quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Zero


O Zero sentia-se vazio. Olhava para si mesmo e não gostava do que via: era aquela enorme barriga; era a incapacidade de sobressair; era a falta de um carácter vincado…

Achava mesmo que não valia nada. Já muitas vezes tentara ser esguio como o 1, elegante como o 4 ou belo como o 7, mas nem sequer conseguia a pequena proeza de esticar uma haste para se assemelhar ao 6 ou ao 9.

Era realmente uma nulidade. Mas o pior de tudo nem sequer era o aspecto, pois já se tinha habituado a isso e os outros também nunca o tinham visto de outra forma. Não, o pior nem era olhar-se ao espelho: o pior era quando olhava para dentro de si mesmo. Não valia nada, pronto! Era isso. Nunca tinha feito nada de que se pudesse realmente orgulhar; tinha as mãos vazias; nunca deixaria o nome na história ou marcas no mundo.

Não passava de um zero.

Mas, então, por que razão tinha consigo todos aqueles sonhos, aquele desejo de grandeza, a vontade de se lançar a tarefas gigantescas? Era um zero e sentia dentro de si uma enorme tendência para o infinito…

Ora, isto – pensava ele – não tinha lógica nenhuma. Era até contraditório. E filosofava: Via-se logo que os números tinham sido uma invenção dos homens. Por isso não batiam certo. Se tivessem sido obra de Deus, tudo teria sido diferente. Sendo assim, paciência…

Mas o Zero estava de longe de se resignar com a situação. Alguma coisa lá por dentro se recusava a aceitar pacificamente estas filosofias, ainda que elas servissem perfeitamente como justificação para a sua nulidade e para a vida preguiçosa que levava.

E, no fim de contas, talvez os algarismos não fossem uma invenção dos homens.

Muitas vezes dizia para si mesmo que não podia fugir à sua natureza, à incapacidade com que nascera. Sentindo-se incapaz do esforço de alcançar o infinito, que chamava por ele, repetia cinquenta vezes por dia que o infinito não existia. Para se convencer a si próprio. Para se poder entregar tranquilamente à doçura de uma vida sem montanhas para subir.

No entanto, aquela doçura acabava por o maçar. Tornava-se amarga: não na boca, mas num lugar qualquer que ele não sabia identificar com exactidão. Ora, aquilo doía-lhe. Era como se tomasse veneno.

O Zero sabia a solução, a resposta, a verdade, mas fugia de pensar nisso. Também lhe doía… O Zero sabia que o verdadeiro problema não era a preguiça nem a falta de capacidade. A questão importante era o orgulho.

Sucedia que o orgulho o levava a procurar sempre o primeiro lugar quando se juntava aos outros algarismos para fazerem alguma coisa em conjunto. Conseguia esse lugar porque era o mais forte de todos, mas os outros algarismos não achavam aquilo bem. E quando isso sucedia formava-se uma barreira, uma vírgula, entre ele e os outros. E, assim, com o Zero no primeiro lugar e a vírgula logo a seguir, aquilo que faziam não valia quase nada.

O Zero pressentia que, se aceitasse um dos últimos lugares, tudo seria diferente. Talvez então pudessem, em conjunto, aproximar-se do infinito e até tocar-lhe. Talvez assim se abrissem as portas a todos os sonhos que desde sempre trouxera consigo. Mas teria – assim pensava – de se curvar perante os outros, e baixar a cabeça era para ele uma impossibilidade…

Não vou acabar de contar a história do Zero. Não vou dizer como chegou a entender que para um zero o melhor lugar é o último. Nem como acabou por pedir desculpa aos outros. Nem como conseguiu depois – não sempre, mas muitas vezes – a glória de baixar a cabeça e se colocar no último posto.

É que estas transformações são sempre muito íntimas e dolorosas. Sou amigo do Zero – conheço-o muito bem – e não estaria certo revelar em público a sua intimidade.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Jesus Ressuscitou!

Romanos 5:17

Jesus ressuscitou. Quem de nós, ao andar pelas ruas, ao andar de ônibus, de trem ou de carro, ao estar no seu emprego, lembra deste evento único na história? Único e de grande significado. Quando lemos as manchetes dos jornais, quando ouvimos o noticiário pelo rádio ou televisão, quem se lembra de que Jesus ressuscitou?

O quanto a nossa vida está impregnada deste espírito de vitória, poder e fidelidade? Até onde nossa vida é dirigida pelo leme da ressurreição?

Às vezes nós crentes vivemos uma vida desgraçada, pobre e sem sentido, e mesmo assim dizemos que cremos que Jesus ressuscitou. Dizemos que vivemos com Deus. Mas não há nada disso na nossa vida.

Romanos 5:17 “Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só – Jesus Cristo.” Nós hoje estamos reinando com Cristo, em vida, na abundância da graça e do dom da justiça! É uma afirmação.

Há duas coisas aqui que mostram o que somos ao reinarmos com o Cristo ressurreto! Duas coisas que nos caracterizam:

- Somos discípulos de Jesus;

- Somos cidadãos do reino de Deus.

Como discípulos seguimos as suas pisadas e seus ensinos; Como cidadãos do reino vivemos na garantia do seu zelo e cuidado, do direito da cidadania.

1. O QUE SIGNIFICA SER DISCÍPULO DE JESUS?

Com base em alguns gomos do fruto do Espírito, podemos dizer que significa:

Significa compaixão pelos não crentes. Escravos do pecado e das obras da carne. “Pai, perdoa-lhes…” Lucas 23:34 “Como ovelhas que não tem pastor…” Mateus 9:36.

Significa amor no sentido de fazermos (atitude) o que estiver ao nosso alcance para que os pecadores encontrem Jesus. Paixão pelas almas.

Significa desprendimento e abnegação: No sentido de darmos o que temos, o que sentimos que Deus está pedindo, para que a Sua obra cresça. Ele cuida de nós!!! Mateus 6:33. Não precisamos estar presos a coisas materiais. Estamos presos a Jesus e a sua vontade.

Significa fé: Fé no sentido de crer em Deus. Crer que Deus deu seu Filho para morrer por nós, mas o ressuscitou. Se eu estiver em perigo de morte por amor a Cristo, Deus pode proteger-me, ou pode ressuscitar-me! Eu creio que o meu Deus pode? Hebreus 11:18. Levar a sua cruz. Viver e sofrer se for preciso, por amor ao evangelho.

Deus precisa fazer transformações aqui, e de tal forma que tenhamos certeza que o Jesus ressuscitado está presente e que seus filhos anseiam viver esta ressurreição. Jesus ressuscitou. Somos discípulos do Jesus que ressuscitou?

2. O QUE SIGNIFICA SER CIDADÃO DO REINO?

Colossenses 1:13 “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor.” Temos (presente) a gloriosa vida de cidadãos do reino de Deus.

Significa ser cidadão de um reino que não é deste mundo. João 18:36. Não é ideológico, não é político, não é material, não é temporal. É celestial, é divino, e é eterno.

Significa ser cidadão de um reino que é poder. I Coríntios 4:20 “Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder.” I Tessalonicenses 1:5.

Significa ser cidadão de um reino eterno. II Pedro 1:11 “Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.”

Significa ser cidadão de um reino que nunca será abalado. Hebreus 12:28,29 “Pelo que, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverência e piedade; Porque o nosso Deus é um fogo consumidor.”

Significa ser discípulo de Jesus.

CONCLUSÃO:
Jesus ressuscitou! Como conseguimos viver nesta terra sem sermos notados sendo discípulos de Jesus e cidadãos de um reino incomparável? Em Hebreus 12:29, a Bíblia diz que Deus “é um fogo consumidor” e que seja este fogo como fogo que abala o reino do inimigo, e com Ele possamos conquistar cada vez mais pessoas para Cristo. Que este fogo comece a arder em nossos corações e vidas, pela ação do seu Espírito. Que a igreja seja um corpo vivo. Que você seja um discípulo vivo. Jesus ressuscitou!

domingo, 5 de agosto de 2012

PORQUE CHORAS?

PRECE: Senhor Deus nós nos achegamos a Ti, nosso compassivo Redentor; e rogamos-Te, por amor de Cristo, por amor do Teu próprio Filho. Nosso Pai, que manifestes o Teu poder entre os que se achegam a Ti. Precisamos de sabedoria; precisamos da verdade; precisamos que o Espírito Santo esteja connosco, esta noite e sempre. Por Jesus. Amém.

Eram paragem obrigatória de turistas, símbolo máximo da economia ocidental e, com os seus 417 metros, duas das mais altas torres do mundo. Mas tudo isso foi antes do dia 11 de Setembro de 2001. Agora, as Twin Towers não passam de uma recordação que dificilmente se apagará da memória de todos os que, directa ou indirectamente, viveram a tragédia.

O dia mal tinha começado na costa Leste dos Estados Unidos. Eram precisamente 8h45, horas locais, mais cinco em Portugal, quando um avião comercial, um Boeing da American Airlines, embateu na torre Norte do World Trade Center, na Baixa de Manhattan.

Um ´acidente´ que parecia impossível. De olhos postos nos céus de Nova Iorque, SLIDE 0004 18 minutos depois, o mundo assistiu, em directo, ao embate de outro Boeing na torre Sul, vendo a realidade ultrapassar a ficção. E percebeu que não era acidente e sim um acto do mais cruel terrorismo.

O mundo ficou em suspenso. Famílias de todo o mundo começaram a telefonar. De um momento para o outro toda a gente tinha um familiar que ou estava de visita às Torres ou lá trabalhava… a resposta era invariavelmente: ”desaparecido”. Depois, sim depois os caixões cobertos com a bandeira Americana levaram muita gente a parar para reflectir sobre a vida e a morte, e em como confortar as famílias dos que morreram.

Talvez este acidente tenha sido muito longe de nós! Recordamos com maior dor o que se passou na “Ponte da Morte” ou a Ponte de Entre Rios, fez um ano recentemente. Temos as imagens dos corpos que eram retirados do rio, os caixões, os cemitérios, as flores lançadas ao rio em memória de 36 corpos que não foram resgatados ao rio Douro.

O primeiro princípio que a Bíblia apresenta pode não parecer tão encorajador à primeira vista. Ele é, de facto, triste. Em Génesis 3, descobrimos certos aspectos da vida que Deus revelou a Adão e Eva imediatamente após o pecado e a morte entrarem em cena: "No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra; pois dela foste formado: porque tu és pó e ao pó tornarás." Génesis 3:19

As Escrituras enfrentam a morte humana abertamente. Elas não tentam imaginar a morte distante. Noutras passagens bíblicas o homem é descrito como "um sopro que passa e que nunca mais volta", ou uma "flor que murcha".

Mesmo no Novo Testamento encontramos esta aceitação da natureza passageira da existência humana. Tiago escreveu isto para alguns dos seus arrogantes contemporâneos: "... que é a vossa vida? Sois apenas como neblina que aparece por instante e logo se dissipa". Tiago 4:14

Uma neblina que se dissipa. E o que mais chama a atenção de quem conhece a Palavra de Deus é que em nenhum lugar da Bíblia encontramos passagens sobre a imortalidade da alma do homem, ou que o espírito que nos anima é eterno, depois da morte do corpo. Tais frases não estão na Bíblia.

Mas muitas pessoas associam a ideia de que a imortalidade da alma é de origem cristã; e cristãos procuram animar outros cristãos com a ideia de que a alma é imortal! Mas as Escrituras deixam muito claro que por causa do pecado o homem é sem excepção, mortal. Ou seja, que quando o corpo morre, acaba todo o tipo de vida que animava esta pessoa! Será que isto quer dizer que não existem bases para a esperança além-túmulo? O nosso destino eterno é o pó?

Ah, queridos amigos, a Bíblia, na realidade, está repleta de esperança como iremos ver; mas ela dirige tal esperança numa única direcção. Ouçam esta entusiástica oração de Paulo: "...bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui imortalidade, que habita na luz inacessível..." I Timóteo 6:15,16

Reparem no texto, "o único que possui imortalidade". Este é o ponto de partida da esperança na Bíblia. Só Deus é imortal. Esta é a primeira resposta que devemos procurar!

Quando procuramos perceber o significado da vida e da morte, (aqueles caixões cobertos com bandeiras), devemos buscar esperança somente em Deus.

Se assim não for é fácil mergulhar no desespero e aceitar teorias erradas. Há pessoas que tentam até captar algum traço de uma vida anterior, e colocam as suas esperanças na reencarnação. Porém, essa ideia pouco a pouco torna-se para muitas pessoas, em angústia e medo. Começam a ver vultos em casa, a ouvir vozes de pessoas que já morreram. E isto torna-se tão doloroso!

Recordo-me quando era jovem, a minha irmã vivia apavorada porque via em nossa casa a cabeça de pessoas mas não via o resto do corpo. A minha mãe ouvia correntes arrastarem-se à noite diante da porta da nossa casa. Recordo-me de ter visto coisas tão estranhas, não quero falar sobre isso. Eu sei que muitos dos que me ouvem, sabem por experiência pessoal do que estou a falar. Vocês também têm sofrido, estou seguro!

A Bíblia é clara, meu amigo: somente Deus é imortal. Nossa esperança está n’Ele e em mais nada. Encontrar um caminho para o além da sepultura, só é possível em Deus, na Palavra de Deus e com a ajuda do Espírito Santo.

Reconheço que para uma pessoa que ouviu falar que a alma vai para o Céu, para o Inferno ou para o Purgatório pode parecer que a Bíblia é difícil de compreender quando diz: “Tu és pó e ao pó tornarás”. Tal facto pode parecer um problema demasiado grande para muitas pessoas. Afinal, Deus, o único eterno, é também descrito como O que habita na luz inacessível.

Bem, é aqui que é apresentado o segundo grande princípio da Bíblia sobre a imortalidade. O apóstolo amado proclama alto e claro: "...que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no Seu filho. Aquele que tem o filho tem a vida; aquele que não tem o filho de Deus não tem a vida." I João 5:11,12

Esta imortalidade que habita na luz inacessível desceu à Terra. A vida eterna veio até nós na pessoa de Jesus Cristo. É como se as riquezas infinitas do Céu fossem condensadas num presente brilhante. E esse presente é Cristo, o Filho de Deus. A imortalidade é a dádiva que Ele nos traz da parte do Seu Pai. O apóstolo João esclarece ao dizer: se tiver o Filho, tem a vida; se não O tiver, não tem a vida.

A Bíblia torna a imortalidade uma questão de relacionamento. É uma coisa pessoal entre si e Cristo. É uma escolha: ao aceitá-LO, somos recebidos na vida eterna. Esta é a resposta que cada um de nós precisa, hoje; uma resposta pessoal, individual.

Aqueles homens, mulheres e jovens que morreram nas Torres de Nova Iorque, ou os que ficaram no fundo do rio Douro. Foram cada um, um coração que pulsou, uma história, um rosto, eles sentiram que tinham um encontro com a morte, mas o mais importante é que eles tenham tido durante as suas vidas um encontro com Jesus.

Um soldado que esteve na guerra do Golfo Pérsico, quando o Iraque invadiu o Koweit, ao embarcar foi entrevistado por um jornalista, que lhe perguntou:

– Tens medo de morrer nesta guerra?

O soldado respondeu:

– Se houver uma bala por lá com o meu nome, tudo bem, será a minha vez. O que me preocupa é saber se o meu nome está no livro da vida.

Quando li esta entrevista, pensei que o soldado americano se referia a esta passagem: “Abriu-se outro livro, que é o da vida… O mar entregou os mortos que nele havia, a morte e o túmulo deram os mortos que neles havia… E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo.” Apocalipse 20:12-14

Este jovem, se tivesse de morrer, não queria que o seu nome fizesse parte apenas de uma estatística. Ele queria que o seu nome estivesse no livro da vida! Ou seja, ele tinha dado a vida a Jesus e confiava.

Ele acreditava que se o seu nome fizesse parte da lista de baixas, não fosse apenas um número nas estatísticas dos que morreram na guerra! Ele sabia que há um Céu a ganhar e um Inferno a evitar. O Céu só se ganha aceitando Jesus como Salvador pessoal. O Inferno só se evita, aceitando Jesus como Salvador! Este soldado conhecia a passagem que vem a seguir a esta que lemos: “E vi um novo céu, e uma nova terra… e ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.” Apocalipse 21:1,3

Sabem, quando aceitamos Jesus como Salvador, significa que já não seremos julgados no Juízo Final. O nosso julgamento é na Cruz, e não pode haver condenação eterna para o pecador que é julgado na Cruz, assim como não houve para o ladrão arrependido, porque o condenado já foi julgado: Jesus tomou na cruz o lugar dos arrependidos!

Este jovem soldado amava as notícias que Jesus tinha vindo trazer a esta Terra. Ele sabia que a vinda de Jesus à Terra era o modo de Deus dizer: "meus filhos, vocês são tão importantes para mim, sim, cada um individualmente. Quero conhecer cada pessoa que nasce na Terra, quero ter uma relação pessoal com cada pessoa, e quero que Me aceitem para que possamos desfrutar juntos a vida eterna". O soldado queria estar no livro de Deus, no livro da vida!

Que triste haver tanta gente, gente tão boa, gente que se preocupa com a família, não querem que nada falte aos seus filhos. Mas esquecem o presente que o Pai do Céu tem para oferecer aos Seus filhos. Quem é o pai ou mãe que não ficaria triste se os filhos recusasse m os seus presentes... mas estão tão pouco preocupados com o presente de vida que o Pai do Céu tem para cada um?!

Deus percorreu grandes distâncias para nos dar segurança sobre como podemos ter esperança além da morte. Vejam o que o Salvador disse: "Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.” João 5:24

O apóstolo Paulo diz o seguinte sobre o Filho de Deus: "a imagem do Deus invisível" e continua: "porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis..." Colossenses 1:15,16

Jesus Cristo é o Criador. É Ele quem nos dá a garantia da vida eterna. Foi Ele quem fez todas as criaturas que povoam a Terra. Ele é Aquele que formou Adão do pó da terra. E amigo, Ele é aquele que nos chamará de novo do pó, nos levantará da morte e dará a vida eterna pelo Seu poder! Ele pode fazer isso.

Homens e mulheres que enfrentam os horrores de ver um filho morrer, a esposa, o marido, o pai a mãe, ou um irmão ou irmã descer ao túmulo precisam saber a verdade luminosa de Deus, a verdade que traz paz! Como é difícil para a mãe, irmão ou esposa que choram um ser querido que morreu, agarrar-se à esperança, se continuam a crer que este ente querido anda a errar no espaço, entre o céu e a terra! Como podem agarrar-se à esperança, se não lhes ensinaram as coisas correctas? O correcto é o que diz a Palavra Santa. Esta é a única Palavra Santa!

Há pessoas a quem foi ensinado que os mortos podem andar errantes, tristes, a sofrer porque têm alguma coisa a pagar, que querem falar com a família porque têm algum pecado a espiar!

Há uma passagem bíblica que nos ilumina: “Porque os vivos sabem que hão-de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma… mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento. O seu amor, o seu ódio e a sua inveja já pereceram… Tudo o que te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, pois na sepultura, para onde vais, não há obra, nem projectos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.” Eclesiastes 9:5,6,10

Jesus virá no dia final, para julgar os vivos e os mortos mas os que tiverem o nome no Livro da Vida, Jesus os chamará como chamou Adão e como chamou Lázaro que esteve morto quatro dias, já cheirava mal, estava em decomposição. Jesus pode criar do nada. O segredo para ter vida eterna é ter o nome no Livro de Deus. Não procure a imortalidade numa alma imperecível; não tente ouvi-la no sussurrar de algum espírito, porque então o que ouvirá é a voz do inimigo, a voz do Acusador, do Enganador.

Pense comigo, “quem tem o Filho tem a vida, quem não tem o Filho não tem a vida.” I João 5:12 Já sente o Filho de Deus no seu coração?

Vou abordar um outro aspecto. Algumas pessoas perguntam: Qual é o tipo de vida que existirá depois da sepultura, quando Jesus vier para nos ressuscitar para a vida eterna, a nós que estivermos no livro da vida?

Quando Deus soprou o fôlego da vida em Adão, ele tornou-se um ser consciente. O grande engano que Satanás tem espalhado é o seguinte: fazer acreditar que a imortalidade é algo gerada dentro de nós.

Esta ideia não sugere vida após a morte, mas o contrário, sugere morte após a morte. As Escrituras oferecem uma figura bastante definida da vida eterna no Céu com Deus e com nossos entes queridos. A Bíblia fala dum lugar real para a vida real com relacionamentos reais. A vida recomeçará num tempo concreto e preciso, no tempo cronológico.

O apóstolo Paulo, ao explicar à Igreja como será a Segunda Vinda de Jesus, diz: "...nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade.” I Coríntios 15:51-53

As Escrituras não dizem que flutuaremos para dentro das nuvens. A Bíblia diz que Cristo nos recriará e seremos revestidos com a imortalidade. Será aí que o dom da vida eterna se transformará numa realidade física. Do pó da sepultura nos levantaremos para a vida eterna, pensando, sentindo como seres humanos completos, libertos do corpo de pecado que agora temos. Isto não será uma experiência extracorpórea.

Paulo descreve-a de maneira maravilhosa: "Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. ...Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo carnal (tendência a pecar), ressuscitará corpo espiritual." I Coríntios 15:42-44

Cristo, o Criador, nos dará novos e maravilhosos corpos na Sua vinda, corpos infinitamente melhores que os que temos agora, corpos que, como Paulo diz "terão a semelhança do homem do céu". Esta é a esperança que a Palavra de Deus oferece a cada um de nós. E esta é a esperança que o nosso mundo precisa desesperadamente. Idosos e adultos, jovens e meninos devem saber que há uma ressurreição, uma ressurreição para a vida física real.
Quem perdeu os seus familiares pode ter a certeza que existe um Céu, um Céu verdadeiro onde encontraremos os nossos queridos.

Numa guerra, quase há dois séculos, numa época em que os exércitos de Napoleão atacavam quase toda a Europa, um dos generais de Napoleão fez um ataque surpresa à pequena cidade de Feldkirch, localizada na fronteira da Áustria. O povo olhava pelas janelas e via um enorme grupo de soldados franceses a marchar pelas lindas colinas perto da cidade.

Um conselho de cidadãos foi convocado às pressas e começou a debater nervosamente se deveriam render-se imediatamente ou tentar alguma defesa. A situação parecia desesperadora. Mas o velho pastor da igreja levantou-se diante do conselho e declarou:

"Hoje é o dia da Páscoa. Estamos a contar com as nossas forças e elas são insuficientes, fracassaremos. Hoje é o dia da ressurreição do Senhor. Vamos realizar o culto e tocar os sinos como de costume e deixar o problema nas mãos de Deus. Conhecemos as nossas fraquezas e não o poder de Deus".

Aquelas palavras produziram um grande efeito naquelas pessoas em Feldkirch. Decidiram aceitar o plano do pastor. Ele pregou e depois subiu à torre da igreja e todos ouviram os sinos tocarem alto e claro anunciando alegremente a ressurreição do Salvador. E aquele som ecoou pelos vales e colinas até que as tropas francesas ouviram.

Preparavam os canhões e colocavam as baionetas. Os oficiais concluíram que aquele toque repentino dos sinos significava que o exército austríaco tinha chegado durante a noite. Rapidamente levantaram o acampamento e fugiram para França. O perigo tinha passado antes dos sinos da Páscoa pararem de tocar.

Amigo, não existe melhor notícia no mundo do que a notícia da ressurreição de Cristo. Somente este evento pode dar esperança às pessoas, mesmo no meio dos horrores da guerra. Somente esse evento nos oferece a oportunidade de vida real, de vida eterna para além do túmulo.

Há dois mil anos atrás as mulheres que acompanharam Jesus do Calvário ao sepulcro onde foi sepultado, ficaram surpreendidas no domingo de Páscoa. Elas queriam ungir o corpo de Jesus, mas vejam o que aconteceu: “As mulheres que tinham vindo com Ele da Galileia, seguiram a José e viram o sepulcro, e como o corpo fora ali depositado. Então voltaram e prepararam especiarias e unguentos. E no Sábado repousaram, conforme o mandamento. No primeiro dia da semana bem cedo, elas foram ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado. Acharam a pedra removida do sepulcro, mas quando entraram, não encontraram o corpo do Senhor Jesus.” Lucas 23:55-56 a Lucas 24:1-3

Às vezes tenho a ideia que aquelas mulheres não foram muito corajosas enquanto Jesus levava a cruz a caminho do Calvário! Parece-me que caminhavam de forma apática, abúlicas seguem os acontecimentos. Muitas vezes isto acontece connosco, temos consciência que deveríamos fazer qualquer coisa, devemos tomar uma decisão por Jesus e seguir-Lhe as pegadas, mas parece que Satanás nos paralisa!

Porém depois que Jesus foi sepultado, estas mulheres deixaram despertar todas as suas energias de fé. Foram zelosas na observância dos mandamentos que Jesus observou. E o Sábado foi o primeiro mandamento que observaram depois do Senhor Jesus ter sido sepultado.

Depois, e assim que o primeiro dia da semana despontou, muito cedo, dirigiram-se para o sepulcro, reanimadas e fortalecidas na fé e no amor genuíno que sentiam por Jesus. Ignoravam o que se tinha passado. Entretanto, aproximaram-se do horto, dizendo: “Quem nos revolverá a pedra do sepulcro?” Sabiam que não lhes era possível afastá-la, todavia continuaram. E eis que os céus se iluminaram com uma glória que não provinha do Sol nascente. A Terra tremeu. A pedra tinha sido removida. O sepulcro estava vazio.

Enquanto se demoravam por ali, perceberam que não estavam sós. Viram um jovem de vestes brilhantes sentado ao pé do túmulo. Era o anjo que rolara a pedra. Tomara a forma humana, a fim de não atemorizar estas amigas de Jesus. Todavia, brilhava ainda à sua volta a glória celestial, e as mulheres temeram. Voltaram-se para fugir, mas as palavras do anjo detiveram os seus passos. “Não tenhais medo”, disse ele: “pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde ver o lugar em que o Senhor jazia. Ide pois, imediatamente, e dizei aos Seus discípulos que já ressuscitou dos mortos.” Mateus 28:5-7

“Ressuscitou! Ressuscitou!” As mulheres repetem e tornam a repetir as palavras. Não há, pois, necessidade de unguentos para a unção. O Salvador está vivo, e não morto. Que dia é este para o mundo! Pressurosas, as mulheres afastam-se do sepulcro e “com temor e grande alegria, correm a anunciá-lo aos Seus discípulos.”

Maria foi ao sepulcro e encontrou-o vazio. Foi ter com Pedro e João, levando a dolorosa mensagem: “Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde O puseram.” João 20:2

Os discípulos correram para o túmulo e acharam que era como Maria dissera. Viram o sudário e o lenço, mas não encontraram o seu Senhor. Encontrava-se ali o testemunho da Sua ressurreição. As roupas do sepultamento não estavam atiradas com negligência, mas cuidadosamente dobradas, cada uma num lugar à parte. João “viu e creu”. Ainda não compreendia a escritura que dizia que Jesus devia ressuscitar dos mortos, mas a voz da fé falou no seu coração, e compreendeu. Jesus ressuscitou!

Prezados amigos, já alguma vez vos aconteceu, não compreenderem a Palavra de Deus, mas sentirem a voz da fé que diz: “Este é o caminho da verdade”? E quanto mais ouvem e se aprofundam na Palavra de Deus, mais e mais essa fé é forte e vigorosa. Já vos aconteceu não serem guiados pela opinião pública, mas pela bússola de Deus?

Pedro e João voltaram para Jerusalém, Maria ficou. Ao olhar o interior do túmulo vazio, o coração encheu-se-lhe de dor. Olhando para dentro, viu dois anjos, um à cabeceira, outro aos pés do lugar onde Jesus jazera: “Mulher, por que choras?” Perguntaram-lhe os anjos e ela imediatamente responde: “Porque levaram o Meu Senhor,” disse ela, “e não sei onde O puseram.”

Eu não critico Maria. Ela amava o Senhor Jesus. Ela tinha sido perdoada dos seus pecados, todos a tinham abandonado e quiseram mesmo apedrejá-la. Ela foi uma mulher da vida, uma mulher desprezada. Ela sentiu-se ninguém. Ela sentia vergonha dela própria. Mas Jesus foi o Único que não a condenou, o Único que lhe abriu os braços e onde ela pôde encontrar refúgio e a sua dignidade. Eu não critico Maria, ela amava Jesus. Alguém esta noite sente amor por Jesus? Alguém esta noite era capaz de continuar ali junto ao túmulo? Eu era!

Então se você pode estar junto ao túmulo, pode ouvir a voz: “não chores”. Os olhos dela choravam, procurava Deus ao longe. Porém, de repente, descobriu Deus perto dela. Ela voltou-se para se afastar, mesmo dos anjos, pensando encontrar alguém que lhe dissesse o que fora feito do corpo de Jesus. Foi quando ouviu uma outra voz, que lhe perguntou: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” João 20:15

Através das lágrimas que lhe obscureciam os olhos, Maria viu a figura de um Homem e pensou que fosse o hortelão, o dono daquele horto. E disse: “Senhor, se tu O levaste, dize-me onde O puseste, e eu O irei buscar.” João 20:15

Havia um sepulcro que a voz do próprio Jesus deixara vago: aquele em que Lázaro jazera. Esse sepulcro de Lázaro estava vazio porque Jesus tinha ressuscitado o seu irmão. Ela poderia levar para lá o Seu Senhor. Sentiu que cuidar desse precioso corpo crucificado seria uma grande consolação para a sua mágoa.

Mas agora, na Sua voz familiar, Jesus diz-lhe: “Maria!” João 20:16 Imediatamente ela percebeu que não era um estranho que a ela se dirigia e, voltando-se, viu diante de si o Cristo vivo. Na sua alegria, esqueceu-se que Ele fora crucificado. Saltando para Ele, como que para Lhe abraçar os pés, como já o fizera no passado, ela disse: “Raboni”. Mas Cristo ergueu a Sua mão e disse: “Não Me detenhas, porque ainda não subi para Meu Pai. Mas vai para Meus irmãos, e dize-lhes que Eu subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus.” João 20:17

E Maria pôs-se a caminho para ir ter com os discípulos, com aquela alegre mensagem. Jesus subiu às Cortes Celestiais, e ouviu do próprio Deus a afirmação de que a Sua expiação pelos pecados dos homens fora completa, de que por meio do Seu sangue todos poderiam obter a vida eterna. O Pai ratificou o concerto feito com Cristo, de que receberia os homens arrependidos e obedientes e que os amaria como ama a Seu Filho. Jesus foi ouvir isto da boca do Pai do Céu “O varão será mais precioso que o ouro, e o homem sê-lo-á mais que o ouro acrisolado.” Isaías 13:12

O antigo código legal dos hebreus tinha um princípio fundamental que regulamentava o direito de defesa do acusado. Porque, nos tempos do Velho Testamento, a defesa do acusado era um dever tão sagrado, que o juiz se recusava a delegar esta tarefa a um advogado. Ele mesmo fazia a defesa do acusado. A enciclopédia judaica explica que: “advogados de defesa são desconhecidos no direito judeu.” O código legal pedia que os juízes “se inclinassem sempre para o lado do acusado e lhe dessem o benefício possível da dúvida.”

Imaginemos: testemunhas do crime apresentavam a acusação, enquanto o juiz promovia o caso do acusado, sempre a favor de uma absolvição. Somente quando as provas eram tão evidentes que o juiz não tinha a menor dúvida que o acusado era culpado, é que ele abandonava a defesa e pronunciava a condenação. Sistema interessante, não acha?

Nos nossos tempos, nos tempos cristãos, criou-se um outro ensinamento e por isso muitos cristãos temem enfrentar Deus como seu Juiz. Se ao menos entendessem o método bíblico de julgamento, eles perceberiam que Ele está do nosso lado!

Jesus não quis que Maria Lhe tocasse sem antes ir à presença do Pai para ouvir dos lábios santíssimos, que o Pai estava juntamente com o Santo Filho do lado do ser humano que pecou, mas que se arrepende sinceramente. A questão fundamental é esta, quem nos acusa? Se Deus Pai e Deus o Filho nos defendem, quem nos está a acusar? Sim, acertou – o diabo! A Bíblia diz: “aquele que acusa os irmãos”, aquele que “nos acusa perante Deus dia e noite,” como podemos ver em Apocalipse 12:10

Satanás está com ciúmes, porque aqueles que aceitam a defesa de Jesus irão para um lugar onde ele já foi o anjo mais importante, o príncipe dos anjos: o Céu. Por isso, ele acusa os filhos de Deus de serem inaptos para passarem pelos portões de pérolas. Se ele vai ser destruído porque Deus quer acabar com o pecado e com a morte, Satanás diz: SLIDE 0050 “o ser humano está do meu lado. Também pecaram e devem sofrer o meu destino. Eles não são merecedores.”

Realmente nós não somos merecedores! Então como é que iremos escapar das acusações do inimigo? Observe o que está escrito em Apocalipse 12:11 “e eles o venceram pelo sangue do Cordeiro.”

Deus não pode negar a alegação de Satanás de que somos imperfeitos, que estamos longe do Seu ideal. Mas no sangue derramado na Cruz do Calvário, o nosso Juiz encontra as provas de que precisa para nos defender e nos declarar inocentes.

Portanto, em nome de Cristo, Deus rejeita as acusações de Satanás. Ele endossa a promessa de salvação que nós vivemos em Jesus desde que O aceitamos. Esta compreensão do julgamento de Deus faz-nos sentir confiantes quanto à nossa salvação em Cristo. Emocionante! Não acham?

Apelo: Meu amigo, minha amiga! “Porque choras?” Foi a pergunta que Jesus fez a Maria. Esta noite Jesus ainda faz a mesma pergunta: “Porque choras?” Ainda não confiou a sua vida a Jesus? Se ainda não colocou a sua fé no Seu sangue salvador, apelo de todo o meu coração para que o faça hoje, agora, neste mesmo instante! Porque a vida é efémera e sem Cristo não há vida eterna!
Pr. José Carlos Costa

Música Débora
TEMA QUANDO ESTÁS AQUI

Quando estás aqui, tudo é diferente
Teu amor nos move a Te adorar
Quando estás aqui, Teu poder transborda
Tudo é tão precioso neste lugar

Coro
Calma e paz envolvem nossa casa
Como se o tempo aqui parasse,
Contigo.
Fica bem aqui, bem ao nosso lado
Seja eterno o tempo quando estás aqui.

Calma e paz envolvem nossa casa
Como se o tempo aqui parasse,
Contigo.
Fica bem aqui, bem ao nosso lado
Seja eterno o tempo quando estás aqui
Seja eterno o tempo quando estás aqui.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

DO JARDIM À MONTANHA




















PRECE: Senhor Deus nós nos achegamos a Ti, nosso compassivo Redentor; e rogamos-Te, por amor de Cristo, por amor do Teu próprio Filho. Nosso Pai, que manifestes o Teu poder entre os que se achegam a Ti. Precisamos de sabedoria; precisamos da verdade; precisamos que o Espírito Santo esteja connosco, esta noite e sempre. Por Jesus. Amém.

Começa com uma sensação de desapontamento. Depois sentimos uma sensação de cansaço. Cada coisa que temos que fazer exige um esforço enorme. As pessoas tentam animar-nos, mas quanto mais tentam, mais necessidade sentimos de nos isolarmos num mundo estranho, no qual nem aos nossos queridos permitimos a entrada. Sentimo-nos como que empurrados para dentro de uma prisão escura. Tentamos combater essa tristeza que nos domina, desejamos desesperadamente encontrar alguma saída, mas a sensação de desânimo exaure toda a energia que resta. A escuridão estende-se por todos os lados e sentimos que nos afundamos cada vez mais no poço sem fundo que é a depressão.

Vivemos num mundo cheio de percalços, de tragédias, de tropeços. Existem muitas bordas afiadas nesta vida que cortam e que mutilam. Mas sabe, existe uma borda afiada que, ao que parece, fere as pessoas mais do que qualquer outra coisa. Os especialistas concluíram que a depressão produz mais sofrimento do que qualquer outra doença. Quem diria que as tristezas possam ser tão prejudiciais? O Instituto de Saúde Mental nos Estados Unidos informou que no ano 2000 mais de 500 mil pessoas foram hospitalizadas por depressão. Os profissionais estimam que há 4 a 8 milhões de pessoas que sofrem de depressão, não identificados e por isso não tratados.

Existem coisas definidas que podemos fazer para eliminar os efeitos mais prejudiciais da depressão e evitar que ela nos destrua. Há também um livro na Bíblia que é, de facto, uma excelente arma que podemos usar contra a depressão. Parece feito sob medida para combater este problema de saúde. Não, não vos vou dizer já o nome do livro.

O que se sabe é que a depressão normalmente está ligada a uma perda que tivemos. Perda de um ente querido, perda de uma oportunidade de emprego, perda da auto-estima.

A depressão é em essência uma reacção à perda, uma sensação de desapontamento. Um médico resumiu as raízes da depressão a "uma sensação de estar encurralado". Ele observou muitas pessoas que eram incapazes de sair de situações intoleráveis e que se afundaram na depressão.

Uma coisa que precisamos saber é que existe vários tipos de depressão. Para algumas pessoas, esta aflição parece ter uma relação biológica ou química. Alguma coisa está em desequilíbrio no corpo. Alguns casos graves e duradouros de depressão melhoram com medicação.

Mas para outras pessoas, esta aflição parece estar ligada a ferimentos emocionais. Foram provocados na infância e esses ferimentos psicológicos ganharam raízes profundas e podem resultar em crises muitos graves.

Eu vou abordar o tipo mais geral de depressão que nos atinge e que definimos por "estar em baixo". Conseguimos sobreviver, mas o mundo ao nosso redor parece muito sombrio. Que quer dizer, “estar em baixo”? O Dr. Tim Lahaye, conselheiro cristão, apresenta algumas ideias que nos podem ajudar.

Ele observou um ponto comum entre as muitas pessoas que o consultam com depressão. Para a maioria das pessoas, a entrada na depressão é a passagem por três portas: a entrada numa, pode dar entrada nas duas seguintes, que vão alterar os estados de alma. É o que se chama “estar depressivo ou deprimido”. A primeira porta é um sentimento de Perda ou de Desapontamento, desgosto profundo: pode ser provocado pelo sentimento de rejeição, injúria, insultos, coisas deste género. O segundo estado – é um sentimento de Raiva (revolta), consequência do primeiro. Na terceira entrada, somos possuídos por um sentimento de Tristeza: Então teríamos: sentimentos de Perda+Raiva+Tristeza = (igual a) Depressão.

As depressões acontecem porque encontram um terreno fértil, o pensamento. O terreno da depressão é o nosso pensamento. Habituamo-nos a pensar e repensar sempre na mesma coisa (a remoer). As depressões crescem no cérebro. Assim, para eliminarmos a depressão temos que eliminar hábitos errados do pensar. Isto não é fácil, mas através da graça de Deus é possível!

Um homem experimentou esta divina graça de forma profunda. Foi o apóstolo Paulo, e ele escreveu uma epístola (o tal livro) que apresenta o segredo da cura. Eu estou convencido que ele terá ouvido dos apóstolos que conviveram com Jesus, que o Senhor praticava diariamente esta terapia e por isso Jesus foi o Homem mais equilibrado que já viveu sobre a Terra. A epístola escrita por Paulo é a carta aos Filipenses. Aconselho-vos a ler este livro da Bíblia regularmente.

Filipenses é um daqueles pequenos livros da Bíblia. Foi escrito no escuro de um calabouço romano. O apóstolo Paulo estava preso quando escreveu. As prisões não são agradáveis actualmente, mas eram piores naquela época: escuras, húmidas, não eram mais do que cubículos frios de pedra, muitas vezes subterrâneos. Cheguei a visitar esta prisão em Roma.

Os prisioneiros eram, em geral, acorrentados à parede, ou a um tronco e recebiam comida apenas para sobreviverem às muitas agressões que lhe eram infligidas pelos guardas ou carcereiros insensíveis. O enérgico e sempre activo Paulo deve ter sentido aquelas paredes de pedra fecharem-se lentamente em torno dele. Ele teve que lutar contra a sufocante tristeza do seu isolamento, teve que encontrar um meio para não entrar pela primeira porta, um meio para afastar o sentimento de perda de desapontamento, desgosto profundo. ¿Não acham que ele, um homem tão activo que tinha servido tão fielmente a Jesus e a Sua amada igreja, agora ao encontrar-se numa prisão tão fria e húmida, tinha mil razões, mais que suficientes, para entrar pela primeira porta? O desgosto, o desapontamento! Ele podia pensar: Será que Deus ainda me ama? Será que continuo a ser uma pessoa escolhida por Deus? Será que o Senhor ainda olha para mim? Será que fiz alguma coisa errada aos olhos de Deus e Ele abandonou-me? Por que razão estou aqui no meio deste calabouço sozinho?

Mas ele encontrou um meio para não entrar por esta porta que seria muito pior que a prisão feita de pedras frias! Sabem o que é que ele fez? Uma coisa impressionante! Escreveu. Ele escreveu uma carta incrível, uma carta repleta de graça e gratidão! Ele começa: "Graça e paz a vós da parte de Deus nosso Pai e da do Senhor Jesus Cristo". Filipenses 1:2

E vejam como a carta termina: "A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós." Filipenses 4:2. Se alguém se sente perto de entrar por esta porta, escreva a alguém que o magoou, como fez Paulo!

A epístola aos Filipenses começa e termina com graça. A graça domina! Paulo teve que organizar os seus pensamentos ao andar de um lado para o outro naquele espaço exíguo, sobre a palha suja da cela. Ele percebeu que não estava numa prisão, abandonado! Ele sentia a presença de Deus e dos anjos. E refugiou-se na graça de Deus!

O amor de Deus, o interesse de Deus por ele estava em primeiro lugar na mente do apóstolo. Paulo não deixou os seus pensamentos afundarem-no na escuridão das circunstâncias e entrar pela segunda porta que é o sentimento de Raiva (revolta). Ele não deixou a ansiedade, o ressentimento e a raiva dominarem-no; em vez disso, ele fez o que aconselhou aos Filipenses: "Não estejais inquietos por coisa alguma, antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas, diante de Deus, pela oração e súplicas, com acção de graças". Filipenses 4:6

Paulo colocou a sua situação/circunstância depressiva nas mãos de Deus. Ele orientou o seu problema na direcção do Céu e quando fez isso, começou a sentir a luz entrar através da janela da sua própria tristeza. Ele viu que a graça de Deus era a solução para os seus problemas actuais. O apóstolo conseguiu escrever: SLIDE 0013 "As coisas que me aconteceram contribuíram para o progresso do evangelho". Filipenses 1:12

Como resultado desta prisão, Paulo dava testemunho do amor de Deus, e muitos daqueles que um dia o tinham ouvido, mas que não tinham aceite a Jesus como Salvador, aceitavam-n’O agora! Por isso disse o que lemos no ecrã. Isto é que era importante para ele: que homens e mulheres decidissem aceitar Jesus como Senhor! Ele sabia que os cristãos, ao receberem a sua carta estariam animados, e partilhariam a fé, ainda com mais fé e coragem! 13

Esse prisioneiro olhou através das grossas paredes de pedra ao seu redor e viu a graça de Deus que operava maravilhosamente. Ele sabia que outros a quem ele tinha transmitido o Evangelho da Salvação, continuavam a pregar e anunciar que Jesus é o Senhor. E ele regozijou-se com isso. Essa percepção da graça de Deus ajudou o Apóstolo a eliminar a depressão. De outro modo, teria caído no desalento. Orientou o seu pensamento para além de si próprio, pensou noutras pessoas, sentiu que fazia parte de um movimento de vida e salvação.

Esta epístola não diz quase nada das terríveis condições da prisão de Paulo, mas fala muito sobre o relacionamento deste santo homem com os Filipenses. Chama-lhes "irmãos que eu amo e sinto saudades". O seu maior desejo era que permanecessem firmes na fé, que o amor aumentasse, que pudessem brilhar como estrelas. Pense nisso!

Num calabouço daqueles, Paulo derramava graça às pessoas e ânimo junto das pessoas que viviam em liberdade. Ele empurrava para trás as paredes que o podiam esmagar com as armas da graça de Deus: A Fé e plena Confiança! Ele não estava na prisão, ele estava na graça de Deus. Isto leva-nos à segunda grande arma que Paulo usou para limpar a depressão do seu coração. No início da sua epístola, maravilhosamente encorajadora, ele diz: "Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós". Filipenses 1:3

Paulo exprime-se em oração, em gratidão. Qualquer pessoa que lê esta epístola percebe de imediato quantos motivos o escritor acha para agradecer. Ele regozija-se com o crescimento da fé dos Filipenses; regozija-se que Cristo seja pregado; regozija-se porque é um cidadão a caminho duma Pátria melhor, o Céu; regozija-se em Cristo que Se humilhou a Si mesmo; regozija-se no Deus Todo-Poderoso que pode manter tudo sob o Seu domínio!

Estas são as coisas que Paulo escreve, estas são as coisas pelas quais ele é grato. Não existe uma só nota de mágoa e tristeza em toda esta carta. Paulo estava muito grato por tudo isso, não havia lugar para reclamações. A sua gratidão era tão profunda que ele se detinha a apreciar o amor inesquecível: "Regozijai-vos sempre no Senhor. Outra vez digo, regozijai-vos". Filipenses 4:4

A cela de Paulo era sufocante e pequena? Sim, mas o seu Deus era grande! A cela era depressivamente escura? Sim, mas Deus era a sua luz perfeita! Há sempre muitos motivos para nos regozijarmos no Senhor!

A gratidão ajuda a desminar a depressão. A gratidão dá-nos uma valiosa perspectiva, ajuda-nos a colocar a cabeça acima dos problemas. Começamos a encontrar soluções através da gratidão. Paulo aprendeu a encontrar soluções em todas as circunstâncias. Por isso aconselha: “Antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas, diante de Deus, pela oração e súplicas, com acção de graças". Filipenses 4:6

Há anos visitei uma Biblioteca de renome mundial. Lá encontram-se livros originais da Bíblia. E foi esse o motivo que me levou a este local. Quando me maravilhava na apreciação destes manuscritos, reparo num quadro de estilo medieval, em que uma pessoa está numa posição de oração, de joelhos e a parte do tronco muito inclinada para a frente. Tinha uma túnica que lhe cobria parte da cabeça e dava a entender que quem orava era Jesus. O quadro tinha uma frase escrita pelo pintor que dizia: “Vaccare Deo”. Não me foi difícil captar o sentido destas duas palavras: Orar é estar a sós com Deus. Queridos amigos, será que poderemos imaginar Jesus a orar?

Imaginemos por instantes os momentos que precederam a Sua prisão! Como era o Seu costume, Jesus vai para o Getsémani. Esta noite pascal está clara, as estrelas brilham num céu sem nuvens. Esta noite Jesus não caminha tão apressadamente como é o Seu costume. O Salvador fez vagarosamente o caminho. Fala com os Seus discípulos, dá-lhes instruções sobre o que irá acontecer nas próximas horas. De repente fica estranhamente silencioso. Viera muitas vezes a este jardim para meditar e orar; mas nunca com o coração tão cheio de tristeza como nesta noite, a noite da Sua agonia! Porque sente o nosso amado Salvador esta agonia?

Porque durante toda a Sua vida na Terra, na terra dos homens perdidos, Ele andara na presença de Deus, sentia o calor dos olhos do Pai. Quando em conflito com Satanás ou com os que por ele se deixavam manipular, Jesus podia dizer: “Aquele que Me enviou está comigo; o Pai não Me tem deixado só, porque Eu faço sempre o que Lhe agrada.” João 8:29

Agora, porém, parecia estar excluído da luz da mantenedora presença de Deus. Meu amigo, já sentiu este sentimento? Já alguma vez sentiu que Deus está longe? Então pode compreender o que Jesus sentiu naquela hora!

Por que razão pesava este sentimento sobre o coração de Jesus? Porque como nunca antes na Sua vida, esta noite Ele associa-Se totalmente com os pecadores. Meu Deus, vou dizer qualquer coisa de tão grave mas de verdade total: esta noite Jesus tornou-Se o maior dos pecadores. Nunca antes houve um pecador tão grande como Jesus, nunca voltaria a haver um pecador como Ele neste mundo! A iniquidade de todos nós começa a pesar sobre o Seu terno coração que nunca pecou.

E ao sentir o peso do pecado, é possuído por um sentimento mais aterrador. A pressão de que o pecado O pudesse separar para sempre do amor do Pai. Jesus exclama: “A minha alma está profundamente triste até à morte.” Sim, Jesus viveu por horas essa sensação da depressão! Ele pode compreender o que sente aquele que passa por este problema!

Eis como uma grande escritora cristã descreve este momento: “Ao aproximar-se do jardim, os discípulos notaram a mudança que se operara no seu Mestre. Nunca antes O tinham visto tão indizivelmente triste e silencioso. À medida que avançava, mais se aprofundava esta estranha tristeza; mas eles não ousavam interrogá-l’O quanto à causa da mesma. O Seu corpo cambaleava como se estivesse prestes a cair. Cada passo que dava, fazia-o com extremo esforço. Gemia alto, como sob a pressão de SLIDE 0024 terrível fardo. Por duas vezes os companheiros O sustiveram, caso contrário teria caído por terra.” O Desejado de Todas as Nações, p. 746 – Ellen White

Jesus olha os discípulos e diz: “Ficai aqui, e velai comigo”. O abismo era tão grande, tão negro, tão profundo, que o Seu espírito tremeu diante dele. Para escapar a esta agonia, não podia exercer o Seu poder divino. Cumpria-Lhe sofrer as consequências do pecado do homem, como homem!

Estava perante a maior de todas as tentações: abandonar a raça humana ao seu próprio pecado, à morte eterna, ou solidarizar-Se com o pecador e permitir que a justiça de Deus, a palavra proferida no Éden, se cumprisse cabalmente e definitivamente: “No dia em que dele comeres certamente morrerás”. Esta sentença não pode ser alterada porque a palavra que sai da boca de Deus é imutável. Jesus morreu a morte eterna, a morte do homem. Resistiu ao Diabo e não pecou. Desta forma, colocou à disposição de todo o ser humano, a vida eterna que é d’Ele porque não pecou.

Como substituto e refém do pecador, Cristo estava a sofrer sob a justiça divina. Viu o que significava a justiça. Até então, tinha agido como intercessor por outros; agora ansiava que alguém intercedesse por Ele: “Ficai aqui, e velai comigo.”

Quando Jesus sentiu a Sua unidade com o Pai interrompida, temeu que, na Sua natureza humana, não fosse capaz de resistir ao conflito com os poderes das trevas. No deserto da tentação, e no lago, estivera em jogo o destino da raça humana. Jesus saíra então, vitorioso. Agora o tentador viera para a derradeira e tremenda luta. Satanás sabia que se falhasse aqui, o seu desejo de domínio sobre a Terra estava em jogo para ele. O mundo tornar-se-ia possessão de Cristo.

É tão intensa a luta que acontece o inacreditável, o nunca visto: SLIDE 0026 ”Apartou-Se deles cerca de um tiro de pedra e, pondo-¬
-Se de joelhos, orava, dizendo: Pai, se queres, passa de Mim este cálice, todavia não se faça a Minha vontade, mas a Tua. Então Lhe apareceu um anjo do céu, que O confortava. Em agonia, orava mais intensamente. O Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão.” Lucas 22:41-44

Jesus não deixou de orar do Jardim até ao Gólgota. Perante as falsas acusações ficava em silêncio, mas esta intensidade de oração não parava. No Gólgota, quando escarnecido, maltratado, ainda orava: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.” Lucas 23:34

Não orava por Ele, orava pelos pecadores. Orava por mim, orava por si! Querido amigo, já orou por uma pessoa que lhe fez mal? Jesus orou por aqueles que O maltratavam. Os pecadores como eu maltrataram o meu Senhor. Ele orou por mim!

Será que em Jesus não encontraremos forças para perdoar aos que nos maltrataram? Se sim, porque é que não oramos? Porque então não nos servimos da terapia de Paulo e de Jesus? Não agindo assim, será que somos cristãos?

O que é orar?

Orar é mais que rezar. Quando falamos em rezar, pensamos em repetir uma coisa que foi memorizada. Rezar não é uma coisa que nasça no nosso coração, que vem da alma. Rezar é repetir. Vejamos o que diz Jesus: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falar serão ouvidos.” Mateus 6:7

Quando Jesus estava de joelhos no jardim, prostrado, com o sangue a sair pelos poros até ao chão, será que estava a recitar ou a abrir o coração a Deus?

Orar é quando no silêncio da nossa alma, tal como fez o Apóstolo Paulo, prisioneiro naquela prisão húmida, no chão de palha a cheirar mal, a sentir a necessidade de ouvir os seus irmãos na fé, com o desejo que o Evangelho de Deus fosse anunciado aos gentios, abri-mos o coração para ouvir a voz de Deus. E Deus trazia-lhe conforto e paz.

Este é um assunto muito importante. Talvez um dos mais importantes de toda a Bíblia. Porque orar é dirigir-se a Deus. É como alguém que envia uma mensagem. A mensagem só chega ao destinatário se tiver o endereço correcto. Se nós oramos mal, o endereço está errado.

Orar é um acto de grande intimidade. Eu, pessoalmente, faço diferença entre rezar, prece e orar.

Rezar, como já disse, é recitar. É repetir o que outros inventaram. É como o papagaio que decorou algumas palavras e repete sempre a mesma coisa em todas as circunstâncias.

Prece é o que nós fazemos aqui em público. Vem do nosso coração, é a manifestação pública de um desejo comum. Todas as noites, todos nós queremos a presença do Espírito Santo, para dirigir, instruir e inspirar.

Orar é diferente. É um acto íntimo. Jesus diz assim: “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento (quarto) e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto. E teu Pai, que vê secretamente, te recompensará.” Mateus 6:6

Jesus orou tão intensamente, que pôde em oração, sentir a presença do anjo que veio confortá-Lo, animá-Lo e sustê-Lo. Quando nós oramos desta maneira, o nosso anjo vem e coloca-se ao nosso lado e afasta não só os nossos problemas, as nossas depressões, as nossas desilusões, mas afasta a sombra de Satanás que nos quer esmagar. Não acham isto maravilhoso?

Muitas vezes estou a orar, a sós, em casa, no carro, a caminhar na praia deserta, ou no campo. Começo assim: “Pai querido, necessito de abrir o meu coração. Manda o Teu anjo para junto de mim, preciso estar a sós contigo e não quero que o Diabo ouça. Rogo este favor no nome de Jesus.” Depois fico em silêncio, então começo a falar com Deus, dou-Lhe louvor pelo Seu amor, agradeço porque Jesus veio a esta Terra nascer, viver, morrer e ressuscitar, porque Jesus está à dextra do Pai como meu Sumo Sacerdote e intercede por mim. Apresento a minha família a Deus e peço que a abençoe. Depois fico de novo em silêncio. Então, peço normalmente a Deus, que me ajude pelo Espírito Santo a organizar os meus pensamentos.

Sabem, às vezes temos as coisas tão desarrumadas dentro de nós. É como aqueles armários de roupa, roupa que não está passada a ferro. Nós atiramos a roupa, peça a peça lá para dentro do armário, e as coisas vão ficando desarrumadas. Assim se passam com as coisas dentro de nós.

“Senhor, ajuda-me a arrumar as coisas dentro de mim.” Começo a colocar perguntas a Deus e depois fico em silêncio e ouço a resposta de Deus. Perguntas como esta: “Senhor, o que é que está mal dentro de mim?”

Espero durante alguns momentos, e Deus vai-Se aproximando da minha alma, e diz-me o que é que está mal. Um pecado escondido! Ouço, e não me desculpo.

Outras vezes pergunto: “Senhor, porque estou tão triste e abatido?”
Espero, e Deus vem e diz-me coisas verdadeiras tais como: que sou eu que estou a olhar demasiado para mim, demasiado preocupado comigo. Devo preocupar-me mais com a minha mulher, ou devo agir de forma diferente em relação a um familiar com quem as coisas não andam bem, ou a um amigo! Eu sinto Deus falar-me, sinto a Sua presença! Não a condenar, mas a aconselhar e a revigorar as minhas forças, dando orientação à minha vida!

Esta oração cura. Esta oração é salvadora. Esta oração é a oração da confiança. Não se trata de sentimentalismo. Trata-se de vida. Ouvimos Jesus dizer que nos perdoou os pecados. Já tenho ouvido Jesus dizer: “Levei os teus pecados para a sepultura, ressuscitei e eles ficaram lá enterrados”. Fico tão feliz!

O escritor Powel Davies conta a história de um jovem que estava apaixonado, mas não era capaz de declarar-se à jovem que ele amava. Pretendia que o escritor escrevesse uma declaração de amor. O escritor aconselhou o jovem a dizer o que sentia com as suas próprias palavras, mas o jovem respondeu:

– E se ela me diz que não?

– Então terás a resposta que procuras.

– Mas quando estou com ela fico muito nervoso, e mesmo que me esforce, as palavras não me saem bem – disse o rapaz.

– Não te preocupes – disse o escritor – mesmo se te enganares nas palavras, ela compreenderá que a amas, porque são as tuas palavras. Ela captará a tua ideia e sentimentos.

O jovem seguiu o conselho e foi bem-sucedido.

Muitas pessoas pensam que Deus ouvirá mais seguramente, se for algo escrito por alguém mais sábio ou santo. Mas Deus não quer filhos e filhas papagaios. Quer filhos com sentimentos. Podem enganar-se nas palavras, mas se abrirem o coração a Deus como um menino abre o coração ao pai, Deus ouvirá e trará uma alegria e gozo nunca antes conhecidos!

Apelo: Procurem o caminho que leva a Deus. Não a um Deus qualquer e de qualquer maneira, mas ao Deus que Se manifestou como Pai no rosto tão querido de Jesus. Vão de coração aberto. Recordem-se do abraço afectuoso do pai ao filho pródigo. Lembrem-se que é Deus o primeiro a amar. Apelo esta noite, neste momento a deixarem que Deus vos encontre. A abrir o vosso coração e deixar a paz do Céu entrar. Apelo para que orem como Paulo e Jesus; desta forma o Senhor Jesus Cristo pode curar os problemas e orientar a vossa vida na boa direcção.

Um jovem aceitou Jesus como seu Salvador e Senhor. Uma noite orou e tomou algumas decisões.

Nós vamos apresentar no écran as decisões que ele tomou. Vou perguntar se querem tomar estas decisões aqui na presença de Jesus:

1- Nunca falarei mal de ninguém, e terei presente as minhas próprias imperfeições.

2- Cada dia procurarei ser guiado pela influência do Espírito Santo.

3- Não me deitarei sem antes procurar aprender novos ensinamentos sobre o Reino de Deus, tal como estão revelados na Sagrada Escritura.

4- Ao menos uma vez por dia, vou abrir o coração a Deus em oração.

5- Vou tornar-me um discípulo de Jesus, pondo com a Sua ajuda os Seus ensinamentos em prática na minha vida.

Agora que tomámos estas decisões, ouçamos a Débora e escondamos a súplica no nosso coração. Sairemos daqui esta noite com nova esperança e nova vontade de viver!
Pr. José Carlos Costa

SÚPLICA
Débora Barradas

Ouve, Senhor, a minha prece,
Eu venho aqui Te pedir.
Um Teu favor, alguém que padece,
Que não merece mas quer Teu perdão.

Pois me perdoa, perdoa, Senhor,
Te peço com devoção.
Deste Tua vida morrendo na cruz,
Eu quero ser Teu, meu Jesus.

Quantas vezes eu Te deixei,
Não querendo Te encontrar!
Quantas vezes eu Te magoei, sem pensar!

Quantas vezes me deste a mão
Mas eu não quis aceitar!
Quantas vezes em meu viver
Te fiz chorar!

Pois me perdoa, perdoa, Senhor
Te peço com devoção.
Deste Tua vida morrendo na cruz,
Eu quero ser Teu, meu Jesus.

Pois me perdoa, perdoa, Senhor
Te peço com devoção.
Deste Tua vida morrendo na cruz,
Eu quero ser Teu, meu Jesus.