PRECE: Senhor Deus, nós nos chegamos a Ti,
nosso compassivo Redentor; rogamos-Te, por amor de Cristo, por amor do Teu
próprio Filho. Nosso Pai, que manifestes o Teu poder entre os que se achegam a
Ti. Precisamos de sabedoria; precisamos da verdade; precisamos que o Espírito
Santo esteja connosco, esta noite e sempre. Por Jesus. Amém.
Esta
noite, desejo falar de um outro personagem que encontrou Jesus! Se ele não tivesse
nome, chamar-lhe-ia:O homem da beira do caminho. Mas ele tem
nome. É aquele género de pessoa muito trabalhadora, muito cuidadosa da sua
família, não perde tempo com os boatos. Trabalha no campo. Cultiva o necessário
para que não falte nada em
casa. Não procura novidades, mas às vezes as novidades vão
ter com ele. Foi o que se passou com o homem à beira do caminho, o homem que
fez o que a multidão não fez.
Este
é um homem diferente de todos os que encontramos a falar com Jesus. Ele não procurou
Jesus, nem Jesus o procurou a ele, mas encontraram-se.
Antes de dizer o nome desta pessoa,
vamos ver o que o levou ao encontro de Jesus e vice-versa!
Uma
grande multidão seguiu Jesus do tribunal até ao Calvário. A notícia da Sua
condenação e morte iminente espalhou-se por toda a Jerusalém e todas as
cidades. Gente de todas as classes e de todas as categorias afluíam ao lugar da
crucifixão.
Há muito tempo que a cruz lançava a sua sombra por onde
Jesus passava. Podemos dizer que a sombra da cruz era a própria sombra de
Jesus.
Jerusalém
está cheia de peregrinos que vêm de Israel e de todas as terras onde habitavam
judeus. Há um ruído no ar, alguns cantam os salmos, outros oram em voz alta,
outros conversam nervosos, mas naquela sexta-feira, havia uma nuvem escura no
ar, um ambiente estranho, pesado!
Jesus
conhecia a confusão desordenada das paixões, de preconceitos e de intrigas que
já estavam a ser tecidas pelos Seus inimigos. Ele tinha caminhado entre
desafios e curas, entre as acusações ao semear a bondade, os extremos tinham
tocado permanentemente Jesus. Uma noite não tinha onde reclinar a cabeça e num
dia quiseram aclamá-Lo rei.
Jesus
tinha ensinado durante três anos e meio as doutrinas que levam ao Céu e estas
estavam em contraste com as doutrinas erradas ensinadas pelos dirigentes
religiosos de Israel. Pecadores tinham aceite os Seus ensinos. Olhos tinham-se
aberto para o plano da salvação. Ouvidos dos surdos ouviam agora a melodia do
Céu. A luz clara da verdade tinha iluminado mentes cheias de preconceitos. Os
tristes e aflitos tinham descoberto o riso. O poder da morte tinha sido
desafiado. Lázaro, morto durante quatro dias, tinha sido ressuscitado pelo
Senhor da vida. Todos sabiam que Lázaro o irmão de Marta e Maria, vivia,
trabalhava e desfrutava da vida a curta distância de Jerusalém.
Por
essas coisas, os chefes políticos, os principais sacerdotes e escribas, não
podiam perdoar a Jesus. A Sua existência, por si só, era uma crítica que eles
não podiam suportar. A presença de Jesus em Jerusalém era a sua oportunidade de
O matarem.
Estas
pessoas tinham a mente obscurecida por Satanás, não viam que estavam a caminhar
ao ritmo de todas as profecias bíblicas, centenas de profecias escritas
centenas de anos antes. Eles tinham-
-nas lido tantas vezes, tantas vezes explicado. Agora estavam cegos! A mente
deles possuída pelo sentimento do orgulho tinha-se fechado ao poder do Espírito
Santo.
Jesus
estava em Jerusalém, sabia das intenções que se congeminavam contra Ele, mas
sabia que era o Cordeiro Pascal, “o
Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” João 1:29. Ele tinha vindo para Se oferecer como sacrifício
voluntário, não porque fosse obrigado, mas estava ali por vontade própria.
Jesus,
que não tinha pecado, tinha revelado o Santo carácter de Deus, na obediência
perfeita à quebrada Lei de Deus, essa Lei tão imutável como é imutável o
carácter de Deus. Jesus está pronto como o obediente salvador a ser o nosso
substituto, levar sobre Si os pecados de todo o mundo, para que, quando O
aceitarmos como nosso Salvador pessoal, possamos receber o dom da Sua perfeita
justiça e ser salvos: “Aquele que não
conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos
justiça de Deus.” II Coríntios 5:21
Jesus foi condenado, para que
a justificação, a inocência possa ser nossa. A agonia foi de Jesus, para que a
Vitória pudesse ser nossa. O sofrimento foi de Jesus, para que a cura pudesse
ser nossa. A maldição foi posta sobre Jesus, para que a bênção possa ser posta
sobre nós. A morte foi d’Ele, para que a vida que foi comprada pudesse ser
minha.
Por
isso Jesus deixou-Se prender, ser julgado, condenado e aceitou levar a cruz.
Mas tudo foi tão rápido que não houve tempo de preparar uma cruz para Ele. À
Sua medida. A cruz que Lhe colocaram às costas foi a do criminoso absolvido à
última da hora. A cruz de Barrabás, do pecador, do criminoso, do mentiroso, do
transgressor, foi a cruz de Barrabás que colocaram sobre os ombros de Jesus.
Eu
não sei, mas tudo me leva a supor que Barrabás era um homem de grande estatura,
rude, todas as suas acções centravam-se na força e na violência. A cruz era um
castigo, não só porque seria o instrumento da crucifixão, mas era um castigo
pelo peso do madeiro. Era preciso cair, transpirar, deveria ser um espectáculo
de vingança aos olhos de todos os que tinham sofrido por causa daquele
criminoso. Esta era a cruz do último
instante, destinada à pessoa errada!
Dois
companheiros de Barrabás iriam morrer ao mesmo tempo que Jesus e sobre eles
também puseram cruzes. A carga do Salvador era demasiado pesada tanto pelo peso
da cruz, como pelo estado de fraqueza e sofrimento em que Se encontrava. Desde a
ceia pascal com os discípulos, Ele não tinha voltado a comer ou a beber.
Angustiara-Se no jardim do Getsémani em conflito com as forças satânicas.
Suportara a agonia da traição, Judas tinha-O vendido, Pedro tinha-O traído, os
outros discípulos abandonaram-nO e fugiram.
Durante o processo de julgamento e condenação Jesus foi
insultado, duas vezes torturado com o chicote. Toda aquela noite fora uma
sucessão de cenas de molde a provar até ao máximo a alma de qualquer ser
humano. Jesus não fracassou. Não proferiu palavra alguma que não visasse a
glória de Deus. Mas quando, depois de ter sido açoitado pela segunda vez, a
cruz Lhe foi posta sobre os ombros, a natureza humana de Cristo não pôde
suportar mais. Caiu desmaiado sob a carga!
A
multidão que seguia o Salvador viu os Seus passos fracos e vacilantes, mas nem
todos manifestaram compaixão. Alguns apuparam-nO e injuriaram-nO por não ser
capaz de levar a pesada cruz. De novo a carga Lhe foi posta em cima e outra vez
caiu desmaiado por terra. Os perseguidores viram que Jesus não tinha forças
para subir aquele Monte com o peso da Cruz!
Era
impossível encontrar alguém que voluntariamente quisesse levar a cruz. A cruz
era sinal de maldição e contaminação. Especialmente naquela altura,
celebrava-se a Páscoa.
À beira do caminho
está um homem, o
homem da beira do caminho, um homem que veio do campo, ele não está ali para
escarnecer, está ali porque ouviu os gritos. Aproximou-se do caminho, parece
nem ver a multidão mas ouve esta gritaria: “Abri
caminho para o Rei dos judeus!” fica espantado com a cena, os seus olhos só
vêem Aquele que leva a cruz, vê o Seu rosto, ouve os Seus gemidos que lhe
entram na alma e sem hesitação, sem reparar no ambiente à sua volta,
aproxima-se do Condenado.
Há muitas mulheres na multidão que seguem, vão ali,
choram, mas que podem fazer? São mulheres! Algumas já O tinham visto antes.
Outras levaram-Lhe doentes e sofredores. Outras tinham sido curadas por Jesus.
Entre elas falam do bem que Jesus tinha feito. Admiram-se com o ódio da
multidão. O homem da beira do caminho ouve as mulheres, e comove-se ainda mais!
E
apesar da acção da multidão enfurecida, e das coléricas palavras dos sacerdotes
que gritam e excitam a multidão, estas mulheres exprimem a sua admiração. Quando
Jesus cai desfalecido sob a cruz, elas irrompem num choro angustiante.
O homem da beira do
caminho, sabe que
muitas daquelas mulheres, não têm grande reputação. Mas vê Jesus olhá-las com
terna simpatia. Vê e ouve Jesus que não despreza a compaixão delas e ouve Jesus
dizer estas palavras: “Filhas de
Jerusalém, disse Ele, não choreis por Mim, chorai antes por vós mesmas, e pelos
vossos filhos.” Lucas 23:28
O desafio de Elias e sua vitória sobre os falsos profetas se
tornou noticia em todo o reino de Acabe. A rainha Jezabel ficou irada e
prometeu vingança. Elias teve medo e fugiu com seu ajudante para Berseba onde
deixou o rapaz e seguiu para o deserto, caminhando um dia inteiro. Ao encontrar
uma árvore, sentou-se a sua sombra e desejou a morte: “Então orou assim: – Já
chega, ó Senhor Deus! Acaba agora com a minha vida! Eu sou um fracasso, como
foram os meus antepassados.” I Rs 19.4 NTLH
O anjo do Senhor visita Elias e o alimenta por duas vezes.
Com a força daquela comida caminhou por 40 dias e 40 noites. Nesse período a
Bíblia não cita que Elias tenha parado em algum lugar para descansar, até
chegar ao seu destino, o Monte Sinai.
I Reis 19.10 NTLH – “Ele respondeu: – Ó Senhor, Deus
Todo-Poderoso, eu sempre tenho servido a ti e só a ti. Mas o povo de Israel
quebrou a sua aliança contigo, derrubou os teus altares e matou todos os teus
profetas. Eu sou o único que sobrou, e eles estão querendo matar-me!”
O Sinai era um lugar sagrado:
1.Ali Deus se revelou
a Moisés (Ex 3);
2.Quando o povo em
fuga do Egito teve sede, a rocha que ficava no monte Sinai deu água (Ex 17.6);
3.Era o lugar onde
Deus falava com Moisés (Lv 25.1);
4.O lugar onde Deus
entregou ao povo, através de Moisés, as placas da Lei.
Portanto, se havia um lugar para ouvir a voz de Deus, era no
Monte Sinai. Elias precisava desse momento a sós com Deus, do mesmo modo que
aconteceu com Moisés no passado.
Porque Elias se
escondeu na caverna?
A caverna era um lugar seguro. Os viajantes procuram por
cavernas para passar a noite e se proteger do frio, dos animais e inimigos.
Lot refugiou-se com as suas filhas numa caverna após a
destruição de Sodoma e Gomorra, Génesis 19.30 NTLH – “Lot teve medo de
ficara morar em Zoar e por isso foi
para as montanhas, junto com as duas filhas. Ali os três viviam numa caverna.”
No tempo de Gedeão, os israelitas escondiam-se nas cavernas
para não serem destruídos pelos Madianitas, Juízes 6.2 NTLH – “Os israelitas
escondiam-se dos medianitas em cavernas e em outros lugares seguros nas montanhas
porque os midianitas eram mais fortes do que eles”
Quando Saul matou os sacerdotes que ofereceram comida a
David, Ele busca por segurança na Caverna de Adulã: “David fugiu da cidade de
Gate e foi para uma caverna perto da cidade de Adulã. Quando os seus irmãos e o
resto da família souberam que ele estava lá, foram ficar com ele.” I Sm 22.1
NTLH
Obadias escondeu os profetas nas cavernas, quando Acabe
promoveu a matança contra os profetas de Deus, I Reis 18.4 – “e, quando Jezabel
estava matando os profetas do SENHOR, Obadias escondeu cem profetas em dois
grupos de cinquenta em cavernas e providenciou comida e água para eles.)”
A caverna é um lugar onde podemos sentir a presença de Deus,
Salmos 95.4 – “Ele reina sobre o mundo inteiro, desde as cavernas mais
profundas até os montes mais altos.”
Muitos heróis da fé usaram as cavernas como habitação,
durante as perseguições, Hebreus 11.38 – “Andaram como refugiados pelos
desertos e montes, vivendo em cavernas e em buracos na terra. O mundo não era
digno deles!”
Há momentos na vida que necessitamos da caverna, mas não é
bom morar na caverna. É bom por um momento de auto-análise, mas ficar neste
estado não é saudável. Deus chama para fora da caverna: “E sucedeu que,
ouvindo-a Elias, envolveu o seu rosto na sua capa, e saiu para fora, e pôs-se à
entrada da caverna; e eis que veio a ele uma voz (voz do Senhor), que dizia:
Que fazes aqui, Elias?” 1ª Reis 19:13
1. Medo
Elias se mostrou valente em muitas ocasiões, mas o stresse
provocado nos episódios do Monte Carmelo e a oração para que chovesse esgotaram
as forças do homem de Deus. Elias sabia que tudo que sucedera não foi mérito
seu, mas do Senhor. Ele foi valente ao desafiar os falsos profetas, o rei acabe
e ao agir com autoridade sobre a natureza.
Uma mensagem foi o suficiente para causar medo em Elias. Ele
estava cansado dos últimos desafios, quando recebe uma notícia. Jezabel queria
a sua destruição: “Aí ela mandou um mensageiro a Elias com o seguinte recado: –
Que os deuses me matem, se até amanhã a esta hora eu não fizer com você o mesmo
que você fez com os profetas!”, I Reis 22.2 NTLH
Às vezes, eu sinto medo em relação ao futuro da igreja. As
ações que promovemos parecem não surtir efeito nas pessoas. Faltam motivadores
que promovam as ações do reino de Deus, o que mais ouvimos é a voz dos
pessimistas, dos murmuradores, dos incrédulos, etc. Quando somos desafiados.
Qual é o nosso sentimento em relação ao futuro? Eu tenho medo que tudo tenha
sido em vão.
2. PREOCUPAÇÃO COM o
legado dos profetas.
Na concepção de Elias, se ele morresse não haveria outro
profeta para treinar novos jovens profetas. Havia o risco do ministério
profético se acabar. I Reis 19.14b – “Eu sou o único que sobrou, e eles estão
querendo me matar!” Não se trata de soberba ou arrogância, mas comprometimento
com a missão que recebera de Deus.
Se você fosse o último cristão salvo na sua cidade, o que
faria? Ficaria sentado esperando o inimigo o destruir ou procuraria refúgio no
Monte de Deus?
O que a igreja pensa a esse respeito? Não sabemos quando se
dará o arrebatamento ou quando iremos partir dessa vida. Precisamos aproveitar
cada minuto na presença de Deus para saber a sua vontade acerca do que podemos
fazer para a próxima geração.
Infelizmente muitos líderes não se preocupam com o futuro da
igreja. Eu vejo organizações evangélicas centradas na figura humana do líder, quando
ele morrer provavelmente não haverá sucessores; há outra situação que envolve
os líderes que não se preocupam com a educação e formação de novos líderes,
gastam milhares em sua promoção pessoal, mas são incapazes de investir recursos
e tempo para formar a nova geração da igreja.
Eu agradeço a Deus por fazer parte do Ministério
Independência com Cristo. Eu vejo nessa igreja uma preocupação mui grande com a
educação e formação das crianças, nossos futuros líderes. O templo e seu
conforto são importantes, mas nada substitui o valor das pessoas e o
investimento que fazemos nelas.
3. Decepção
É o sentimento de insatisfação que surge quando as
expectativas sobre algo ou alguém não se concretizam. AS PESSOAS NÃO
CORRESPONDEM.
Depois de tudo que fez: venceu os falsos profetas e fez
chover. O que Elias esperava? Elias esperava que o povo se arrependesse e
voltasse para o Senhor. Mas, o povo continuou praticando o erro, ignorando os
apelos do homem de Deus.
Líderes espirituais sinceros sentem-se decepcionado com a
situação atual. O povo contempla os milagres de Deus, vêem a transformação que
Espirito Santo promove nas pessoas, mas continuam ignorando a mensagem da cruz.
A jornada de 40 dias e noite deu tempo a Elias para refletir
sobre muitas situações: A sua função como profeta, qual seria o próximo passo;
os resultados produzidos na Nação com as suas ações; O legado dos profetas que
corria o risco de extinção.
Líderes sinceros se decepcionam quando as pessoas não
correspondem. O próprio Jesus sofreu decepcionado com a rejeição dos judeus,
Mateus 23.37 NTLH: “Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os
mensageiros que Deus lhe manda! Quantas vezes eu quis abraçar todo o seu povo,
assim como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês
não quiseram!”
4. Frustração
É uma emoção que ocorre nas situações onde algo obstrui o
alcance de um almejo pessoal. Quanto mais importante for o objetivo, maior será
a frustração. Jezabel tornou-se um obstáculo para o objetivo de Elias.
OBSTÁCULOS NO CAMINHO.
Em I Reis 19.1, o rei Acabe ao chegar a sua casa conta tudo
para Jezabel. Elias, provavelmente, esperava por:
* Reconhecimento do homem de Deus;
* Abertura das escolas dos profetas e o fim da perseguição
aos profetas;
* Edito Real
determinando que o povo cultuasse apenas ao verdadeiro Deus;
* O fim dos cultos
aos falsos deuses;
* Arrependimento de
Acabe e Jezabel.
Jezabel representa um novo obstáculo aos planos de Elias.
Elias precisava de um tempo para estar com Deus e renovar as suas forças.
Algumas situações que exemplificam Jezabel nos nossos dias, os obstáculos do
dia-a-dia:
* Oposição que impede
que tarefas sejam executadas;
* Líder que desistem a
meio do caminho, fazendo o povo perecer;
* Pessimismo diante
de grandes desafios;
* Interesses pessoais
em detrimento aos interesses do reino de Deus;
* Falta de recursos
para projetos importantes;
* Falta de
voluntários comprometidos com a missão da igreja;
* Tempo limitado para
certas ações.
Deus ainda tem novos planos para Elias
Deus convida Elias para sair da caverna, pois precisava
falar com ele.
Elias deveria sair da zona de conforto e segurança em que se
encontrava e voltar à vida ativa. A vitória somente viria no campo de batalha.
I Reis 19.15 NTLH – “Então o Senhor Deus disse: – Volta para o deserto que fica
perto de Damasco.”
Qual era a missão? “Chegando lá, entra na cidade e unje
Hazael como rei da Síria. 16 Unja Jeú, filho de Ninsi, como rei de Israel e
unja Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, como profeta, para ficar em teu
lugar.”
A destruição sobre os rebeldes era certa, mas Deus pouparia
os justos. Uma nova geração estava a ser preparada para cumprir os desígnios de
Deus (v. 17,18)
Elizeu representa a nova geração de profetas após Elias (v.
19-21).
A igreja de Cristo não pereceu. Em todos os lugares do
mundo, o Senhor está levantando a geração de Elizeu. Eles farão muito mais que os
seus antecessores, os resultados serão multiplicados. Elias realizou 13 eventos
durante o seu ministério profético. Elizeu realizou 26.
A geração de Elizeu será mais valente, mais determinada,
mais atuante do que a geração passada. Até a volta de Cristo não faltará
gerações de profetas que levem a mensagem de Deus ao mundo (Apoc. 14:6-12 ler)
PRECE: Senhor Deus, nós vimos a Ti! Nosso compassivo
Redentor; e rogamos-Te, por amor de Cristo, por amor do Teu próprio Filho.
Nosso Pai, que manifestes o Teu poder entre os que se achegam a Ti. Precisamos
de sabedoria; precisamos da verdade; precisamos que o Espírito Santo esteja
connosco, esta noite e sempre. Por Jesus. Amém!
O Alasca foi conhecido como o lugar onde a Natureza reina
soberana em todo o seu esplendor. Terra das grandes montanhas, lugar onde se
abrigam grandes manadas de ursos polares e das alegres lontras do mar.
Recentemente as águas límpidas de um dos estreitos do Alasca
tornaram-se negras e tóxicas. Aconteceu um derrame de gasóleo de proporções
desastrosas. E o mais chocante de tudo, na superfície escura e brilhante das
águas poluídas, podia ver-se espelhado o próprio rosto.
O grande petroleiro Exxon Valdez deixou o porto e dirigia-se
para o Oceano. Transportava um milhão e duzentos mil barris de petróleo.
Era uma noite calma e clara. Havia apenas alguns pequenos
icebergs à vista. O canal de navegação tem 15 quilómetros de largura. Um
oficial da guarda costeira disse, "os meus filhos poderiam comandar um
petroleiro neste canal".
Inexplicavelmente o Exxon Valdez afastou-se demasiado do
leito do canal. O navio de 300 metros de comprido chocou contra as rochas
submersas e, quatro rombos abriram o casco do navio, o petróleo começou a sair
a uma média de 60 mil litros por hora. A mancha de óleo de 12 quilómetros de
comprimento por 6 de largura cobriu a água, milhares de animais e aves marinhos
morreram.
A mancha espalhou-se em direcção aos terrenos de desova dos
arenques e dos salmões, ameaçando uma das mais ricas regiões de pesca da
América do Norte. O óleo era tão espesso, que não conseguia evaporar-se e
começou a dissolver-se na água. Isso libertou produtos tóxicos na cadeia
alimentar, contaminando tudo, do plâncton às baleias.
Os esforços para conter esse desastre ecológico foram
inadequados. Os grupos de trabalho estavam desorganizados. Não havia equipamento
suficiente para armazenar o óleo que começou a derramar-se no litoral. A vida
no estreito foi lentamente sufocada.
O Éden do Alasca como era conhecido, foi devastado. As
perguntas mais frequentes quando isto aconteceu e que vinha nos jornais e
telejornais eram: “Será que aprendemos o suficiente com estes desastres que
consecutivamente acontecem? Derrame de óleos e gasóleo continuarão a destruir
um planeta já tão fragilizado pela poluição?”
Esta noite, gostaria de colocar outra questão, diferente da
dos jornalistas: Será que temos alguma responsabilidade na poluição deste
mundo?
Antes de responder, vou fazer-vos um convite: Através da
nossa imaginação vou convidar-vos a viajar comigo ao Éden original. Aquele
jardim que Deus criou para Adão e Eva, um lugar de beleza intacta e de harmonia.
Deus disse aos nossos primeiros pais que eles poderiam comer de qualquer árvore
do jardim, mas avisou-os para se afastarem de uma determinada árvore: comer do
seu fruto seria catastrófico. A poluição do pecado cobriria todo o jardim e
consequentemente a morte atingiria todas as formas de vida do jardim!
Na verdade Adão e Eva tinham um canal larguíssimo para
conduzir a sua embarcação. O canal era largo e os recifes perfeitamente evitáveis.
Eles não estavam ameaçados por perigos que não pudessem evitar! Porém, alguma
coisa saiu tremendamente errada. Aquele pormenor que chamamos "erro
humano" aconteceu. Eva saiu da rota. Adão não estava presente para a
ajudar e ambos colidiram com aquela árvore fatídica.
Deixou-se encantar pelo fruto proibido, aparentemente
inofensivo mas que resultou em calamidade que rapidamente se espalhou pelo
jardim e por todo o planeta. O egoísmo e o afastamento de Deus atingiram toda a
raça humana. O pecado original penetrou a história do homem, como uma enorme
mancha de óleo que sufoca toda a vida física, moral e espiritual da Terra.
O apóstolo Paulo fala sobre esta calamidade, descreve-a
assim: "Como por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte,
assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram...” Romanos
5:12
Muitas pessoas têm dificuldade em compreender esta ideia do
pecado original. Aceitam que a separação de Deus é um grande desastre, mas
interrogam-se: qual é a nossa responsabilidade por uma coisa que Adão fez? Por
que razão temos que ser condenados por um erro que aconteceu milénios antes do
nosso nascimento? Para muitas pessoas isto não parece justo!
Quando vemos as imagens na televisão, do gasóleo que é
lançado no mar, de barcos que naufragam e largam milhares de toneladas de
gasóleo no mar, e vemos aqueles animais e aves marinhos a morrer sufocados por
aquela capa de óleo, ficamos revoltados. Como pode ter acontecido tal desastre?
Parece indesculpável, e concordamos que muitas pessoas são culpadas:
Os donos das refinarias, o comandante do barco, os armadores que não fazem uma
manutenção cuidada. Os oficiais da guarda Costeira. Alguém ou várias pessoas,
sem dúvida, cometeram tremendos erros, mas uma coisa que a maioria se esquece é
de perguntar: E nós, temos nós alguma responsabilidade nisso?
Muitas pessoas que me estão a ouvir, pensam: Quem não tem
culpa sou eu! É verdade, não éramos nós que comandávamos o navio, não somos
donos das refinarias, nem donos do navio.
Têm razão! Mas todos nós fazemos parte daquela multidão de pessoas
que andam com carros na rua e exigimos a nossa gasolina ou gasóleo! Consumimos
e descartamos uma quantidade incrível de produtos todos os dias que dependem
directa ou indirectamente da produção de petróleo! Isso não nos faz
responsáveis pelo desastre do Valdez, mas estamos envolvidos.
Não estou a dizer isto para minimizar a responsabilidade de
quem tem grandes responsabilidades na prevenção de tais acidentes. É importante
localizar o "erro humano" que leva a desastres como aquele do Exxon
Valdez, mas não podemos fingir que não temos nada a ver com isso.
É este, exactamente, o ponto de vista que a Bíblia traz na
ideia do pecado original e os seus efeitos. Não somos responsáveis por Adão e
Eva comerem do fruto proibido, mas estamos envolvidos naquela tragédia! Nós tornamo-nos
participantes do pecado que se originou com eles. Queixamo-nos, aos gritos, da
corrupção das autoridades, mas será que somos fiéis ao nosso cônjuge, em
pensamento e acção? Lamentamos o facto de haver tão pouco amor entre as pessoas
hoje em dia, mas amamos verdadeiramente, aqueles que nos são mais chegados?
Detestamos as guerras, mas não fazemos as nossas “guerrinhas” por dá cá uma
palha?!
Se quisermos ser honestos connosco próprios, não temos
dificuldade em reconhecer que estamos de facto envolvidos no pecado de Adão e
Eva. Como Paulo explicou, a morte vem a todos nós porque todos pecamos. Todos
nós contribuímos individualmente para que a mancha de óleo do pecado se estenda
ao longo da História da Humanidade. Paulo afirma-o claramente: "Porque todos
pecaram e destituídos estão da glória de Deus." Romanos 3:23
O nosso problema principal não é se somos melhores ou piores
que os nossos vizinhos, se falhámos nisto ou naquilo que esperávamos ter feito
melhor. Sabem qual é o problema? O grave problema? É que os nossos pecados são
uma afronta directa ao carácter perfeito de Deus, e um acto de poluição ao
lindo mundo que Ele criou! Então, qual é a solução? O que é que podemos fazer
quanto a esta mancha de óleo do pecado na qual estamos envolvidos?
Muitas pessoas, quando confrontadas com o problema do
pecado, normalmente respondem: "eu vou tentar melhorar".
E envidam esforços sinceros para serem melhores, mas mais
cedo ou mais tarde caem na fraqueza da própria vontade, nas limitações dos
esforços humanos. O problema do pecado é muito maior do que possamos imaginar.
Sabem, os homens do petróleo, ao tentarem limpar aquela mancha no estreito do
Alasca, fizeram uma descoberta! Descobriram que eram infrutíferos os seus
esforços diante de um desastre ecológico.
Foi uma situação caótica, foi difícil tentar organizar-se,
colocar equipamento disponível em funcionamento. Horas preciosas foram gastas
enquanto a mancha de óleo se espalhava. Conseguiram retirar alguns barris de
gasóleo. Mas o dispersante químico não funcionou como devia. Alguns cabos de
retenção foram colocados, mas ao terceiro dia de ventos fortes, o óleo passou
por cima dos cabos.
Todo o esforço humano mais não fez que poluir ainda mais o
meio ambiente! Foi a própria Natureza que lentamente diluiu o gasóleo e o óleo
nas águas puras. O sol, o vento e a chuva realizaram o trabalho através dos
anos. A Natureza foi-se curando sozinha daquela ferida tóxica com mais de dois
mil quilómetros quadrados!
É extremamente difícil limpar a nossa mancha, não acham? E
isto é particularmente verdade em relação ao nosso pecado e culpa individual.
Deus retrata o nosso problema humano nas palavras de Jeremias: "Pelo que
ainda que te laves com salitre, ou amontoes sabão, a tua iniquidade estará
gravada diante de mim, diz o Senhor Jeová." Jeremias 2:22. Este é, sem
dúvida, um versículo bastante apropriado para nós hoje. Escrito para nós, não
é?
Amigos, quando se trata de culpa, não nos podemos lavar
sozinhos. Podemos tentar removê-la e insistir nisso de mil maneiras, mas ela
vai continuar! Podemos tentar melhorar e redimir-nos dos nossos próprios erros
e pecados passados, mas a natureza pecadora continuará aflorando à superfície,
como o petróleo. Nunca nos limparemos completamente. Haverá sempre mais e mais
egoísmo, orgulho e ódio a sair do nosso coração quando menos esperamos que isso
aconteça!
Deus, em pessoa, assumiu a responsabilidade de limpar a grande
mancha de óleo do pecado. Ele próprio irá curar a terrível ferida que vive
dentro de nós. Leiamos esta maravilhosa promessa: "Vinde, então e
argui-me, diz o Senhor. Ainda que os vossos pecados sejam vermelhos como o
carmesim, se tornarão como a branca lã." Isaías 1:18
Jesus, no Calvário, absorveu as consequências do nosso
pecado no Seu próprio corpo. Ele desfez o efeito do pecado através de Sua
agonia na cruz. Isso exigiu enorme esforço; foi uma tarefa gigantesca, mas o
Filho de Deus emergiu daquela provação vitorioso. Ele realizou o que nenhum
esforço humano jamais poderia conseguir: Foi-nos concedido o perdão total e de
graça. Podemos viver a paz!
Mas Deus promete mais. Ele não só remove a culpa, mas também
nos dá um meio para combater a nossa natureza pecadora. O apóstolo Paulo diz:
"Assim que se alguém está em Cristo, nova criatura é. As coisas velhas já
passaram, eis que tudo se fez novo." II Coríntios 5:17
Aqueles que depositam a sua fé em Cristo como Salvador e a
Ele se entregam, passam a estar em Cristo. Deus não os vê como pecadores, mas
como pessoas que estão ligadas ao Seu Filho amado. Acontece algo maravilhoso
quando uma pessoa se une pela fé a Jesus Cristo: ocorre uma nova criação. A
capacidade criativa de Deus é libertada e o Seu Espírito opera em nós, retira
todos os velhos hábitos destrutivos, e faz surgir o novo.
Uma das histórias mais conhecidas da Bíblia e ao mesmo tempo
mais fascinantes é seguramente o encontro de Nicodemos com o Senhor Jesus!
SLIDE 0022 Nicodemos era um homem que ocupava uma posição de confiança muito
alta na nação judaica durante o ministério de Jesus! Tinha uma educação
superior, era dotado de talentos oratórios, íntegro e justo. Era um membro
honrado do conselho nacional do seu país.
Como tantos outros dirigentes nacionais mais que uma vez foi
ouvir Jesus que ensinava as multidões que acorriam ao Templo. Desde o primeiro
instante sentiu-se agitado, o seu coração comoveu-se, sentiu-se atraído pela
humildade do Nazareno. As palavras saídas dos lábios do Salvador tinham vida e
iam de encontro às suas necessidades de homem, de ser humano. É verdade que
tinha tudo, mas faltava-lhe aquela paz, que ele viu no olhar de Jesus!
Desde que viu Jesus pela primeira vez, não mais deixou de O acompanhar.
Nicodemos estudava ansiosamente as profecias relativas ao Messias; e quanto
mais procurava tanto mais forte era a sua convicção de que este era Aquele que
havia de vir. Tinha visto como Jesus recebia os pobres, como curava os doentes,
tinha visto as Suas expressões de alegria, e escutado as Suas palavras de
louvor; e não podia duvidar de que Jesus de Nazaré era o Enviado de Deus.
Começou a sentir um forte desejo de se encontrar a sós com
Jesus, mas não o queria fazer abertamente. Seria demasiado humilhante, para um
príncipe judeu, reconhecer que tinha simpatia por um mestre ainda tão pouco
conhecido. E especialmente porque Jesus não era seguido pelas pessoas
importantes de Israel, mas só pelos pobres, as viúvas, os desprezados da
sociedade. E ele era uma pessoa importante. Não queria ser desprezado pelos
seus colegas!
Nicodemos conseguiu finalmente descobrir onde Jesus ficava
quando visitava Jerusalém. Soube também que Jesus à noite gostava de ir orar
para o Monte das Oliveiras. Esperou que a cidade adormecesse para ir ter com o
Senhor Jesus.
Pela calada da noite foi ter com O Nazareno. Tinha preparado
um grande discurso. No entanto na presença de Cristo, Nicodemos experimentou
uma estranha timidez, que se esforçou por ocultar sob um ar de dignidade e
finalmente disse: “...Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus, porque
ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.” João
3:2
Pretendia ao falar dos raros dons de Cristo como mestre, bem
como do Seu maravilhoso poder para operar milagres, preparar o terreno para
poder abrir o coração. Queria ganhar a confiança de Jesus; mas na realidade, as
suas palavras exprimiam a sua incredulidade…
Em vez de agradecer, o facto de Nicodemos Lhe chamar:
“Mestre”, Jesus fixou os olhos no visitante, como se lhe estivesse a ler a alma
e viu diante de Si, um homem que sentia a mancha do pecado e com necessidade de
ser limpo. Por isso foi directamente ao assunto, dizendo bondosamente: “Na
verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino
de Deus.” João 3:3
Vou fazer uma pergunta directa, no estilo de Jesus! Amigo,
porque veio esta noite? É só para ver se esta religião é melhor ou pior que a
sua? Ou para poder dizer fui lá… e é tudo igual. Ou veio, porque quer abrir o
coração a Jesus para que o limpe da terrível mancha de óleo do pecado? Quer
sentir a paz? Sentir a presença de Jesus? Se é com este sentimento, Jesus está
aqui e vai ajudá-lo, creia!
Nicodemos tinha ouvido a pregação de João Baptista sobre o arrependimento
e o baptismo, lembrava-se que João tinha falado que após ele viria Aquele que
baptizaria com o Espírito Santo: “Eu baptizo com água; mas no meio de vós está
Um a quem vós não conheceis. Este é aquele que vem após mim, que foi antes de
mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca” João 1:26-27
Nicodemos era um fariseu estrito, um crente praticante,
orgulhava-se das suas boas obras. Era muito estimado pela sua beneficência e
liberalidade. Poderia considerar-se hoje, um cristão muito praticante, o
primeiro a participar nas festas anuais da sua terra, a estar sempre presente
em todas as actividades religiosas, a rezar, a comungar. E sentir o favor de
Deus.
Prezados amigos deixem-me que vos pergunte, qual é a vossa
crença em relação a ter um lugar assegurado no reino de Deus? Deixem-me
perguntar o que pensam quando rezam o Pai-nosso: “Venha o Teu Reino!” Será que
acham como Nicodemos que não precisam de mudança alguma?! Nicodemos achava-se
justo aos seus próprios olhos!
Por isso ficou surpreendido com as palavras de Jesus: “É
necessário nascer de novo”. Estava irritado por se sentir directamente visado
por elas. O orgulho do fariseu, do bom religioso, lutava contra o sincero
desejo, a necessidade que tinha de uma profunda mudança de vida.
Apanhado desprevenido, respondeu a Cristo com palavras
plenas de ironia: “Como pode um homem nascer, sendo velho?” João 3:4
Como muitas pessoas, quando uma verdade incisiva lhes fere a
consciência, dão a entender que não percebem! Resistem, argumentam. Assim fez
Nicodemos. Assim fazem muitas pessoas que são muito religiosas, mas sentem o
vazio, sentem que têm a religião, mas não a bênção do Espírito Santo. Jesus e o
Espírito Santo não viram as costas a ninguém que sinta necessidade genuína.
Quando reconhecemos que estamos vazios, quando reconhecemos
a nossa solidão. Que nos sentimos perdidos! Que sem Cristo como Piloto da nossa
vida não vamos a lugar nenhum! Nicodemos percebia isto, mas não o queria
admitir.
Jesus, não quis discutir. Levantou a mão com solene e calma dignidade,
acentuou a verdade com maior firmeza, atalhou o raciocínio deste sábio e
colocou o dedo na ferida: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não
nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” João 4:5
Nicodemos sabia que Jesus Se referia ao baptismo da água.
Aquele que João Baptista praticava nas águas do Jordão, baptismo por imersão,
com o qual Jesus tinha sido baptizado e que é o verdadeiro baptismo cristão.
Nicodemos sabia que Jesus Se referia ao baptismo e à renovação da alma pelo
Espírito de Deus. Ficou convencido que estava na presença do Filho de Deus.
Jesus continuou: “O que é nascido da carne é carne, e o que
é nascido do Espírito é espírito.” João 3:6
O coração, por natureza, é mau, e “quem do imundo tirará o puro?
Ninguém.” Jó 14:4
Nenhuma invenção humana pode encontrar o remédio para a alma
pecadora: “Do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios,
prostituições, furtos, falsos testemunhos e blasfémias.” Romanos 8:7
Ou seja o coração humano está poluído com um óleo bem
espesso, mais ainda que o canal do Alasca.
A fonte do coração deve ser purificada para que a corrente
se possa tornar pura. Não há segurança para uma pessoa que tenha uma religião
meramente legal, uma aparência de piedade. A vida cristã não é uma modificação
ou melhoramento da antiga, mas uma transformação da natureza. Deve ocorrer uma
morte do eu, o homem e a mulher poluídos com o pecado original devem passar por
uma lavagem!
Nicodemos continuava perplexo e Jesus usou o vento para
ilustrar o seu significado: “O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas
não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do
Espírito.” João 3:8
Ouve-se o vento por entre os ramos das árvores, fazendo
sussurrar as folhas e as flores; no entanto ele é invisível e ninguém sabe de
onde vem, nem para onde vai. O mesmo se dá quanto à operação do Espírito Santo
no coração.
Mediante um agente tão invisível como o vento, Cristo está continuamente
a trabalhar no coração. Pouco a pouco, sem que a pessoa que está a receber a
acção do Espírito do Senhor tenha consciência disso, produzem-se impressões que
tendem a atrair a alma para Cristo. Esta vida nova vai acontecendo, damos por
nós a pensar mais em Jesus, a ler a Escritura Santa, ou a ter prazer em ouvir a
palavra do pregador que fala a verdade eterna. Já não nos contentamos com
qualquer coisa, queremos substância, queremos alimento que nutra a alma!
Essa acção de Deus afasta os pensamentos de pecado, de medo
de Deus, de castigo eterno. E substitui pelo amor, a humildade, a paz que tomam
o lugar da ira, da inveja e da contenda. A alegria e a esperança substituem a
tristeza e o semblante reflecte a luz do Céu.
É impossível à mente finita compreender a obra da redenção!
O seu mistério excede o conhecimento humano; todavia aquele que passa da morte
para a vida percebe que isso é uma realidade maravilhosa!
Enquanto Jesus falava, alguns raios da verdade penetraram no
espírito do príncipe Nicodemos. A enternecedora, subjugante influência do
Espírito Santo impressionou-lhe o coração. Todavia, não compreendeu plenamente
as palavras do Salvador. Admirado, disse: “Como pode ser isso?”
“Tu és mestre de Israel, e não sabes isso?” perguntou Jesus.
Uma pessoa a quem era confiada a instrução religiosa do povo não devia ser
ignorante de verdades de tanta importância! Às vezes os que ensinam a religião
são os que mais desconhecem o amor de Deus e ignoram os Seus santos
Mandamentos!
Passou-se comigo. Um dia em conversa ocasional com um
sacerdote, perguntei:
– Sabe onde se encontram na Bíblia os Mandamentos de Deus? –
E reparei que ele abria a Bíblia nervoso, não sabia onde se encontravam os
Mandamentos que Deus escreveu com o Seu próprio dedo! Com amor e muita simpatia
ajudei-o a abrir a Bíblia no livro do Êxodo 20.
Não havia desculpa alguma para a cegueira de Nicodemos em
relação à obra da regeneração. Pela inspiração do Espírito Santo, Isaías escreveu:
“Todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapos da
imundície.” Isaías 64:6
E o rei David orava: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro,
e renova em mim um espírito recto.” Salmo 51:10
E por meio de Ezequiel foi dada a promessa: “E vos darei um
coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei o coração de
pedra da vossa carne, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o
Meu Espírito, e farei que andeis nos Meus estatutos, e guardeis os Meus juízos,
e os observeis.” Ezequiel 36:26-27
Nicodemos tinha lido todas estas passagens com a mente obscurecida;
podia interpretá-las, mas elas não tinham vida; não passavam de um código.
Mas agora estava a ser atraído para Cristo! Quando o
Salvador lhe explicou o que estava a dizer em relação ao novo nascimento,
anelou experimentar esta mudança em si mesmo. Como poderia isso realizar-se?
Jesus respondeu à pergunta não formulada dizendo: “Como Moisés levantou a
serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para
que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João
3:14,15
Ali estava algo familiar a Nicodemos. O símbolo da serpente levantada
tornou-lhe clara a missão do Salvador. Quando o povo de Israel estava a morrer
por causa da picada das serpentes ardentes, no deserto, fugindo do cativeiro do
Egipto, Deus mandou Moisés construir uma serpente de metal e colocá-la no alto,
no meio da congregação. Foi então anunciado no acampamento que todos os que
olhassem para a serpente viveriam.
O povo sabia muito bem que, em si mesma, a serpente de metal
não possuía nenhum poder para os ajudar. Era um símbolo de Cristo. Tal como a
imagem feita à semelhança das serpentes destruidoras era erguida para a cura,
assim Alguém nascido “em semelhança da carne de pecado” Romanos 8:3, haveria de
ser Redentor para eles.
Os que tinham sido mordidos pelas serpentes poderiam ter
demorado a olhar. Poderiam ter posto em dúvida a eficácia daquele símbolo
metálico. Poderiam ter pedido uma explicação científica. Mas nenhuma explicação
lhes foi dada. Deviam aceitar a palavra que Deus lhes dirigia através de
Moisés. Recusar a olhar era morrer!
Não é por meio de debates e discussões que a alma é
iluminada. Devemos olhar e viver! Nicodemos recebeu a lição e levou-a consigo.
Examinou as Escrituras de maneira nova, não para discutir uma teoria, mas para
receber vida para a alma. Começou a ver o reino de Deus, ao submeter-se à
direcção do Espírito Santo.
Tal como Nicodemos, devemos estar preparados para entrar na
vida eterna pelo único meio que é dado aos homens: “Em nenhum outro há
salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os
homens, pelo qual devamos ser salvos.” Actos 4:12
E nem sequer nos podemos arrepender sem o auxílio do
Espírito de Deus. A Escritura diz de Cristo: “Deus com a Sua dextra O elevou a
Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos
pecados.” Actos 5:31
O arrependimento vem de Cristo, tão seguramente como vem o
perdão!
Como, então, nos vamos salvar? – “Como Moisés levantou a
serpente no deserto”, assim foi levantado o Filho do homem, e todo aquele que
tem sido enganado e mordido pela serpente do pecado pode olhar e viver.
“Eis o Cordeiro de
Deus, que tira o pecado do Mundo.” João 1:29
Luz que irradia da cruz revela o amor de Deus. O Seu amor
nos atrai. Se não resistirmos a essa atracção, somos levados para o pé da cruz,
arrependidos pelos pecados que crucificaram o Salvador.
Então o Espírito de Deus, mediante a fé, produz uma nova
vida na alma. Os pensamentos e desejos são postos de acordo com a vontade de
Cristo. O coração e o espírito são novamente criados à imagem d’Aquele que
trabalha em nós para sujeitar a Si mesmo todas as coisas. Então a lei de Deus é
escrita na mente e no coração e podemos dizer com Cristo: “Deleito-Me em fazer
a Tua vontade, ó Deus meu”. Salmo 40:8
Na entrevista com Nicodemos, Jesus revelou o plano da
salvação e a Sua missão no Mundo. Jesus disse-lhe três coisas essenciais que
ele não esqueceu:
1)Nicodemos a
salvação é por pura graça,
2)Nicodemos a
justificação é pela fé,
3)E serás
julgado pela Lei de Deus.
Esta mensagem dirigida naquela noite àquele ouvinte, na
montanha solitária não ficaria perdida. Durante algum tempo, Nicodemos não
reconheceu publicamente a Cristo, mas observava a Sua vida e ponderava nos Seus
ensinos. Quando, Jesus foi erguido na cruz, Nicodemos relembrou o ensino no
Olivete: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho
do homem seja levantado; para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas
tenha a vida eterna”. João 3:14,15 A luz daquela mensagem ouvida naquela noite
iluminou a cruz do Calvário e Nicodemos viu em Jesus o Redentor do Mundo. E
aceitou-O como Salvador e Senhor da sua vida.
Nicodemos faz-me lembrar um homem chamado Duílio Darpino.
Foi em 1992, realizava eu uma série de conferências na cidade de Roma, uma
noite entrou um sacerdote, veio noite após noite. Uma noite falei do novo
nascimento, olhei para ele e ele chorava. Levantou-se e disse: “Eu sinto o meu
coração nascer de novo”. Assim foi, apesar de ter sido excomungado, de lhe
terem retirado as vestes sacerdotais, Jesus vestiu-o com as vestes da Sua
justiça. Aprofundou o conhecimento da Bíblia numa Universidade Adventista e
desde 1994 é pastor da igreja Adventista em Itália.
Nascer de Novo é obra não dos homens, é obra de Deus, assim
como a mancha do óleo foi retirada pela Natureza, da mesma maneira a mancha do
pecado, é retirada pelo Espírito Santo e pelo sangue tão puro e santo de Jesus.
Enquanto houve a Débora cantar deixe o Espírito Santo entrar
dentro da Sua alma, deixe que Ele limpe e ponha vida nova.
Fenómenos interessantes têm sido observados em muitos países
nos últimos anos. A figura de anjos bons que surgem nas nuvens e também a
figura de anjos maus nas nuvens ou em catástrofes.
Muitos filmes produzidos pelos maiores produtores do mundo
referenciam anjos. Filmes para crianças e para adultos. Por detrás dos grandes
guerreiros entre o bem e o mal, está suposto serem anjos que lutam a favor ou
contra o ser humano.
Eu próprio estou convencido que fui tocado por um anjo!
Afinal, há anjos?
Anjos são um dos temas dominantes no livro do Apocalipse. O
livro abre com Jesus enviando o Seu anjo a João para lhe revelar a verdade
sobre o Apocalipse.
Anjos revelam a mensagem de Deus em cada época da raça
humana, anjos estão claramente implicados na história da igreja de Deus que se
encontra em Apocalipse 2 e 3.
Quatro anjos estão de pé sobre os quatro cantos da Terra
segurando os ventos para evitar que haja uma destruição total sobre a terra
antes da vinda de Jesus (Apocalipse 7).
Anjos tocam as trombetas em Apocalipse 8 e 9.
Em Apocalipse 10 é visto um anjo poderoso vir do Céu
encorajar o povo de Deus afim que este povo proclame com coragem a última
mensagem ao mundo.
Apoc. 14:6 apresenta três anjos levando apressadamente a
mensagem do fim dos tempos a “toda nação, tribo, língua e povo”, afim de
preparar um povo para a vinda de Jesus.
Anjos têm predominância no livro do Apocalipse. São seres
celestes, mensageiros de Deus, invisíveis aos olhos dos seres humanos, no
entanto bem reais.
Frank Peretti escreveu um livro sobre os anjos que provocou
muita admiração nos meios cristãos. O livro chama-se “As Trevas Presentes”,
retrata a luta entre os anjos do bem e do mal. O centro da luta situa-se numa
pequena cidade e trata-se de pequenas escolhas de carácter moral feitas por
eles. Mas a verdadeira acção tem lugar numa dimensão espiritual onde as forças
do bem e do mal lutam.
Peretti tentou imaginar onde seria este espaço. Será num
mundo parecido com o nosso. Haverá no interior da Terra algum lugar? Eu
gostaria de vos dizer que este conflito é descrito no livro do Apocalipse mas
está para além do que qualquer ser humano possa imaginar.
Esta batalha é especialmente importante porque revela
realmente quem Deus é. É a batalha sobre o destino do ser humano.
O livro do Apocalipse fala-nos que esta guerra será fora do
céu. No entanto essa batalha teve início no Paraíso. Batalhões de anjos foram
lançados de forma dramática fora do Céu.
Pode interrogar-se: como é que isso pode ser possível? Uma guerra
no céu? Isso parece impossível! Mas aconteceu:
“E houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam
contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam, mas não prevaleceram,
nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a
antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, que engana a todo o mundo. Ele
foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” Apocalipse
12:7-9
Esta batalha podia chamar-se a “Batalha pelo Trono”.
Guerra no céu. Anjos envolvidos em combate. Cristo e Satanás
a lutarem no céu? Cristo vencedor. Satanás perdedor. Satanás e os seus anjos
destronados do céu.
Isto traz-nos perguntas cheias de perplexidade: Porque razão
houve guerra no céu? Ou ainda: Que estava o Dragão a fazer no Céu? Ou: De onde
veio Satanás?
Na verdade, e felizmente, podemos encontrar todas as peças
desta explicação na Bíblia. Podemos encontrar a pré-história de Satanás.
E a primeira peça está no livro de Ezequiel. Este profeta
comunicou uma mensagem da parte do Senhor acerca do rei de Tiro. Mas na
profecia podemos ver que Deus está também a falar de alguém mais. O exaltado
rei representa uma criatura angélica:
“Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro,
e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Tu és selo da perfeição, cheio de
sabedoria, e perfeito em formosura. Estava no Éden, jardim de Deus; cobrias-te
de toda pedra preciosa: e sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ónix, o
jaspe, a safira, o carbúnculo e a esmeralda. Os teus engastes e ornamentos eram
feitos de ouro; no dia em que foste criado foram eles preparados. Tu eras
querubim da guarda ungido, e te estabeleci; estavas no monte santo de Deus,
andavas entre as pedras afogueadas. Perfeito era nos teus caminhos, desde o dia
em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti.” Ezequiel 28:12-15.
Aqui temos um ser descrito como “selo da perfeição” e como
“querubim da guarda ungido”. Este foi o anjo, criado para uma tarefa especial.
No templo Judeu, estava a arca ou o trono de Deus no lugar santíssimo, coberto
com dois querubins de pé sobre o que representava o trono de Deus. Este anjo
tinha um lugar especial perto do trono de Deus. Ele tinha o “selo da perfeição,
sabedoria e perfeita beleza”.
Todo este quadro descrito por Ezequiel, no monte de Deus,
entre pedras preciosas, sugere alguém que viveu perto da glória de Deus, perto
do brilho d´Aquele que é Santo. Mas qualquer coisa aconteceu para que se diga
deste maravilhoso anjo: “até que se achou iniquidade em ti.”
Ele permitiu que o pecado entrasse na sua vida. Como? Que
género de pecado? Que tipo de pecado é que pôde entrar no Paraíso? Ezequiel
escreveu:
“Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura;
corrompeste a tua sabedoria por causa da tua formosura.” Ezequiel 28:17.
Este anjo tornou-se soberbo por causa do seu próprio
esplendor, envaidecido pela beleza com que foi criado. Pensemos nisto por um
minuto. Não há nada de errado com o facto de uma pessoa apreciar os seus
próprios talentos e habilidades. Não há nada de errado por se ter auto estima.
Então que razão terá levado este anjo aos olhos de Deus ter ultrapassado a
linha do bem e entrar no mal? Como pode a sabedoria ser corrompida?
Fixemo-nos por instantes em Isaías. E aqui encontramos que
este anjo tem um nome:
“Como caíste do céu, ó estrela da manhã (Lúcifer), filha da
alva! …tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus
exaltarei o meu trono; no monte da congregação me assentarei, nas extremidades
do norte. Subirei acima das mais altas nuvens, serei semelhante ao Altíssimo.”
Isaías 14:12-14.
Lúcifer, sábio, esplêndido Lúcifer, filho da manhã. Este
anjo desenvolveu uma atitude. Ele queria uma posição mais alta. Estar perto do
trono de Deus não lhe era suficiente. Ele queria o trono “Eu subirei ao céu,
acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono”. Estar na presença de Deus,
não lhe era suficiente. Ele queria o poder de Deus!
Na sua perfeição ele já era como o “Altíssimo”. Mas agora
ele queria ser acima do Altíssimo, menos que isto não tinha sentido para ele.
Ele queria ser mais poderoso do que o Soberano Deus. Ele queria ter mais
autoridade do que o Senhor Criador. Ele queria ser mais exaltado do que o Todo
Poderoso.
Foi assim que tudo começou, como o mais poderoso anjo
iniciou a sua trágica queda, a queda que arrastou outros anjos com ele.
Ao mesmo tempo que é revelado o sentimento deste anjo
conspirador, vê-se também o sentimento do Soberano que está sentado no Trono e
que é o Criador!
O apóstolo João deu muita ênfase no seu livro do Apocalipse
aos sentimentos de Deus no livro do Apocalipse. Mas fez algumas referências
noutros livros:
“…o amor é de Deus. Quem ama é nascido de Deus e conhece a
Deus.” I João 4:7
“Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus,
mas em que Ele nos amou.” I João 4:10.
“Deus é amor.” I João 4:8.
São João diz-nos que Deus é amor. Este é o fundamento do Seu
governo. Amor era o que rodeava Lúcifer. Mas Lúcifer virou as costas ao amor.
Ele fixou-se na sua própria glória e olhava cada vez menos para o amor de Deus.
E começou um círculo vicioso. Quanto menos amor sentia, mais e mais necessidade
tinha de se exaltar a ele próprio e o amor morreu.
Finalmente, Lúcifer começou a ver Deus como um rival! Na sua
mente começou a criar o cenário de que Deus era como um inimigo. O profeta
Ezequiel 28: 6: “Pois que consideras o teu coração como se fora o coração de um
deus.”
Diz-nos que este anjo se revoltou porque se queria tão sábio
como Deus. Porque teria Deus todo o poder e autoridade? Lúcifer começou a
pensar que poderia fazer tão bem como Deus, ou melhor!
Imaginem a perturbação que isto provocou no céu. Imaginem
que naquele lugar entrou a inveja e a malícia onde tais sentimentos nunca
tinham existido!
Nunca se tinha posto em causa a sabedoria e o amor de Deus.
E de repente, este brilhante Lúcifer, este querubim que habitava perto do trono
de Deus. Estava ciumento porque Deus tinha toda a glória.
É verdade que ao mesmo tempo ele admitia a maravilha que era
de ter sido criado como ser para obedecer a Deus. Mas o conflito estava
instalado na sua mente. A ideia prevalecia, e ele convenceu-se que a revolta
contra Deus era o melhor para o Universo.
E quanto mais se questionava mais brilhante lhe parecia a
ideia. E isto encheu-o de orgulho. E o orgulho cortou os laços de amor que o
prendiam a Deus. aparentemente tudo continuava na mesma e ele começou a falar a
outros anjos dos seus pensamentos e muitos foram persuadidos a juntarem-se a
ele numa rebelião contra Deus. Um terço dos anjos juntou-se a ele reafirmando
que ele tinha direito de governar o Universo. E houve uma grande batalha junto
ao trono de Deus.
Agora vem a resposta de Deus. Que faria Deus com Lúcifer?
Que atitude tomaria perante este desafio? Muitos desejariam que Lúcifer fosse
simplesmente destruído. Porquê? Porque se ele foi a origem do mal, se Lúcifer
foi ele próprio a pôr em causa o amor de Deus, porque razão seria poupado?
Porque não destruir o mal antes de qualquer oportunidade de ele se espalhar por
todo o lado? Porque não eliminar o mal antes que ele se espalhasse por outros
mundos?
É uma boa questão. Porque é que Deus não executou Lúcifer?
Pensemos por um momento. Pensemos o que teriam dito todos os anjos que tivessem
presenciado essa destruição.
Suponhamos que o Primeiro-ministro de repente é atacado por
alguns dos seus ministros, acusado de arbitrário e ditador. Dizem que o
Primeiro-ministro não está interessado no bem-estar dos cidadãos e que usa o
seu poder para realizar os seus próprios objectivos.
Agora imaginemos que o Primeiro-ministro diz que esta
acusação é falsa. E como tem poder pode demitir todos estes ministros que o
acusam e dar-lhes ordens de ficar em silêncio. Não se deve falar mais do
assunto. Isto tem acontecido nalguns países. E este Primeiro-ministro é
considerado “ditador”.
Deus não podia aceitar no seu coração a ideia que todos os
seus seres pensarem que Ele é um ditador, porque o não é. Então erradicar a
oposição não seria a melhor solução, porque Deus não seria amado mas temido.
Deus escolheu a atitude mais sábia. Ele permitiria que o
pecado existisse no universo por um período de tempo. Quando fosse demonstrado
que a rebelião contra Deus não tinha trazido a felicidade prometida por
Lúcifer, mas ao contrário a fraqueza, a tristeza, a doença, os desastres,
quando todo o Universo pudesse ver que o que Deus trazia era vida e que Lúcifer
o que trazia era morte, então e só então Deus destruiria Lúcifer.
A resposta de Deus em si, já era a prova do Seu amor. O amor
leva às vezes algum tempo a ser demonstrado. Porque o amor é uma música que se
toca com cordas de gentileza e bondade, não com cordas de castigo e força.
Não nos podemos esquecer que Lúcifer era o primeiro desafio
ao próprio Deus, um desafio que se relacionava com o modo de agir de Deus.
Lúcifer reclamava que era alternativa, a melhor solução para governar o
Universo. Ele reclamava que o poder de Deus era arbitrário. Se Deus o matasse,
será que tinha resolvido o assunto?
O amor é o contrário da vingança.
O amor é o contrário da força.
O amor deixa que as pessoas vejam as coisas com os seus
próprios olhos e decidam por elas próprias.
Deus deseja o nosso amor, mas que O amemos como Ele é.
Só o podemos escolher se tivermos liberdade total para
escolher.
Deus porém, tinha colocado limites às pretensões de Satanás.
E no céu já não havia lugar para ele.
Satanás foi banido do trono de Deus, da glória de Deus. Mas
ele não deixou o céu de boa vontade. Ele tentou desafiar os limites de Deus.
Por isso houve guerra no céu.
João escreveu: “E foi precipitado o grande dragão, a antiga
serpente, que se chama diabo e Satanás, que engana a todo o mundo. Ele foi
precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” Apoc. 12:9.
Esta é a história triste de Lúcifer. Isto foi o que
aconteceu quando o orgulho e a cobiça criaram raízes dentro do melhor e a
criatura mais luminosa no céu.
Satanás foi excluído de céu. E isso também é parte do amor. Amor
não força ou manipula, mas amor confronta quando necessário. Amor fixa limites.
A Terra une-se ao Conflito
Isto apresenta contudo outra pergunta. Que fez este planeta
de particular, para se envolver neste conflito? Será que foi criado como um espaço
vazio para Satanás? Foram sentenciados os seres humanos a sofrer debaixo do seu
domínio?
O livro de Géneses diz que quando Deus criou este mundo tudo
era “bom”, e isso incluiu os primeiros seres humanos. Tudo era perfeito no
Éden: “E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore
que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra…E
viu Deus que era bom…E fez Deus os dois grandes luminares… E viu Deus que era
bom…Façamos o homem à nossa imagem conforme à nossa semelhança…macho e fêmea os
criou…E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom.” Génesis 1
Mas Deus fez os seres humanos livres, morais, da mesma
maneira que Ele tinha feito os anjos com a capacidade de escolha livre. Eles
poderiam escolher escutar a Deus ou não escutar, ou até escutar outra voz!
Quando Eva vagueava no Jardim olhou para a Árvore proibida
do Conhecimento de Bem e Mal, Satanás, disfarçado em serpente, teve a
oportunidade para espumar mentiras. Eva disse que Deus lhe tinha dito que se
comesse do fruto daquela árvore morreria. Mas Satanás respondeu:
“Tu (podes crer) não morrerás… Porque Deus sabe que no dia
que comeres serão abertos os teus olhos, e serás como Deus, sabendo o bem e o
mal “Génese 3:4,5.
Satanás estava a dizer essencialmente, “Tu terás mais
felicidade se me seguires. Deus está restringindo a tua liberdade “.
Tragicamente, Eva e o marido Adão aceitaram a mentira. Hoje nós podemos ver os
resultados daquela mentira ao redor de nós. A alternativa de Satanás não é nada
do que a serpente no Éden anunciou. Nós estamos num planeta em rebelião, num
planeta cheio de decadência e morte.
Depois Adão comeu da árvore proibida, e algo aconteceu assim
que comeram ficaram possuídos pela culpabilidade e ansiedade. Quando Deus veio
e os procura no jardim, eles esconderam-se da face do Senhor. E nós nos temos
escondido desde então.
Pecado produz alienação entre nós e Deus, alienação entre
pessoas. Foram plantadas as sementes da primeira guerra nos corações dos pais
do género humano quando eles pecaram. Por isso há abusos nos lares; por isso há
hostilidade neste mundo o pecado infectou o coração humano.
Esta é a resposta à pergunta fundamental porque temos o
mundo que temos de sofrimento e de tragédia.
A Origem de Sofrimento
Jesus enfatizou aquela resposta em um das parábolas. Em
Mateus 13:24, Jesus falou sobre um campo que foi cultivado perfeitamente e foi
preparado para semente. E Ele pintou um homem bom que plantou a semente no
campo e estava à espera de uma colheita abundante. Mas, algum tempo depois um
criado descobriu que ervas daninhas tinham aparecido no campo de trigo, e ele
fez a pergunta:
“Senhor, não semeaste boa semente no Teu campo? Como tem
tanta erva?” Mateus13:27
Esta é a pergunta que toda a gente faz e enfrenta nalgum
momento da sua vida. Se Deus é bom, se Ele fez um mundo para que os Seus filhos
sejam felizes, porque razão há tantos espinhos? Tanta tragédia? Na parábola de
Jesus o mestre respondeu aquela pergunta muito simplesmente. Ele disse: ”Um
inimigo fez isto”.
A Bíblia identifica este inimigo como Satanás. Ele é o que
se rebelou contra Deus e semeou o problema de pecado. Na Escritura, o diabo não
é ma fada – figura de contos – com cauda a terminar em flecha e forcado na mão.
Ele é um ser de realidade que causa tragédias reais.
E cada um de nós sabe por experiência o que isto significa!
O diabo age hoje como agiu então com Eva. Ele usa sempre a mesma estratégia!
Mas podemos ter uma certeza a sua estratégia terá um fim:
Apocalipse revela este fim:
“E o diabo que os enganou foi lançado no lago de fogo e
enxofre” (Revelação 20:10).
Isto é o destino que espera este querubim. Ele será
finalmente, completamente, e totalmente destruiu.
Deus não nos abandonou ao nosso destino porque o género
humano se rebelou contra Ele. Desde o começo quando o pecado entrou no nosso
mundo, Deus tinha um plano. Ele nos mostrou um modo fora. Olhe Géneses onde
Deus deu para uma mensagem de advertência à serpente que seduziu o Adão e Eva.
“E eu porei inimizade entre você e a mulher, e entre sua
semente e a Semente dela; Ele contundirá sua cabeça e você contundirá o salto
de sapato” Géneses 3:15.
A promessa de Deus é que nós não temos que continuar a ser
vítimas da serpente. Ele porá inimizade entre nós e o mal. Nós poderíamos obter
poder para sair da opressão. Como iria isto acontecer? Aconteceria pela
descendência da mulher, o prometido. Ele destruiria o poder opressivo de
Satanás.
Apocalipse 12 ressoa a mesma grande garantia. é o capítulo
que apresenta o quadros que grande guerra no céu. E mostra Satanás como um
grande dragão que tenta enganar e perseguir seguidores de Jesus. Também
apresenta o modo dos cristãos confrontarem Satanás:
“E eles o superaram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra
do testemunho “ Apocalipse 12:11.
O sangue do Cordeiro é a arma que supera toda a força de
Satanás.Se a nossa questão é: Porque
razão não fez nada para destruir a causa do pecado, a raiz! A resposta é: Deus
fez e fez muito: Jesus Cristo!
Agora somos nós que devemos fazer a nossa parte, e esta é a
nossa decisão, é tudo o que devemos fazer, temos que fazer a grande escolha.
Nós temos que escolher entre duas forças neste mundo. Uma força tentará nos se
transformar em animais malignos. Outra força trabalhará para enobrecer nossos
corações.
Nós temos que escolher entre orgulho e amar, entre
egocentrismo e servir Deus. Nós temos que escolher entre abrir nossos corações
e fechar nossos corações. Nós temos que escolher de que lado estamos. Em todo o
coração há um trono. Em todo o coração há uma batalha pela supremacia. Em todo
coração há uma luta pelo controlo.
Aquela guerra que começou no céu é um conflito que alcança
os nossos corações. As linhas de batalha nem sempre se distinguem claramente,
mas são linhas de batalha. Duas forças estão colidindo. Eles conduzem em direções
opostas. E nós fazemos escolhas importantes de quem será o senhor nas nossas
vidas.