia mencionado que existiam meios melhores para Deus tratar com ele. Jó estava acusando Deus de um juízo incorreto. Deus convidou-o a acusá-lo de julgamento imoral (Jó 40.8<). Como poderia Jó responder? Ele já admitira que era “indigno” (Jó 40.4). A luz da sabedoria e poder do Criador, ele podia apenas “abominar” a si mesmo pela sua pretensão de ser mais reto do que Deus (Jó 42.6).
Somente um Governante perfeito poderia governar esta terra e os seus povos. Desde que Jó não possui o poder de Deus, ele precisa renunciar ao direito de ser Deus e deixar de questionar o julgamento divino.
Veja Apocalipse 4.11 como exemplo de exaltação ao Criador que tem todo o poder e o direito de governo sobre os povos da terra e os exércitos do céu.
Jó viu-se apanhado em uma situação onde procurou julgar a Deus, quando somente Deus podia justificá-lo. Jó havia suplicado por esta justificação por parte de Deus (Jó 19.23-29). Ele tinha compreendido que nenhum homem pode ser justificado por seus próprios méritos (Jó 9.13-24). Mas, em meio ao sofrimento, o sentido de propriedade espiritual de Jó ficara embota­do. Quando o quarto amigo de Jó, Eliú, terminou de falar, Deus notou a inclinação de Jó para acusar seu Criador (Jó 40.8).
As perguntas feitas por Deus a Jó fizeram com que este percebesse que devia pedir a misericórdia do Senhor. Jó jamais poderia livrar a si mesmo do pecado ou do sofrimento (v. 14). Somente Deus podia quebrar os grilhões de Satanás sobre a riqueza e bem-estar de Jó. (Rm 8.33; Hb 2.14,15.)
DEVO-TE ALGUMA COISA? (Jó 41.11)
Deus estava no processo de colocar Jó no seu lugar. Este não tinha nenhum direito de assumir o papel de Deus, quando não passava de um simples ser humano pecador. A criatura tinha colocado o Criador debaixo de uma obrigação. Como Deus lidaria com Jó neste assunto? Continuaria a mostrar-se paciente e a conceder-lhe misericórdia?
O orgulho do homem o faz pensar que Deus precisa de Suas criaturas e de suas dádivas. Jó teve a ousadia de agir deste modo.
Sua presunção não tinha nenhuma base. Todos os seus bens e sua saúde eram dons de Deus. Fora Ele quem lhe dera tudo o que tinha, pois Jó viera ao mundo sem nada.
A conclusão a que Jó chegou foi que merecia mais do que recebera das mãos de Deus. Em outras palavras, sua vida reta antes de suas provações obrigava Deus a dar-lhe uma existência mais confortável.
A lição que Jó precisava aprender era dupla: ninguém pode dar mais do que Deus, e ninguém pode exigir nada de Deus.
O apóstolo Paulo citou Jó 41.11 em Romanos 11.35: “Ou quem primeiro lhe deu a ele para que lhe venha a ser restituído?” O contexto desta passagem na epístola aos Romanos trata da demonstração da misericórdia de Deus (Rm 11.30-32). A misericórdia de Deus manifesta o favor não mere­cido que Ele concede aos homens. Deus é o início e o fim da salvação do homem. Ninguém é justificado com base em seu próprio mérito, mas na graça de Deus. (SI 3.8; Ef 2.8,9; Tt 3.4-7.)
Jó experimentara a graça de Deus em sua própria salvação. Iria experimentá-la novamente no livramento da opressão de Satanás. Essa libertação, porém, nãò seria dada a Jó por merecimento ou porque Deus fosse obrigado a libertá-lo. Da mesma forma que não era obrigado a justificar as Suas ações, Deus também não era obrigado a livrar Jó de suas aflições.
Se ele não pudesse aprender essas lições, não seria restaurado a uma condição de espiritualidade. Deus queria que ele se submetesse ao Criador. O apóstolo Tiago resume o propósito de Deus para cada um de nós neste aspecto. Devemos submeter-nos a Ele, resistir ao diabo, achegar-nos a Ele, e purificar nossos corações (Tg 4.7,8).
Pelo uso de perguntas cuidadosamente elaboradas, Deus estava mostran­do a Jó sua necessidade de uma mudança de atitude. Ele estava procurando fazer com que Jó voltasse a uma posição de comunhão.
EXAMINE A SUA VIDA:

Você aplica as perguntas de Deus à sua vida? Jó não teve nenhuma explicação para o seu sofrimento enquanto viveu. Devemos esperar uma justificação para os nossos? Você está sempre preparado para fazer o que Deus quer de você, seja no aspecto mental ou físico? Tudo o que temos nos foi dado por Deus. Podemos exigir alguma coisa d´Ele?

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O AMOR NA VIDA DO CRISTÃO

João 21:15-18
1. Introdução
Era o último encontro de Jesus com Pedro. Pedro tinha andado com Jesus, havia visto os milagres de Jesus, mas num momento de fraqueza chegou a negar a Jesus. Pedro havia visto a morte de Cristo, presenciou o sofrimento de Jesus até à Cruz. Pedro testemunhou a ressurreição de Jesus.
E agora Pedro está frente a frente com o mestre, na hora de uma despedida, no momento de seu último encontro com ele aqui na terra. Aquele era um momento de despedida. Jesus e Pedro poderiam conversar sobre muitos assuntos.
Mas, naquele momento, Jesus faz uma simples pergunta a Pedro: Pedro tu me amas? Jesus poderia ter falado naquela hora sobre a Igreja, sobre sua vinda, sobre a família de Pedro, sobre qualquer, porém Cristo insiste em fazer por três vezes esta mesma pergunta a Pedro: Pedro, tu me amas?
2. Desenvolvimento
2.1) O amor é a marca principal do discípulo.
João 13:35 “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.”
O que é um discípulo? Jesus nos responde esta pergunta, ao dizer em Mateus 10:25: “Basta ao discípulo ser como o seu mestre….”. Então, o discípulo é aquele deseja ser é igual ao seu mestre. Você deseja ser igual a Cristo? Um crente avivado, é aquele que deseja ser igual a Cristo.
Mas, há uma coisa importante aqui. A grande prova de que somos um discípulo de Cristo, é o fato de existir amor em nossas vidas.
Então, você será conhecido como discípulo, se você amar ao teu irmão. Quem não ama o seu irmão, não é reconhecido nem por Deus, nem pelas pessoas como um discípulo de Cristo.
Quando Jesus insiste em perguntar a Pedro, por três vezes a mesma coisa, Jesus queria ensinar a Pedro que só através do amor, ele ia ser reconhecido como discípulo, iria vencer, iria conseguir progredir.
Meu irmão, só através do amor você vai conseguir prosseguir e ter uma vida reavivada.
1 Coríntios 16:14 Todos os vossos atos sejam feitos com amor.
2.2) O amor nos faz suportar
ü Efésios 4:2 “…com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,…”
Acho muito interessante esta recomendação de Paulo. Paulo nos manda suportar, tolerar, aguentar o nosso irmão, em amor.
Vivemos num mundo onde muitos casais não se toleram, não se suportam, e vivem em função de brigas, de conflitos, e terminam com a separação.
É interessante que Paulo, não nos manda aceitar uns aos outros em amor, mas a tolerar, aguentar, suportar em amor.
ILUSTRAÇAO. Durante um período glacial muito remoto, muitos animais dessa região não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições de clima hostil.
Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a ajuntar-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, aqueciam-se enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso.
Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começam a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor vital, questão de vida ou morte.
E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se por não suportar mais tempo os espinhos de seus semelhantes.
Doíam muito…
Mas essa não foi a melhor solução. Afastados, separados, logo começaram a morrer.
Os que não morreram voltaram a aproximar-se, pouco a pouco, com jeito, com precauções, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem magoar, sem causar nenhum  dano recíproco.
Assim suportaram-se resistindo à era glacial. Sobreviveram.
MORAL. Portanto, meu irmão é melhor suportar uns aos outros, porque precisamos uns dos outros para sobreviver. E com amor de Deus é mais fácil suportar.
2.3) O amor é um ato de sacrifício.
Filipenses 3:8  “…por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo…”.
Paulo declara algo importante: Por amor a Cristo perdi algumas coisas, que considero insignificantes, irrelevantes, sem importante por causa de algo mais importante, que é Jesus. Ao seguir a Cristo, você perderá alguns amigos que na verdade nunca foram amigos de verdade, mas ganhará algo muito melhor e maior: a amizade e o amor de Deus, a salvação, a vida eterna.
Jesus diz: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo”.
Jacó desejava muito casar com Raquel. Seu amor era tão grande que ele trabalhou quatorze anos para tê-la como esposa. Quem ama se sacrifica.
É bom lembrar de Abraão. Abraão amava tanto a Deus, que era capaz de abrir mão do seu único filho. Quem ama, faz um sacrifício.
Lembre-se que Deus te ama, e já fez por você um sacrifício. A morte de Cristo na cruz, foi a maior prova de que somos amados por Deus.
O TAMANHO DO NOSSO AMOR A DEUS, É MEDIDO PELO TANTO QUE SOMOS CAPAZES DE NOS SACRIFICAR POR ELE.
3.    Conclusão
O poeta escreveu:
A inteligência sem amor, torna-nos perversos.
A justiça sem amor, torna-nos implacáveis.
A diplomacia sem amor, torna-nos hipócritas.
O êxito sem amor, faz com que sejamos arrogantes.
A riqueza sem amor, torna-nos avaros.
A docilidade sem amor, faz-nos servis.
A pobreza sem amor, te faz orgulhoso.
A beleza sem amor, torna-nos fúteis.
A autoridade sem amor, …tiranos.
O trabalho sem amor, … escravos.
A simplicidade sem amor, …desprezados.
A oração sem amor, torna-nos introvertido e sem propósito.
A lei sem amor, escraviza.
A política sem amor, … egoísta.
A fé sem amor, … fanático.
A vida sem amor… … não tem sentido!
ILUSTRAÇÃO. Uma garota paraplégica cansou-se das suas muletas e das longas sessões de fisioterapia.
Certo dia, quando o seu pai insistia com ela para que continuasse o tratamento, a menina lançou-se nos seus braços e perguntou-lhe : – “Papai, você não me ama do jeito que eu sou?”
O pai compreendendo a tristeza e a frustação da filha, abraçou-a longamente. Depois, disse-lhe : – “Sim, querida, eu te amo assim como tu és. Mas, tem uma coisa: eu te amo demais para permitir que tu continues na condição em que estás!”.

MORAL. Comentando esta fato, Herbert Lugt diz : Deus ama a cada um de nós exatamente como somos – cheios de imperfeições. Ele nos ama até mesmo quando estamos a ser pressionados pelas mais diversas tentações. Ele nos ama porque nos aceitou em Jesus, perdoando-nos. Todavia, Ele nos ama demais para permitir que continuemos onde estamos.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Guerra ou Paz? Você é quem Faz!

2ª Crónicas 14.1-8
Será que é assim mesmo na vida? Pode ser. No reinado de Asa, as duas coisas aconteceram. O povo viveu um bom período de paz e depois viveu um período conturbado, com ameaças e rumores de guerras. Nas duas situações, a atuação do rei tinha sempre muita relevância e poderia resultar em guerra ou paz. Essas duas palavras saltam aos olhos no reinado de Asa. Dois profetas do Senhor trazem duas realidades ao rei. Um, Azarias, traz uma palavra de estímulo, promovendo a paz, e o outro, Hanani, traz uma repreensão severa, pois o rei estava começando a promover a guerra.
Asa foi bom rei e muito querido pelo povo, contudo, teve lá os seus deslizes. Aprendamos com o reinado deste bisneto do rei Salomão.
AMBIENTE HISTORICO
Asa foi o terceiro rei de Judá após a divisão entre reino do norte e reino do sul. Seu pai, Abias, reinou apenas por três anos em Jerusalém. Ele não aboliu o culto ao Senhor no templo, mas permitiu a abundante adoração a divindades estrangeiras. Asa assume o trono num ambiente de intensa idolatria. Reinou durante quarenta e um anos. Em seu reinado destacam-se as condições pacíficas em que viveu o povo pelo menos durante os primeiros dez anos de governo.
Após alguns anos de paz, Asa enfrenta seu primeiro confronto, derrotando o poderoso exército de Zerá. Estimulado pelo profeta Azarias após esta brilhante vitória, Asa põe corajosamente em execução a sua reforma, por todo o reino, destruindo ídolos de vários lugares, levando o povo a um compromisso de servir a Deus de todo o coração. Com o apoio popular, Asa destituiu a Maaca, a rainha-mãe e destruiu a imagem de Aserá, “deusa da fertilidade”, adorada naqueles tempos, construída sob as ordens da rainha.
As reformas de Asa agradaram a todo o povo. Até mesmo alguns de Israel vieram para Jerusalém ao verem que o “Senhor Deus era com ele” (II Cr 15.9). No seu longo reinado enfrentou duas guerras. Em uma derrotou completamente o inimigo porque confiara no Senhor (II Cr 14.11) e noutra cometeu um deslize ao fazer uma aliança com Ben-Hadade, rei da Síria, para enfrentar Baasa, rei de Israel (II Cr 16.2-3). Por esta aliança foi repreendido pelo profeta Hanani, “porém Asa se indignou contra o vidente, e o lançou no cárcere, no tronco… e na mesma ocasião oprimiu a alguns do povo” (II Cr 16.10).
É interessante notar que nos governos atuais ainda perdura a política de alianças inconvenientes para atingir os objetivos do poder. Os governos e as pessoas em sua maioria não querem saber de aliança com o Senhor.
A reflexão sobre o reinado de Asa certamente jogará luz sobre nossas vidas. Nesta reflexão destacamos alguns ensinamentos, como segue:
1. DESTRUINDO O MAL – CONSTRUINDO O BEM
Os dias iniciais de Asa foram de muita paz. Esta paz foi fruto da própria ação do rei e seu povo. Os primeiros registros das atividades de Asa falam do combate ao mal: “Aboliu os alta­res… quebrou as colunas… cortou os postes-ídolos” (II Cr 14.3). Enfrentou com um exército minoritário um exército de um milhão de homens, onde ficou conhecida a sua total dependência de Deus ao fazer uma oração: “Senhor, além de ti não há quem possa socorrer numa batalha entre o poderoso e o fraco; ajuda-nos, pois, Senhor nosso Deus, porque em ti confiamos, e no teu nome vamos contra esta multidão. Senhor, tu és nosso Deus, não prevaleça contra ti o homem” (II Cr 14.11). Ele não poupou esforços para aniquilar o mal no reino de Judá.
Contudo, num bom governo não basta o combate ostensivo às circunstâncias malignas; é preciso construir o bem. Este é o verdadeiro objetivo da política: “Asa fez o que era bom e reto perante o Senhor (II Cr 14.2); deu ordens ao povo para que buscasse o Senhor Deus e observasse a Lei; edificou cidades fortificadas e houve paz no seu reinado (II Cr 14.5-7). Na construção do bem, o Senhor mandou o profeta Azarias, estimulando-o a implantar uma reforma religiosa, uma autêntica busca ao Senhor Deus (II Cr 15.1-7). O Senhor Deus é o verdadeiro construtor de todo o bem: “Onde há dependência de Deus haverá vitória sobre os inimigos”, diz S.B. McNair (em “A Bíblia Explicada”). O rei tirou as abominações que estavam impedindo a autêntica adoração. Que abominações temos tirado das nossas vidas? Temos combatido o mal e construído o bem? O que precisa ser mudado?
Asa nos dá o exemplo de que é possível destruir o mal, porém, mais do que isso, construir o bem.
2. PASSADO ESQUECIDO – PRESENTE TRÁGICO
“No trigésimo sexto ano do reinado de Asa subiu Baasa, rei de Israel, contra Judá”, agredindo assim a paz alcançada por Asa. A atitude do rei não foi mais a mesma de quando enfrentou os etíopes. Agora ele não ora ao Senhor pedindo auxílio. Ele faz uma aliança com Ben-Hadade, rei da Síria, enviando-lhe presentes tirados da casa do Senhor, tentando conseguir o apoio do mesmo, o que consegue, e Baasa deixa de ser uma ameaça. Naquele tempo, Asa foi veementemente repreendido pelo Profeta Hanani: “Porquanto confiaste no rei da Síria, e não confiaste no Senhor teu Deus, o exército do rei da Síria escapou da tua mão”. Hanani lembra ao rei o passado esquecido: “Acaso não foram os etíopes e os líbios grande exército, com muitíssimos carros e cavaleiros? Porém tendo tu confiado no Senhor, ele os entregou nas tuas mãos” (II Cr 16.7-8). O passado nunca pode ser desprezado. Asa cometeu o mesmo erro do povo de Israel quando estava sob a liderança de Moisés. Não obstante as maravilhas operadas pela mão do Senhor, o povo esquecia facilmente e murmuravam contra o Senhor (Ex 16.2-4). Sempre que se esquece as experiências do passado, o presente corre o risco de ser trágico. Foi assim com Asa e será com todos que não aprendem com a história. Todo governo deve olhar para o passado e aprender com ele, evitando erros no presente e no futuro. Quem não dá valor ao seu passado, poderá comprometer completamente a sua vida. Asa conquistou a vitória, mas perdeu muito na dignidade e no testemunho. Já se tornou corrente dizer que o povo brasileiro não tem memória. Esquece facilmente o seu passado. Precisamos nos convencer de que, o povo que ignora o seu passado, certa­mente repetirá muitos erros.
3. RECURSOS HUMANOS – RECURSOS DIVINOS
Ao final de seu reinado, Asa foi acometido de uma doença muito grave nos pés. Entre­tanto, “na sua enfermidade não recorreu ao Senhor, mas confiou nos médicos”(II Cr 16.12). Desprezou por completo Aquele que o livrara de Zerá com um grande milagre.
O Evangelhos registram a história de uma mulher enferma que gastou com os médicos tudo o que possuía, mas não desprezou a ajuda do Senhor Jesus Cristo, e com apenas um toque de fé foi curada (Lc 8.43-48). A vida cristã ensina que deve haver um perfeito equilíbrio entre os recursos humanos e os recursos divinos e que nunca devemos desprezar um em detrimento do outro. Os médicos são importantíssimos quando se trata de uma enfermidade, seja ela qual for. Mas, também não devemos esquecer aquele que é o Médico dos médicos. Infelizmente, também hoje há aqueles que desprezam completamente os recursos da medicina dizendo que o cristão não precisa de médico algum. Isto não é verdade! A cura de Deus não anula aquilo que a medicina pode fazer, até porque a medicina é um instrumento de Deus para a nossa saúde. Não condenamos Asa por ter buscado os recursos médicos; o seu erro foi ter feito isto abandonando os recursos do Senhor. Acabou morrendo. O equilíbrio é uma grande virtude do Cristianismo, principalmente em se tratando de recursos humanos e divinos.
DISCUSSÃO
1. Como encontrar equilíbrio entre recursos humanos e recursos divinos?
2. Em que aspecto o nosso passado pode auxiliar o nosso presente?

3. Qual a maneira correta de se combater o erro?

O Poder do Evangelho contra o Poder do Mundo

Gálatas 1.6-9
O evangelho de Jesus confronta e desafia o mundo pós-moderno proclamando que somente o evangelho tem a solução para os problemas do homem. Numa sociedade em que as pessoas procuram uma saída para os seus sofrimentos, o evangelho de Jesus é a solução disponível.
O grave problema, porém, é que muitas pessoas estão a ser enganadas pelo falso evangelho. John Robbins diz: "Dinheiro falso se parece com dinheiro genuíno e ele tem que ser assim, para poder enganar as pessoas. Evangelhos falsos são parecidos com o real, e eles enganam a muitos". O falso evangelho é pregado por falsos obreiros, gerando falsos crentes e falsas igrejas. E a essência do falso evangelho é acrescentar algo à doutrina da justificação pela fé.
Hoje, prega-se um evangelho cada vez mais pervertido, destituído de conteúdo bíblico, de autoridade espiritual e com motivações comerciais. É uma vergonha!
O apóstolo Paulo enfrentou problema semelhante. Ele escreve às igrejas da Galácia com o objetivo de combater o falso evangelho: Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho. Ele está atónito ou espantado com a possibilidade dos irmãos apostatarem da sua fé, influenciados por um falso evangelho. Observem que ele fala sobre alguns que querem perverter o evangelho de Cristo. O evangelho que pertence a Cristo está a ser subvertido.

1. O QUE É O EVANGELHO PERVERTIDO?
Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo (Gl 1.6,7).
A mensagem que resume este trecho é que só existe um evangelho verdadeiro: o evangelho de Cristo. Quatro perguntas chaves:
O que é o evangelho? É a boa nova da salvação exclusivamente na pessoa e obra de Jesus Cristo. Proclamar o evangelho é anunciar o Cristo crucificado. John Stott diz que o evangelho só é pregado quando Cristo é "publicamente exposto na sua cruz" (1Co 1.18-25). O evangelho é um evento histórico, único e que não se repete.
“O evangelho deve ser apresentado, não como uma teoria sem vida, mas como uma força viva para transformar o caráter. Deus quer que Seus servos dêem testemunho de que, mediante Sua graça, os homens podem possuir semelhança de caráter com Cristo e regozijar-se na certeza de Seu grande amor. Quer que demos testemunho de que Ele não pode ficar satisfeito enquanto todos quantos hão-de aceitar a salvação não forem reivindicados e reintegrados em seus santos privilégios como Seus filhos e filhas. “{CBVc 30.1}
Qual a origem do evangelho? A origem do evangelho é divina. Trata-se do evangelho de Deus (Rm 1.1), o evangelho de Cristo, isto é, o evangelho que pertence a Cristo ou concernente a Cristo. É a boa nova que veio do céu.
O que o evangelho oferece? A bênção da justificação, pela fé, isto é, Deus nos aceita como justos diante dele quando cremos e aceitamos que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados (Rm 5.1).
O que o evangelho exige? Para receber a bênção da justificação eu não preciso fazer absolutamente nada. Tenho apenas que crer. Jesus já fez tudo que precisava. Este é o evangelho da graça de Deus (Gl 1.3, 6).
Não existe outro evangelho. Mas que outro evangelho é este que Paulo está combatendo? Nos versos 6 e 7 temos duas expressões chaves:
(1) “Outro evangelho” (no grego: eteroneuagelion). Na língua grega, há dois vocábulos que traduzem a palavra outro: Eteros, que significa outro de espécie diferente e allos, que significa outro da mesma espécie. Assim sendo, Paulo entendia que este outro evangelho de natureza diferente, nem era outro evangelho, porquanto só existe um evangelho verdadeiro. Não existe outro evangelho legítimo ou um segundo evangelho.
(2) Perverter, no original grego é metastrepho, que significa transferir, modificar e subverter. Este termo é usado apenas três vezes no Novo Testamento (At 2.20; Gl 1.7; Tg 4.9), com o sentido de provocar uma reviravolta ou inverter algo. Os judaizantes haviam invertido, virado os ensinamentos em direção contrária, tentando conduzir os irmãos da graça de volta para a lei. O processo de perversão do evangelho de Cristo, não nega a pessoa e a obra de Jesus, simplesmente, acrescenta a elas o cumprimento da lei. Os falsos mestres misturavam a lei e o evangelho, ensinavam a salvação por meio da graça e da obediência da lei.
Tudo que se tenta acrescentar à graça de Deus, a perverte ou a subverte. A salvação é única e exclusivamente pela graça (Ef 2.8).
Atualmente temos observado algumas perversões do evangelho de Jesus Cristo:
· O evangelho da prosperidade que ensina que ser abençoado é ter prosperidade material. Ser abençoado é ter bens materiais, não ficar doente e não ter problemas.
· O evangelho da graça barata que não exige o arrependimento, não combate o pecado e nem ensina a centralidade da cruz. Este evangelho recruta voluntários, mas não produz discípulos.
· O evangelho do poder espiritual que enfatiza curas, milagres e bênçãos imediatas. A igreja é uma prestadora de serviços espirituais que atende a um público consumidor carente.
· O evangelho da tradição humana que tenta preservar tradições humanas do passado (tradicionalistas) ou criar inovações humanas atuais (inovadores). Substitui ou acrescenta tradições humanas ao evangelho puro e simples.

2. QUEM SÃO AQUELES QUE PERVERTEM O EVANGELHO?
Quem eram os indivíduos que pervertiam o evangelho de Cristo entre os gálatas? Paulo sabia que eram os judeus judaizantes (At 15.1). Os judaizantes eram judeus convertidos ao cristianismo, que continuavam a praticar e a defender os princípios do judaísmo. Primeiro, eles pensavam que o cristianismo era único e exclusivamente para os judeus. A base para este pensamento é que eles só admitiam a nação judaica como o povo escolhido de Deus. Esta foi uma dificuldade enfrentada até pelos apóstolos (At 10.9-16; 11.1-18).
Segundo, eles entendiam que a única maneira de um gentio tornar-se cristão era se tornando judeu. Isto significava que devia ser circuncidado e cumprir as exigências da lei. A solução deste problema só foi encontrada na reunião dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém. Eles decidiram: “Pelo que, julgo eu, não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue” (At 15.19-20).
Sabemos que a igreja e o evangelho sempre sofrerão ataques dos falsos obreiros. Quando Paulo escreveu a Timóteo, disse: Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro (1Tm 6.3-5).
Ele apresenta as marcas do falso mestre: (1) Ensinam doutrinas contrárias ao ensino bíblico (heresias); (2) Ensinam doutrinas que não motivam a vida piedosa e a santidade; (3) São pessoas orgulhosas que acham que sabem tudo; (4) São pessoas maníacas por discussões teóricas ou especulações de linguagem; (5) São pessoas que produzem inveja, provocação, difamações, suspeições malignas e brigas constantes; (6) São pessoas que têm a mente pervertida e incapaz de conhecer a verdade de Deus; (7) São pessoas que fazem da religião uma fonte de lucro ou que ensinam para ganhar dinheiro.

3. QUAIS SÃO OS FRUTOS DO EVANGELHO PERVERTIDO?
Há somente um evangelho verdadeiro: Jesus. Ele é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6). Observe o emprego dos artigos definidos o e a. Jesus não é uma opção, mas a única alternativa de chegarmos a Deus. Quando este evangelho é pervertido traz conseqüências sérias. Paulo apresenta três:
3.1. Apostasia
“Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho” (Gl 1.6,7). A sentença “estejais passando” (no original grego metatithemi) significa transferir, transportar para outro lugar, remover, com o sentido de uma modificação de mente e coração. Trata-se de apostasia da fé, uma traição a Cristo. Paulo fala da rapidez desta traição: tão depressa ou logo no início da carreira cristã, logo após a conversão. Paulo pede aos gaiatas que interrompam o processo.
A apostasia é vista por Paulo como uma ação demoníaca. Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência (1 Tm 4.1,2). A fonte da apostasia é a sedução demoníaca que se utiliza de homens hipócritas e mentirosos. A mensagem que produz a apostasia é o ensino de demônios. Os gaiatas não estavam apenas mudando de religião, ou de igreja, mas abandonando a Deus e a graça salvadora.
3.2. Confusão
“O qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo” (Gl 1.7). Perturbam, no original grego, tarasso, significa perturbar, agitar, sacudir, transtornar, revolver, desequilibrar e lançar confusão. Veja outros textos para melhor compreender o sentido da confusão aqui referida: Ez 32.2; Mt 2.3; 14.26; Lc 1.12; Jo 14.1. O verbo usado por Paulo está no presente contínuo, significando que aquela perturbação era uma ação contínua dos perturbadores.
Quando o verdadeiro evangelho é pregado de forma deturpada ao invés de trazer luz e paz, traz trevas e confusão. O evangelho da graça conduz a paz (Gl 1.3). A graça não apenas salva, mas sustenta a vida do cristão. Ela é suficiente para capacitar o crente a enfrentar os sofrimentos (2Co 12.1 -10), fortificar o crente em suas fraquezas (2Tm 2.1) e viver uma vida cristã vitoriosa (Gl 3.3; 5.4).
3.3. Maldição
“Mas ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1.8). Ser anátema é ser maldito ou amaldiçoado da perspectiva divina, pronto para ser destruído (1Co. 16.22). Deus é fonte de maldição e bênção (Dt 28). Ser um anátema também significa estar perdido ou separado de Cristo (Rm 9.3).
Uma pessoa que ouve e acredita no evangelho deturpado está enganado quanto à sua salvação, permanecendo em seu estado de perdição e condenação (Jo 3.36), mesmo que tenha realizado falsos milagres (Mt 7.22,23).

CONCLUSÃO
Os reformadores do século XVI viam a figura do anticristo como aquela pessoa que se opunha ao ensino bíblico da justificação somente pela fé. O ministério do anticristo é substituir o Evangelho por "outro evangelho".

O que diria Lutero ou Calvino se vivessem nos dias de hoje? A situação hoje é pior do que nos dias da Reforma. A doutrina da justificação pela fé na obra realizada por Jesus Cristo sumiu do nosso meio. O lugar da bênção não é mais a cruz (Gl 6.14), não é mais Jesus (Ef 1.3), mas a igreja. O discurso é: Depois que eu vim para esta igreja, minha vida mudou. Quando deveria ser: Jesus Cristo mudou a minha vida.