quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O AMOR NA VIDA DO CRISTÃO

João 21:15-18
1. Introdução
Era o último encontro de Jesus com Pedro. Pedro tinha andado com Jesus, havia visto os milagres de Jesus, mas num momento de fraqueza chegou a negar a Jesus. Pedro havia visto a morte de Cristo, presenciou o sofrimento de Jesus até à Cruz. Pedro testemunhou a ressurreição de Jesus.
E agora Pedro está frente a frente com o mestre, na hora de uma despedida, no momento de seu último encontro com ele aqui na terra. Aquele era um momento de despedida. Jesus e Pedro poderiam conversar sobre muitos assuntos.
Mas, naquele momento, Jesus faz uma simples pergunta a Pedro: Pedro tu me amas? Jesus poderia ter falado naquela hora sobre a Igreja, sobre sua vinda, sobre a família de Pedro, sobre qualquer, porém Cristo insiste em fazer por três vezes esta mesma pergunta a Pedro: Pedro, tu me amas?
2. Desenvolvimento
2.1) O amor é a marca principal do discípulo.
João 13:35 “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.”
O que é um discípulo? Jesus nos responde esta pergunta, ao dizer em Mateus 10:25: “Basta ao discípulo ser como o seu mestre….”. Então, o discípulo é aquele deseja ser é igual ao seu mestre. Você deseja ser igual a Cristo? Um crente avivado, é aquele que deseja ser igual a Cristo.
Mas, há uma coisa importante aqui. A grande prova de que somos um discípulo de Cristo, é o fato de existir amor em nossas vidas.
Então, você será conhecido como discípulo, se você amar ao teu irmão. Quem não ama o seu irmão, não é reconhecido nem por Deus, nem pelas pessoas como um discípulo de Cristo.
Quando Jesus insiste em perguntar a Pedro, por três vezes a mesma coisa, Jesus queria ensinar a Pedro que só através do amor, ele ia ser reconhecido como discípulo, iria vencer, iria conseguir progredir.
Meu irmão, só através do amor você vai conseguir prosseguir e ter uma vida reavivada.
1 Coríntios 16:14 Todos os vossos atos sejam feitos com amor.
2.2) O amor nos faz suportar
ü Efésios 4:2 “…com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,…”
Acho muito interessante esta recomendação de Paulo. Paulo nos manda suportar, tolerar, aguentar o nosso irmão, em amor.
Vivemos num mundo onde muitos casais não se toleram, não se suportam, e vivem em função de brigas, de conflitos, e terminam com a separação.
É interessante que Paulo, não nos manda aceitar uns aos outros em amor, mas a tolerar, aguentar, suportar em amor.
ILUSTRAÇAO. Durante um período glacial muito remoto, muitos animais dessa região não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições de clima hostil.
Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a ajuntar-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, aqueciam-se enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso.
Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começam a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor vital, questão de vida ou morte.
E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se por não suportar mais tempo os espinhos de seus semelhantes.
Doíam muito…
Mas essa não foi a melhor solução. Afastados, separados, logo começaram a morrer.
Os que não morreram voltaram a aproximar-se, pouco a pouco, com jeito, com precauções, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem magoar, sem causar nenhum  dano recíproco.
Assim suportaram-se resistindo à era glacial. Sobreviveram.
MORAL. Portanto, meu irmão é melhor suportar uns aos outros, porque precisamos uns dos outros para sobreviver. E com amor de Deus é mais fácil suportar.
2.3) O amor é um ato de sacrifício.
Filipenses 3:8  “…por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo…”.
Paulo declara algo importante: Por amor a Cristo perdi algumas coisas, que considero insignificantes, irrelevantes, sem importante por causa de algo mais importante, que é Jesus. Ao seguir a Cristo, você perderá alguns amigos que na verdade nunca foram amigos de verdade, mas ganhará algo muito melhor e maior: a amizade e o amor de Deus, a salvação, a vida eterna.
Jesus diz: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo”.
Jacó desejava muito casar com Raquel. Seu amor era tão grande que ele trabalhou quatorze anos para tê-la como esposa. Quem ama se sacrifica.
É bom lembrar de Abraão. Abraão amava tanto a Deus, que era capaz de abrir mão do seu único filho. Quem ama, faz um sacrifício.
Lembre-se que Deus te ama, e já fez por você um sacrifício. A morte de Cristo na cruz, foi a maior prova de que somos amados por Deus.
O TAMANHO DO NOSSO AMOR A DEUS, É MEDIDO PELO TANTO QUE SOMOS CAPAZES DE NOS SACRIFICAR POR ELE.
3.    Conclusão
O poeta escreveu:
A inteligência sem amor, torna-nos perversos.
A justiça sem amor, torna-nos implacáveis.
A diplomacia sem amor, torna-nos hipócritas.
O êxito sem amor, faz com que sejamos arrogantes.
A riqueza sem amor, torna-nos avaros.
A docilidade sem amor, faz-nos servis.
A pobreza sem amor, te faz orgulhoso.
A beleza sem amor, torna-nos fúteis.
A autoridade sem amor, …tiranos.
O trabalho sem amor, … escravos.
A simplicidade sem amor, …desprezados.
A oração sem amor, torna-nos introvertido e sem propósito.
A lei sem amor, escraviza.
A política sem amor, … egoísta.
A fé sem amor, … fanático.
A vida sem amor… … não tem sentido!
ILUSTRAÇÃO. Uma garota paraplégica cansou-se das suas muletas e das longas sessões de fisioterapia.
Certo dia, quando o seu pai insistia com ela para que continuasse o tratamento, a menina lançou-se nos seus braços e perguntou-lhe : – “Papai, você não me ama do jeito que eu sou?”
O pai compreendendo a tristeza e a frustação da filha, abraçou-a longamente. Depois, disse-lhe : – “Sim, querida, eu te amo assim como tu és. Mas, tem uma coisa: eu te amo demais para permitir que tu continues na condição em que estás!”.

MORAL. Comentando esta fato, Herbert Lugt diz : Deus ama a cada um de nós exatamente como somos – cheios de imperfeições. Ele nos ama até mesmo quando estamos a ser pressionados pelas mais diversas tentações. Ele nos ama porque nos aceitou em Jesus, perdoando-nos. Todavia, Ele nos ama demais para permitir que continuemos onde estamos.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Guerra ou Paz? Você é quem Faz!

2ª Crónicas 14.1-8
Será que é assim mesmo na vida? Pode ser. No reinado de Asa, as duas coisas aconteceram. O povo viveu um bom período de paz e depois viveu um período conturbado, com ameaças e rumores de guerras. Nas duas situações, a atuação do rei tinha sempre muita relevância e poderia resultar em guerra ou paz. Essas duas palavras saltam aos olhos no reinado de Asa. Dois profetas do Senhor trazem duas realidades ao rei. Um, Azarias, traz uma palavra de estímulo, promovendo a paz, e o outro, Hanani, traz uma repreensão severa, pois o rei estava começando a promover a guerra.
Asa foi bom rei e muito querido pelo povo, contudo, teve lá os seus deslizes. Aprendamos com o reinado deste bisneto do rei Salomão.
AMBIENTE HISTORICO
Asa foi o terceiro rei de Judá após a divisão entre reino do norte e reino do sul. Seu pai, Abias, reinou apenas por três anos em Jerusalém. Ele não aboliu o culto ao Senhor no templo, mas permitiu a abundante adoração a divindades estrangeiras. Asa assume o trono num ambiente de intensa idolatria. Reinou durante quarenta e um anos. Em seu reinado destacam-se as condições pacíficas em que viveu o povo pelo menos durante os primeiros dez anos de governo.
Após alguns anos de paz, Asa enfrenta seu primeiro confronto, derrotando o poderoso exército de Zerá. Estimulado pelo profeta Azarias após esta brilhante vitória, Asa põe corajosamente em execução a sua reforma, por todo o reino, destruindo ídolos de vários lugares, levando o povo a um compromisso de servir a Deus de todo o coração. Com o apoio popular, Asa destituiu a Maaca, a rainha-mãe e destruiu a imagem de Aserá, “deusa da fertilidade”, adorada naqueles tempos, construída sob as ordens da rainha.
As reformas de Asa agradaram a todo o povo. Até mesmo alguns de Israel vieram para Jerusalém ao verem que o “Senhor Deus era com ele” (II Cr 15.9). No seu longo reinado enfrentou duas guerras. Em uma derrotou completamente o inimigo porque confiara no Senhor (II Cr 14.11) e noutra cometeu um deslize ao fazer uma aliança com Ben-Hadade, rei da Síria, para enfrentar Baasa, rei de Israel (II Cr 16.2-3). Por esta aliança foi repreendido pelo profeta Hanani, “porém Asa se indignou contra o vidente, e o lançou no cárcere, no tronco… e na mesma ocasião oprimiu a alguns do povo” (II Cr 16.10).
É interessante notar que nos governos atuais ainda perdura a política de alianças inconvenientes para atingir os objetivos do poder. Os governos e as pessoas em sua maioria não querem saber de aliança com o Senhor.
A reflexão sobre o reinado de Asa certamente jogará luz sobre nossas vidas. Nesta reflexão destacamos alguns ensinamentos, como segue:
1. DESTRUINDO O MAL – CONSTRUINDO O BEM
Os dias iniciais de Asa foram de muita paz. Esta paz foi fruto da própria ação do rei e seu povo. Os primeiros registros das atividades de Asa falam do combate ao mal: “Aboliu os alta­res… quebrou as colunas… cortou os postes-ídolos” (II Cr 14.3). Enfrentou com um exército minoritário um exército de um milhão de homens, onde ficou conhecida a sua total dependência de Deus ao fazer uma oração: “Senhor, além de ti não há quem possa socorrer numa batalha entre o poderoso e o fraco; ajuda-nos, pois, Senhor nosso Deus, porque em ti confiamos, e no teu nome vamos contra esta multidão. Senhor, tu és nosso Deus, não prevaleça contra ti o homem” (II Cr 14.11). Ele não poupou esforços para aniquilar o mal no reino de Judá.
Contudo, num bom governo não basta o combate ostensivo às circunstâncias malignas; é preciso construir o bem. Este é o verdadeiro objetivo da política: “Asa fez o que era bom e reto perante o Senhor (II Cr 14.2); deu ordens ao povo para que buscasse o Senhor Deus e observasse a Lei; edificou cidades fortificadas e houve paz no seu reinado (II Cr 14.5-7). Na construção do bem, o Senhor mandou o profeta Azarias, estimulando-o a implantar uma reforma religiosa, uma autêntica busca ao Senhor Deus (II Cr 15.1-7). O Senhor Deus é o verdadeiro construtor de todo o bem: “Onde há dependência de Deus haverá vitória sobre os inimigos”, diz S.B. McNair (em “A Bíblia Explicada”). O rei tirou as abominações que estavam impedindo a autêntica adoração. Que abominações temos tirado das nossas vidas? Temos combatido o mal e construído o bem? O que precisa ser mudado?
Asa nos dá o exemplo de que é possível destruir o mal, porém, mais do que isso, construir o bem.
2. PASSADO ESQUECIDO – PRESENTE TRÁGICO
“No trigésimo sexto ano do reinado de Asa subiu Baasa, rei de Israel, contra Judá”, agredindo assim a paz alcançada por Asa. A atitude do rei não foi mais a mesma de quando enfrentou os etíopes. Agora ele não ora ao Senhor pedindo auxílio. Ele faz uma aliança com Ben-Hadade, rei da Síria, enviando-lhe presentes tirados da casa do Senhor, tentando conseguir o apoio do mesmo, o que consegue, e Baasa deixa de ser uma ameaça. Naquele tempo, Asa foi veementemente repreendido pelo Profeta Hanani: “Porquanto confiaste no rei da Síria, e não confiaste no Senhor teu Deus, o exército do rei da Síria escapou da tua mão”. Hanani lembra ao rei o passado esquecido: “Acaso não foram os etíopes e os líbios grande exército, com muitíssimos carros e cavaleiros? Porém tendo tu confiado no Senhor, ele os entregou nas tuas mãos” (II Cr 16.7-8). O passado nunca pode ser desprezado. Asa cometeu o mesmo erro do povo de Israel quando estava sob a liderança de Moisés. Não obstante as maravilhas operadas pela mão do Senhor, o povo esquecia facilmente e murmuravam contra o Senhor (Ex 16.2-4). Sempre que se esquece as experiências do passado, o presente corre o risco de ser trágico. Foi assim com Asa e será com todos que não aprendem com a história. Todo governo deve olhar para o passado e aprender com ele, evitando erros no presente e no futuro. Quem não dá valor ao seu passado, poderá comprometer completamente a sua vida. Asa conquistou a vitória, mas perdeu muito na dignidade e no testemunho. Já se tornou corrente dizer que o povo brasileiro não tem memória. Esquece facilmente o seu passado. Precisamos nos convencer de que, o povo que ignora o seu passado, certa­mente repetirá muitos erros.
3. RECURSOS HUMANOS – RECURSOS DIVINOS
Ao final de seu reinado, Asa foi acometido de uma doença muito grave nos pés. Entre­tanto, “na sua enfermidade não recorreu ao Senhor, mas confiou nos médicos”(II Cr 16.12). Desprezou por completo Aquele que o livrara de Zerá com um grande milagre.
O Evangelhos registram a história de uma mulher enferma que gastou com os médicos tudo o que possuía, mas não desprezou a ajuda do Senhor Jesus Cristo, e com apenas um toque de fé foi curada (Lc 8.43-48). A vida cristã ensina que deve haver um perfeito equilíbrio entre os recursos humanos e os recursos divinos e que nunca devemos desprezar um em detrimento do outro. Os médicos são importantíssimos quando se trata de uma enfermidade, seja ela qual for. Mas, também não devemos esquecer aquele que é o Médico dos médicos. Infelizmente, também hoje há aqueles que desprezam completamente os recursos da medicina dizendo que o cristão não precisa de médico algum. Isto não é verdade! A cura de Deus não anula aquilo que a medicina pode fazer, até porque a medicina é um instrumento de Deus para a nossa saúde. Não condenamos Asa por ter buscado os recursos médicos; o seu erro foi ter feito isto abandonando os recursos do Senhor. Acabou morrendo. O equilíbrio é uma grande virtude do Cristianismo, principalmente em se tratando de recursos humanos e divinos.
DISCUSSÃO
1. Como encontrar equilíbrio entre recursos humanos e recursos divinos?
2. Em que aspecto o nosso passado pode auxiliar o nosso presente?

3. Qual a maneira correta de se combater o erro?

O Poder do Evangelho contra o Poder do Mundo

Gálatas 1.6-9
O evangelho de Jesus confronta e desafia o mundo pós-moderno proclamando que somente o evangelho tem a solução para os problemas do homem. Numa sociedade em que as pessoas procuram uma saída para os seus sofrimentos, o evangelho de Jesus é a solução disponível.
O grave problema, porém, é que muitas pessoas estão a ser enganadas pelo falso evangelho. John Robbins diz: "Dinheiro falso se parece com dinheiro genuíno e ele tem que ser assim, para poder enganar as pessoas. Evangelhos falsos são parecidos com o real, e eles enganam a muitos". O falso evangelho é pregado por falsos obreiros, gerando falsos crentes e falsas igrejas. E a essência do falso evangelho é acrescentar algo à doutrina da justificação pela fé.
Hoje, prega-se um evangelho cada vez mais pervertido, destituído de conteúdo bíblico, de autoridade espiritual e com motivações comerciais. É uma vergonha!
O apóstolo Paulo enfrentou problema semelhante. Ele escreve às igrejas da Galácia com o objetivo de combater o falso evangelho: Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho. Ele está atónito ou espantado com a possibilidade dos irmãos apostatarem da sua fé, influenciados por um falso evangelho. Observem que ele fala sobre alguns que querem perverter o evangelho de Cristo. O evangelho que pertence a Cristo está a ser subvertido.

1. O QUE É O EVANGELHO PERVERTIDO?
Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo (Gl 1.6,7).
A mensagem que resume este trecho é que só existe um evangelho verdadeiro: o evangelho de Cristo. Quatro perguntas chaves:
O que é o evangelho? É a boa nova da salvação exclusivamente na pessoa e obra de Jesus Cristo. Proclamar o evangelho é anunciar o Cristo crucificado. John Stott diz que o evangelho só é pregado quando Cristo é "publicamente exposto na sua cruz" (1Co 1.18-25). O evangelho é um evento histórico, único e que não se repete.
“O evangelho deve ser apresentado, não como uma teoria sem vida, mas como uma força viva para transformar o caráter. Deus quer que Seus servos dêem testemunho de que, mediante Sua graça, os homens podem possuir semelhança de caráter com Cristo e regozijar-se na certeza de Seu grande amor. Quer que demos testemunho de que Ele não pode ficar satisfeito enquanto todos quantos hão-de aceitar a salvação não forem reivindicados e reintegrados em seus santos privilégios como Seus filhos e filhas. “{CBVc 30.1}
Qual a origem do evangelho? A origem do evangelho é divina. Trata-se do evangelho de Deus (Rm 1.1), o evangelho de Cristo, isto é, o evangelho que pertence a Cristo ou concernente a Cristo. É a boa nova que veio do céu.
O que o evangelho oferece? A bênção da justificação, pela fé, isto é, Deus nos aceita como justos diante dele quando cremos e aceitamos que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados (Rm 5.1).
O que o evangelho exige? Para receber a bênção da justificação eu não preciso fazer absolutamente nada. Tenho apenas que crer. Jesus já fez tudo que precisava. Este é o evangelho da graça de Deus (Gl 1.3, 6).
Não existe outro evangelho. Mas que outro evangelho é este que Paulo está combatendo? Nos versos 6 e 7 temos duas expressões chaves:
(1) “Outro evangelho” (no grego: eteroneuagelion). Na língua grega, há dois vocábulos que traduzem a palavra outro: Eteros, que significa outro de espécie diferente e allos, que significa outro da mesma espécie. Assim sendo, Paulo entendia que este outro evangelho de natureza diferente, nem era outro evangelho, porquanto só existe um evangelho verdadeiro. Não existe outro evangelho legítimo ou um segundo evangelho.
(2) Perverter, no original grego é metastrepho, que significa transferir, modificar e subverter. Este termo é usado apenas três vezes no Novo Testamento (At 2.20; Gl 1.7; Tg 4.9), com o sentido de provocar uma reviravolta ou inverter algo. Os judaizantes haviam invertido, virado os ensinamentos em direção contrária, tentando conduzir os irmãos da graça de volta para a lei. O processo de perversão do evangelho de Cristo, não nega a pessoa e a obra de Jesus, simplesmente, acrescenta a elas o cumprimento da lei. Os falsos mestres misturavam a lei e o evangelho, ensinavam a salvação por meio da graça e da obediência da lei.
Tudo que se tenta acrescentar à graça de Deus, a perverte ou a subverte. A salvação é única e exclusivamente pela graça (Ef 2.8).
Atualmente temos observado algumas perversões do evangelho de Jesus Cristo:
· O evangelho da prosperidade que ensina que ser abençoado é ter prosperidade material. Ser abençoado é ter bens materiais, não ficar doente e não ter problemas.
· O evangelho da graça barata que não exige o arrependimento, não combate o pecado e nem ensina a centralidade da cruz. Este evangelho recruta voluntários, mas não produz discípulos.
· O evangelho do poder espiritual que enfatiza curas, milagres e bênçãos imediatas. A igreja é uma prestadora de serviços espirituais que atende a um público consumidor carente.
· O evangelho da tradição humana que tenta preservar tradições humanas do passado (tradicionalistas) ou criar inovações humanas atuais (inovadores). Substitui ou acrescenta tradições humanas ao evangelho puro e simples.

2. QUEM SÃO AQUELES QUE PERVERTEM O EVANGELHO?
Quem eram os indivíduos que pervertiam o evangelho de Cristo entre os gálatas? Paulo sabia que eram os judeus judaizantes (At 15.1). Os judaizantes eram judeus convertidos ao cristianismo, que continuavam a praticar e a defender os princípios do judaísmo. Primeiro, eles pensavam que o cristianismo era único e exclusivamente para os judeus. A base para este pensamento é que eles só admitiam a nação judaica como o povo escolhido de Deus. Esta foi uma dificuldade enfrentada até pelos apóstolos (At 10.9-16; 11.1-18).
Segundo, eles entendiam que a única maneira de um gentio tornar-se cristão era se tornando judeu. Isto significava que devia ser circuncidado e cumprir as exigências da lei. A solução deste problema só foi encontrada na reunião dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém. Eles decidiram: “Pelo que, julgo eu, não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue” (At 15.19-20).
Sabemos que a igreja e o evangelho sempre sofrerão ataques dos falsos obreiros. Quando Paulo escreveu a Timóteo, disse: Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro (1Tm 6.3-5).
Ele apresenta as marcas do falso mestre: (1) Ensinam doutrinas contrárias ao ensino bíblico (heresias); (2) Ensinam doutrinas que não motivam a vida piedosa e a santidade; (3) São pessoas orgulhosas que acham que sabem tudo; (4) São pessoas maníacas por discussões teóricas ou especulações de linguagem; (5) São pessoas que produzem inveja, provocação, difamações, suspeições malignas e brigas constantes; (6) São pessoas que têm a mente pervertida e incapaz de conhecer a verdade de Deus; (7) São pessoas que fazem da religião uma fonte de lucro ou que ensinam para ganhar dinheiro.

3. QUAIS SÃO OS FRUTOS DO EVANGELHO PERVERTIDO?
Há somente um evangelho verdadeiro: Jesus. Ele é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6). Observe o emprego dos artigos definidos o e a. Jesus não é uma opção, mas a única alternativa de chegarmos a Deus. Quando este evangelho é pervertido traz conseqüências sérias. Paulo apresenta três:
3.1. Apostasia
“Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho” (Gl 1.6,7). A sentença “estejais passando” (no original grego metatithemi) significa transferir, transportar para outro lugar, remover, com o sentido de uma modificação de mente e coração. Trata-se de apostasia da fé, uma traição a Cristo. Paulo fala da rapidez desta traição: tão depressa ou logo no início da carreira cristã, logo após a conversão. Paulo pede aos gaiatas que interrompam o processo.
A apostasia é vista por Paulo como uma ação demoníaca. Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência (1 Tm 4.1,2). A fonte da apostasia é a sedução demoníaca que se utiliza de homens hipócritas e mentirosos. A mensagem que produz a apostasia é o ensino de demônios. Os gaiatas não estavam apenas mudando de religião, ou de igreja, mas abandonando a Deus e a graça salvadora.
3.2. Confusão
“O qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo” (Gl 1.7). Perturbam, no original grego, tarasso, significa perturbar, agitar, sacudir, transtornar, revolver, desequilibrar e lançar confusão. Veja outros textos para melhor compreender o sentido da confusão aqui referida: Ez 32.2; Mt 2.3; 14.26; Lc 1.12; Jo 14.1. O verbo usado por Paulo está no presente contínuo, significando que aquela perturbação era uma ação contínua dos perturbadores.
Quando o verdadeiro evangelho é pregado de forma deturpada ao invés de trazer luz e paz, traz trevas e confusão. O evangelho da graça conduz a paz (Gl 1.3). A graça não apenas salva, mas sustenta a vida do cristão. Ela é suficiente para capacitar o crente a enfrentar os sofrimentos (2Co 12.1 -10), fortificar o crente em suas fraquezas (2Tm 2.1) e viver uma vida cristã vitoriosa (Gl 3.3; 5.4).
3.3. Maldição
“Mas ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1.8). Ser anátema é ser maldito ou amaldiçoado da perspectiva divina, pronto para ser destruído (1Co. 16.22). Deus é fonte de maldição e bênção (Dt 28). Ser um anátema também significa estar perdido ou separado de Cristo (Rm 9.3).
Uma pessoa que ouve e acredita no evangelho deturpado está enganado quanto à sua salvação, permanecendo em seu estado de perdição e condenação (Jo 3.36), mesmo que tenha realizado falsos milagres (Mt 7.22,23).

CONCLUSÃO
Os reformadores do século XVI viam a figura do anticristo como aquela pessoa que se opunha ao ensino bíblico da justificação somente pela fé. O ministério do anticristo é substituir o Evangelho por "outro evangelho".

O que diria Lutero ou Calvino se vivessem nos dias de hoje? A situação hoje é pior do que nos dias da Reforma. A doutrina da justificação pela fé na obra realizada por Jesus Cristo sumiu do nosso meio. O lugar da bênção não é mais a cruz (Gl 6.14), não é mais Jesus (Ef 1.3), mas a igreja. O discurso é: Depois que eu vim para esta igreja, minha vida mudou. Quando deveria ser: Jesus Cristo mudou a minha vida.

domingo, 1 de setembro de 2013

Job uma Vida Santa

“A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1.27).
INTRODUÇÃO
Alguma vez já abriu a sua Bíblia e encontrou nela uma nota de 500 euros? Isso aconteceu com um cristão. O patrão não lhe pudera pagar naquele mês, e as contas estavam a aumentar. Esse homem e a esposa oraram a Deus para que Ele cobrisse aquela necessidade de 500 euros, a fim de que pudessem pagar as contas mais urgentes. Ninguém, senão Deus, conhecia a quantia certa.
Depois de assistir a um estudo bíblico num sábado à noite com um grupo na igreja, o crente abriu a capa de sua Bíblia e encontrou dentro dela o dinheiro necessário. Alguém tinha colocado essa quantia na Bíblia dele sem que percebesse. Deus fizera uso de outro crente para satisfazer as necessidades imediatas daquela família.
Se Deus lhe desse oportunidade de ajudar um irmão necessitado, você estaria preparado para obedecer? Job era um homem em harmonia com Deus e com as necessidades de outras pessoas. Nenhuma oportunidade para fazer o bem ou repartir aquilo que tinha, escapava a Job. A sua santidade ou piedade era prática. (Fp 4.19.)
O TESTEMUNHO DA SANTIDADE (job 22.1-14)
Elifaz procurou justificar a sua teoria com relação ao sofrimento de Jó, acusando-o de hipocrisia. Elifaz já o tinha acusado diretamente de proferir palavras ímpias sobre Deus (Job 15.4-13). Agora, tornando-se ainda mais severo no seu discurso, Elifaz acusa-o de pecados específicos contra os seus semelhantes, que aparentemente provam o caráter perverso de Job (Jó 22.1-14). Todavia, as acusações de Elifaz eram inventadas. Não passavam do resultado lógico do seu ponto de vista teológico sobre o sofrimento de Job.
O raciocínio de Elifaz estava apoiado num padrão correto. Ele simplesmente aplicou o seu conhecimento fora do contexto. Jó não se enquadrava na esfera do conhecimento espiritual de Elifaz. Nada podia ser mais correto do que o ensinamento de que Deus não é beneficiado por aquilo que o homem faz (Jó 22.2,3). Deus também não castiga os homens por sua reverência piedosa pelo Criador (v. 4). Com base nessas verdades, Elifaz argumentou que Jó só poderia ter pecado, para passar por tais aflições. O pecado de Jó deveria ter sido enorme (v. 5).
A vida santa deveria manifestar um comportamento reto nos assuntos de negócios (v. 6), no relacionamento com pessoas sem recursos (v. 7), com as viúvas e os órfãos (v. 9). Jó deve ter então pecado nessas áreas de responsabilidade sociais. Elifaz chegou ao ponto de afirmar que os abusos de Jó nesse sentido eram frequentes.
Segundo Elifaz, Jó não só tinha o caráter obscurecido pelos seus atos incorretos, como também demonstrava um racionalismo comum com ímpios (Jó 22.12-14). Elifaz acusou Jó da incredulidade tão mencionada nos Salmos, a qual nega que Deus nos céus tenha qualquer conhecimento das atividades humanas. Se Deus habita nas alturas do céu (v. 12), como pode ver o que o homem faz? (v. 13). Com certeza as nuvens escuras do céu e a escuridão da noite escondem os homens de Seus olhos pesquisadores (v. 14).
A OBRA DA SANTIDADE (Jó 31.1-40)
Vamos estudar agora a resposta de Jó a Elifaz e aos outros. O ponto alto de suas palavras contém uma refutação, item por item, das acusações pouco razoáveis de Elifaz (Jó 31.1-40). A fim de ressaltar sua inocência, ele pede a Deus que o esmague com toda sorte de maldições, se fosse realmente culpado das acusações de Elifaz (w. 8,10,22,40). Jó alega que o testemunho que Elifaz buscou encontrar em sua vida estava presente nas suas obras reais.
A vida de Jó manifestava primeiramente uma separação do pecado no relacionamento com outros (Jó 31.1-12). Desde o principio ele acreditava que a perdição caberia aos perversos (w. 2,3). Também cria que Deus podia ver tudo o que fazia (v. 4). Por causa dessas duas convicções, ele tinha resolvido que jamais seus olhos olhariam com luxúria para qualquer moça (v. 1). Esta preocupação com os seus pensamentos estava de acordo com o interesse que mostrava pela vida mental dos filhos (Jó 1.5).
Se Deus tivesse de pesar Jó em suas balanças, ele tinha confiança em que seu peso seria justo (Jó 31.6). Ele não tinha enganado, defraudado ou cobiçado nada de seus semelhantes (vv. 5,7). O adultério é a síntese do engano, da fraude e da cobiça. Jó nega haver cometido este pecado social dos mais destruidores (w. 9-12). A maldição que Jó pediu que caísse sobre ele neste caso era a maior degradação que poderia sofrer o homem daqueles tempos: a posse da própria esposa por outro homem (v. 10).
A declaração de Jó quanto à sua separação do pecado é o seu próprio comentário à opinião de Deus de que ele era um homem que “se desviava do mal” (Jó 1.1,8). As palavras de Jó correspondem às de Deus. As palavras de Elifaz contradiziam a palavra de Deus.
Cinco áreas de atividade ou relacionamentos interpessoais são citadas por Jó, nas quais afirma ter praticado a santidade ou piedade: 1) relações com os servos (Jó 31.13-15); 2) relações com os oprimidos e faltos de recursos (vv. 16-23); 3) as suas atitudes e atos com respeito à riqueza e idolatria (vv. 24-27); 4) relações com os inimigos e estranhos que passavam pela região onde morava (vv 29-37); e 5) as suas práticas agrícolas, especialmente o seu método de obter os produtos da terra (w. 38-40).
Em lugar de proceder como um “descrente” (1 Tm 5.8), Jó cuidada das viúvas e dos órfãos em sua própria casa, assim como de todos que podia ajudar (Jó 31.16-18). Os nus não eram mandados embora famintos c com frio (vv. 19,20). Jó nunca levantou a mão contra os órfãos para lhe tirar o sustento (v. 21). As maiores calamidades cairiam sobre ele, se pecasse tão terrivelmente diante do Deus Altíssimo (vv. 22,23).
Nenhum sentimento de adoração materialista ou dos corpos celestes tinha passado pela sua mente, ou se revelado através de atos (vv. 24-27). Quando Jó afirma que a sua esperança e confiança não estavam no ouro ou na prata, está a indicar que a sua esperança está em Deus (Veja Jó 13.15).
Os que odiavam a Jó não eram odiados por ele. Não se alegrava com a morte dos seus inimigos (w. 29,30). Como o santo Abraão, ele também mostrava hospitalidade a todos os que passavam pelas suas terras (v. 32). Todos os que viviam na tenda de Jó constantemente o louvavam pelo fato de ninguém jamais ter sido proibido de comer à sua mesa (v. 31). (Rm 12.17-21; Hb 13.2.)
Diferente de Adão, ele não escondeu os seus pecados dos homens ou de Deus (v. 33). Na verdade, não temia sequer ser rejeitado por Deus (vv. 35-37). Se Deus escrevesse alguma acusação contra Jó, ele a colocaria sobre o seu ombro e “atá-la-ia como coroa” sobre a cabeça para todos verem (w. 35,36). Jó estava tão certo de que a acusação estaria em branco, que acreditava poder colocar-se diante de Deus ousadamente, como um príncipe (v. 37).
A terra que Jó possuía e da qual cuidava, jamais clamaria contra ele por qualquer injustiça que tivesse feito (vv. 38,39). A maldição de Caim cairia sobre ele e suas terras, se tivesse obtido alguma parte delas através de fraude ou homicídio (v. 40). (Veja Gn 4.10-12.)
A definição de santidade no Novo Testamento é encontrada em Tiago 1.27. Neste versículo são apresentados tanto o aspecto proibitivo da piedade (separação do pecado ou mundanismo), como o lado positivo (satisfazer as necessidades das viúvas e dos órfãos nas suas tribulações). Jó havia ficado perfeitamente à altura da definição do Novo Testamento quanto à verdadeira religião ou santidade. Ele se afastara do pecado (Jó 31.1-12) e tinha satisfeito as necessidades dos privados de recursos (Jó 31.13-40).
O que fez você durante a semana que passou para demonstrar um caráter santo? O pecado entrou na sua vida? Você mandou embora alguém necessitado? Lembre-se, não fazer uso dos seus bens para o serviço de Deus é praticamente ateísmo, pois, na verdade, o amor de Deus é negado dessa forma (1 João 3.17).
EXAMINE A SUA VIDA
1. Você está preparado para obedecer a ordem bíblica de ajuda ao próximo?
2. Como vai o seu relacionamento com os irmãos na fé? E com seus inimigos?
3. O materialismo é ateísmo. Como você está evitando a tentação tão comum hoje em dia de “adorar” coisas?

4. Quantas pessoas tiveram contato com o Salvador através da sua hospitalidade?

sábado, 31 de agosto de 2013

Como Vencer o Sofrimento

1. INTRODUÇÃO: Salmo 116:1-9
O ser humano não deveria, de maneira alguma, queixar-se da MONOTONIA do seu dia-a-dia.
Sabe porquê?
Existem os dias em que "tudo vai bem"- tudo está óptimo e todos os projetos estão a dar certo! Dá a irreal impressão de que as dificuldades não existem.
Existem os "dias comuns" – fazemos nossos trabalhos com a rotina normal, sem notar grandes mudanças. Não nos sentimos "fantásticos", mas também não nos sentimos "péssimos".
Existem os "dias terríveis" – quando parece que tudo dá errado! Vem sobre nós: desânimo, desespero, dúvida e confusão. Estes períodos podem ser curtos ou longos. Quando persistem, muitas vezes estes tornam-se "DIAS DE DEPRESSÃO".
Algumas pessoas, têm muita facilidade de entrar em depressão. Quando isso ocorre com muita frequência, é necessário procurar ajuda.
Assim, vamos estudar alguns aspectos da depressão, pois o conhecimento do problema, ajudará na prevenção.
Veremos agora alguns sintomas comuns deste problema. Lembre-se que o fato de você se identificar com uma ou outra característica, não torna você necessariamente um depressivo. Entretanto, se você estiver convivendo com vári­os destes sinais, converse com sua família, ou com seus pastores sobre o problema.
Para ampliar nossa compreensão, vamos citar três autores de livros, que detalham o assunto.
•GARY COLLINS, em Aconselhamento Cristão" (Ed. Vida Nova, pág. 73), cita alguns destes sinais:
a) Tristeza, Apatia e Inércia – torna-se difícil equacionar os problemas, tomar decisões e manter concentração.
b) Perda de energia e fadiga – normalmente acompanhada de insónia.
c) Pessimismo e falta de esperança – sentimento de que nada está bom e nada vai dar certo.
d) Medo, auto conceito negativo – quase sempre acompanhado de autocrítica e sentimentos de culpa, vergonha, senso de indignidade e desamparo.
e) Perda de interesse e de espontaneidade – no trabalho, em atividades comuns e na vida sentimental.
f) Incapacidade de apreciar – mesmo que sejam acontecimentos ou atividades agradáveis.
• SUE ATKINSON. Autora do livro "Depressão" (Ed. Abba Press, pág. 20), também dá uma lista de sintomas;
Falta de concentração; Violentas mudanças de humor; Irritabilidade; Raiva; Desesperança; Retraimento; Temor e ansiedade; Sensibilidade exagerada às críticas; Sentimentos de culpa; Lágrimas sem motivo aparente; Sentimento de inadequação; Mudanças de hábito no dormir (acordar cedo demais ou falta de sono); Desinteresse pela comida – ou comer em demasia, como uma espécie de compensação; Sentimentos descontrolados de desespero total.
• PAUL HOFF. Em "O pastor como Conselheiro" (Ed. Vida, pág. 257), acrescenta outros dois sintomas :
A) Concentração em si mesmo – tende a perder o afeto para com os demais familiares e a isolar-se, evitando o companheirismo com eles e com as outras pessoas.
B) Doenças físicas variadas- tonturas, palpitações, dificuldades respiratórias, pressão no peito e sinais de acidez estomacal.
2. ALGUMAS CAUSAS DA DEPRESSÃO
A Depressão pode ter sido originada por diversas razões. Abordaremos apenas algumas delas.
Ela pode ter uma causa FÍSICA, (falta de sono, alimentação imprópria, efeitos colaterais de alguns remédios, desordens glandulares, contagem baixa de açúcar no sangue e outros elementos químicos desequilibrados etc).
Uma outra causa possível é a AMBIENTAL, ou seja, o ambiente em que a pessoa vive. As experiências difíceis da infância, aumentam a probabilidade de depressão na vida adulta. Alguns exemplos destas experiências: crianças separadas de seus pais e criadas em instituições; filhos que se sentem rejeitados por seus pais; famílias com padrões excessivamente altos para os filhos, resultando muitas vezes, no sentimento de fracasso e depressão.
O PENSAMENTO NEGATIVO. pode se tornar outra causa da Depressão. Geralmente ocorre em três áreas:
· Visão negativa do mundo – "tudo está indo por água abaixo";
· Visões negativas de si mesmo – sentem-se incapazes e cheios de autopiedade;
· Visão negativa do futuro – dificuldade em ter esperanças, achando que nada vai melhorar.
A TENSÃO, também pode ser uma causa. Principalmente quando estas tensões acarretam perdas, como por exemplo : de um emprego, de uma oportunidade, de saúde, de liberdade, de um ente querido que morre, de um divórcio etc.
A CULPA é mais uma causa: quando a pessoa sente que falhou ou que fez algo errado, surge a culpa, autocondenação, frustração, desesperança e outros sintomas de depressão.
3. COMO AJUDAR PESSOAS DEPRESSIVAS
Quando um amigo vem procurar a sua ajuda, mostrando sinais de Depressão, lembre-se: mesmo não se sentindo capacitado (possivelmente, precisará da ajuda de um conselheiro ou até de um médico), você poderá ser "a ponte" para que este socorro chegue ao depressivo.
Assim sendo, lembre-se destas dicas :
1. O depressivo muitas vezes se afasta e rejeita os amigos, quando mais necessita deles.
2. Nem sempre os familiares de pessoas depressivas estão bem informados sobre este problema. E comum saber que eles criticam o depressivo, que se sente ferido e traído, justamente quando mais precisa de apoio e amor.
3. E um erro pensar que pode animar o depressivo, tentando apenas motivá-lo a ter alegria e a "não esquentar a cabeça" com os problemas: isso irrita, ao invés de alegrar. A reação pode ser a inversa da que desejamos. Leia Pv. 25:20.
4. Resista à tentação de criticá-lo por estar depressivo – às vezes achamos que com uma repreensão, poderemos "em um passe de mágica", mudar o quadro. A situação não é tão simples assim.
5. Ajude a pessoa a entender os fatores pe­los quais entrou em Depressão. Tendo esta com­preensão, será mais fácil identificar possíveis saídas.
6. Aproveite sua "ponte de amizade" para sugerir um aconselhamento com uma pessoa experiente nesta área (pastor, médico, psicólogo etc).
4. COMO DEUS TRATOU DE ELIAS: UM PROFETA EM DEPRESSÃO 1 Rs. 19
Após uma tremenda vitória espiritual sobre os profetas de Baal (IRs 18: 20-40), Elias fugiu desesperado, com medo das ameaças feitas por Jezabel (I Rs 19:1-3). Caminhou 460 km (de JezreeI ao monte Orebe) e estava abatido em termos físicos e espirituais. Como agiu Deus?
A) Supriu Suas Necessidades Físicas – (1 Rs 19:4-12)
Deixou-o dormir e providenciou comida, através de um anjo. Depois, Deus fala com o profeta através de uma brisa suave, pois ele estava tão tenso, que possivelmente ficaria assustado se o Senhor lhe falasse em meio ao forte vento, ou ao terremoto, ou ao fogo. Não o censurou, nem o obrigou a tomar uma decisão. Muitos depressivos precisam de descanso, alimentação; não convém pressioná-los a tomarem decisões – relâmpago.
B) Deu Clareza à Visão do Profeta, Desfazendo seus Medos (1 Rs 19:13-14)
Inicialmente, Deus ouviu as reclamações de Elias. Ele demonstrava pena de si mesmo, julgando-se sozinho, esquecido, marginalizado e o último defensor do Reino de Deus na face da Terra. Deus mostra que ele não era o único a sofrer perseguição, nem o último fiel (haviam mais sete mil – v. 18). O deprimido costuma achar que seu caso é único e o mais grave de todos.
C) Deus Fez Elias Desviar os Olhos de Si Mesmo e Deu-lhe Trabalho para Fazer (1 Rs 19:15)
Um óptimo remédio para a excessiva preocupação consigo mesmo, é auxiliar na necessidade de outras pessoas. Tira-se os olhos, mesmo que momentaneamente, dos próprios pro­blemas e percebe-se que em muitos casos, é possível ajudar pessoas com problemas até mais graves que os nossos.
D) Deus Mostra que é Soberano Sobre a Situação (1 Rs 19:15-18)
Jezabel, a causadora de tanto pavor em Elias, não era NADA perto do Senhor a quem o profeta servia.
. Deus encarrega Elias de ungir novos monarcas ;
. Incumbiu-o de ungir um novo profeta ;
. Informa qual seria a punição dos idolatras;
. O Senhor castigaria a Acabe e a Jezabel (I Rs 21:17-29);
• Preservaria os fiéis ao Deus verdadeiro.
5. ALGUNS CONSELHOS A PESSOA DEPRIMIDA:
A) Fale de si mesmo sem se depreciar, reconhecendo aspectos positivos
B) Não deixe que somente suas emoções dominem sua conduta
C) Tente traçar um plano para sair da depressão
D) Faça novas amizades
E) Seja mais tolerante consigo mesmo
F) Não use a depressão como desculpa, para não mudar o que é necessário mudar
G) Melhore seu autoconceito: Aproximando-se de Cristo, melhorando relacionamentos estabeleça metas de melhoria.

H) Ore e sature a mente com a Palavra de Deus (SI I 16:1-9; Mt I 1:28-30).

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Um ou MAIS Mediadores?

 “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Tm 2.5).
Numa reunião missionária alguns jovens discutiam o texto: “Vós sois o sal da terra” (Mat. 5:13). Uma sugestão após outra foi feita quanto ao significado da palavra “sal” neste versículo. “O sal dá sabor”, disse alguém.
“O sal impede a deterioração”, sugeriu outro.
Finalmente, uma jovem chinesa falou com base na experiência que nenhum dos outros possuía. “O sal dá sede”, disse ela, e houve um silêncio repentino na sala. Todos durante alguns instantes se interpelavam será que: “Já deixei alguém com sede do Senhor Jesus Cristo?”
As aflições de Job fizeram com que tivesse sede de um Mediador que pudesse ser o árbitro imparcial entre ele e Deus. O que é que satisfaria por completo a sede de Job? Quem seria capaz de desempenhar os deveres do árbitro de Job?

1.      Job necessitava de um Árbitro (Job 9.30-33; 16.20,21; 33.23-28)
O discurso de Bildade em Job 8:1-22 tinha realçado o caráter reto de Deus e a justiça por Ele dispensada. Job reagiu, respondendo: “Na verdade sei que assim é: porque, como pode o homem ser justo para com Deus?” (Job 9:2). Observemos que não se trata de como o homem pode ser justificado, mas como poderia ele ter um caráter justo. Job desejava um árbitro, porque não passava de um pecador aos olhos de um Deus santo. A santidade de Deus exigiria imediata e completa justiça. (Ver Rom 6:23.)

Mesmo que Job se lavasse com salitre ou uma lixivia potente, a perfeita santidade de Deus demonstraria ainda a condição de pecado de Job, a tal ponto que até mesmo as suas roupas rejeitariam a imundície de seu corpo (w. 30,31). A ilustração de Job retratou a sua condição. Para que pudesse ter alguma esperança de remediar a situação, ele teria de conseguir comunicar-se de algum modo com Deus a esse respeito. Um árbitro poderia representar Job diante de Deus.

A figura mostrada por Job no versículo 33 é a de um homem que se interpõe entre dois contendores e os reconcilia. Este árbitro teria de “pôr a mão” sobre os dois contestantes. Na situação particular de Job, o árbitro precisaria tocar Deus com uma das mãos e com a outra o homem. Gosto muito de um desenho que representa Jesus estendido na cruz segurando com uma mão a “invisível mão do Pai” e com a outra segurando o homem.

Os conselheiros de Job, que não foram capazes de o confortar, também demonstraram a sua necessidade de um árbitro. Esses homens foram incapazes de compreender perfeitamente a situação de Job. Como resultado, passaram a zombar dele e Job voltou-se para Deus com lágrimas nos olhos (Job 16.20). Nenhuma súplica das Escrituras é mais pungente do que a sua: “Ah! Se alguém pudesse contender com Deus pelo homem, como o filho do homem pelo seu amigo!” (v. 21). O conceito que Job apresenta é de que alguém deve suplicar a Deus da mesma forma que um ser humano suplica a outro que é seu igual (“amigo”).

Eliú, o quarto amigo de Job, foi o último a entrar na conversa (Job 32:1-37.24). Este, que era o mais moço dos amigos, passou a considerar a atitude errada de Job em relação aos seus sofrimentos.
Já ficou evidente o fato de que um árbitro entre o homem e Deus deve corresponder às necessidades do homem e às exigências de Deus. Este árbitro deve ter capacidade para compreender por inteiro à posição do homem e satisfazer plenamente o caráter de um Deus santo (Job 9:32,33). Para ser “amigo” de Deus seria preciso que o árbitro fosse também Deus (Job 16:21).

Eliú fez um acréscimo à descrição do árbitro feita por Job, ao afirmar que ele deve ser um “mensageiro”, “um intérprete”, e “um entre milhares” (Job 33:23). Acima de tudo, este árbitro deve ser especial — único.

Uma outra característica do mediador de Job (ou árbitro) é encontrada na descrição do libertador-redentor (w. 24,28). O mediador deve ter um “resgate” pela vida de Job (v. 24). Job perderá a vida se o resgate não for pago. Uma vez que Deus já tinha proibido Satanás de tirar a vida de Job (Jó 2:6), Ele com certeza sabia do árbitro desejado por Job assim como do resgate a ser pago. A situação era a mesma de quando Abraão ofereceu Isaque a Deus no monte Moriá (Gén 22:1-14). Deus proveria.

2.      Deus Providencia Um Árbitro (Job 16:19)
A paciência de Job com os três amigos se desgastara e afirma: “Tenho ouvido muitas coisas como estas; todos vós sois consoladores molestos” (Job 16:2). A paciência de Job (ou a falta de paciência) com respeito aos amigos, foi um meio de o levar novamente para Deus. Não tendo achado consolo nos conselheiros, Job apresentou o seu caso a Deus com lágrimas (v. 20).

Deixando de lado os seus conselheiros, Job afirmou com convicção: “Já agora sabei que a minha testemunha está no céu, e nas alturas quem advoga a minha causa” (v. 19). Job queria dirigir a atenção dos amigos para um fato da vida espiritual que estava ao alcance deles, bastando que tivessem fé.

A posição da testemunha ou advogado é da maior importância. Esta testemunha está “no céu” e “nas alturas”. Este advogado teria acesso contínuo ao Deus de Job, a fim de fazer a sua defesa contra o adversário. (Job 1:6,7; 2.1,2.

Depois de tantas coisas serem reveladas a respeito da necessidade de um árbitro, da natureza do árbitro e da posição do árbitro, a identidade do mesmo deveria ter ficado perfeitamente clara. Evidentemente, o Filho de Deus preencheria o papel de mediador de Job. 1 Timóteo 2.5 diz simplesmente: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”.

O Mediador de Job é também a sua Testemunha e Advogado (Job 16:19). Jesus é também descrito como a “fiel testemunha” (Ap 1:5). O Advogado seria alguém que tudo sabe e tudo vê. Ele poderia responsabilizar-Se por Job, porque conhecia o coração dele. (1 João 3:19,20; Heb 9:16.)
As descrições de Paulo, estão todas de acordo com o que Job declara. Jesus Cristo preencheu de todas as formas as qualificações para ser o Árbitro de Job.
Em Gálatas 3:8-22, Paulo explica como Abraão, um gentio, foi justificado pela fé no Redentor prometido. Nem mesmo a lei ceromonial poderia prejudicar as promessas de Deus feitas a Abraão. Todos os gentios receberiam as bênçãos emanadas da semente final de Abraão, Jesus Cristo este é o cumprimento cabal dessa lei. A razão pela qual a promessa foi mantida deve-se ao resgate pago pelo Mediador (G1 3.17-22).

Ao escrever ao jovem Timóteo, Paulo associou o Mediador com a vida de oração do crente (1 Tm 2.1,2). O Mediador era a um só tempo Deus (v. 3) e homem (v. 5). O resgate é mencionado na instrução de Paulo a Timóteo (v. 6). A descrição de Jesus como “único mediador” corresponde ao conceito de singularidade.

João associou o sangue purificador de Jesus Cristo com o Advogado celestial (1 João 1:7). A confissão de pecados faz parte da obra do Mediador (v. 9). A posição do Advogado de João é semelhante à do Arbitro de Job: no céu, na presença de Deus Pai (1 João 2:1; Job 16:19). (Job 16:17; 9:32,33; 33:24,28; 33:23; 9:30,31).

Paulo na epístola aos Hebreus também menciona a posição celestial do Mediador- Redentor (Heb. 9:23-25). A descrição da função de Mediador de Cristo juntamente como único Sumo Sacerdote, apresenta a satisfação da necessidade de um Deus-Homem como Arbitro entre o homem pecador e um Deus santo (Heb. 8:1-13). A satisfação no tocante a Cristo como Sumo Sacerdote é “porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, antes foi ele tentado em todas as cousas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4:15,16). (Hb 9:11-22.)
Como o Filho de Deus pôde ter simpatia por Jó antes de Sua encarnação? O Arbitro de Jó tratou com ele à luz do cumprimento da profecia do Velho Testamento. Deus operou no Velho Testamento sobre o fundamento de que a obra de Cristo fora completada antes da criação do mundo (Ef 1:4; Hb 4:3; 1 Pe 1:20; Ap 13:8). A fé possuída por Job, aplicada a ele mesmo, estava ainda para vir, da mesma forma que nós agora aplicamos, pela fé, aquilo que já passou. Essa a razão pela qual Job pôde proclamar: “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25).

Apelo:
As aflições de Job aproximaram-no de Deus. E as suas? Você tem Cristo como Mediador diante de Deus? Nosso Mediador conhece todas as nossas fraquezas e dificuldades. Você sente que Ele simpatiza com as suas provações. Já deixou alguém com sede do Senhor Jesus Cristo?

José Carlos Costa, pastor

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

SINAIS DE UM GENUÍNO REAVIVAMENTO

Introdução - Atos 2:1-12
O reavivamento na vida do povo de Deus é uma necessidade. Quando o reavivamento chega ou chegar às nossas vidas, temos mais fé, ânimo e poder de Deus para realizarmos a Sua obra. Quando o reavivamento atinge a Igreja, ela muda. Quando a Igreja de Atos foi reavivada, a sua história mudou. As pessoas ficavam maravilhas e queriam entender o que se estava a passar.
O reavivamento tem tudo a ver com conhecer-se Jesus. É um novo despertar das faculdades da alma. É uma experiência pessoal e vital com o Salvador. Conhecer Jesus – realmente conhecê-l´O como um amigo – é a essência de todo o reavivamento. Das profundezas da sua experiência pessoal com Jesus, o apóstolo Paulo revelou que estava a orar pelos Efésios, para que estes pudessem “conhecer o amor de Criso, que excede todo o entendimento, e (fossem) cheios de toda a plenitude de Deus (Efésios 3:19).
Mas logicamente, precisamos saber que tipo de experiência queremos. Ao conversarmos com alguns membros sobre este assunto traz à superfície um grande número de ideias contrastantes acerca da natureza de um reavivamento. Para muitos, são decisões por Cristo; para outros, dons espirituais. Para outros entusiasmo, e uns pensam que é puramente santidade.
Em At 2 encontramos o exemplo perfeito de um genuíno reavivamento ou derramamento do Espírito Santo. Não penso que todo o reavivamento seria exatamente igual a esse, o que não é bíblico nem corresponde à realidade. Mas há princípios ou sinais que realmente são comuns a todo o reavivamentos. Deste texto extraímos cinco sinais que vamos examinar.

1.      Do céu – ou da terra?
O primeiro fato importante que podemos identificar quanto ao derramamento do Espírito no Pentecostes é que não foi provocado pelo homem. Nas palavras de Lucas, “…de repente, veio do céu…” v.2

Amados, este é realmente o ponto fundamental e nós precisamos entender corretamente o que significa. Muitas vezes encontramos irmãos preocupados com a Igreja, com o evangelismo, com o estado de mornidão e o pequeno número de conversões. E ficamos ansiosos por descobrir o que impede a edificação da Igreja, o que é muito bom, por um lado e querem fazer algo para que aconteça: jejum, semanas de oração, etc.

Mas, o grande problema é, será por aí que se deve começar? Em geral os crentes e dirigentes pensam que se certos métodos ou estratégias forem aplicados, então acontecerá o reavivamento. Uns pensam que precisamos orar em casa a certas horas do dia; outros que devemos chamar certos pregadores para determinada igreja; outros que devemos iniciar um culto de exortação e chamar ao “pecado pelo seu próprio nome”, ou fazer a reunião de oração de uma outra maneira; há os que crêem que se tivermos certos dons espirituais, a Igreja será reavivada, e os que pensam que uma série de estudos sobre reavivamento é a chave correta!

Ora, não há dúvida de que cada uma dessas coisas pode ser usada por Deus para despertar a igreja. A grande falha está em não perceber que Deus não está preso a nenhum método. Deus não é um génio dentro de uma lâmpada, que sairá se esfregarmos da maneira correta. Deus não é um poder mágico que pode ser manipulado com encantamentos e estratégias. Deus não depende da aplicação, por nossa parte, de certas técnicas espirituais.
Por causa dessa visão errada, as pessoas são muitas vezes tentadas a produzir um reavivamento. Se virem uma igreja entusiasmada e com cultos excitantes dirão apressadamente: “essa igreja está a viver um reavivamento”. Se virem numa Igreja pessoas com dons especiais, e líderes carismáticos, e muitas decisões no apelo, tem a certeza que acharam “o fogo já está a arder”. E então, erradamente, raciocinam que basta copiar os métodos daquelas Igrejas, e teremos um reavivamento! “Precisamos de cultos especiais!” ou “Precisamos mudar de liderança”, ou então “Precisamos fazer cultos evangelísticos”, ou “Precisamos fazer apelo no final do culto e fazer jejum”. É o que vemos muitas vezes acontecer por aí. De tempos a tempos surge um novo método e as Igrejas agarram-se a eles.

Imitar certas técnicas não provoca o reavivamento. Porque ele vem diretamente do céus. O verdadeiro reavivamento é algo que está nas mãos de Deus e não pode ser produzido pelos nossos métodos. Novos métodos podem até encher templos e deixar os crentes empolgados, mas isso não significa reavivamento.

A incredulidade faz com que busquemos novos métodos. Não cremos que Deus pode fender os céus e descer, não cremos que o próprio Deus pode pelo Seu braço lançar “fogo do céu” sobre a Igreja como no Monte Carmelo. Então, o que fazemos? Corremos atrás de imitações baratas de reavivamento. Oh, tal Igreja tem um culto especial e ou um pastor dinâmico ou muito consagrado! Tal Igreja usa grupos familiares! A prova de que essa motivação é incrédula, é que conseguimos reclamar da Igreja sem gastar horas intercedendo. Porque não esperamos em Deus, mas nos homens. Para nós, o problema é o estilo de trabalho da Igreja, ou dos pastores, que está errado. “Não falta Deus: faltam boas estratégias”.

Somos como Abraão que recebeu a promessa de ter um Filho com Sara, de maneira milagrosa, mas foi vencido pela incredulidade, gerando um filho com a concubina. Ao invés de esperar em Deus, tomou a frente e agiu na carne.

Irmãos, se queremos um genuíno avivamento, temos de esperá-lo vindo dos céus. Não nos cabe a nós produzir tal acontecimento! Não adianta imitar reavivamentos de segunda classe. Temos de ter fé e perseverança para buscar a Deus e crer que ele descerá dos céus.

Importante ainda, é notar que essa descida deu-se “de repente”. Não está no nosso controlo. Está no controlo de Deus. Não podemos “usar” o Espírito Santo. Ele vem como vento, e “o vento sopra aonde quer”. Se ele quiser, ele sopra. Se ele não soprar, é porque não quis. Não podemos “programar” um reavivamento; não podemos marcar a data, colocar no programa da igreja, ele é um ato soberano de Deus.

“Mas pastor, do modo que fala não podemos fazer nada!” Não é verdade! Podemos sim. Podemos interceder, podemos nos arrepender de nossos pecados, podemos ter vida de oração, podemos ser fiéis na obra de Deus, podemos parar de acusar os líderes e tirar a trave que está nos nossos olhos, podemos amar e servir os nossos irmãos em vez de só limpar os bancos com o traseiro, e podemos humilhar-nos até ao pó diante da soberania absoluta de Deus na questão do reavivamento, pois diz a palavra: “Deus resiste aos soberbos, porém dá graça aos humildes”.

2.      Experiência com Deus.
O segundo fato, muito importante, e relacionado com o  primeiro, é que o reavivamento bíblico é uma experiência com Deus. A palavra diz, “Todos ficaram cheios do Espírito”. V.4

Esse é o problema com os reavivamentos que encontramos por aí. Os crentes não estão em busca de uma experiência pessoal e profunda com o próprio Deus. Não, eles querem ver coisas. Querem ver estudos Bíblicos excelentes; querem ver milagres; querem ver um grupo de louvor ungido; querem ver um pregador que chora, grita e levita diante o púlpito. Querem Igrejas a viverem experiências semelhantes ao que se passa nos campos de futebol. As pessoas não vão para jogar, vão para ver.

Ver é diferente de experimentar. Não estamos no reavivamento se podemos ver milagres. Judas viu milagres. Estamos num reavivamento se estamos se estamos cheios do Espírito Santo! Estamos num reavivamento se nos temos encontrado com o próprio Deus vivo, se experimentamos uma relação viva e atual com ele.

É por isso que muitos “reavivamentos” são questionáveis. Grupos de pessoas são muitas vezes mobilizadas. Até acontece um certo fervor e acção missionária. Mas eu pergunto: as pessoas estão a ser levadas a Deus, e realmente cheias do Espírito?

As pessoas estão entrando num relacionamento vivo e pessoal com o Pai? As pessoas estão sendo controladas pelo Espírito? Se não, então não temos avivamento. Temos um movimento religioso. Pode ser um importante esforço evangelístico, mas não é um derramamento do Espírito! Não adianta simplesmente imitar essas coisas. Se quisermos um avivamento genuíno, devemos esperá-lo vir diretamente dos céus!
A Palavra diz em Atos 1:8: “…mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.

3.      Uma Experiência comunitária
A terceira característica do reavivamento genuíno é que ele é uma experiência do Corpo, ou comunitária. As línguas de fogo pousaram “sobre cada um deles” v.3
Essas expressões, “cada um” e “todos” dizem muita coisa sobre a vontade de Deus. Deus não quer expressar-Se através de apenas alguns indivíduos; Deus quer o corpo. Ele quer usar toda a Igreja. Todos são sacerdotes. Não há lugar para estrelas na nova aliança.
Essa é, no entanto, a tentação de muita gente. O que os crentes esperam, não raramente, é um derramamento do Espírito no modelo do AT. O que eles esperam é que Deus de repente irá levantar um “Moisés” ou um “Josué”, um profeta que será cheio do Espírito para conduzi-los à terra prometida.
Nesse modelo, não são todos cheios do Espírito. Só os líderes. Eles devem ser ungidos e santos. Nós não. Nós somos os seguidores. Vamos atrás e recebemos as bênçãos. E ai desse Moisés se ele não abrir o mar vermelho! Vamos apedrejá-lo.
Sem dúvida, Deus pode levantar um líder assim, mas isso não é reavivamento. Isso não cumpre o propósito de Deus; porque o propósito de Deus é a Igreja, o corpo. O reavivamento pessoal, individual é possível e desejável, mas não é o que aconteceu em Atos capítulo 2! O reavivamento da Igreja não é um punhado de líderes ungidos e um monte de seguidores. Não! O reavivamento Bíblico da Igreja é um corpo de pessoas cheias do Espírito Santo. Não poucos, mas cada um. Cada crente cheio, fortalecido e ungido com o Espírito. Não um profeta Moisés que anda com Deus enquanto os outros assistem, mas uma companhia de discípulos cheios do Espírito, tanto líderes como liderados.

4.      Vossos Filhos Profetizarão!
A Quarta característica do reavivamento Bíblico é a experiência carismática, ou seja, a manifestação de dons espirituais. Como se pode verificar nos Vs. 3 e 4, no momento do derramamento do Espírito, ocorreu uma distribuição de graça. Sobre cada um repousou uma língua de fogo, e depois eles foram capacitados a falar em línguas.
Mais à frente, Pedro cita o profeta Joel “Vs. 17-19″.
No antigo testamento, a capacitação para a obra de Deus, e a concessão de dons espirituais limitava-se a alguns homens escolhidos, profetas, reis, sacerdotes e juízes. O povo em geral não experimentava o derramamento do Espírito. Mas a promessa de Deus, para a nova aliança, é que o Espírito seria dispensado a todos, e os dons espirituais também.
Uma característica fundamental do derramamento do Espírito é a distribuição de dons espirituais a todos os crentes. Cada um é capacitado por Deus para servir com um ou mais carismas, que podem ser tanto dons especiais (1 Co 12) como ordinários (Rm 12).
Entretanto, é preciso novamente adoptar o modelo correto quanto à distribuição de dons espirituais. O modelo de ser só alguns líderes com dons espirituais e uma massa de espectadores não está profecizada. O que Joel diz, é que todos devem Ter dons. É o que Paulo nos ensina em 1 Co 12:7-11 e 14:26. Os dons estão distribuídos entre todos, e não para algumas estrelas. A distribuição livre de dons, e a manifestação do Espírito é um sinal de reavivamento genuíno.

5.      Marcados pelo Ardor Missionário
A Quinta e última característica de um genuíno avivamento, conforme o que lemos em At 2 é sua natureza missionária. Raramente nos damos conta disso, mas a distribuição de línguas em At 2 foi um milagre transcultural.

O Dom de línguas não é, em geral, compreensível. O próprio Paulo ensina que só deve ser usado na Igreja com interpretação. Mas o que se observa em At 2 é que as línguas faladas eram a dos estrangeiros que estavam em Jerusalém (Vs. 5-12). Isso mostra o desejo de Deus de alcançar essas pessoas de outras nações.

Jesus já tinha dito que a finalidade do poder do Espírito desce sobre nós, somos transformados em testemunhas, capacitadas para falar a Palavra. É o que aconteceu em At 2; depois da pregação de Pedro, converteram-se 3.000. Mais à frente, vemos os crentes a orar e foram cheios do espírito, e assim capacitados a pregar (4:31), e por todo o livro de Atos, o Espírito move a Igreja a evangelizar e fazer missões. O coração do Espírito Santo é missionário, e a igreja dos primeiros tempos era marcada pelo ardor missionário. Se ele se derramar sobre nós, então nos tornaremos missionários! Uma Igreja reavivada é uma Igreja que tem sede de evangelizar e tem compaixão pelos que se perdem. Uma Igreja reavivada não está preocupada com banalidades, mas com a missão. Muitos crentes querem o poder do Espírito para ver milagres, não para salvar almas. Querem receber bênçãos, mas não ser uma bênção. Tudo isso apaga o Espírito, porque o seu propósito é salvar e edificar almas. Evangelismo e missões são uma marca indispensável do reavivamento genuíno.

CONCLUSÃO
Diante de tudo o que foi dito, o que fazer? Em primeiro lugar, e antes de tudo, deixar a incredulidade. A nossa oração será inútil se não podemos crer que Deus realmente pode fender os céus e descer. É preciso renunciar à tentação de tentar fabricar um reavivamento, de tentar copiar reavivamentos artificiais que não tem cruz, não tem santidade, não tem convicção de pecado profundo; reavivamentos que tem muitas decisões e mãos levantadas, mas poucas conversões, que tem cultos de crentes a assistir ao espectáculo, mas logo de seguida reuniões de oração vazias. Temos que buscar algo que venha do alto!
Conhecer Deus leva sempre à obediência. A Lei de Deus revela o Seu amor. Um relacionamento mais profundo com Cristo leva a um maior desejo de Lhe agradar. A obediência é o fruto do amor. Quanto mais O amamos, mais desejamos obedecer-Lhe. Qualquer coisa a que se chame reavivamento e que não realce o arrependimento pelas vezes em que, voluntariamente, violámos a Sua Lei, é suspeita. O fervor religioso pode levar temporariamente a um elevado momento religioso, mas faltará uma transformação espiritual duradoura.

José Carlos Costa, pastor