terça-feira, 11 de junho de 2013

Como o Ladrão a Noite


Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva; pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o dia do Senhor vem como ladrão de noite. I Tes. 5:1 e 2.
Já aconteceu de um ladrão ter entrado em sua casa enquanto você dormia, levando o que você tinha de valor? Se já aconteceu, você pode entender a sensação de ser tomado de surpresa.
Recentemente, um amigo meu que está emigrado na Suíça com toda a suas família a meio da noite recebeu a amarga notícia que a sua casa aqui em Portugal tinha sido assaltada. Ele e a esposa não esperaram, pela manhã fizeram estrada da Suiça para Portugal. Quando os encontrei levaram-me a casa, o lar deles era um qudro bem triste; não tinham nada na cozinha, ou nos quartos e a sala tudo tinha sido saqueado. A esposa chorava copiosamente e lamentava-se “…levaram toda a nossa vida.”
Na verdade é indescritível a angustia deles. Eu próprio fiquei amargurado por ver aquela casa vandalizada.
Essas experiências desagradáveis podem ajudar-nos a compreender melhor o amargo desapontamento dos pecadores impenitentes quando o Dia do Senhor os apanhar sem estarem preparados, completamente de sopresa. Essas experiências também nos podem motivar a preparar-nos para aquele dia.
Geralmente pensamos que as palavras de Paulo se aplicam ao espanto daqueles que serão apanhados de surpresa pela Segunda Vinda. No entanto, elas parecem descrever mais apropriadamente aqueles que aguardam a Segunda Vinda, mas estarão despreparados quando se encerrar a porta da graça.
Atente para estas palavras: "Silenciosamente, despercebida como o ladrão à meia-noite, virá a hora decisiva que determina o destino de cada homem, sendo retraída para sempre a oferta de misericórdia ao homem culpado." - O Grande Conflito, pág. 494.
Nenhum cristão precisa ser apanhado desprevenido por esse evento. Como diz o texto para nossa meditação: "Vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse dia como ladrão vos apanhe de surpresa." I Tes. 5:4. Nós somos os "filhos da luz", e continuaremos a ser filhos da luz enquanto permanecermos perto da Luz do mundo.
Dia de Preparação
Prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus. Amós 4:12.
Na Bíblia, o milénio (aquele período de mil anos que se interporá entre a segunda e a terceira vinda de Cristo), é também chamado de "o dia do Senhor", o "dia" no qual Deus intervirá diretamente nos negócios humanos (ver Sof. 2:1 e 2; I Tes. 5:2-4). Os remidos de Deus passarão aquele "dia" no Céu, em companheirismo com Ele, com os anjos e com os seres não-caídos de outros mundos. Satanás e seus anjos maus estarão presos na Terra, e o planeta descansará num sábado de mil anos.
"O grande conflito entre Cristo e Satanás, em andamento por quase seis mil anos, está para terminar em breve" (Signs of the Times, 8-5-1884). E quando terminar, começa o dia do Senhor. Assim, no momento, estamos em certo sentido vivendo no "dia da preparação", esperando o "sábado" milenar quando nos encontraremos com Deus face a face.
Numa sexta-feira à tarde, não faz muito tempo, depois de terminar meus afazeres e me preparar para receber o sábado, sentei-me numa cadeira de jardim no alpendre de trás da casa para apreciar o crepúsculo. Ao olhar para o sol poente, veio-me repentinamente o pensamento de que não só era o entardecer de uma sexta-feira da semana literal, mas também o entardecer da sexta-feira na história do mundo. Ao se unirem os dois conceitos em minha mente, pensei: "Com certeza é alto tempo de nos prepararmos para o encontro com nosso Senhor em paz."
Você teve oportunidade de ver, em nossas publicações mais antigas, a gravura que mostra um menino da área rural, carregando um balde de leite, esforçando-se para chegar a casa antes de o sol mergulhar no horizonte? Se bem me lembro, a legenda da ilustração era: "Correndo para preparar-se para o sábado."
Os tempos mudaram. Grande parte da ordenha nos dias de hoje é feita por máquinas, de modo que não serão muitos os que experimentarão esse tipo de falta de preparo para receber as horas sabáticas. Pode haver, entretanto, outras causas para estarmos despreparados na hora do pôr-do-sol da sexta-feira.
Em vista do fato de estarmos vivendo o ocaso da história do mundo, não deveríamos preparar-nos para o encontro com Deus em Seu dia especial, quando ele chegar na tardezinha de sexta-feira? (Ver Heb. 10:25.)
Esteja Preparado
Se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá. S. Mat. 24:43 e 44.
Em março de 1914, a Expedição Imperial Britânica para a Antártica saiu da Inglaterra sob a liderança de Ernest Shackelton, com a intenção de cruzar o continente gelado a partir de uma base no Mar de Weddell, rumo a McMurdo Sound, via Pólo Sul. Acontece que o seu navio, o Endurance, ficou preso entre placas de gelo. Depois de ficar à deriva entre banquisas por cinco meses, conseguiram escapar para a Ilha do Elefante, no arquipélago Shetland do Sul. De lá, Shackelton e cinco homens navegaram 1.300 quilómetros num barco baleeiro até à ilha Geórgia do Sul, onde obtiveram ajuda.
Três vezes Shackelton partiu para resgatar seus homens encalhados, e toda vez era impedido pelo mar congelado. Em sua quarta tentativa, entretanto, ele encontrou um estreito canal entre as placas de gelo e por fim alcançou-os. Ao chegar, ficou feliz por vê-los preparados para embarcar sem um momento de demora.
Depois que diminuiu a emoção do resgate, Shackelton perguntou a seus homens como foi que eles estavam prontos para embarcar no momento em que ele havia chegado. Contaram-lhe que, todas as manhãs, o líder assistente que ele havia designado enrolava o seu saco de dormir e dizia: "Deixem suas coisas prontas, rapazes; o patrão pode chegar hoje."
A segunda vinda de Cristo é muito mais certa do que o retorno de Shackelton à Ilha do Elefante. Pouco antes de partir da Terra e voltar para Seu Pai, Ele prometeu: "Voltarei" (S. João 14:3), sem "talvez" ou "quem sabe".
Quando Jesus retornar, todos os cristãos genuínos estarão prontos e ansiosamente aguardando (I Tes. 4:16 e 17) "a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus". Tito 2:13. Estarei eu pronto, estará você pronto para a Sua vinda? Essa é a importante pergunta à qual somente nós podemos responder.
Os homens de Shackelton prepararam-se todas as manhãs para o retorno de seu líder. Uma das melhores maneiras de preparar-nos para o retorno de nosso Líder é estudar Sua Palavra e nela meditar no início de cada dia.
Treinamento Para a Realeza
Jesus Cristo, ... que nos ama, e pelo Seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o Seu Deus..., a Ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Apoc. 1:5 e 6.
Muitos pensam na realeza em termos dos grandes privilégios que caracterizam essa classe. E se esquecem de que, para ser membro da realeza, é necessário adquirir preparo especial.
A Rainha Elizabeth II e sua irmã, a Princesa Margaret, não estavam na linha direta de sucessão quando o pai delas, Rei George VI da Inglaterra, subiu ao trono após a abdicação de seu irmão, Rei Eduardo VIII, em 1936. Apesar disso, as duas meninas tinham sido preparadas desde a infância para as responsabilidades que poderiam assumir algum dia como monarcas reinantes.
Assim como os membros de uma família real são treinados por um período de tempo para ocupar sua elevada posição numa corte real aqui na Terra, assim também os cristãos passam por um período de provas durante o qual se preparam para as cortes celestiais.
A Inspiração nos conta que "Adão foi coroado rei no Éden" (Review and Herald, 24-2-1874). Deus concedeu a ele e a Eva o domínio sobre toda a Terra (ver Gén. 1:28). Mas ao escolherem egoisticamente seu próprio caminho em lugar do de Deus, nossos primeiros pais foram privados de seu direito à realeza - e não apenas eles, mas seus descendentes também. Desde aquele tempo, a única maneira de obtermos a elevada honra de pertencer à família real de Deus é a adoção. A fim de preparar-nos para ocupar um lugar no reino de paz, precisamos humilde e alegremente submeter-nos a um preparo aqui na Terra.
Para que tivéssemos um modelo a ser copiado nesse treinamento, o Soberano do Universo enviou Seu próprio Filho unigênito à Terra, a fim de mostrar-nos como se comporta um membro da família real do Céu. Além disso, Deus nos deu um Livro-Guia que estabelece claramente os princípios e preceitos para os que desejam tornar-se membros da casa real do Céu.
Em vista desse fato, aqui estão algumas perguntas para você e para mim: Estou eu me preparando diariamente para ser membro da família real de Deus? Estou eu me capacitando a ser membro da realeza celestial através de cada pensamento que cultivo, cada palavra que profiro e cada ação que pratico?

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Dia Internacional da Mulher Cristã

Com este breve estudo, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, queremos aqui oferecer uma oportunidade de, reflexão a respeito do papel feminino na sociedade e influência benéfica ou maléfica a uma nação, trazendo liberdade e vitória ou escravidão e opressão, pela óptica da Palavra de Deus. Depois disto esperamos que um dia só é pouco para se lembrar o BEM que a mulher deve exercer e o MAL (citado neste texto apenas para contraste, mas é ideal que não seja lembrado) que deve evitar. Mulher, seja corajosa, benigna, amorosa, sábia e cheia de compaixão. Com isto em mente, respire fundo e leia de uma só vez o texto a seguir.
Jezabel foi rainha num negro período de Israel, resultante de todo o povo ter-se corrompido atrás da adoração de outros deuses. Depois dos tempos gloriosos e de paz no reinado de Salomão, começaram as dificuldades a partir de uma gestão leviana de seu filho, Roboão que culminou na separação de Israel em dois territórios: ao norte, chamado Reino de Israel composto por dez das doze tribos descendentes de Jacó; ao sul, chamado Reino de Judá com as duas tribos restantes. Roboão permaneceu no Reino do Sul, enquanto Jeroboão passou a comandar o Reino do Norte. Foi fiel a Deus durante um período, mas depois passou a adorar os deuses da terra. Na linha sucessória de reis, existiram reis que eram fiéis, cada um no seu grau de fé a Deus e desfaziam altares e quebravam ídolos de pedra. Com esses reis, o povo recuperava a fé, mas depois vinham reis pagãos que incentivavam a idolatria e o povo se corrompia novamente. Algumas dessas sucessões foram frutos de guerras. Certa vez era rei de Israel, o rei Elá, que tinha um servo chamado Zinri. Após dois anos de reinado, Zinri conspirou com alguns do povo e matou Elá, assumindo o reino, que só durou sete dias, pois o povo indignou-se com seu ato sórdido e nomeou rei a Onri, chefe do exército. Percebendo que a cidade onde estava havia sido cercada, Zinri ateou fogo ao castelo e morreu queimado dentro dele..
As suas origens
O sucessor de Onri, seu filho Acabe, seguiu os maus exemplos do pai e acabou casando-se com Jezabel, filha de Et-Baal, rei dos sidónios, adotando o culto pagão de seu sogro.
Os seus feitos
Jezabel, na sua intolerância religiosa, perseguiu todos os profetas do Senhor em Israel, matando a muitos deles. O profeta Obadias, mordomo de Acabe, em defesa, escondeu cem profetas, cinquenta em cada caverna e os sustentou com pão e água. Nesse período havia grande fome e seca na terra por falta de chuvas. Deus mandou o profeta Elias procurar Acabe. Elias encontra-se com Obadias que temia ser morto por Acabe por havê-lo encontrado e, Elias, garantindo-lhe a vida o mandou de volta. Obadias avisou Acabe de que Elias queria encontrá-lo. No encontro, Acabe acusa-o de perturbar Israel. Elias responde que quem perturbava Israel era ele e toda sua família. Elias desafiou Acabe a mandar os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal irem encontrá-lo no Monte Carmelo. Lá, Elias propôs a eles de oferecer dois carneiros como sacrifício, o dele, ao Senhor e o deles, a Baal. O povo ajuntou-se lá e Elias disse que aquele que respondesse às orações com fogo do céu e consumisse toda a oferenda, o povo o reconheceria como verdadeiro Deus. Os profetas de Baal fizeram de tudo para que Baal lhes respondesse: clamaram, flagelaram-se, dançaram e não houve resposta. Elias zombava deles dizendo que talvez Baal tivesse ido fazer uma longa viagem ou estivesse dormindo. Depois de bastante tempo, Elias chamou o povo a si e havendo preparado o sacrifício e regado com água, orou e desceu fogo do céu e consumiu toda a carne com a água junto. O povo gritou: - Só o Senhor é Deus! Elias incentivou o povo a matar os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e nenhum deles restou. Depois disto, Elias orou no Monte Carmelo pedindo chuva e chuva abundante caiu.
Jezabel, ao saber de Acabe que Elias havia matado todos os seus profetas, cheia de cólera enviou mensageiros a Elias para avisá-lo que no dia seguinte àquela mesma hora ela faria a ele o que fizera com seus profetas. Elias, já cansado, temeu a ameaça de Jezabel e fugiu para local seguro.
Muito tempo depois, estando Acabe em Jezreel, na Samaria, viu que Nabote, o agricultor, possuía uma vinha ao lado do seu castelo. Procurou Nabote, e quis comprar sua vinha ou dar-lhe em troca uma vinha maior. Nabote negou-se a vendê-la pois era herança de seus pais. Acabe voltou desgostoso para casa. Jezabel, sabendo a causa de tão grande desgosto, enviou cartas seladas com o sinete (anel do rei usado para carimbar) aos anciãos e nobres de Israel para que apregoassem um jejum e conseguissem dois homens perversos para acusarem falsamente Nabote por haver blasfemado contra Deus e contra o rei, que fosse apedrejado e morto por isso (nessa época quando alguém era julgado segundo a lei de Moisés, somente por duas testemunhas podia o acusado ser absolvido ou condenado.) Assim fizeram os anciãos e nobres e Nabote foi morto. Acabe, então, tomou posse da vinha. Por causa disso, Deus enviou Elias a Acabe para amaldiçoar toda sua descendência. Todos os da família que morressem na cidade seriam comidos por cães e os que morressem no campo seriam devorados pelas aves. Jezabel seria devorada por cães bem defronte ao muro do castelo de Jezreel. Acabe clamou pela misericórdia do Senhor e, por causa disso as maldições foram adiadas para os tempos do reinado de Acazias, seu filho.
O profeta Elias não morreu. Foi arrebatado aos céus por Deus, diante de Eliseu, ao qual ungira profeta em sua substituição. Eliseu ordenou que um jovem profeta, seu ajudante, fosse à casa de Jeú, capitão do exército de Israel e o ungisse rei. Estando lá, o profeta o ungiu e, como o Senhor anunciara a Elias no passado, a missão de Jeú foi a de juntar o exército e exterminar toda a família de Acabe, como vingança do Senhor contra Jezabel. Nesta época, Hazael era rei da Síria e acabara de vencer Jorão, descendente de Acabe, deixando-o gravemente ferido. A sentinela da cidade onde Jorão estava acamado avisou-o que Jeú estava vindo com seu exército. Jorão mandou dois mensageiros pedindo paz, mas nenhum deles voltou. Jeú invadiu a cidade e matou Jorão. Acazias fugiu mas foi alcançado na estrada e morto. Daí, Jeú e seus homens retornaram de Jerusalém ao castelo de Jezreel.
Sabendo Jezabel que Jeú vinha ao seu encontro, pintou seus olhos e enfeitou seus cabelos para recebê-lo. Quanto Jeú entrou no pátio, Jezabel chegou à janela e perguntou a ele: “- Teve paz, Zinri, que matou a seu senhor?” – Ela perguntara em tom de ameaça sugerindo que o mesmo que ocorreu a Zinri ocorreria a ele. Jeú não se intimidou e gritou para os criados de Jezabel que estavam com ela: “- Quem de vocês aí está a meu favor?” Dois dos criados olharam para ele, então os mandou atirar Jezabel pela janela. A mulher espatifou-se no chão, espirrando sangue para todos os lados. Jeú, depois de entrar no castelo, alimentou-se e mandou os criados irem lá em baixo enterrar Jezabel pois, sendo filha de rei, merecia essa honra. Quando os criados voltaram lá de baixo disseram ter encontrado somente a caveira, a palma das mãos e as plantas dos pés, pois o resto os cães tinham levado embora. Assim foi porque o Senhor quis apagar da face da terra a lembrança daquela mulher, e seus ossos viraram esterco na vinha de Jezreel.
Contexto histórico: fonte - Livro de Ester
Ester viveu no período do longo exílio do povo hebreu, quando cativo na Babilónia. Rainha do império persa, casada com o rei Assuero, foi de fundamental importância na libertação e retorno do povo hebreu à Jerusalém. O império persa, nesta época, estendia-se da Índia até à Etiópia, num total de cento e vinte e sete províncias. Ester foi contemporânea de Neemias, copeiro-mor do rei Artaxerxes e de Esdras, o sacerdote. Ambos, juntamente com Zorobabel reconstruíram a cidade de Jerusalém e restauraram o culto ao Deus único. Estes foram protagonistas de um dos três períodos de retorno do povo hebreu ã Palestina, num período de setenta anos.
A sua origem:
Hadassa (este era seu nome de origem hebraica) era filha de Abiail, tio de Mordecai (ou Mardoqueu, segundo outras versões bíblicas). Mordecai, criou sua prima, quando seus pais morreram. Dentre os persas eram conhecidos por Ester. Tornou-se rainha e companheira de Assuero depois de um concurso de beleza realizado pela corte para escolher uma substituta para a rainha Vasti, deposta de sua condição de rainha, por ter sido rebelde e não ter aceitado o convite do rei para comparecer diante dele num dos banquetes promovidos para seus príncipes. Isso foi tomado como insolência e, aconselhado pelo príncipe Memucã, entendido em leis (e a lei persa era irrevogável depois de outorgada pelo rei), baniu-a do palácio para que não se tornasse mau exemplo para que as outras mulheres seguissem a ponto de degradar o relacionamento das mulheres persas com seus maridos.
Ester, durante o concurso, encantou ao rei e a seus eunucos (servos da casa real) diante de todas as outras jovens virgens candidatas, não só por sua beleza e pela sua graça, mas por sua humildade e fineza com que se colocava na presença do rei. Não quis receber nenhum dos presentes do rei, que todas as outras ganhavam depois que se apresentavam. Como resultado, ganhou a coroa real que era de Vasti.
 
Os seus feitos:
Tão logo empossada como rainha, foi instrumento de grande livramento da vida do rei. Mordecai acostumara-se a assentar-se à porta do palácio quando desejava comunicar-se com Ester e vê-la como estava. Numa dessas vezes ele ouviu a conversa de dois porteiros que tramavam matar o rei. Mordecai contou a Ester o que ouviu e esta contou ao rei, que ordenou investigação imediata e, apurando-se a verdade, ambos os porteiros foram enforcados. Este fato ficou registrado no livro das Crónicas dos reis de Israel, com citação de Mordecai.
Mordecai, ainda quando Ester era candidata, a ordenara expressamente que, em nenhuma circunstância, revelasse ser mulher hebreia por causa da grande discriminação do povo hebreu em seu exílio na Pérsia. Ester obedeceu a Mordecai em todo o tempo. Todavia, Hamã, um dos príncipes de Assuero, cresceu em honra e consideração diante do rei pelo que, como tributo a sua autoridade, o rei ordenara a que todo o povo, quando o visse nas ruas, curvasse a cabeça em reverência a ele. Mordecai, bem como o povo judeu não se curvavam à Hamã e, acontecendo isso por diversas vezes, Hamã enfureceu-se e tramou um plano para que Mordecai e o povo judeu fosse eliminado da Pérsia. Com astúcia, Hamã informou ao rei que os judeus não obedeciam as leis persas e ofereceu a ele dez mil talentos de prata (moedas da época) para que outorgasse um decreto (lembrando que os decretos persas eram irrevogáveis) marcando uma determinada data para que o povo persa se levantasse contra todo o povo judeu e os aniquilasse, homens, mulheres, velhos e crianças. O povo judeu, diante do decreto, desesperado, colocou-se em jejum e oração por solução e Mordecai clamou por socorro à rainha, lembrando-a que ela também seria morta por causa do decreto.
Arriscando sua vida, embora não fosse chamada pelo rei há trinta dias, decidiu entrar na sua presença, sem ser convidada, o que era considerado desrespeito passível de morte. Mas o rei neste dia estava bem-humorado e considerando-a, estendeu-lhe o cetro e ela tocou a sua ponta – esse era o sinal de aprovação do rei à presença da rainha. Ester pediu ao rei que comparecesse com Hamã a um banquete organizado por ela. Ao saber deste convite, Hamã sentiu-se lisonjeado e exibiu-se diante dos seus familiares e amigos cheios de si pela importância pessoal que auferira. Durante o evento, Ester pediu que ambos comparecessem no segundo dia do banquete, pois ela revelaria o seu pedido ao rei – toda rainha, após estar na presença do rei, podia pedir qualquer coisa como presente. Naquela primeira noite o rei não conseguiu dormir, então chamou seus os servos para que lessem o livro com os registos do seu governo. Em certo instante, foi lido a respeito do ato de Mordecai que salvou o rei. Então Assuero, ao saber que nenhuma condecoração houvera sido dada a Mordecai pelo seu ato heróico, mandou chamar Hamã para saber a sua opinião quanto a que condecoração daria o rei ao homem que lhe agradasse pelos seus atos. Hamã, cheio de si, entendendo que o homem que mais agradava ao rei era ele próprio, sugeriu colocar vestes reais nesse homem e a coroa real em sua cabeça e, montado num dos melhores cavalos do rei fosse levado por um de seus mais importantes príncipes a um passeio pela cidade, sendo que, por onde passasse, fosse proclamado o motivo de sua honra. Assuero, então, encarregou Amã de ser o príncipe que levaria Mordecai vestido com vestes reais e coroa, de cavalo pelo reino. Amã proclamaria a mensagem de honra a Mordecai.
Foi cumprida a ordem, mas Amã chegou irado em casa com isso e sua mulher, Zeres, o alertou que estava começando a perder sua importância diante de Mordecai e do povo judeu e, por isso, seu plano de acabar com os judeus poderia dar errado. Aconselhado por ela, Amã construiu uma forca próxima à sua casa para que nela, Mordecai fosse enforcado. À noite, Amã compareceu ao segundo dia do banquete promovido por Ester. Em certo momento, Ester, corajosamente, revela sua identidade hebreia ao rei e denuncia a trama de Amã para acabar com seu povo. Assuero, furioso, levanta-se da mesa e sai da sala. Amã se prostra diante de Ester, pedindo clemência. O rei, ao retornar ao recinto, viu Amã deitado no divã de Ester e entendeu que Amã tentava violar Ester para conseguir seu perdão. O rei o acusou de intentar isso para com Ester e pediu que dois de seus seguranças o prendessem, com o que, lançaram sobre Amã um capuz para levá-lo. Um dos eunucos contou ao rei que Amã havia construído uma forca para Mordecai. Assuero, então mandou que ele fosse enforcado nela, diante da sua família. O rei nomeou Mordecai como conselheiro e deu a Ester a casa de Amã.
O rei, a pedido de Ester, publicou novo decreto – irrevogável, já que a destruição dos judeus estava determinada – dando aos judeus o direito de se agruparem e se armarem para que, naquele dia marcado se defendessem. Tal foi o empenho dos judeus naquele dia, que os do povo que lhes estavam contrários foram apanhados de surpresa em todas as províncias do reino e foram mortos ao fio da espada. Porém, para si nada tomaram do que era de seus inimigos. Os dez filhos de Amã também foram mortos. A data da vitória dos judeus foi estabelecida como data comemorativa. Com a misericórdia de Deus e a coragem de Ester permitiu-se que os judeus optassem por voltar à Palestina e reconstruir Jerusalém ou permanecer ali sob sua égide. E foi, ainda, longo e de paz seu reinado com Assuero.
Conclusão
Eis, aí, duas mulheres de personalidades diametralmente opostas. Mas a mulher que queremos homenagear aqui é Ester, pois se não houvessem mulheres de fibra, cheias de amor e sabedoria, não valeria a pena existir o Dia Internacional da Mulher, não é mesmo? Um abraço a todas, e que Deus abençoe e transforme seus corações, mães, profissionais, amigas, irmãs e as servas do Senhor Jesus.

domingo, 9 de junho de 2013

Cidadão do Mundo e do Reino

Introdução
O drama do dia 11 de setembro de 2001 foi o epicentro de um sismo cujas ondas de choque continuam a fazer sentir os seus efeitos mesmo nos nossos países: a qualidade de vida já não é a mesma, o mundo do trabalho está afetado e as perspetivas de futuro são muito incertas. E nós sentimos, intuitivamente, mais do que nunca, que nunca mais retornaremos à situação inicial, àquela antes do dia em que tudo ruiu e onde nós entrámos numa nova era.
É igualmente necessário constatar que a questão de “vivermos juntos” se tornou problemática. “O outro” e, especialmente, o estrangeiro, é agora um perigo potencial para o nosso trabalho e para a nossa reforma, para o nosso alojamento, para a nossa cultura e para aquilo que nos ocupa hoje: a nossa religião.
Portanto, lenta mas certamente, ajudados pelos discursos populistas, a rejeição, o egoísmo, a cólera estão a tentar destruir aquilo que constitui os valores fundamentais das nossas democracias: a tolerância, a solidariedade, a igualdade, o respeito, etc..
Por outro lado, como é que os cristãos, e mais precisamente os Adventistas do Sétimo Dia – ou seja, as pessoas que esperam entrar definitivamente no Reino de Deus – devem viver num mundo de tantas mudanças e tão incerto? Como discípulos de Jesus, devem ainda permanecer coerentes com a sua fé, a fé em que o reino já existe e opera neste mundo? (Luc. 17:21)
1.      A Igualdade
Para podermos responder a estas perguntas, nada fáceis, necessitamos, mais uma vez, de nos voltar para a Palavra de Deus, para aí descobrirmos, imediatamente, a afirmação sobre a igualdade entre todos os seres humanos.
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa semelhança. […] E criou Deus o homem à Sua imagem: à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gén. 1:26 e 27).
Eles são macho e fêmea, homem e mulher, Adão e Eva. Representam os dois a semente da humanidade, tal como ela chegou até aos nossos dias.
Considerando este facto, todos os humanos são absoluta, perfeita e fundamentalmente iguais em direitos e em dignidade. São dotados de razão e de consciência. São todos membros da fraternidade humana, porque foram todos criados por Deus e Ele ama-os profundamente. Quaisquer que sejam as suas escolhas, a sua cultura, mas também a sua religião, Deus ama-os todos!
Consequentemente, o egoísmo, a rejeição do outro, a negação daquilo que constitui a identidade do homem são atitudes contranatura. Por que razão aberrante podem os crentes definir-se coletivamente por oposição a um grupo, ou a um indivíduo? Sejamos claros a este respeito: não se trata de aceitar inconsideradamente ideias, doutrinas ou outros comportamentos que seriam repreensíveis. A aceitação da qual falamos aqui diz respeito aos indivíduos.
É importante distinguir entre os indivíduos e os seus comportamentos ou as suas crenças. Os indivíduos são nossos irmãos e irmãs em humanidade. No que diz respeito a alguns dos seus comportamentos, se não são compatíveis com o bem comum, devem ser combatidos. Pensamos aqui no fundamentalismo de toda a espécie, que conduz a propósitos e a atos inaceitáveis.
Mas devemos ter sempre presente na nossa mente que cada ser humano, mesmo o mais desagradável, deve desfrutar dos mesmos direitos que nós.
2.      A Liberdade
A liberdade é um dom precioso que Deus concedeu ao homem no momento da sua criação, e que se exerce, mais especificamente, na pesquisa que nos interessa: a liberdade religiosa, esse direito à livre procura de Deus, seja qual for o nome que damos a esse deus.
Assim, ninguém, quer tenha ou não encontrado Deus, quer O tenha ou não rejeitado ou que venere um deus diferente do nosso, deverá ser submisso a qualquer forma de coerção ou de menosprezo. Quando nos aventuramos no domínio da liberdade religiosa, quer a discriminação, quer o menosprezo devem ser excluídos.
Um versículo do Alcorão afirma: “Porém, se teu Senhor tivesse querido, aqueles que estão na terra teriam acreditado unanimemente. Poderias (ó Muhammad) compelir os humanos a que fossem fiéis?” (Yunus, 10.99)
Mas aquilo que nos interessa, prioritariamente, sobre este assunto, é a posição de Jesus.
Marcos 9:38-41: Neste episódio, os discípulos impedem um homem de curar em nome de Jesus, porque ele não os segue. Ou seja, ele não faz parte do grupo (da Igreja) de Jesus. Não pode, portanto, fazer nada de aceitável.
No entanto, a resposta de Cristo é um exemplo de respeito pela crença deste homem. “Não lho proibais…”. Pode existir algo de bom noutra “religião”.
E para responder à nossa pergunta inicial – sabermos como, enquanto cristãos, deveríamos posicionar-nos neste mundo que mudou profundamente e gerou tantas preocupações – diremos que devemos viver de uma maneira tão cristã quanto possível: afirmando claramente as nossas convicções, sabendo reivindicar as nossas decisões, respeitando, ao mesmo tempo, a liberdade dos outros. E não esquecendo nunca que só Deus decide quem são aqueles que farão parte do Seu Reino.
“Senhor, Senhor! […] e em Teu nome não fizemos muitas maravilhas?”, “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mat. 7:22 e 23). Mas também: “Vinde, benditos do Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado” (Mat. 25:34). “Senhor, quando foi que te vimos […]?” (v. 37). “Quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes” (v. 40).
Compaixão misteriosa de Deus, tão incompreensível para nós!
3.      O Homem, Imagem de Deus
A glória de Deus é o ser humano!
“Que é o homem mortal, para que te lembres dele? […] Contudo, pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste” (Sal. 8:4-10).
Se o homem foi feito “à imagem e semelhança de Deus”, se ele é, como diz Santo Agostinho, “a face humana de Deus”, isso significa que qualquer forma de menosprezo para com o outro é uma blasfémia.
Não podemos, portanto, respeitar Deus, orar, adorá-l'O e, ao mesmo tempo, menosprezar o nosso próximo. É o que Jesus recorda frequentemente aos fariseus, por vezes secamente: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!” (Mat. 23:23)
Conclusão
Vamos concluir o nosso estudo com uma última observação, sem a qual a nossa reflexão estaria incompleta e poderia indicar que, com uma tal visão do homem, a porta está aberta a todos os riscos, para não dizer a todos os perigos.
Contudo, não é um laxismo beato e ingénuo que quisemos evidenciar ao enunciarmos estes princípios grandes e nobres, o que teria criado um mal-entendido.
É evidente que a igualdade, a liberdade concedida ao outro e o respeito que lhe é devido não inclui em todos os seus comportamentos, os seus erros ocasionais ou os seus falsos alibis. Só dizem respeito à sua pessoa, como já foi dito anteriormente, e é bom relembrar.
Em todos os textos da lei – nacionais ou internacionais – os direitos do indivíduo são limitados por um artigo que declara, no essencial, e tomaremos como exemplo o artigo 18, ponto 3, do Pacto Internacional relativo aos direitos civis e políticos a respeito da lei religiosa: “A liberdade de manifestar a sua religião ou as suas crenças só pode ser objeto de restrições que, estando previstas na lei, sejam necessárias para a proteção da segurança, da ordem, da saúde e da moral públicas, ou para a proteção dos direitos e liberdades fundamentais de outrem.”
E o que diz a Palavra de Deus?
“Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores […]” (Rom. 13:1-7).
Todos são iguais. Todos são livres. Todos merecem o nosso respeito, mas dentro do quadro previsto pelas leis e cujos limites são definidos pela minha liberdade pessoal e pela Palavra de Deus.
Acreditar que Deus liberta, não é somente contemplar uma certeza, é caminhar em direção ao libertador.
Para os cristãos, como nós, e que se questionam, viver os direitos do homem, ao mesmo tempo que vivemos a nossa fé, é o sinal do Reino que virá nesse mundo novo.
E é deste modo que somos convidados a viver, porque é isso que Jesus nos pede: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mat. 7:12).

Fundamento da Esperança

1. INTRODUÇÃO
Nós não sabemos como era Jesus, o filho de um obscuro carpinteiro e de uma modesta dona-de-casa da Palestina do século primeiro de nossa era. Nenhum contemporâneo dele o representou, porque este tipo de arte não existia no conceito hebraico. Só mais tarde, na já Idade Média, os pintores começaram a pintar o seu rosto a partir de uma idealização.
Nela ficava clara a dificuldade de os seres humanos verem Jesus como um homem. Por isto, boa parte dos quadros traz uma auréola sobre a sua cabeça, como a dizer, a indicar a sua diferença dos homens.
Este procedimento tem acompanhado as artes cristãs. No teatro, o mais comum era Jesus aparecer de costas, nunca de frente. Foi o cinema praticamente o primeiro a dar uma dimensão humana a Jesus, com destaque para Pier Paolo Pasolini, que o retratou com um italiano qualquer. Nós nos acostumamos com a imagem de um Jesus europeizado, de pele clara, rosto macio, olhar vago, cabelos lisos e longos e barbas também amplas. Tanto nos acostumamos que achamos bravo demais o rosto que alguns cientistas ingleses apresentaram como sendo o mais provável para o filho de Maria e José. No fundo, nossa imaginação se conforta com a ideia de um Jesus mais divino do que humano.
Como era mesmo o corpo de Jesus, não o sabemos. Nós temos que ficar com a imaginação. Nós que temos que nos conformar com o mistério.
Os contemporâneos de Jesus não tiveram esta dificuldade, mas tiveram outra: a de entender como Deus aquele ser que eles viam como completamente humano, que teve que estudar como todo menino (Lucas 2.52); que, quando adulto, tinha sede (João 19.28) e fome (Mateus 4.2; Mateus 21.18), e que sentia cansaço (João 4.6) e angústia (João 12.27, 13.21) como todo ser humano. Como acontece a qualquer um de nós, quando o fim de sua vida se aproximava, ele admitiu que estava transtornado (João 12.27). Como ver nEle o Emanuel (o próprio Deus conosco), se chorou porque um amigo morreu (João 11.35) ou porque a sua cidade o recusava (Lucas 19.41)? Eles não o receberam como Deus, mas apenas como uma pessoa qualquer (verso 11). Seus irmãos de sangue não viram nada de especial nele. Nem sequer perceberam que o seu irmão mais velho nunca pecou (2Coríntios 5.21). Sim, embora tenha passado por todo tipo de tentação, Jesus não pecou (Hebreus 4.15).
Ninguém explicou melhor este mistério do que os autores do Evangelho de João e da Carta aos Filipenses, que escreveram magistralmente:
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.
O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigénito do Pai.
(João 1.1-5, 10-14)
Cristo Jesus (...), subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.
(Filipenses 2.5-8)
2. PARA ENTENDER A ENCARNAÇÃO
Encarnação é a palavra que a teologia criou para expressar o itinerário de um Deus Absoluto que se torna homem, com todas as suas limitações, mas sem deixar de ser Deus, com toda a sua perfeição.
A encarnação de Deus é um mistério e um paradoxo. A encarnação é um desafio à razão que nos convida à fé e um desafio à fé que nos convida a pôr em cena toda a nossa capacidade de imaginar e pensar. A fé nos abre a porta do mistério. A razão nos põe na antessala do paradoxo. Para aceitá-la, precisamos crer no incrível amor de Deus e aceitar o Novo Testamento como a fonte de nossa reflexão sobre a ação de Deus na história. Só por amor a nós Jesus Cristo abriu mão de sua divindade para experimentar a nossa humanidade. (Sim, Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. -- João 3.16). Só o Novo Testamento nos abre as páginas para entender a grandeza deste gesto, que extrapola os limites da mente humana, ao narrar a experiência da união da plena divindade e da plena humanidade, possibilitada pelo nascimento virginal de Jesus e que possibilita a nossa readmissão à condição de filhos de Deus (Vindo a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,  para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. Então, porque somos filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: "Aba!" (Pai!] De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus. (Gálatas 4.4-7)
Como, entender, a encarnação, à luz da fé e do Novo Testamento?
Nossa primeira dificuldade é  entender como o Espírito se torna carne. A razão não consegue explicar  o processo ao qual poderíamos chamar de inseminação espiritual e pelo qual Maria foi fecundada. Ao longo da história do Cristianismo, várias respostas equivocadas vêm sendo dadas. Como ainda são repetidas, precisamos corrigi-las. Por isso, precisamos afirmar que:
1. Jesus não foi um ser resultante da reencarnação de um profeta do passado. Diferentemente do que ensinam todos os espiritismos, do hinduísta ao kardecista, Jesus não foi uma reencarnação de Elias ou de algum outro profeta. Os espiritismos ensinam que o processe da reencarnação termina quando a alma alcança o estado da perfeição e mergulha de novo na alma universal. Jesus desmente a reencarnação: Ele não evoluiu aqui na terra, porque já nasceu perfeito. Segundo o Novo Testamento, Ele não foi gerado por alguma alma transmigrada, mas diretamente pelo Espírito Santo.
2. Jesus não foi um ser resultante de um processo evolutivo e ao final do qual alcançou o "estatuto" de Deus. Para os adocianistas, Jesus foi adotado pelo Pai e se tornou Deus, embora não o fosse em sua origem. Neste sentido, como criam os imperadores romanos a respeito de si mesmos, todos os seres humanos podem alcançar a divindade. Esta "fantasia" está em contradição com o que ensina o apóstolo Paulo, especialmente em Filipenses 2.5-11. Ele era Deus a eternidade e continua Deus.
3. Jesus não foi um ser humano com a aparência de Deus. Diferentemente do que prega o docetismo, Jesus não apenas parecia homem; Ele o era. Como insiste o autor de 1João 4.2-3, precisamos crer que Jesus veio em carne ao mundo, embora muitos se recusem a aceitar esta evidência (2João 7). Os evangelhos falam mais da humanidade do que da divindade de Jesus. A fórmula paulina é perfeita: nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. (Colossenses 2.9)
4. Jesus não tinha uma dupla personalidade, a divina e a humanas distintas. Diferentemente do que propuseram alguns pensadores antigos, Jesus não era um Deus habitando um corpo humano (apolinarismo), nem que em Jesus participavam duas pessoas: uma humana e outra divina. Antes, Ele era uma só pessoa, referindo-se a si mesmo sempre como "eu", jamais como "nós".
5. Jesus não era um ser híbrido, formado de uma fusão entre suas duas naturezas como acontecem com os ingredientes de um bolo. Diferentemente do que pregavam os monofisistas (ou eutiquianos), Jesus era totalmente Deus e totalmente homem. A divindade de Jesus e a humanidade de Jesus permaneceram intactas (preservadas). O que ocorreu é que Ele abriu mão voluntariamente do uso independente dos seus atributos divinos; só os usava em dependência com o Pai.
6. Jesus não foi um ser criado por Deus. Diferentemente do que ensinaram os arianos no passado e erram seus herdeiros no presente como os Mórmons (para quem Jesus não é um membro da Trindade, mas antes a primeira das criações do Pai) e as Testemunhas de Jeová (que ensinam que Jesus foi a mais elevada e a primeira de todas as criações do Pai e como tal criou todas as demais criaturas; como escreveu Charles Russell, "Jesus, pelo poder de Jeová e em seu nome, criou todas as coisas -- anjos, principados e poderes -- bem como toda a criação terrena".), Jesus mesmo afirmou a sua eternidade, ao dizer: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU. (João 8.58) No Apocalipse, Ele se declara o Alfa e o Ómega (Apocalipse 22.13), isto é, o Princípio e o Fim. Sim, no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. (João 1.1-2)
3. PARA VIVER A ENCARNAÇÃO
A afirmação de fé em Jesus Cristo como completamente Deus e completamente homem, pode ser expressa da seguinte forma:
ENCARNAÇÃO
(João 1.1-14; Filipenses 2.5-8)
Esta crença é, ao mesmo tempo, convite e certeza, confiança e esperança.
1. A primeira atitude daquele que recebe a notícia que Ele veio em direção ao ser humano para torná-lo filho de Deus é aceitar este esforço. A encarnação de Deus em Jesus Cristo possibilitou que Ele morresse no lugar do homem, que pode receber sentido para sua vida, em termos de paz, liberdade e alegria, sem ter que morrer para isto.
Ainda hoje há infelizmente pessoas que tornam atual a informação de João. Jesus veio para o que era seu, e os seus não o receberam (verso 11). Elas não querem ser filhos de Deus, ao não receber a Jesus como seu Salvador e Senhor. Felizmente, há os que O recebem. A estes, Ele torna prazerosamente filhos de Deus (verso 12). Estes são aqueles que nascem não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus (verso 13). Deus lhes dá uma nova natureza, a natureza de filhos de Deus. Jesus Cristo nasceu e morreu para tornar possível este convite, sempre renovado na Bíblia e na proclamação. Filho de Deus é aquele que tem certeza de sua redenção.
2. A segunda atitude, consequente à primeira, é agradecer a Jesus Cristo por sua decisão. Sua encarnação, desde que aceita por nós,  nos dá vida e luz. Afinal, a vida estava nele e a vida era a luz dos homens (verso 4).
Por causa da encarnação, a vida que estava nEle está também em nós, a luz que Ele era também ilumina os nossos caminhos. Sem Ele, não teríamos vida. Sem Ele, não saberíamos onde e por onde caminhar.
3. A terceira atitude é viver de um modo coerente com esta decisão de Jesus. Ele assumiu sua humanidade e não fugiu da história. Jesus Cristo é o mais completo exemplo da encarnação, no sentido de se comprometer com o mundo em que viveu, não para ser moldado por ele, mas para mudá-lo. Um cristianismo que foge do mundo é absolutamente desobediente ao modelo de Cristo e completamente inútil, servindo apenas para ser pisado e jogado no lixo.
Se nós estamos nEle, devemos andar como Ele andou, ensina-se 1João 2.6. E o que aprendemos com Ele? Que Ele abriu de sua exclusividade divina para ser humano. Por que, então, somos são orgulhosos de nossa salvação e de nossa santidade? Por que, então, em lugar de ir ao mundo, como Ele fez, queremos que o mundo venha a nós?
 
A encarnação, portanto, nos adverte que ser cristão é viver assumidamente na história como uma exigência da fé e não tentar fugir dela. Deus está no mundo.
4. A terceira atitude é manter (e viver por ela) a certeza de sua presença conosco, agora por meio do Seu Espírito. Porque o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade e porque, como ensina a Bíblia, vimos a sua glória, glória como do unigénito do Pai, podemos confiar que Ele está conosco, porque sua glória não se dissipa como a neblina, antes se adensa por Seu poder e graça.
4. CONCLUSÃO
Somos convidados a aceitar a Encarnação para nós. Somos convidados a afirmar a divindade e a humanidade de Jesus, segundo o ensino do Novo Testamento.
Somos convidados a viver a Encarnação, seguindo o modelo de Jesus Cristo.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A Igreja Verdadeira

Introdução
Com tantas igrejas existentes, cria-se uma dificuldade: Qual igreja seguir e em qual acreditar? Quem "entrar no autocarro errado onde irá parar?"  Muitas têm características da igreja verdadeira, mas só com objectivo de atrair as pessoas. A igreja verdadeira não é caracterizada pela prática de expulsão de demónios ou pelo uso do nome de Jesus. Há igrejas que até usam o nome de Jesus, expulsam demónios em seu nome, mas ele não as reconhece (Mateus 7:22-23). Há elementos fundamentais que não podem faltar a uma igreja verdadeira. Vejamos alguns.
Serve ao Deus verdadeiro
Os hindus crêem em cerca de 300 milhões de deuses. Adoram macacos, elefantes, vacas, cobras e até ratos. Embora se creia na existência de muitos deuses, que elementos os tornam verdadeiros? O apóstolo Paulo disse aos coríntios:
"Pois, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também" (I Coríntios 8:5-6 ACF1).
Não é somente a letra maiúscula que define o Deus verdadeiro, é a sua natureza (Gálatas 4:8). O Deus verdadeiro não tem princípio nem fim (Génesis 21:33). É o criador de todas as coisas (Salmo 102:25) (Isaías 44:24; 45:18). É único (Deuteronómio 6:4) (Isaías 44:6; 46:9). Ele sabe todas as coisas (Isaías 44:7-9). Ele não se deixa manipular através de imagens (Êxodo 20:3-5) (Salmo 115:3-10). Não é uma energia ou uma força impessoal, ele é uma pessoa e se comunica com seu povo (Génesis 9:8; 12:1) (II Crónicas 7:14). Conhece profundamente o homem (Hebreus 4:13). Um "Deus connosco" (Mateus 1:23), presente entre o seu povo. Que se manifestou em carne, e se fez homem (João 1:14). Só restará um Deus no universo (Jeremias 10:11), o Deus que se manifestou a Israel (Deuteronómio 7:6), e que foi revelado por Jesus Cristo (João 17:3-6).
Tem a escritura verdadeira
Conta-se que o filósofo francês Voltaire (1694-1778) afirmou que a Bíblia, cem anos após a sua morte, seria um livro esquecido, ultrapassado, e empoeirado em todas as estantes em que estivesse. Antes que se completassem os cem anos da sua morte, na casa em que ele residia, abriu-se uma editora de Bíblias. Voltaire não conhecia a Bíblia, pois ela diz:
"Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão" (Mateus 24:35).
São palavras verdadeiras (João 17:17), de um Deus verdadeiro (I João 5:20). A Bíblia é divinamente inspirada (II Timóteo 3:16-17) (II Pedro 1:20-21). Ela mergulha profundamente dentro do homem com eficácia, discernindo todo o seu interior (Hebreus 4:12). Nela o homem deve meditar de dia e de noite (Josué 1:8) (Salmo 1:2).
Vale a pena ressaltar que alguns cépticos, tentando denegrir as palavras da Bíblia, têm afirmado pejorativamente: "Lembrem-se, a Bíblia foi escrita por homens"! Citando as palavras do pastor Paulo Romero, respondemos: "E vocês queriam que fosse escrita por um cavalo?" Deus usou o que era mais óbvio, o homem, ser inteligente e capaz. E a escrita, comum a todos os povos, o meio prático de que sua Palavra passaria de geração a geração (Deuteronómio 6:6-9).
Tem o Messias verdadeiro
Muitos homens têm afirmando que foram enviados por Deus ou foram tidos como deuses: Buda, Maomé, Zoroastro, Confúcio, reverendo Moon, Yuri Tais, e tantos outros. Dizem-se portadores de uma mensagem divina. São eles messias verdadeiros? O que dizem veio de um Deus verdadeiro? Quais as credenciais de um verdadeiro messias? Vejamos algumas: O reconhecimento do próprio Deus (Mateus 3:17) (I João 5:9), profecias se cumpriram a seu respeito (Isaías 7:14; 9:6; 11:1-5; 53:1-7), a natureza da sua missão (Lucas 4:14-21), os poderes que possui (Lucas 7:12-15), a autoridade que tem (Mateus 7:29), a capacidade de aproximar o homem de Deus (João 1:29) (I João 1:7), a capacidade de vencer a morte (Lucas 24:1-6), de perdoar pecados (Lucas 5:20), sua origem celestial (João 3:11-13).
Napoleão Bonaparte, francês que tentou conquistar o mundo, disse o seguinte sobre Jesus: "Eu tive um reino que desmoronou rapidamente. Onde estão os meus seguidores? Onde estão aqueles que vinham aprender as minhas palavras? Onde estão os impérios que se ergueram na humanidade: babilónios, assírios, gregos e romanos? Todos acabaram assim como o meu. Mas Jesus Cristo ergueu um reino que já dura quase dois mil anos, e não terá fim". Jesus dividiu a história, e sem ele a história é incompreensível. Ele é Senhor, Rei e Deus (Apocalipse 17:14) (Tito 2:13). O Messias verdadeiro traz em suas mãos as chagas deixadas pela cruz, na qual morreu para salvar todo aquele que nele crê (João 20:24-29) (Colossenses 2:13-17). Jesus Cristo é o Messias verdadeiro, todos os outros são falsos (Mateus 24:24). "Jesus não é maior do que Buda, Maomé, Zoroastro, Confúcio, Kardec, ou qualquer outro, Jesus é incomparável".
Tem a Mensagem verdadeira
Conta-se que um menino de cinco anos estava no gabinete de seu pai fazendo-lhe várias perguntas. O pai, não conseguindo trabalhar, pegou um mapa com todos os países do mundo e recortou-os um por um, pedindo ao menino que os levasse para seu quarto e os colocasse em ordem. Não demorou cinco minutos e o menino já estava de volta com o mapa montado. O pai, espantado com a rapidez do menino, perguntou-lhe como havia montado tão facilmente o mapa. O Menino respondeu: "Havia um homem desenhado do outro lado, do tamanho do mapa, depois que coloquei o homem em ordem, vi que tinha colocado o mundo também". Só há uma forma deste mundo se tornar melhor, é mudar o ser humano, e a Bíblia é o livro que tem esta proposta (João 2:25) (I Coríntios 15:1-4). A mensagem verdadeira é baseada na graça de Deus, arrependimento de pecados, não em méritos humanos. (Actos 17:30) (Efésios 2:8-9). É uma mensagem de salvação e vida eterna (Actos 16:29-31) (João 3:16). Infelizmente esta mensagem tem sido distorcida, e muitas pessoas já não se aproximam mais de Jesus pela cruz (João 12:32-33), mas por interesses pessoais. Várias tendências teológicas têm surgido, distorcendo a verdadeira mensagem da salvação: unção do riso, vómito do Espírito, maldição hereditária, regressão, dente de ouro, teologia da prosperidade. Vale a pena ressaltar que para tudo se encontra uma passagem bíblica. O chavão é: "Está na Bíblia". Satanás usou esta técnica com Jesus quando lhe disse: "...lança-te daqui abaixo; porque está escrito..." (Mateus 4:6). E citou para Jesus o Salmo 91:11-12, para que Jesus se atirasse do pináculo do templo, afirmando que os anjos do Senhor não o deixariam cair. Jesus respondeu a Satanás: "Também está escrito: Não tentarás ao Senhor teu Deus" (Mateus 4:7). Jesus usou o texto de Deuteronómio 6:16 para mostrar a Satanás que não basta apenas usar da autoridade da Bíblia em textos isolados, ela é um todo, e interpreta-se a si mesma. Apesar de todas as circunstâncias a Bíblia continua e continuará sendo o único livro verdadeiro e digno de confiança.
Tem um povo verdadeiro
Adolf Hitler quase destruiu o mundo porque achava que os alemães eram uma raça pura, superior e que só eles deveriam mandar e governar o planeta, mas os seus ideais não permaneceram. Os judeus foram considerados para Deus um povo especial, o qual ele escolheu para se manifestar (Deuteronómio 7:6). Hoje, o povo de Deus não é caracterizado pela raça, etnia, mas por ter nascido de novo (João 3:3-8). É um povo chamado e escolhido por Deus, mediante Jesus Cristo (Gálatas 3:28) (Romanos 9:21-25) (Romanos 9:27-33), que recebeu Jesus como Salvador, tornando-se filho de Deus (João 1:12). Esse povo busca as coisas de Deus (Colossenses 3:1-3) é templo do Deus verdadeiro (I Coríntios 3:16), anda nos passos de seu Redentor (Colossenses 2:6-7), e espera a sua volta (Actos 1:11) (I Tessalonicenses 4:16-17). Deus tem tolerado a maldade do mundo somente por causa deste povo (Mateus 24:22). É um povo selado pelo Deus verdadeiro (Efésios 1:13). É importante que se tenha em mente que a igreja é composta de pessoas imperfeitas: A igreja não é um museu para santos, mas um hospital para doentes. Jesus disse que não veio chamar justos ao arrependimento, mas pecadores (Mateus 9:12). Obviamente, espera-se que as pessoas que compõem a igreja sejam transformadas em seu viver, mas elas ainda não atingiram a perfeição.
Conta-se que uma irmã, insatisfeita com sua igreja, teria chegado para o seu pastor e lhe dito: "Estou à procura de uma igreja perfeita, com um pastor perfeito, diáconos perfeitos, ministro de música perfeito, regentes perfeitos, professores perfeitos, e membros perfeitos". O pastor lhe respondeu: "O dia em que irmã encontrar, por favor, não entre, senão a irmã vai estragá-la."
Conclusão
Alguém já disse: "Se a igreja não fosse de Deus os homens já teriam terminado com ela". Deus criou todas as coisas, e teve o bom gosto de criar tudo em ordem e perfeito. Mas o homem tem o poder de estragar tudo. A igreja foi criada por Jesus, que se entregou por ela (Efésios 5:25), ela é a noiva, bela, bonita e perfeita, e ele virá buscá-la (Apocalipse 19:7). Esta é a igreja verdadeira. Você é parte dela? Sua igreja tem estas marcas?

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A Igreja – Santa Ceia

I-                   "Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.” (Atos 2: 47)
1.      Igreja ou assembleia.
1.1.Sentido da palavra “igreja” – ekklesia – assembleia por convocação ou chamar a si, chamar fora de … Sentido etimológico.
1.2.Assembleia dos eleitos de Deus. Atos 2:47.
2.      A noção de convocação refere-se a uma vocação. A igreja é uma comunidade vocacionada. Efésios 4:4.
3.      Uma assembleia local organizada: 1ª Cor. 1:2ss
4.      Uma organização
a)      Um chefe supremo: Cristo
Efésios 1:22
b)      Responsáveis: Atos 15:22,23 – um colégio de irmãos.
c)      Não há uma pessoa humana suprema (papa) mas funções 1ª Cor. 12:28.
II-                Um Fundamento.
1.      O primeiro fundamento; Cristo 1ª Cor. 3:9-11.
2.      Segundo fundamento; os apóstolos. Os apóstolos formam indiscutivelmente o fundamento humano da igreja ver Ef. 2:19,20; Ap. 21:14.
Eloquente exemplo de Pedro – 1ª Pedro 2:4.
3.      A igreja é o fundamento da fé – a fé exprimida  por Pedro é o cimento da igreja Mateus 16:18.
4.      Pedro não é infalível apesar da sua profissão de fé. Mat. 16:23.
III-             Os poderes disciplinares.
1.      O poder das chaves.  16:19. O poder das chaves pertencem à igreja e não a um homem, Mat. 18:18.
2.      A faculdade de ligar ou de desligar emana do Evangelho, Mat. 16:15,16.
3.      Deve haver arbitragem entre os irmãos Mateus 18:17 “E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.
IV-             Uma Missão Sagrada.
1.      Guardar sempre a verdade, 1ª Tim. 3:14,15.
2.      Assegurar a difusão do Evangelho, Mar. 16:15. Entrar na igreja é uma vocação para ser salvo e para salvar ou seja pregar ou anunciar o Evangelho. Sem igreja não há evangelho.
3.      Crendo na eleição de Deus, quem pode recusar esta eleição? Quando iluminados pelo Espírito Santo, fazemos a mesma profissão de Pedro, tornamo-nos pedras vivas como Pedro, como João e os outros.
4.      Pedro – petros – uma pedra – cefas – rochedo.
5.      A pedra sobre a qual Deus edificou a Sua igreja não foi sobre Pedro, mas sobre a sua declaração.
6.      Igreja comete faltas e necessita renovar constantemente o seu voto de fidelidade a Cristo. A santa ceia (1ª Coríntios 11:23-26) é um momento solene de renovação e reafirmação sobre a rocha dos séculos Cristo Jesus.
Citação Desejado Todas as Nações: “A santa ceia aponta à segunda vinda de Cristo. Foi destinada a conservar viva essa esperança na mente dos discípulos. Sempre que se reuniam para comemorar Sua morte, contavam como Ele, "tomando o cálice, e dando graças, deu-lhes, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o Meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide até aquele dia em que o beba de novo convosco no reino de Meu Pai". Mat. 26:27-29. Nas tribulações, encontravam conforto na esperança da volta de seu Senhor.”” P.659
José Carlos Costa, pastor

sexta-feira, 17 de maio de 2013

As Boas Vindas a Jesus


Int. Lucas 8:26-39

O endemoninhado de Gadara, havia muito tempo que estava possesso pelos demónios. Nu, esfomeado e louco.
Viu Jesus e prostrou-se por terra: “Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo?”.
Os demónios pedem para ir para os porcos.
Quando Jesus pretende entrar na aldeia dos proprietários dos porcos estes não consentem. Pedem para que Jesus se vá embora. Dois testemunhos; a) por um lado os guardadores dos porcos contam o que viram e ouviram os endemoninhados (demónios) dizerem que eram uma “legião”, uma legião romana era composta por seis mil soldados de infantaria e 700 soldos montados em cavalo. O número aqui não importa eram “muitos”; ouviram também o testemunho dos discípulos de Jesus contar o que tinha acontecido no mar revolto e como Jesus tinha acalmado.
A população com medo de perder alguma coisa de valor material deixa de ganhar as bênçãos que Jesus levava.
Um só pode para acompanhar Jesus, um só está pronto a deixar a família, o emprego, casa, bens para seguir a Jesus.
E Jesus que cumpria a missão de chamar os homens a segui-Lo recusa esta disponibilidade. E diz-lhe para ele ficar na sua terra, junto dos seus familiares e contar o que o Senhor tinha feito por ele.
Jesus abandonou aquela terra, não se impôs onde não era desejado. Afasta-Se no barco que O tinha trazido. Com certeza a pensar que aquela campanha tinha sido mal sucedida: pouco resultado para tanto esforço.
Satanás tinha dificultado a tarefa do Divino Mestre.
1.      Jesus volta de novo.
Jesus tinha procurado responder às necessidades que Ele sabia existirem naquela terra. Sabia que ali havia corações aflitos. Ele tinha ido ao encontro “clamado, e vós recusastes; porque estendi a minha mão, e não houve quem desse atenção.” Como diz Provérbios 1:24.
Lucas 8:40, diz que Jesus voltou e a atitude das pessoas tinha mudado completamente: “…pois todos o esperavam.”
Um homem tinha cumprido o seu dever, cumpriu a ordem do seu Senhor: “E ele foi apregoando por toda a cidade quão grandes coisas Jesus tinha feito.” Lucas 8:39.
As pessoas entretanto tinha reconhecido que Jesus era muito mais importante que qualquer outra coisa na vida, mãos do que os porcos.
Uma só pessoa tinha provocado naquela terra um reavivamento espiritual.
Um só tinha encontrado verdadeiramente a Jesus, tinha ouvido o dom da Sua voz. Um só tinha ouvido o diabo chamar-Lhe “Filho do Deus Altíssimo”, mas convenceu muitos a esperar pelo retorno de Jesus.
Muitas vezes penso que este geraseno é uma verdadeira figura do povo Adventista, que prepara o glorioso retorno de Jesus.
Às vezes como ele temos a impressão que as pessoas estão mais interessados com os porcos, que em ouvir falar do amado Senhor.
Em muitos lugares da Bíblia o retorno do Senhor Jesus Cristo nas nuvens dos céus é comparado com um casamento: o noivo que vem ao encontro da Sua noiva.
História: há uma espécie de formigas que nascem com asas, e estas asas têm uma duração relativamente curta, há um momento preciso em que estas formigas abandonam os seus formigueiros para formarem uma nova colónia. Segundo os especialistas estas novas formigas estão prontas a partir dianas antes, e ficam impacientes, excitadas pelo momento do voo.
No entanto, as mais velhas fazem barragem, não as deixam partir, esperam um momento exato, as novas formigas devem atingir o momento da maturidade ou do desejo de partir, ou ainda, tem de cumprir certas tarefas, a razão da barragem não se sabe.
Quando o sinal é dado as portas são abertas e elas partem aos milhares. Todas as colónias saem a encontrar-se no ar, forma pares com outras formigas de outros formigueiros.
O dia e a hora é o mesmo para todas as colónias daquela região.
O livro do Apocalipse fala que 4 anjos (Ap. 7:1) estão a segurar os ventos da terra até que o povo de Deus, a noiva esteja pronto. Como as formigas operárias, os anjos estão à espera por uma ordem para abrir as portas.
O geraseno, não tinha recebido nenhuma indicação nem do dia nem da hora que Jesus retornaria, mas foi “apregoando” o que o Senhor tinha feito por ele. Ele tinha percebido que Jesus voltaria e não demoraria e se demorasse ele continuaria a cumprir o mandato do Senhor.
Ele tinha um relógio interior, que lhe dizia: Ele voltará, o Espírito Santo que colaborava com ele a preparar os corações das pessoas dava-lhe a certeza do regresso do Mestre: sabia que o voltaria a ver.
2.      O Acolhimento: “Todos o esperavam com alegria”  (só algumas versões dizem com “alegria”.)
O testemunho do endemoninhado fez que o regresso de Jesus fosse tão desejado. Confiavam agora que os enfermos seriam curados, os filhos abençoados, os lares ficariam mais sólidos com a presença e bênção de Jesus. Aprenderam que há coisas mais importantes que o se toca, o que se vê, o imediato.
E de fato assim foi: Lucas 8:41 “Ora um homem chamado Jairo, chefe da sinagoga, chegou e prostrou-se aos pés de Jesus, rogando-lhe que entrasse em sua casa, porque tinha uma filha única de quase doze anos, que estava à morte. E indo ele, apertava-o a multidão.” Ler até ao verso 45.
Filha única, de doze anos, o que revela estes dois pormenores a angústia do pai, e certamente o alívio ao ver que Jesus sem dizer palavra se colocou ao seu lado. Mas de repente Jesus para, olha para um lado e para outro.
Quando os discípulos lhe perguntam a razão Ele responde: “…alguém me tocou.”
Muitos comentários se podem tecer sobre esta atitude de Jesus, para mim é a Sua divina calma que me impressiona.
A menina está atingida com uma doença mortal, ao ponto que São Mateus diz que ela já estava morta. Aliás, Jairo, o príncipe, dirigente da sinagoga, humilhado ao lado de um rabi a quem ele tinha recusado a entrada da primeira vez que Jesus foi à sua terra. Recebe a notícia que a sua filha já está
“Não era longe a casa do príncipe, mas Jesus e Seus companheiros avançaram lentamente, pois a turba o comprimia de todos os lados. O ansioso pai impacientava-se com a demora; Jesus, porém, compadecendo-se do povo, detinha-se aqui e ali para aliviar alguns sofrimentos, ou confortar um coração turbado.” Desejado de Todas as Nações, p. 254.
“Quem me tocou?” esta pode parecer uma pergunta estranha, numa rua estreita onde toda a gente quer estar o mais perto possível para O ver, para Lhe tocar, para contar aos vizinhos.
E face à pergunta todos negam a responsabilidade. Pedro é o que toma a palavra para querer justificar a multidão, “com certeza alguém te tocou empurrando por outro, não porque te queria tocar.”
Jesus queria que esta mulher se identificasse. Depois de ter procurado os melhores médicos, depois de ter tentado todos os conselhos dados pela vizinhas, depois de ter escutado Jesus pregar junto ao mar, tinha sido invadido por uma certeza e agora: “começara a desesperar quando, abrindo caminho por entre o povo, Ele chegou perto de onde ela se achava.” D.T.N., p. 255.
Ali estava a grande oportunidade dela, ali ao alcance da sua mão. Achava-se enfim na presença do grande Médico. Não Lhe podia falar no meio daquela multidão e confusão.
Enquanto pensa na forma de resolver o seu problema Jesus começa afastar-se: “Concentra-se, naquele único toque, toda a fé de sua vida, e, num momento, a doença e a fraqueza deram lugar ao vigor da perfeita saúde.” Idem.
Jesus responde: “…de mim saiu poder.”
Aqui está a resposta ao “quem me tocou”. Mas porque razão fez a pergunta? Parece um mistério. Então Jesus não controlava o poder que tinha? Será que tivesse medo que aquele poder fosse mal utilizado?
Jesus quis trazer a mulher diante do público e isto por várias razões:
1-      Era bom ou mesmo necessário que ela fosse conhecida. Todos os seus familiares deveriam ter consciência do seu estado permanente de impureza e porque praticava o cerimonial da purificação.
2-      Para que ela fosse aceite nas cerimonias religiosas e a sua cura fosse conhecida em público.
3-      Para que na mente dela se realizasse a cura pelo poder de Jesus.
4-      À semelhança do jovem endemoninhado era preciso que ela reconhecesse que o poder tinha vindo de Jesus e quem tinha tocado. Tocado e transformado. Reconhecer!
No verso 47 a mulher apercebe-se que não se pode ocultar. Veio trémula. Sentiu que tinha feito algo errado. Pensou: que irão pensar os que olham? Ali toma a decisão contar tudo “à vista de todo o povo” e como fora curada.
Ela é a única pessoa que tem o privilégio de ouvir estas palvras de ternura: “Filha”.
Era a esta experiência que Jesus a queria conduzir: sentir-se filha. E você? Não quer sentir-se filho, filha?
“Após a cura da mulher, Jesus desejava que ela reconhecesse a bênçãos que recebera. Os dons oferecidos pelo evangelho não devem ser adquiridos às furtadelas, nem fruídos em segredo. Assim o Senhor nos chama a confessar a Sua bondade, “vós sois minhas testemunhas, diz o Senhor”; Eu sou Deus.” D.T.N., 256 (Is. 43:12).
3.      Quando Jesus volta, volta com bênçãos.
Apocalipse 21:3,4.
Conta-se que no século passado uma aldeia no principado de Sabóia em França, desejava muito que o seu príncipe os visitasse. Mas eles viviam nas montanhas e não havia estradas por onde passar uma charrete.
Então eles decidiram abrir um caminho sobre as montanhas, pontes sobre os rios. Para que o amado soberano pudesse receber as boas vindas dos seus súbditos.
Se queremos que o nosso amado Soberano volte devemos preparar uma estrada para Ele. A principal tarefa e lançar por terra o nosso orgulho e permitir que o Espírito Santo remova os nossos hábitos e introduza na nossa vida o valor de ir apregoando o retorno de Jesus.
 
José Carlos Costa, pastor