segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Deus pode fazer de você uma Bênção

Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos (Is 57.15).
Introdução
De acordo com este texto, Deus tem dois endereços. O primeiro num "alto e santo lugar", ou no céu (Sal 115:3).
O segundo, Ele mora com aquele que possui um coração abatido e contrito (Mat 5.3). Deus reside com os humildes, com os pobres de espírito. David aprendeu e declarou esta verdade: Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus (Sal. 51:17).
O grande problema é que temos um grave problema no coração: somos orgulhosos. Mesmo após a nossa conversão, sendo a habitação de Deus, o nosso coração continua duro. Deus disse a Israel, o seu povo: Vós fizestes pior do que vossos pais; eis que cada um de vós anda segundo a dureza do seu coração maligno, para não me dar ouvidos a mim (Jer 16.12). Quebrantamento é a solução para o nosso coração orgulhoso.

1. O que é quebrantamento?
A palavra quebrantamento traduz a palavra bíblica contrição. Essa palavra sugere algo que foi esmagado e reduzido a minúsculos pedaços, tal como uma rocha que se tomou pó. O salmista David diz: Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido (Sal 34.18).
Nancy L. DeMoss afirma que quebrantamento consiste em três coisas:
1. Quebrantamento é o rompimento da nossa vontade pessoal e total rendição à vontade de Deus.
2. Quebrantamento é abrir mão da autoconfiança e da independência de Deus.
3. Quebrantamento é o amolecimento do solo do nosso coração para que a Palavra de Deus penetre e lance raízes.

2. Avalie seu orgulho
J. N. Darby declara: "O orgulho é o pior dos males que nos podem sobrevir. De todos os nossos inimigos, ele é o que perece com mais dificuldade e mais lentamente". Precisamos combater o orgulho do nosso coração, pois Deus resiste ou rejeita os soberbos (Pv 3.34; Tg 4.6; 1 Pe 5.5). O nosso Deus conhece o soberbo de longe. O Senhor é excelso, contudo, atenta para os humildes; os soberbos, ele os conhece de longe (Sal 138.6).

Façamos a nós mesmos um check-up espiritual do nosso coração. Avaliemos o nível de orgulho presente no nosso coração:
1. O orgulhoso olha para os fracassos dos outros e está sempre pronto a mencioná-los.
2. O orgulhoso tem um espírito crítico e está sempre à procura dos erros nos outros. Analisa as falhas alheias com um microscópio, mas olha as suas com um telescópio.
3. O orgulhoso tem a tendência de criticar quem se encontra em posição de autoridade (o presidente, o patrão, os pais e o pastor), e comenta com outras pessoas as falhas percebidas.
4. O orgulhoso autojustifica-se; tem um conceito elevado de si mesmo e menospreza os outros.
5. O orgulhoso tem um espírito independente e auto-suficiente.
6. O orgulhoso quer provar que está sempre certo e deseja ter sempre a última palavra.
7. O orgulhoso exige os seus direitos e a preservação da sua reputação.
8. O orgulhoso deseja ser servido, quer que a vida gire em torno de si e das suas necessidades.
9. O orgulhoso tem o sentimento de que a igreja é privilegiada por poder contar com ele.
10. O orgulhoso busca sempre autopromover-se.
11. O orgulhoso deseja intensamente ser reconhecido e apreciado pelos seus esforços.
12. O orgulhoso fica magoado quando outros são promovidos em vez dele.
13. O orgulhoso fica satisfeito com os elogios e deixa-se abater pelas críticas.
14. O orgulhoso preocupa-se com a opinião das pessoas a seu respeito.
15. O orgulhoso não aceita ser corrigido ou disciplinado.
16. O orgulhoso tem dificuldade em aceitar os seus erros e pedir perdão.
17. O orgulhoso não conhece a verdadeira condição do seu coração.
18. O orgulhoso considera que não precisa de arrependimento e reavivamento espiritual.
Se esta lista o ajudou a reconhecer algum vestígio de orgulho, não se desespere. A bênção de Deus e a verdadeira felicidade espiritual é para aquele que reconhece, confessa e rejeita o orgulho.

3. Pratique o quebrantamento
O quebrantamento é uma obra de Deus, mas exige a nossa participação. Seguem-se alguns passos para o quebrantamento.
3.1. Aproxime-se de Deus
Tiago recomenda: Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros (Tg 4.8). Se nos aproximarmos de Deus por meio da oração e da leitura bíblica. Comece a orar e ler a Bíblia. Lembre-se de duas coisas importantes:
3.1.1. Deus não rejeita a oração de alguém que o busca de todo coração (SI 66.18-20; Jr 29.13). Saiba que o Espírito Santo o ajudará a orar convenientemente (Rm 8.26).
3.1.2. A Palavra de Deus é viva e eficaz, é como uma espada que penetra no coração mais duro (Heb 4.12,13). A Bíblia é como o martelo que quebra a rocha dos corações petrificados. Não é a minha palavra fogo, diz o Senhor, e martelo que esmiuça a penha? (Jer 23.29).
3.2. Confesse os seus pecados
Quando nos aproximamos de Deus, pela oração e meditação bíblica, começamos a perceber o quanto somos pecadores. Esta foi a experiência de Isaías: Então disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meu olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! (Is 6.5).
É impossível para alguém viver na presença de Deus, sem sentir a necessidade de santificação e purificação de pecados (Tg 4.8-10). Tenha a certeza de que se você confessar os seus pecados a Deus, Ele o perdoará (1 João 1:5-10).
3.3. Tome atitudes de obediência a Deus
John Maxwell diz que atitude é um sentimento interior que se expressa pelo comportamento exterior. É a capacidade de transformar pensamentos em ações. Na linguagem de Tiago, é ser ouvinte e praticante da Palavra. Tomai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos (Tig 1.22).
Comece a fazer tudo o que Deus deseja. O quebrantamento começa com a rendição da sua vontade (Rm 12.1,2).
Faça uma lista de decisões que precisa tomar e comece a agir:
Ajoelhe-se diante de Deus e reconhe­ça a sua dependência dele.
Reúna a sua família e peça perdão pelas suas ofensas e reconheça os seus erros.
Desista de resistir e entregue os seus ressentimentos a Deus.
Comece a dar testemunho de cristão no seu ambiente de trabalho.
Comprometa-se com a sua igreja e com a obra missionária.
Passe a falar de Jesus às pessoas que estão ao seu redor.
Siga adiante com outras atitudes.
Conclusão
Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará (Tg 4.10).
Lutero disse: "Deus cria a partir do nada; portanto, Ele somente pode fazer algo de nós quando não formos nada". Samuel Chadwick disse: "É incrível o que Deus pode fazer com um coração quebrantado, se lhe entregarmos todos os pedaços". Deus é o autor do verdadeiro quebrantamento, quando nos humilhamos na sua presença.


José Carlos Costa, pastor

sábado, 17 de agosto de 2013

SERMÃO DE CASAMENTO

Génesis 2:23: “E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada.
1. Introdução
Em primeira Coríntios 7:39, o apostolo Paulo usa a expressão “casar-se no Senhor”. De fato, o casamento só persevera e vale a pena se for no Senhor. São vocês que o devem tornar “no Senhor”  se assim não for corre sérios riscos.
Comparecer a uma cerimónia religiosa presidida por um pastor não perfaz um casamento no Senhor! Não! Pois vivemos tempos, em que famílias experimentam a dolorosa experiência do divórcio, ou vivem em crises por falta da presença de Deus.
O único e mais eficiente meio para uma família vencer as suas crises e angústias é ser e manter-se fiel a Deus, deixando que ele Seja Senhor Absoluto das circunstâncias.

2. Há duas condições que possibilitam afirmar que um casamento foi constituído no Senhor:
2.1 Quando os cônjuges têm os corações inclinados a obedecer a Deus.
Divórcios, infelizmente, é algo cada vez mais comum na sociedade. Não faltam opiniões para explicar este facto.
Mas o que é que Jesus Cristo ensinou sobre a causa principal do divórcio? Basta lermos Mateus 19:8: “Moisés, por causa da dureza dos vossos corações vos permitiu repudiar as vossas mulheres…”. Observem: a falta de corações inclinados a obedecer a Deus resulta na falência dos relacionamentos conjugais!
Corações fechados a Deus impossibilitam Jesus atuar no lar. O texto de Apocalipse 3:20 revela o apelo do Senhor em prol de que os crentes/conjuges o recebam no íntimo de suas vidas.
Ler: Quando Deus está presente e actua na vida de uma família cada pessoa está preocupada em executar seu papel de acordo com os princípios estabelecidos pelo Criador.
A obediência a Deus e à Sua Palavra é a chave do sucesso na vida familiar.
2.2 Quando os cônjuges fazem do casamento uma oportunidade de unir forças e cuidados em prol de uma vida cristã mais refinada.
O texto de Eclesiastes 4:9 e 10 retracta os efeitos de um casamento ideal: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro: mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante.
Num casamento no Senhor há cuidado espiritual mútuo, edificação, ministração, e o resultado é indubitável.
3. E finalmente, quero falar acerca da existência de alguns componentes importantes para que um casamento venha a durar:
3.1 RESPEITO MÚTUO
Só há um princípio de respeito na vida familiar quando, ambos cônjuges se aceitam como são, entendendo que são diferentes, e essas diferenças precisam ser respeitadas.
Ilustração infantil. Conta-se que vários bichos decidiram fundar uma escola. Para isso reuniram-se e começaram a escolher as disciplinas.
O pássaro insistiu para que houvesse aulas de voo.
O esquilo achou que a subida perpendicular em árvores era fundamental.
E o coelho que a corrida fosse incluída. E assim foi feito, incluíram tudo, mas… cometeram um grande erro. Insistiram para que todos os bichos praticassem todos os cursos oferecidos.
O Coelho era magnífico na corrida, ninguém corria como ele. Mas queriam ensinar-lhe a voar. Colocaram-no numa árvore e disseram: “Voa, Coelho”. Ele saltou lá de cima e “pluft”… coitadinho! Quebrou as pernas. O Coelho não aprendeu a voar e acabou sem poder correr também.
O Pássaro voava como nenhum outro, mas obrigar a cavar buracos como uma toupeira. Quebrou o bico e as asas, e depois não conseguia voar tão bem, e nem cavar buracos.
MORAL. Todos nós somos diferentes uns dos outros e cada um tem uma ou mais qualidades próprias. Não podemos exigir que as outras pessoas sejam parecidas connosco ou tenham as nossas qualidades. Se assim agirmos, acabaremos por fazer que elas sofram, e no final, elas poderão não ser o que queríamos que fossem e ainda pior, elas poderão não fazer o que faziam bem feito. SAIBAM RESPEITAR AS DIFERENÇAS É AMAR AS PESSOAS COMO ELAS SÃO!
É bom lembrar o que ensina Efésios 5:33: “Portanto, cada um de vocês também ame a sua esposa como a si mesmo, e a esposa trate o marido com todo respeito.”
3.2 COMPROMISSO GENUÍNO
Implica uma compreensão de que um vive para o outro. Isto implica um amor sacrificial.
Jesus fala sobre este compromisso em Mateus 19:5: “Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne”.
Ser “uma só carne” não significa abdicar da personalidade ou dos direitos pessoais, mas implica em haver entre os dois um sentimento de cumplicidade, de consentimento mútuo, concordância e parceria.
3.3 BOA COMUNICACAO
Para comunicar é necessário ter uma compreensão emocional, mental e físico das diferenças entre um homem e uma mulher.
As mulheres, por exemplo, costumam comunicar com mais riqueza de detalhes, os homens são mais objectivos. As mulheres são mais emocionais, os homens mais racionais.
Problemas e diferenças na convivência e comunicação são resolvidos através do perdão. Efésios 4:32: “Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo.”
4.   Conclusão
Cliff Barrows ensina que existem algumas palavras que salvam um relacionamento: “Eu estava errado” – Isto se trata do perdão. “Desculpa – eu amo-te” – Isto se refere a uma reafirmação do compromisso de amar.
Deixem que eu vos diga: “O perfeito casamento é a união de 3 pessoas – um homem, uma mulher e Deus. Fé em Cristo é o mais importante de todos os princípios na construção de um lar feliz”.


José Carlos Costa, pastor

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A Solução Para a Culpa e o Pecado

O plano da salvação foi estabelecido muito antes do surgimento do pecado. A Bíblia afirma que a graça divina nos foi dada “antes dos tempos eternos” (1Tim. 1:9) e que Cristo é “o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Apoc. 13:8). Isso significa que Deus não foi apanhado de surpresa.


Ele não criou robôs programados para obedecer, mas seres à Sua imagem e semelhança, livres e soberanos nas suas escolhas. Se Adão e Eva fossem obedientes, eles permaneceriam eternamente em estado de perfeita felicidade. Entretanto, eles falharam e desobedeceram a Lei Divina. A natureza do homem “tornou-se tão enfraquecida pela transgressão que lhes era impossível, na sua própria força, resistir ao poder do mal.” [1] Houve uma ruptura no relacionamento entre Deus e o belo casal (Is 59:2), e sabe qual era a sentença? Morte eterna (Rom. 6:23).

Deus dá o Primeiro Passo Para Salvar o Homem
Todos os dias Deus passeava pelo jardim e tinha um agradável “encotro” com Adão e Eva. Porém, depois do pecado o homem teve medo e tentou fugir de Deus (Gén. 3:8). A tendência natural é acontecer o mesmo hoje. O homem tenta esconder-se de Deus. Esforça-se para se livrar da culpa e do medo. Preenche o tempo com alegrias passageiras. Busca soluções paliativas para um vazio no coração. Na sua busca por alegria, paz de espírito e sentido de vida, acaba por ter um encontro com o “nada”, pois é isso o que acontece quando se ignora a existência do Criador e Salvador Jesus Cristo.

Deus, na Sua infinita misericórdia foi ao encontro do homem “caído” e perguntou; “onde estás?” (Gén. 3:9). Ele sabia onde o homem estava escondido. Isso significa que Ele sabe como e onde você está. Ainda assim Ele pergunta; “onde estás?” Ele quer curar as feridas e por isso Ele deixa a voz humana falar… “Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi” (Gén 3:10). Deus novamente pergunta; “Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses?” (Gén. 3:11). Com todo o amor Deus dá o primeiro passo para salvar o homem, para restaurar o relacionamento quebrado, e apresenta o Seu plano de salvação.

Deus Provê Um Meio
A Bíblia descreve que Deus fez “vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu” (Gén. 3:21). Essa pele era de um animal inocente que foi morto no lugar do pecador. O animal morto era uma prefiguração do Messias que um dia viria como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29; Gén 3:15). Não era o sacrifício em si que tornava o pecador justo, mas a fé na graça salvadora do Messias que derramaria o Seu sangue no lugar do pecador (João 3:16). Mesmo nos tempos do Antigo Testamento a salvação era unicamente pela graça mediante a fé no Messias (Gál. 3:6). Sobre isso, Jesus declarou; “Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver o Meu dia, viu-o e regozijou-se” (João 8:56, ver também Génesis 22).

Arrependimento e Confissão
A palavra arrependimento na Bíblia é traduzida do termo hebraico nachum que significa “sentir-se triste”. O termo equivalente em grego é metaneo, e denota o conceito de “mudança da mente”. [2] Por outras palavras, o arrependimento é um estado de profunda tristeza pelo pecado e uma mudança de comportamento. F. F Bruce define da seguinte maneira: “Arrependimento (metanoia, ‘mudança da mente’) envolve o abandono do pecado e voltar-se para Deus em contrição; o pecador arrependido está em condições próprias para receber o perdão divino.” [3]

É Deus, que no Seu infinito amor e bondade, através do Espírito Santo, conduz o pecador ao arrependimento (Rom. 2:4; João 16:8). O amor divino atrai o pecador. Ele compreende que Cristo morreu pelos seus pecados, e dessa maneira o coração é permeado, pois entende que é unicamente através da morte de Cristo que ele pode ser declarado justo, libertado da culpa e da condenação. O texto bíblico afirma: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Prov. 28:13).

A experiência de David revela claramente como o arrependimento prepara o caminho para a vitória sobre o pecado. Ele cometeu adultério e um homicídio. Foi o Espírito Santo que o convenceu dos seus erros. Ao reconhecê-lo, David não tentou ocultá-los. Entristeceu-se pelos seus pecados, foi específico na confissão e não suplicou apenas por perdão, mas por um coração puro; “cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto” (Sal. 51:10).

Reconciliação e Justificação
Uma vez que o pecado causa separação, o perdão provê reconciliação, isto é, a restauração do relacionamento entre Deus e o homem. “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5:19).

A Bíblia diz que “todos pecaram” (Rom. 3:23). A Lei de Deus requer perfeita obediência e a quebra do mandamento exige a condenação. Então como pode o homem ser justo diante de Deus e escapar da condenação? “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rom 5:1). É unicamente mediante a graça, por meio da fé na perfeita justiça de Cristo (Ef 2:8). A base da justificação não está na nossa obediência, mas na de Cristo! “Por meio da obediência de um só [Cristo], muitos se tornarão justos” (Rm 5:19).

Ellen White descreve essa verdade nas seguintes palavras: “Visto como somos pecaminosos, profanos, não podemos obedecer perfeitamente a uma lei santa. Não possuímos justiça em nós mesmos com a qual pudéssemos satisfazer às exigências da lei de Deus. Mas Cristo nos proveu um meio de escape. [...] Viveu uma vida sem pecado. Morreu por nós, e agora Se oferece para nos tirar os pecados e dar-nos Sua justiça.”[4]

Ao vir a este mundo Cristo assumiu a natureza humana sem inclinação para o pecado. Foi obediente até à morte e fez justiça. Assim, todos podem dizer; “Por Sua obediência perfeita satisfez Ele os reclamos da lei, e minha única esperança está em olhar para Ele como meu substituto e penhor, que obedeceu perfeitamente à lei por mim.” [5] Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele pode perdoar o pecador arrependido, pois Ele mesmo cumpriu perfeitamente os requisitos da lei, e pode livrar o homem da condenação porque pagou o preço exigido – a morte. Em Cristo o pecador arrependido é perdoado, declarado justo e absolvido da sentença de morte, como declara Paulo; “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1).

Santificação
Justificação é o ato de Deus declarar justo um pecador arrependido que reconhece pela fé que só em Cristo há perfeita justiça. Além de declarado justo, Deus o considera como justo, como se nunca tivesse pecado; está absolvido de toda culpa e encontra-se em paz com Deus (Rom 5:1). Teologicamente isso se chama justiça IMPUTADA. “O verdadeiro arrependimento e justificação levam à santificação. Justificação e santificação estão intimamente relacionadas, distintas, mas jamais separadas.” [6] Santificação significa “santo”, “separado”, o que envolve a transformação do caráter ao longo da experiência cristã.

Justificação é pontual. [7] É quando o pecador arrependido confessa os seus pecados e obtém o perdão. Assim, justificação é aquilo que Deus faz por nós! Santificação é aquilo que Deus faz em nós. [8] “No momento da justificação ele [o pecador] é também santificado.” [9] Isso significa que ele recebe poder para uma vida de obediência. Teologicamente isso é justiça COMUNICADA.

Glorificação
Somos glorificados em Cristo quando o recebemos como nosso Salvador, mas ainda estamos num mundo de pecado. Por isso há um momento futuro da salvação; “último dia” (1Pe 1:5; 1Jo 3:2). Somente por ocasião da segunda vinda de Cristo a pessoa estará finalmente livre da própria presença do pecado.

[1] Ellen G. White, Caminho a Cristo, (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2000), p. 17.
[2] Ver “Repent” em www.blueletterbible.com (acessado em 09/02/2011).
[3] Frederick F. Bruce, The Acts of the Apostles; [Greek Text Commentary], London: Tyndale, 1952, p. 97.
[4] Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 62.
[5] Ellen G. White, Mensagens Escolhidas (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, ANO), vl 1, p. 396.
[6] Nisto Cremos, p. 154.
[7] Seventh-Day Adventist Bible Dictionary (Washington: Review and Herald, 1960), 8:955.
[8] Nisto Cremos, p. 154.

[9] Ibid., p. 155.

sábado, 3 de agosto de 2013

Ladrões e Janelas Abertas

O sol tinha acabado de nascer quando Charlie entrou pelo belo portão de ferro da propriedade em que ele fielmente servira seu mestre por mais de 20 anos. Ele era um cristão muito querido, mas seu patrão passou a vida toda ganhando mais e mais dinheiro, e tornou-se um homem muito rico. Passou a ser conhecido como o homem mais rico de Big Valley. Na noite anterior, Charlie teve um sonho estranho. Pela manhã, quando chegou ao trabalho, foi direto falar com seu patrão: “Patrão, tive um sonho estranho na noite passada. Sonhei que o homem mais rico de Big Valley morreria à meia-noite de hoje. Mas, patrão, quero que o senhor saiba que foi apenas um sonho, e tenho certeza que nada acontecerá. Apenas senti que deveria contar-lhe.”

O patrão deu um tapinha em suas costas e disse: “Bom e velho Charlie, você não tem de se preocupar comigo, estou em boa saúde. É verdade que sou o homem mais rico em Big Valley, mas estou bem.”

Mas conforme as horas iam passando, uma pergunta começou a se formar na mente deste homem muito rico, e ele começou a se questionar: “E se?” Ele tentou esquecer a idéia inconveniente, dizendo a si mesmo: “Isso não pode ser verdade. Por que eu deveria me preocupar com um sonho sem sentido?”

As horas foram passando, o sol se pôs, e o homem foi para casa, mas não conseguia tirar aquela idéia da cabeça: o fiel Charlie tinha tido um sonho em que o homem mais rico em Big Valley morreria à meia-noite.

Este pensamento o incomodou tanto que ele pegou o telefone e ligou para um amigo, médico. Disse: “George, você conhece Charlie, que trabalha para mim? Esta manhã ele me  disse que havia tido um sonho estranho em que o homem mais rico em Big Valley morreria à meia-noite de hoje. Sei que isso não importa. Não estou preocupado, mas faz um bom tempo desde meu último check up.”

George começou a rir. “Tudo bem, George, ria  quanto quiser. Mas falando sério, George, agora seria uma boa hora para fazer outro check up. Posso ir ao seu consultório? Acho que eu dormiria melhor. Não me importo em dizer isso.”

George disse: “Venha, e cuidarei de você.” Ele foi até lá, George o examinou, e não havia nada de errado com ele. “Você está com uma saúde de ferro!”, disse. Eles riram, e o ricaço foi para casa, mas assim mesmo não conseguia esquecer o sonho de Charlie. A pergunta, “e se?”, continuava a importuná-lo.

Mais uma vez, lá estava ele ligando para George. “George, detesto incomodá-lo, e você pode rir quanto quiser, apenas não conte nada aos nossos amigos  em comum. Não temos passado muito tempo juntos, você tem estado ocupado em seu consultório e eu em meu trabalho. Você se importaria de vir até minha casa e passar estas horas de crise comigo?”

George disse: “Tudo bem, vou até aí. Vamos falar sobre os velhos tempos, e talvez possamos discutir um pouco sobre negócios ao mesmo tempo.” George foi até lá e sentou-se com o amigo. Enquanto conversavam as horas iam passando e estava cada vez mais perto da meia-noite. À esta altura o homem rico estava andando de um lado para outro. Parecia que nada que seu amigo médico dissesse poderia acalmá-lo.

Finalmente o relógio marcou meia-noite. Nada aconteceu. George voltou para sua casa, e o homem foi para a cama e dormiu como um bebê.

Na manhã seguinte ele ouviu alguém batendo à porta. Quando a abriu, lá estava o filhinho de Charlie, que disse: “Senhor, mamãe mandou lhe avisar que meu papai morreu à meia-noite ontem.”

Afinal, o que é a riqueza, e quem é realmente rico? Todos nós nos preocupamos em ganhar dinheiro. Não podemos sobreviver neste mundo sem ele. Ganhar dinheiro ocupa a maior parte de nosso tempo e energia. A maioria de nós tem suas preocupações financeiras. Não há muitos de nós que possuem mais dinheiro do que precisam.

Existe um grande temor entre muitos dos que estão no topo financeiro de que um novo choque no sistema econômico internacional possa descontrolar o mercado e gerar uma depressão. Outra preocupação é que a inflação cresça.

Numa reunião recente entre o FMI e o Banco Mundial, quase todos os 140 ministros das finanças ali presentes alertaram para o perigo de uma crise econômica iminente. Amir Jamal, ministro das finanças da Tanzânia, e presidente da reunião disse:

“O mundo está saturado de palavras, palavras e mais palavras sobre a situação econômica global.”

Preocupamo-nos com nossa inflação, e com razão. Mas, comparada a outras partes do mundo, ainda não vimos nada. Passei 11 anos na América do Sul onde vimos uma verdadeira inflação. Os preços dobravam em questão de meses, às vezes, até mesmo, semanas. A maneira mais sábia de administrar o dinheiro era gastar o cheque do pagamento assim que possível, porque se fosse guardado, mesmo que por um dia, teria menos poder de compra.

Vi uma charge interessante num dos jornais do Rio de Janeiro. O primeiro quadro mostrava um homem dormindo enquanto um ladrão entrava em seu quarto. O intruso retirou o que havia na calça da vítima, que estava numa cadeira ao lado da cama. O ladrão jogou todo o dinheiro no chão antes de correr com a calça. O quadro seguinte mostrava o homem colocando suas roupas no cofre e deixando o dinheiro no guarda-roupa.

A alta taxa de inflação na América do Sul e em algumas partes da Europa é ainda mais significante quando se considera o fato de que sua fonte de renda é apenas um pouco mais que a metade do que ganhamos na América do Norte.

Quando a primeira bomba atômica foi lançada em Hiroshima, as pessoas ficaram alarmadas, temendo que o homem fosse destruir a terra. Falava-se muito sobre o mundo acabar numa explosão. Mais tarde, no início dos anos 70, nossas preocupações se voltaram para os problemas ecológicos. A poluição era a maior preocupação. Estávamos impressionados com o perigo de nos afogarmos em nosso próprio lixo. Nossas preocupações eram expressas da seguinte forma: “Assim que o mundo vai terminar. Não numa explosão, mas em lamúria.”

Mais tarde, um novo problema dominou o palco central da atenção global. As longas filas nos postos de gasolina e os altos preços do petróleo pediram nossa completa atenção. Alvin Toffler, autor do best-seller Future Shock, disse:

“Nossos problemas globais são, decididamente, ameaçadores. O mundo não acabaria numa explosão, ou em lamúrias, mas com um espasmo econômico.”

Ficamos tão dependentes do Oriente Médio que uma guerra no Golfo Pérsico nos faz tremer. Alguém disse que quando espirram na Arábia Saudita, alguém pega um resfriado na Wall Street ou na Bay Street, mas no Japão pega-se uma pneumonia. Noventa e cinco por cento do óleo japonês vêm do Oriente Médio. O Japão é completamente dependente da venda de seus víveres aos norte-americanos. Uma depressão na América do Norte significaria que eles não poderiam vender seus Hondas, Datsuns e Toyotas, nem suas câmeras e gravadores. E se eles não venderem estas coisas, eles não comem.

Hans Matthoefer, ministro das finanças da Alemanha Ocidental recentemente disse:

“Não temos uma escassez global de óleo combustível porque os altos preços forçaram um recuo no crescimento econômico. Ao invés de filas para a gasolina, existem filas de desempregados.”

Até mesmo pessoas religiosas são dominadas pelas preocupações financeiras. Muitos religiosos tornaram-se grandes empresários. Charles Spurgeon leva o crédito pela seguinte declaração: “O que torna uma doutrina certa e sem enganos? Milhares de dólares todos os anos.”

É estranho, mas muitas pessoas têm dificuldade para pensar que dinheiro não é tudo na vida. Algumas das pessoas mais ricas do mundo são as mais miseráveis, enquanto muitas das mais pobres são as mais felizes. Embora o dinheiro compre quase tudo, nunca irá comprar felicidade, paz de espírito, ou boa saúde. Se você tem dinheiro você pode comprar uma passagem para quase todos os lugares do mundo, mas não há dinheiro suficiente no mundo que compre uma passagem para o Céu.

Com as nuvens ameaçadoras de um conflito mundial prestes a acontecer você pode olhar para o futuro com confiança. Temos um Deus que nunca falha em suas promessas a Seus filhos.

Um estudo da contabilidade de Deus é absolutamente fascinante. A Bíblia nos ensina que o que importa é o que somos, e não o que temos.

Você sabia que a Bíblia pode torna-lo um economista melhor? Deus nos diz que nove reais com suas benção podem comprar mais que dez reais sem elas. No El Paso Times apareceu um recente relatório sobre a condição financeira dos americanos que seguem o plano de Deus, comparada com aqueles que não o seguem. O relatório declarava que quarenta em cada cem americanos aos 65 anos são totalmente ou parcialmente dependentes. Os mórmons seguem um plano de pagamento de dízimo e menos de nove em cada cem são dependentes aos 65 anos. Para os Adventistas do Sétimo Dia o total é menos de seis para cem. De 352 adventistas do sétimo dia no mundo dos negócios, apenas oito faliram em sete anos, e nenhum deles era fiel em seu compromisso com Deus.

A maioria das pessoas tem uma visão completamente distorcida de nosso maravilhoso Criador. Parece que algumas pessoas pensam que Ele é um pobre mendigo, com a mão esticada esperando por uma esmola de Seu povo. Deus não é pobre. Ele possui tudo o que há neste mundo. Ele diz:

“Pois são meus todos os animais do bosque,, e as alimárias aos milhares sobre as montanhas. Conheço todas as aves dos montes, e são meus todos os animais que pululam no campo. Se eu tivesse fome, não to diria, pois o mundo é meu, e quanto nele se contém.” (Salmo 50:10-12)

Por que tudo pertence a Deus? Você e eu pertencemos a Ele por três razões! Em primeiro lugar, Ele nos criou. Em segundo lugar, Ele nos comprou através da morte de Cristo no Calvário. Em terceiro lugar, Ele nos sustém. Não poderíamos sequer respirar sem Seu poder sustentador.

Conta-se a história de um garotinho que construiu um barquinho de brinquedo. Ele trabalhou duro na oficina de seu pai. Seu pai lhe deu um pouco de tinta com a qual ele pintou cuidadosamente o barquinho, e sua mãe lhe deu um pedaço de tecido com o qual ele fez uma vela. Como ele gostava de brincar com o barquinho que construiu! Amarrou uma cordinha no barco, e o deixava navegar rio abaixo. Enrolando a cordinha ele trazia o barco de volta. Mas um dia ela escapou de suas mãos, e, com tristeza, ele viu seu barquinho sendo levado embora pela correnteza do rio.

Alguns dias depois ele passou por uma loja de penhores e, para sua surpresa, lá estava seu barco à venda. Tentou convencer o dono da loja de que o barco era seu. O dono respondeu: “Alguém o vendeu para mim. Paguei por ele e agora ele é meu. Se você o quiser terá de me pagar US$5.00”

O garoto trabalhou muito, até que juntou dinheiro suficiente para pagar por seu barco. Quando saiu da loja, olhou para seu precioso brinquedo, e disse: “Barquinho, você é meu duas vezes. Primeiro eu o construí, e agora o comprei.”

Deus pode nos dizer: “Você Me pertence três vezes. Primeiro eu o criei, depois o comprei, e agora o sustento.”

Deus não precisa de nosso dinheiro. Ele possui toda riqueza do mundo. Por que pede que o entreguemos a Ele? Não porque Ele precise, mas porque nós precisamos disso. Isso não é para ajudá-lo, mas para nos ajudar.

Não é o plano de Deus que Sua obra seja operada de forma desorganizada! Não é Seu plano que os pregadores implorem pelo dinheiro de seus membros. Não é Seu plano que Seus ministros se interessem mais em ajudar os ricos do que os pobres. Não é Seu plano que as igrejas se tornem organizações financeiras.

Muitas igrejas gastam mais energia fazendo dinheiro do que ganhando almas. Suas atividades incluem jogos de bingo, eventos sociais, jantares e, até mesmo, loterias. Em muitas igrejas a cozinha tornou-se mais importante que o púlpito. Há fogo no fogão, enquanto não há no púlpito!

Quando estive no Brasil, peguei um avião que ia para uma cidade do interior do país. No mesmo avião encontrei um amigo, um ministro de outra igreja, indo para o mesmo lugar. Sua companhia tornou minha viagem mais agradável. Enquanto conversávamos, ele me contou o triste objetivo de sua visita àquela cidade em particular. Ele ia fechar uma igreja. “Tentamos diferentes projetos para manter a igreja a salvo em suas bases financeiras,” ele explicou. “Todos os nossos projetos para arrecadação de fundos falharam. Fizemos venda de assados, bingos, loterias, e muitas outras atividades, mas elas não resolveram nossa crise. Creio que tentamos tudo o que podíamos.”

“Vocês já tentaram o plano de Deus?”, perguntei. Quietamente, ele admitiu que sua denominação não praticava um plano sistemático de dízimo.

O livro de Malaquias fala sobre ladrões e janelas abertas.

“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós bênçãos sem medida. Por vossa causa repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vida no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos.” (Malaquias 3:8-11)

Deus diz isso. Neste verso Ele nos diz que há ladrões na igreja! O dízimo não pertence a nós, pertence a Deus. Não pagamos o dízimo, nós o devolvemos.

Quando estive na América do Sul, um ministro comprou um carro novo, e foi com ele até a igreja. Seus membros estavam revoltados, e alguém escreveu com o dedo na poeira que estava sobre o carro: “Nossos dízimos e ofertas”. Se o carro realmente foi pago com a os dízimos, não foi com o dízimo que pertencia aos membros. Todos os dízimos pertencem a Deus.

O plano de Deus é justo e razoável. Uma pessoa que recebe mais, paga mais. Quem recebe pouco, paga pouco. Se a pessoa não recebe, não há dízimo, já que dez por cento de nada é igual a nada.

Para que é usado o dízimo? Predomina a idéia de que possa ser usado para qualquer propósito religioso. A Bíblia é bastante específica quanto a esta questão.

“Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados, do próprio templo se alimentam; e quem serve ao altar, do altar tira seu sustento? Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho.” (1Coríntios 9:13-14)

Como ministro do evangelho, agradeço a Deus porque posso dedicar todo meu tempo trabalhando no ministério. Não tenho que trabalhar em algum emprego secular o dia todo, dando a ele o melhor de minha energia, e então oferecer a Deus o tempo que restou, antes que eu esteja exausto.

A que Paulo se referia quando disse que os ministros se alimentam do templo? Ele estava se referindo a um princípio que Deus deu a Seu povo.

“Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam, serviço da tenda da congregação.”  (Números 18:21)

O dízimo foi designado para um único objetivo, e este era sustentar os levitas, os ministros de Deus nos tempos do Antigo Testamento. No Novo Testamento, Paulo aplica este verso ao ministério do evangelho. Se todos seguissem o plano de Deus, não haveria escândalos financeiros nas igrejas cristãs. De acordo com este plano, o dízimo vai para uma central, onde é distribuído.

Em meu trabalho como ministro do Evangelho, nunca tive de pedir dinheiro a ninguém. Meu salário modesto me assegura que nunca serei rico. O salário que ganho cobre minhas despesas e assim posso dedicar todo meu tempo à pregação do Evangelho.

O livro de Malaquias nos diz que se retemos o dízimo de Deus, nós O estamos roubando.

Uma vez um homem disse a um ministro: “Não tenho de ser batizado. O ladrão na cruz nunca foi batizado, e Jesus prometeu-lhe um lugar no paraíso.”

Mais tarde o ministro pediu a seus membros que participassem de um projeto missionário. O mesmo homem disse: “Não preciso fazer isso. O ladrão na cruz nunca fez um trabalho missionário e foi salvo.”

Em outra ocasião surgiu o assunto do dízimo. O homem usou a mesma desculpa, exatamente como o pastor esperava. Ele disse: “O ladrão na cruz nunca deu o dízimo, e ele foi salvo.”

“Há uma grande diferença entre você e o ladrão na cruz”, disse o pastor. “Aquele ladrão estava morrendo, e você está vivo.”

Malaquias não fala só sobre ladrões, também fala sobre janelas abertas. Através deste profeta Deus diz: “Prove-me”. Que desafio! Ele promete abrir as janelas do céu e lançar uma benção tão grande que não haverá espaço para ela. Sua promessa é:

“Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.”  (Lucas 6:38)


Eis aqui uma de minhas promessas bíblicas favoritas:

“Fui moço e já agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão.”  (Salmos 37:25)

Em minha experiência no ministério posso concordar de todo coração com o salmista. Nunca vi um cristão passar fome porque foi fiel a Deus. Mais que isso, nunca vi um cristão ter um centavo a menos como resultado de seguir a Deus. Isto é porque nove dólares com as bênçãos de Deus compram mais que dez reais sem estas bênçãos. Este princípio tem sido demonstrado muitas vezes em minha vida, e na vida de outros.

Nunca vou me esquecer da experiência de um jovem chamado Gary. Uma noite ele me chamou à sua casa e disse: “Não posso devolver o dízimo. Vou lhe mostrar porque.” Abriu um caderno em que havia feito o orçamento da família. Na parte de despesas estavam as contas da casa, do carro, do aquecimento, do supermercado, das roupas para a família, e outros itens necessários. Não havia nada extravagante. Suas despesas requeriam cada dólar de seu salário.

“O que o senhor acha que eu poderia tirar do meu orçamento para ser fiel no dízimo?”, ele perguntou. “Minha família necessita de roupas e alimento, e preciso pagar as contas da casa ou eles não terão onde morar. Precisamos do carro, sendo assim essas contas são importantes no meu orçamento.”

Tive de admitir que não via nada no orçamento dele que pudesse ser cortado. “Tudo que sei é que Deus diz ‘Prova-me’”, respondi.

“Quando receber meu próximo salário, vou separar o dízimo antes de pagar qualquer conta. Mas, se minha família passar fome, o senhor vai ouvir a meu respeito”, assegurou-me. Gary recebeu o pagamento, e imediatamente separou o dízimo para retorná-lo à igreja.

No dia seguinte ele ouviu seu nome sendo chamado, no trabalho, pelo auto-falante. O chefe queria falar com ele. O que poderia ser? Entrou no escritório do chefe, e aqui estão as palavras que ele ouviu:

“Tenho observado você ultimamente, Gary, e você é um empregado fiel. Acho que você precisa de um aumento, e vou dar-lhe um aumento de dez por cento agora mesmo.”

Quando trabalhei no estado de Massachussets, conheci um senhor português chamado Enoch. Seu problema era semelhante ao de Gary. Ele decidiu aceitar o desafio de Deus.

Enoch recebia o pagamento semanalmente. Uma semana depois de tomar a decisão de devolver fielmente o dízimo de Deus, ele dividiu comigo, com entusiasmo, a história de seu milagre. “Quando recebi meu salário, a primeira coisa que fiz foi dar os dez por cento para Deus. Depois paguei minhas contas. Não posso explicar como ou porque, mas quando paguei as contas tínhamos dinheiro sobrando. Isto nunca aconteceu em nossa casa.”

Na semana seguinte ele estava tão exuberante quanto na anterior. “Aconteceu de novo”, ele me disse. Semana após semana o milagre se repetiu. Desde o dia em que ele começou a ser fiel a Deus, sua situação financeira começou a melhorar.

Um dia um jovem deixou sua casa no Sul. Sua família era pobre, e sua mãe não poderia ajudá-lo. William teria que fazer sua parte e arranjar um emprego.

Ele embarcou num navio que o deixaria na cidade de Nova York. No caminho, o capitão do navio se interessou pelo rapaz. “O que você vai fazer quando chegar a Nova York?” ele perguntou. “Que tipo de trabalho você sabe fazer?”

“Não muitos”, foi a resposta. “Minha mãe me ensinou a fazer sabonete, já que não podíamos comprar. É isso que sei fazer.”

“Vá a Nova York e faça sabonetes. Seja sempre honesto, e dê a Deus Sua parte, e Ele o abençoará”, foram as palavras do capitão cristão.

William foi para Nova York e começou a fazer sabonetes. Conforme vendia, ele, imediatamente, tirava dez por cento de seus ganhos e dava à Causa de Deus. O Senhor o abençoou, e logo ele prosperou a tal ponto, que  achou que poderia dar o dízimo em dobro. Conforme prosperava, ele aumentava suas contribuições. Seu negócio se espalhou por todos os Estados Unidos, crescendo até tornar-se uma companhia internacional.

O garoto que enriqueceu como resultado de sua fidelidade a Deus chamava-se William Colgate.

Deus também quer que você prospere. Ele não promete que todos seremos ricos, mas Ele promete Suas bênçãos. Ele tem muitas formas de nos abençoar.

Um dia Jesus foi ao templo com seus discípulos. Um homem rico estava lá dando grande quantia em dinheiro para a Causa de Deus. Quando os discípulos viram, ficaram impressionados com a generosidade daquelas pessoas ricas. Nesse momento entrou uma viúva pobre. Tinha muito pouco. Silenciosamente, ela colocou suas moedinhas no gazofilácio.

“Estando Jesus a observar viu os ricos lançarem suas ofertas no gazofilácio. Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Verdadeiramente vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento.” (Lucas 21:1-4)

A contabilidade de Jesus não parecia ter lógica para os discípulos. Nem sempre parece lógica para Seus discípulos modernos. Como a pequena oferta da viúva parecia valer mais que as doações do rico? Esta parábola nos ensina que não é a quantia que conta. Deus não precisa de nosso dinheiro. É o espírito que importa.

Você já sonhou em encontrar um tesouro enterrado em sua propriedade? Ou talvez em encontrar petróleo em suas terras? Jesus contou a história de um homem cujo sonho tornou-se realidade. Nós a encontramos no livro de Mateus.

“O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem, e compra aquele campo. O reino dos céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas; e tendo achado uma pérola de grande valor, vendeu tudo o que possuía e a comprou.”  (Mateus 13:44-46)

Este homem estava arando num campo alugado quando seu arado acertou algo duro. Ele começou a cavar para ver o que era, e ali ele encontrou uma grande caixa. Seus olhos se arregalaram quando ele removeu a tampa da caixa e viu que estava cheia de jóias, diamantes, pérolas, e rubis, coisas que ele nunca tinha visto.

Rapidamente, colocou a caixa de volta na terra, voltou para sua casa, e disse a sua esposa: “Vamos vender tudo o que temos – nossa casa, nosso celeiro, nosso gado, nossa mobília, vamos vender tudo!”

“Levi, Levi, você enlouqueceu?”, ela se queixou. “Não quero vender os tesouros que temos juntado todos esses anos!”

“Sim, sim, devemos vender tudo.”

“Levi, você deve estar louco. Você não pode fazer isso.”

Mas Levi não a ouviu. Vendeu tudo e correu para visitar o dono da terra. Colocando todo o seu dinheiro sobre a mesa, disse: “Quero comprar aquele pedaço de terra.”

“Por essa quantia você pode ficar com o campo”, o dono disse.

Depois de comprar o terreno, ele foi para casa buscar a esposa. Quando se aproximou, ouviu-a reclamando com as amigas: “Meu marido está louco”. Ele a levou ao terreno, cavou, pegou o baú e mostrou a ela. Seus olhos brilharam quando ela viu tamanha riqueza. “Levi, oh, Levi, estou casada com o homem mais esperto do mundo. Agora entendo porque você queria vender tudo. Oh, como você é esperto.”

Que verdades importantes Jesus ilustrou com essa história? Como, geralmente, falhamos em reconhecer as coisas de verdadeiro valor!

Um homem possuía uma lojinha no campo onde vendia de tudo, de móveis e ferramentas, à guloseimas. Uma manhã, quando ele abriu a loja, notou que a porta de trás havia sido arrombada durante a noite. Sabendo que alguém havia entrado no prédio, imediatamente ele chamou a polícia.

Depois de uma busca cuidadosa no edifício, eles descobriram que, estranhamente, não parecia estar faltando nada.

Não demorou muito para que o mistério se desvendasse. Um de seus amigos disse: “John, você está louco? Veja o preço desta TV a cores, duas por 25 centavos.” Mas quando olharam para algumas canetas esferográficas o preço era de 450 dólares cada. Um jogo de sala estava a venda por 2 dólares e 49 centavos, mas uma vassoura custava 635 dólares.

Moleques tinham entrado em sua loja durante a noite e trocado as etiquetas de preços.

Meu amigo, parece que enquanto você e eu estávamos dormindo, na noite passada, alguém trocou as etiquetas. O que tem valor? As pessoas dão muito valor ao dinheiro, enquanto que o cuidado da saúde parece ser menos importante. A sede de aventura, diversão e entretenimento leva uma etiqueta com um preço alto, mas ajudar aos necessitados é um item barato na lista de prioridades. As pessoas fazem fila para um evento desportivo, mas é muito raro vê-las fazendo fila para aprender mais a respeito da Palavra de Deus.

Convido você a buscar a Pérola de grande valor. Deus diz:

“Ora, além disso o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel.”  (1 Coríntios 4:2)

Há muitos anos um missionário se aventurou pelo norte do Canadá para pregar o evangelho aos índios. Naqueles tempos não era considerado seguro estar tão longe das agências de proteção da lei, mas ele foi pela fé.

Seus ouvintes se sentavam no chão enquanto ele repartia com eles a história do evangelho. Do fundo de sua experiência ele lhes disse o que Cristo fez por ele. De repente, o chefe se levantou, e começou a andar em direção ao missionário abanando sua machadinha no ar. Isso era um ataque?

Quando o chefe chegou ao lugar onde o missionário estava de pé, ele largou sua arma aos pés do pregador e disse: “Chefe índio dá machadinha para Jesus Cristo.”

Encorajado pela resposta, o missionário continuou a história do evangelho de Jesus. Ele contou como Jesus deixou o conforto do céu para que todos tivéssemos vida eterna. Mais uma vez o chefe se levantou, e tirando a manta de seus ombros, colocou-o aos pés do missionário. “Chefe índio dá manta para Jesus Cristo”, ele exclamou com emoção em sua voz.

O pastor continuou a história de Jesus, e logo o chefe foi até a floresta que os cercava. Ele voltou com seu pônei favorito. Amarrando-o a uma árvore, disse: “Chefe índio dá pônei para Jesus Cristo.”

Deus não precisa de nosso dinheiro. Numa era de materialismo, é revigorante saber que Seus filhos Lhe são fiéis em todas as coisas. Até mesmo seus livros de bolso são convertidos! Eles não podem ser comprados ou vendidos. Deus está chamando pessoas de todo tipo de vida, que desejam ser controladas pelo Deus do Céu. Elas serão ricamente abençoadas por Ele nesta vida, e receberão a vida eterna em Seu reino. Você vai entregar sua vida a Ele agora?


Pensamento sobre a Morte

Possuis apenas aquilo que não perderás com a morte; tudo o mais é ilusão.
(Autor desconhecido)


A vida revela-se ao mundo como uma alegria. Há alegria no jogo eternamente variado dos seus matizes, na música das suas vozes, na dança dos seus movimentos. A morte não pode ser verdade enquanto não desaparecer a alegria do coração do ser humano. 
(Tagore, escritor indiano) 




O homem que envelhece vai tomando gradativamente consciência de que não é eterno. Agita-se menos e, assim, os sons das vozes que vêm do além se fazem ouvir. 
(Romano Guardini) 




Os homens são como ondas: quando uma geração floresce, a outra declina. 
(Homero)




Aconteceu-nos uma coisa realmente curiosa: tínhamo-nos esquecido de que temos de morrer. É esta a conclusão a que chegaram os historiadores depois de terem examinado todas as fontes escritas da nossa época. Uma investigação realizada nos cerca de cem mil livros de ensaio publicados nos últimos vinte anos mostraria que apenas duzentos deles (0,2%, portanto) tocavam o problema da morte. Livros de medicina incluídos.  
(Pierre Chaunu)




A morte é a coisa mais segura e firme que a vida inventou até agora.
(Emil Cioran)




A duração da nossa vida é de setenta anos; e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta, a medida deles é canseira e enfado; pois passa rapidamente, e nós voamos. 
(Salmo 90, Bíblia)




Aquilo que verdadeiramente é mórbido não é falar da morte, mas nada dizer acerca dela, como hoje sucede. Ninguém está tão neurótico como aquele que considera ser neurótico decidir-se a pensar sobre o seu próprio fim. 
(Philippe Ariès)




Entre a sociedade de hoje e os intelectuais medeia um entendimento tácito. «Conto contigo - dizem os leitores - para que me forneças os meios para esquecer, disfarçar, negar, em suma, a morte. Se não cumprires este encargo, expulso-te, ou seja, não te lerei». 
(Louis Vincent Thomas, antropólogo francês)




Esquecer-se da morte e dos mortos é prestar um péssimo serviço à vida e aos vivos. 
(Philippe Ariès)



Um túmulo basta agora àquele para quem não bastava o mundo inteiro.
(epitáfio de Alexandre Magno)




Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada. 
(Fernando Pessoa)



O homem fraco teme a morte, o desgraçado chama-a; o valente procura-a. Só o sensato a espera. 
(Benjamin Franklin) 



Como um mar, ao redor da soleada ilha da vida, a morte canta noite e dia a sua canção sem fim.
(Tagore)



Não é de morrer que tenho medo. É de não vencer. 
(Jacqueline Auriel) 


O coração humano recusa-se a acreditar num universo sem uma finalidade. 
(Kant)



Começamos a morrer no momento em que nascemos, e o fim é o desfecho do início. 

(Marcus Manilius)


Para avaliar a importância real de uma pessoa, devemos pensar nos efeitos que sua morte produziria. 
(François Gaston de Levis)




Os esqueletos dos reis são apenas esqueletos. 
(Mikhail Naimy)



Tentemos viver de tal modo que, quando morrermos, até o homem da agência funerária lamente a nossa morte.
(Mark Twain)




Quando morremos, deixamos atrás de nós tudo o que possuímos e levamos tudo o que somos.
(Autor desconhecido)




Congratulamo-nos, às vezes, no momento em que despertamos de um sonho lúgubre. Poderia ser assim no momento que se segue à morte. 
(Nathanael Hawthorne) 




Morremos um pouco cada vez que perdemos um ente querido. 
(Publilius Syrius) 




A certeza da morte tem menos influência sobre a conduta do homem do que seria de esperar. 
(A L. Gordon) 




Oito dias com febre! Poderia ter escrito mais um livro...
(Honoré de Balzac, antes de entrar em coma) 




Nada de monumento coberto de elogios. O meu epitáfio será o meu nome, nada mais. 

(Byron)



O que é belo não morre: transforma-se em outra beleza. 
(Balley Ardrich)



Not dead, but gone before - Não morreram, partiram primeiro.

(Ditado inglês)