sexta-feira, 13 de julho de 2012

Como Viver Juntos

Génesis 2:27-28

Vivemos tempos de declínio público e fracasso íntimo. A grande pergunta que todos os que todos os noivos deveriam fazer é esta “Como havemos de viver juntos?”.

O verbo haver no lugar do verbo poder foi propósito, pois saber viver é uma questão de bom senso e não de dever.

Nem sempre um casamento que dura tem valido a pena, mas com certeza aquele que vale a pena dura.

Uma boa parte dos casais cristãos estão juntos por conveniência, medo, mas não por virtude (amor).

Casar dentro da vontade de Deus não é garantia de sucesso. Se vocês pensam ao contrário, perguntem a Adão e a Oseias quando chegarem ao céu. Submeter-se à vontade de Deus para casar é apenas metade do processo, é preciso submeter-se para continuar casado. Então, o que se deve saber, fazer e querer para que o casamento valha a pena?

"Porque o SENHOR teu Deus é um fogo que consome, um Deus zeloso." (Deuteronómio 4 : 24)
I. Abandonem todas as regras se quiserem que a VOSSA relação RESULTE – o casamento não é um problema, é pior que isso, é um mistério. Regras não têm o poder de transformar uma relação. Não somos behavoristas (behavior (EUA): comportamento, conduta), é o conjunto das teorias psicológicas que postulam o comportamento como o mais adequado do estudo da Psicologia.
Lancem fora os manuais, não somos máquinas que precisam de ajustes, mas seres humanos que precisam de graça! Vivam por valores e princípios e não simplesmente por regras!

II. Desapeguem-se um do outro se quiserem viver sempre juntos – duas metades não formam um inteiro. É preciso três para se tornar um.
Que não seja a necessidade, mas a liberdade que vos mantenha juntos. Pratiquem a filosofia do “Eu amo-te, mas sou feliz sem ti”.
Vocês precisam estar satisfeitos em Deus para poderem satisfazer um ao outro. A porta do amor está sempre aberta para ir e para voltar. É aqui que o sentimento de ciúme ganha um novo sentido e passa a ser parecido com o ciúme que Deus sente de nós. Vocês sentirão ciúmes do outro, não por medo de perdê-lo, mas por receio que ele se perca.
(ler) Viver em função do outro não é amor, é idolatria! Amar não é apoderar-se do outro para completar-se, mas dar-se ao outro para completá-lo.

III. Ama o teu cônjuge apesar das suas qualidades – presta atenção que eu não errei não. Eu não disse para tu amares o teu cônjuge apesar dos defeitos que ele tem, mas apesar das qualidades. Afinal, amamos sempre algo e não alguém. Amamos o corpo (eros), mas vem uma doença, a velhice etc, e o nosso amor perece junto. Outras vezes amamos o seu discernimento, a sua coragem, o seu bom humor, a sua sinceridade, o seu romantismo (phileo), mas e se ele perder tudo isso? O que sobra? O amor de Deus (agapao) ama alguém e não algo, ele vai além do corpo e da alma, ele toca o espírito, onde está o ‘EU’ oculto.

Um amigo meu casou com uma mulher 20 anos mais velha que ele e quando o conheci ele tinha uns 50 anos ela 70. Essa diferença de idade fazia muita diferença, e para piorar ela estava doente e ele dizia-me que deixou de ser um marido para se tornar um enfermeiro.
Mas na verdade ele nunca foi um marido, só que nessas horas é que ele deveria revelar-se como tal. Se amarmos somente a aparência ou as qualidades, estamos a colocar-nos na vulnerabilidade, pois sempre haverá quem seja mais belo ou mais virtuoso.
Não é uma questão de compaixão, é uma questão de amor. Não ames o teu marido/esposa porque ele é bom ou belo, mas para torná-lo bom e belo.

O verdadeiro amor diz “preciso de ti, porque te amo”, o amor fraco diz “eu amo-te, porque preciso de ti”. Não ames pela beleza, pois um dia ela acabará. Não ames por admiração, pois um dia desiludir-te-ás. Ama apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação.

IV. Aprendam a morrer se quiserem saber viver – a lição de como viver não está nas escolas ou nas academias. E por mais irónico que seja, somente quem aprendeu a morrer, ou seja, orienta a sua vida sob essa perspectiva do fim, pode começar a viver. Vivam cada dia, não como se fosse a primeira vez, mas como se fosse a última. O nosso maior medo não é mais o de morrer, mas o de morrer sem nunca ter vivido. Mas só viveremos intensamente quando tomarmos consciência da brevidade e transitoriedade da nossa existência.

V.Mais do que dividir a cama, é preciso dividir o coração. Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal. Ser verdadeiro não é o mesmo que ser sincero. Muitos maridos e esposas dividem a mesma cama, mas não o coração. O prazer do sexo é um efeito colateral, não o alvo na relação. Quando o sexo é feito sem reverência e sem honra, ele torna-se lascívia.

VI. Pratiquem a aceitação inconformada – não é o perfeito que precisa de amor, mas o imperfeito. Amar é aceitar o outro como é, mas não deixá-lo como está. O amor é por natureza transformador.
"Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela," (Efésios 5 : 25)

VII. Casamentos acabam não pelo mal que fazemos um ao outro, mas também pelo excesso de bem – cuidado com a necessidade de se sentirem necessários. Não trates o teu marido como um animal de estimação. A finalidade do doar no casamento, não é tornar o outro dependente de nós, pelo contrário, a sua finalidade é tornar-nos supérfluos. Precisamos doar com a finalidade de alcançar a recompensa de que o outro não precise mais de nós.
Conclusões – Lembrem-se que Deus ordenou para amar a esposa, o marido, não para a/o compreender. "Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas." (Colossenses 3 : 19)
Pr. José Carlos Costa

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A MENSAGEM DO TERCEIRO ANJO

Introdução: Apocalipse 14:9-12

"Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome. Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" (Apoc. 14:9-12).

Esta advertência solene é dirigida a cada crente. Convoca a cada um a permanecer firme contra as ameaças de morte do anticristo, e desenvolve a mensagem do segundo anjo de que todas as nações se viram compelidas a "beber o vinho" de Babilónia (Apoc. 14:8): "Se alguém beber o vinho da ira de Babilónia, também terá que beber o vinho da ira de Deus!" O "cálice" simbólico da ira de Deus (Apoc. 14:10; 16:19) era um conceito tradicional nas profecias de juízo de Israel. O "cálice de vinho" na mão de Deus servia como símbolo da sua justiça punitiva.

Até Israel que quebrantou o pacto teve que beber o vinho de sua ira (Jer. 25:15, 16, 17; 49:12; Ezeq. 23:31-34; Isa. 51:17, 22; Sal. 60:3; 75:8). Mas Israel experimentou a taça da ira de Deus só em forma temporária (ver Sal. 60:3; Isa. 51:22). Entretanto, alguns inimigos de Israel tiveram que beber a taça da ira até à sua extinção: "Beberão, e engolirão, e serão como se não tivessem sido" (Ob. 16). "Bebei, embebedai-vos e vomitai; caí e não torneis a levantar-vos..." (Jer. 25:27; também o v. 33).
A aceitação por parte de Jesus da taça da ira divina da mão de Deus no Getsémani pertence à essência do evangelho (Mat. 20:22; 26:39, 42). Declara E. W. Fudge: "Porque ele aceitou aquela taça, o seu povo não tem de bebê-la. A taça que nos deixa [a taça da comunhão] é um recordativo constante de que ele ocupou o nosso lugar (Mat. 26:27-29)". Fudge, The Fire That Consumes, p. 298.

Os adoradores da besta têm que beber a ira de Deus "pura" [em gr., akrátu; "sem diluir", NBE; "sem mistura", CI). Este cálice da ira já não está misturado com misericórdia. Derramar-se-á com as 7 últimas pragas (Apoc. 15:1). Isto significa que todas as pragas de Apocalipse 16 constituem uma parte integral da mensagem do terceiro anjo. Uma expressão hebraica nestes versículos tem desafiado os intérpretes:

"Será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome" (Apoc. 14:10, 11).

A frase "fogo e enxofre" é parte da maldição do pacto, maldição que inclui extinção ou aniquilação (Deut. 29:23; Sal. 11:6). O juízo sobre Sodoma e Gomorra resultou em que "subia da terra fumo como fumaça de um forno" (Gén. 19:23, 28, CI). Também foi o juízo de Deus sobre Edom, um dos arqui-inimigos de Israel (Isa. 30:27-33; Ezeq. 38:22):

"Os ribeiros de Edom se transformarão em piche, e o seu pó, em enxofre; a sua terra se tornará em piche ardente. Nem de noite nem de dia se apagará; subirá para sempre a sua fumaça; de geração em geração será assolada, e para todo o sempre ninguém passará por ela" (Isa. 34:9, 10).

É evidente que a mensagem do terceiro anjo em Apocalipse 14 toma a sua fórmula de maldição especificamente de Isaías 34. A desolação e a extinção histórica de Edom é o modelo ou o tipo da sorte de Babilónia (ver Jud. 6, 7). A natureza deste castigo não reside num tormento eterno como pode ver-se hoje em dia de Edom, a não ser na consequência eterna do fogo: "Subirá para sempre a sua fumaça" (ver Isa. 34:10 e 66:24). O fogo é inextinguível até que tenha completado a sua obra. Nas palavras do E. W. Fudge: "Os ímpios morrem uma morte atormentadora; a fumaça recorda a todos os espectadores que o Deus soberano tem a última palavra. Que a fumaça sobe perpetuamente no ar significa que as mensagens de juízo nunca chegarão a ser antiquadas". Fudge, The Fire That Consumes, p. 296.

A maldição que diz que os que adorem a besta não terão "repouso de dia nem de noite" está tirada de uma maldição específica do pacto sobre um Israel rebelde: "Por isso, jurei na minha ira: não entrarão no meu descanso" (Sal. 95:11). Enquanto o significado original se referia ao repouso de Israel na terra prometida, o Novo Testamento aplica o repouso prometido ao repouso da graça de Deus no qual cada crente deve entrar agora (Heb. 4:3). Este repouso divino esteve disponível desde que Deus descansou no sétimo dia da semana da criação! (Gén. 2:2, 3). "Portanto, ainda fica um descanso sabático para o povo de Deus. Porque o que 'entra em seu repouso' descansa ele também das suas obras, como Deus das suas" (Heb. 4:9, 10, JS; CI; BJ).

O castigo final será o rechaço de Deus de dar repouso aos adoradores da besta. Por outro lado, uma voz celestial anuncia que os "mortos que, desde agora, morrem no Senhor.... que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham" (Apoc. 14:13). Esta bem-aventurança refere-se aos que morrem em Cristo durante as perseguições do anticristo do tempo do fim. A sua perseverança será recompensada. A mensagem do terceiro anjo pronuncia a resposta de Deus à ameaça feita pela besta, como mostra a seguinte comparação.

APOCALIPSE 13:16
"A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte".
APOCALIPSE 14:9, 11
"Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão ... e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome".

Estas correspondências temáticas e verbais entre Apocalipse 13 e 14 indicam que a tríplice mensagem de Apocalipse 14 depende de uma correta compreensão de Apocalipse 13. Entretanto, toda a informação a respeito da besta está exposta na visão do juízo de Apocalipse 17, o que significa que Apocalipse 17 constitui igualmente uma parte interpretativa essencial da mensagem de advertência de Apocalipse 14.

A Marca da Besta

O nosso tema agora é compreender o significado teológico de "a marca da besta". É a marca identificadora do culto de adoração que se rende à besta. "Não se pode ter a marca sem o ato de adoração". (R. H. Charles, The Revelation of St. John, t. 1, p. 360.) A ambição da besta-anticristo de receber adoração divina é a mentalidade de Babilónia. O seu endeusamento próprio entra em conflito com a chamada de Israel a adorar o Criador e Juiz da humanidade (Apoc. 14:7). A mensagem do terceiro anjo é o rogo do céu à humanidade para que se volte para o Criador, ao Deus do pacto de Israel, tal como está revelado nas Escrituras.

O assunto fundamental não é identificar a marca de uma maneira isolada, mas sim vê-la como um ato de adoração à besta e por isso, como uma atitude de idolatria. O terceiro anjo "indica a natureza da usurpação: a besta se apropria das prerrogativas do Deus Criador, e é adorada". Doukhan, Daniel: The Vision of the End, p. 69.

A usurpação das prerrogativas divinas pela besta é seguida pela sua demanda para que a reconheçam por meio da "marca em sua fronte ou em sua mão" (Apoc. 14:9). O seu significado chega a ser claro quando se considera à luz do dever de Israel de atar os mandamentos e as palavras de Deus: "Ata-as à tua mão como um sinal, como um aviso ante teus olhos" (Deut. 6:8; cf. 11:18, BJ). Para Israel, o significado espiritual era evidente: atuar e pensar em harmonia com a vontade de Deus e recordar diariamente a redenção do êxodo (ver Deut. 6:5; Êxo. 13:8, 9).*

Gerhard von Rad faz este comentário sobre o Deuteronómio 6:8: "Provavelmente temos que tratar ainda aqui com uma forma figurada de expressão que mais tarde foi entendida literalmente e levou ao uso dos chamados filactérios"( Von Rad, Deuteronomy, p. 64. ). De fato, Moisés mesmo explicou o propósito moral de atar os mandamentos de Deus a suas mãos e a suas frentes:
"O Senhor, teu Deus, temerás, a ele servirás, e, pelo seu nome, jurarás. Não seguirás outros deuses, nenhum dos deuses dos povos que houver à roda de ti, porque o Senhor, teu Deus, é Deus zeloso no meio de ti, para que a ira do Senhor, teu Deus, se não acenda contra ti e te destrua de sobre a face da terra... Diligentemente, guardarás os mandamentos do Senhor, teu Deus, e os seus testemunhos, e os seus estatutos que te ordenou" (Deut. 6:13-15, 17).
O mandamento do Senhor incluía também a observância ritual da Páscoa e o comer pães sem levedura para comemorar a libertação do Êxodo:

"E será como sinal na tua mão e por memorial entre teus olhos; para que a lei do Senhor esteja na tua boca; pois com mão forte o Senhor te tirou do Egipto. Portanto, guardarás esta ordenança no determinado tempo, de ano em ano" (Êxo. 13:9, 10).
Este histórico da adoração de Israel esclarece o propósito da marca da besta "na fronte e na mão" (Apoc. 20:4). A marca evoca a antítese intencional da adoração de Israel. Representa a essência de um culto falsificado como usurpação e substituição. A besta ameaça com a morte se suas ordens totalitárias são desobedecidas (Apoc. 13:15-17). Promete vida, mas só temporal, a todos os que levem sua marca. R. H. Charles comentou a respeito: "Ambos [o selo e a marca] estavam destinados a mostrar que os que levam as marcas estão sob a protecção sobrenatural: os primeiros sob a proteção de Deus; os últimos, sob a de Satanás". Charles, The Revelation of St. John, t. 1, p. 363. explica mais isto quando diz:

"No Apocalipse, o selo de Deus protege da ira de Deus (Apoc. 15:2, 3; 16:2) mas não da ira da besta (13:15, 17). De maneira similar, a marca da besta protege das sanções económicas (v. 17) e do decreto de morte (v. 15) da besta, embora faça a seus possuidores elegíveis para receber a ira de Deus (14:9-11 )". Neall, The Concept of Character in the Apocalypse with Implications for Character Education, p. 151.

Tanto Cristo como o anticristo desejam a lealdade indivisa dos seus adoradores, a devoção completa do seu pensamento (a "fronte") e de seu atuar (a "mão"). O anticristo pode satisfazer-se com a marca ou na mão ou sobre a fronte, como sugere Apocalipse 13:16 e 14:9 (entretanto, ver Apoc. 20:4).

Uma diferença básica entre os sistemas rivais de adoração é que a besta emprega a coerção, enquanto o Cordeiro emprega a persuasão. A prova final da adoração verdadeira não é crer porque há milagres, os quais podem ser enganosos (Apoc. 13:14; 19:20; Mat. 24:24), e sim crer na "Palavra de Deus e no testemunho de Jesus" (Apoc. 1:9; 6:9; 12:17; 20:4).

A verdade tanto do Antigo como do Novo Testamento é a revelação de que o Deus de Israel é o Criador Todo-poderoso e que ele ordenou o sétimo dia, no sábado, como um monumento recordativo de sua obra criadora (Gén. 2:2, 3; Êxo. 20:8-11; 31:12-17). Este mandamento da criação foi enriquecido como o sinal da redenção de Israel da escravidão (ver Deut. 5:12-15). A celebração do sábado identifica o Criador vivente que permanece fiel à sua criação (1 Ped. 4:19). Igualmente oferece a participação na sua graça redentora (ver Ezeq. 20:12, 20). Esta verdade chega a ser relevante de uma maneira especial no tempo do fim, quando o dogma da evolução se torna a hipótese da ciência (desde 1859). Por isso a tríplice mensagem de Apocalipse 14 assume cada vez mais relevância. Requer a celebração do sábado restaurado como "a expressão concreta da fé na criação, o sinal da dependência de um do céu... o sinal de que a salvação vem só de cima". Doukhan, Daniel: The Vision of the End, p. 71.

O Surgimento do Povo Remanescente de Deus (Apoc. 14:12)

No conflito entre as adorações rivais, Deus preserva os que se apegam a ele com lealdade. A mensagem do terceiro anjo conclui com uma chamada especial a perseverar na fé:

"Aqui está a paciência dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus" (Apoc. 14:12).
Este texto levou J. M. Ford a fazer o seguinte comentário:

"Parece que não há caminho intermediário; ou se adora a besta e está condenado, ou se aceita com paciente resistência a perseguição da besta, obedece os mandamentos de Deus, morre nele e recebe a recompensa por suas boas obras (v. 13)". J. M. Ford, Revelation, p. 249.
Autores dispensacionalistas tomam aos santos de Apocalipse 14:12 como crentes judeus cuja parte não está no corpo de Cristo simplesmente porque "guardam os mandamentos de Deus". Mas isto mostra como um dogma preconcebido influi na exegese. Uma comparação de Apocalipse 14:12 com 12:17 e 1:9 demonstra que as características dos santos no capítulo 14:12 são as da igreja apostólica e as mesmas de João. A primeira epístola de João define o pecado como a transgressão da lei, como anomia ou ilegalidade (1 João 3:4). Exorta a todos os crentes cristãos a obedecer aos mandamentos de Deus, incluindo o mandamento de crer em seu Filho Jesus Cristo e o mandamento de Cristo de amar-se uns aos outros (1 João 2:3-6; 3:21-24).

A ameaça final contra a vida dos santos requer uma perseverança [em gr., upomoné]. Jesus tinha mencionado esta característica como sendo essencial para o tempo do fim: "Mas o que perseverar [upomeínas] até ao fim, este será salvo" (Mat. 24:13). Mas "perseverar" é o fruto da fidelidade à vontade de Deus, tanto ao evangelho como à lei de Deus. A advertência da epístola aos Hebreus também é a ter "perseverança [upomoné] para que, depois de fazer a vontade de Deus, consigam a promessa" (Heb. 10:36, CI; ver 12:1-3). A epístola aos Hebreus assinala os exemplos dos santos que viveram "por fé" [em hebreu, 'emunáh, "fidelidade"] em uma crise anterior (Heb. 10:37, 38; Hab. 2:3, 4).

Tiago explica que "a prova de sua fé produz paciência" e a maturidade da estabilidade (Sant. 1:3-8). Por isso anima a todos os santos dizendo: "Feliz o homem que suporta a prova! Superada a prova receberá a coroa da vida que o Senhor prometeu aos que o amam" (v. 12). Um exemplo evidente é Job, que permaneceu confiante em que Deus o vindicaria contra os seus falsos acusadores (Tia. 5:11). Não entendendo por que tinha que sofrer tanto sendo inocente, Job ainda expressou a sua fé: "Eu sei que meu Redentor [ou "defensor", BJ; ou "reivindicador", CI] vive, e no fim se levantará sobre a terra" (Job 19:25).

A última geração de crentes cristãos pode ter que suportar a prova da fé similar à de Job. A fé perseverante expressa-se em guardar "os mandamentos de Deus e a fé de Jesus" (Apoc. 14:12, RC). Obedecem tanto à lei como à fé de Jesus em suas vidas (ver mais acima sobre Apoc. 12:17 e 19:10).

O Significado Bíblico do Sábado do Senhor

Muitos teólogos negam que o sábado seja uma ordem vinda desde a Criação. Insistem em que o sábado foi ordenado por Moisés só para a nação de Israel (Êxo. 16; Deut. 5:12-15). O assunto mais profundo que está em jogo neste debate teológico é a credibilidade do registo da criação em Génesis 1 e 2 e o seu reflexo no quarto mandamento em Êxodo 20. Um teólogo americano apresentou esta avaliação válida da origem do sábado:

"De acordo com o cânon da Escritura, a 'interpretação da criação' do sábado afirma-se como teologicamente anterior à 'interpretação da redenção'. Entretanto, isto significa que o mandamento do sábado será sempre obrigatório para todos os homens, obedeçam-no ou não! Na redenção de Israel da terra do Egito não se estabeleceu o sábado pela primeira vez, mas sim se restaurou; a lei moral não foi primeiro proclamada no Sinai, mas sim ali se voltou a proclamá-la. Em consequência, porque a lei do sábado está fundada na ordem da mesma criação e pertence a todas as criaturas, a interpretação tradicional cristã do sábado como uma cerimónia abolida por Jesus Cristo, é incorreta". Richardson, Toward an American Theology, p. 115.

O motivo básico da tríplice mensagem de Apocalipse 14 é o da restauração! Desempenha o mesmo propósito que a chamada de Isaías a um Israel extraviado:

"Clama a plenos pulmões, não te detenhas, ergue a voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão e à casa de Jacó, os seus pecados" (Isa. 58:1).

"Os teus filhos edificarão as antigas ruínas; levantarás os fundamentos de muitas gerações e serás chamado reparador de brechas e restaurador de veredas para que o país se torne habitável" (Isa. 58:12).

Para Isaías, a prova da verdadeira adoração era a restauração da justiça do pacto entre o povo de Deus. Isto significava ter amor pelos fracos (Isa. 58:6, 7) e obediência em louvar a Deus em seu "santo dia" (vs. 13, 14).

No tempo do fim, o céu suplica mais uma vez a seu povo extraviado para que faça frente ao desafio de usurpação e substituição com a chamada pela restauração e a restituição. Requer o reavivamento dos mandamentos de Deus e do evangelho de Jesus Cristo (Apoc. 14:12). Esta é a chamada final para um retorno à verdade e autoridade da Bíblia. A Escritura deve ter a última palavra para determinar a vontade de Deus. Toda certeza da verdade religiosa depende de se se aceitarem as Escrituras como a revelação autorizada da vontade de Deus. "Elas são a norma do caráter, o revelador das doutrinas, a pedra de toque da experiência religiosa". Ellen White, GC 7.

A Mensagem de Preparação para o Segundo Advento

As mensagens de Apocalipse 14 insistem a todos os adoradores a escutar atentamente a voz de Deus e a procurar uma compreensão melhor do evangelho e do testemunho de Jesus. Esta súplica assinala a diferença fundamental entre a Bíblia e a tradição da igreja. Insiste-nos a aceitar a responsabilidade pessoal para distinguir entre a autoridade bíblica e a autoridade da igreja, e a subordinar todos os profetas extra-bíblicos à autoridade suprema da Escritura.

O assunto essencial da tríplice mensagem de Apocalipse 14 é a questão do que em última instância ata a consciência humana ante Deus! A súplica do céu em Apocalipse 14 nos recorda que a criação e a redenção não podem ser separadas, que o Redentor é o Sustentador da criação.

O sábado do Senhor nunca pode ser anulado ou mudado porque é o mandamento da criação do Criador e Redentor. É o monumento comemorativo de uma criação perfeita por parte de um Criador digno de confiança, Criador que nunca abandonará a obra de suas mãos (Sal. 138:8). Entretanto, suplica-nos que lhe respondamos como o "fiel Criador" (ver 1 Ped. 4:19).
"Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no Senhor, seu Deus, que fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há" (Sal. 146:5, 6).

O Convite do Último Elias

A relação da tríplice mensagem de Apocalipse 14 com a promessa de Malaquias de que Deus enviará o "profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor" (Mal. 4:5, 6), é de um significado dramático. É evidente que o último profeta do Antigo Testamento prediz uma chamada final para o reavivamento e a reforma entre o povo do pacto de Deus antes do dia do juízo apocalíptico (ver os vs. 1, 2).

Este convite corresponde em essência ao que Elias fez ao Israel: "Se Jeová é Deus, sigam-no; e se Baal, sigam-no" (1 Reis 18:21). O último convite de Deus no Apocalipse se apresenta em sua súplica a "adorar" a Deus como o Criador e a não adorar a besta nem a sua imagem (Apoc. 14:6-9).

Para compreender melhor o significado do Elias do tempo do fim, precisamos ler a narração da missão de Elias em 1 Reis 17 e 18. Malaquias exaltou a missão histórica de Elias, com a confrontação dramática em combate com Baal no Monte Carmelo, como um tipo ou símbolo teológico para o tempo do fim. Uma análise detalhada desta correspondência tipo-antítipo da promessa de Elias em Malaquias 4 se oferece num outro lugar. Ver LaRondelle, Chariots of Salvation, cap. 11.

A medula deste tipo histórico pode compendiar-se em três pontos: (1) Elias foi enviado por Deus num tempo de apostasia moral e religiosa em Israel (1 Reis 16:30-33; 18:18; 21:25); (2) Elias foi enviado com uma mensagem de restauração do Deus do pacto, que significava um compromisso novo de Israel com o seu Deus e uma restauração do seu sagrado culto de adoração e dos seus mandamentos morais (18:18, 21, 30, 31); e (3) a aceitação ou a recusa da mensagem de Elias significava vida ou morte e, portanto, era um assunto de consequências eternas (ver 18:39-44).

A chave para a aplicação do tempo do fim nós a encontramos na mensagem de João Batista, porque sua mensagem em preparar o caminho para a vinda do Messias continha os fundamentos da mensagem de Elias (ver Luc. 1:11-17). Jesus reconheceu que João era o Elias da profecia mesmo que o judaísmo contemporâneo não o reconheceu (Mat. 17:10-13).

A missão de João era preparar a Israel para a vinda do Messias (João 1:23) e para "restaurar todas as coisas" (Mat. 17:11). A sua presença era o sinal visível do advento iminente do Messias (ver João 1:29; Mat. 3:10-12). João negou que ele fora uma reencarnação de Elias (João 1:21), mas afirmou que ele apresentava a mensagem de Elias "com o fim de preparar ao Senhor um povo bem-disposto" (Luc. 1:17; ver João 1:23). João foi enviado no momento correto, com uma mensagem urgente de arrependimento para despertar Israel para a vontade de Deus e a sua visitação iminente. A sua mensagem criou um remanescente dentro da nação de Israel. Jesus aceitou o baptismo de João e chegou a ser parte deste remanescente. Escolheu os seus primeiros apóstolos dentre os seguidores de João Batista.

A mensagem de Apocalipse 14 é a mensagem da preparação para o tempo do fim. A sua activação cria um povo que está preparado para encontrar-se com o seu Criador. Assim como Elias são fiéis à lei do pacto original de Deus. Escolheram estar ao lado de Deus, o Criador. Entregaram os seus corações ao Deus dos seus ascendentes espirituais e mantêm uma continuidade com o Israel do Antigo Testamento (Mal. 4:6).

A mensagem de Elias para o tempo do fim está desenvolvida pelo Espírito de profecia em Apocalipse 14:6-12. A sua proclamação mundial será seguida pela segunda vinda de Cristo como o Rei e Juiz (ver os vs. 14-20), o que define a tríplice mensagem como a chamada a despertar com o fim de preparar um povo para a segunda vinda de Cristo. Leva à hora da decisão, da mesma maneira que Elias e João Batista levaram ao Israel apóstata a um compromisso novo com seu Senhor.

Hoje a mensagem de Elias convoca a todas as pessoas para que deixem de idolatrar a criação e que adorem o Criador (Apoc. 14:7). Uma mensagem assim é oportuna considerando o surgimento da hipótese da evolução e o triunfo da filosofia materialista. Este chamado de Deus tem aplicações de longo alcance:

"Na exaltação do humano sobre o divino, no louvor aos líderes populares, no culto a Mamom, e na exaltação dos ensinos da ciência sobre as verdades da Revelação, multidões hoje estão seguindo a Baal". Ellen White, PR 170.

Necessita-se cada vez mais a voz de Elias na nossa civilização decadente. Reverberará por toda a sociedade e está reflectida no movimento mundial de cristãos guardadores do sábado. Fizeram um compromisso com o Deus de Israel e com o seu Cristo neste tempo do fim. Aceitam como seu credo a Bíblia e a Bíblia só.
Glória ao Senhor. Amém!

terça-feira, 10 de julho de 2012

DERRAMANDO SANGUE INOCENTE

Acha que há perdão para quem derrama sangue inocente? Será que vale a pena tirar a vida a alguém? Será que Deus pode perdoar um assassino?
O primeiro crime relatado na história foi o de Caim, ao matar seu irmão Abel. Este episódio está relatado em Génesis, no capítulo 4.
Caim e Abel eram filhos de Adão. Apesar de serem filhos do mesmo pai e da mesma mãe, eram muito diferentes um do outro.
Abel era fiel a Deus. Ele cria que Deus como um Deus de justiça e, portanto aceitou o plano de Salvação que consistia de que Deus enviaria Alguém para resgatar a humanidade caída.
Caim era diferente. Ele era rebelde. Murmurava contra Deus por causa da maldição pronunciada sobre a Terra e sobre toda raça humana, em virtude do pecado de seu pai Adão.
Eles sabiam e estavam cientes da providência tomada para a salvação do homem, e compreendiam plenamente o sistema de ofertas que Deus ordenara. Sabiam que sem derramamento de sangue não poderia haver remissão de pecado.
Quando era oferecido o cordeiro primogénito do rebanho, eles demonstravam que aceitavam o sacrifício que seria feito para a salvação da raça humana. E as primícias da terra deviam ser apresentadas diante do Senhor, em ação de graças.
Os dois irmãos, da mesma maneira ergueram os seus altares e cada um deles trouxe uma oferta. Abel apresentou o sacrifício de um cordeiro do rebanho. Obedeceu a Deus. E Deus aceitou a oferta de Abel. Deus mandou fogo do céu e consumiu o sacrifício.
Caim, porém, desrespeitou a ordem de Deus e apresentou somente uma oferta de frutos. Talvez ele tenha feito um bonito arranjo onde ele colocou as mais belas frutas que ele tinha. Não houve sinal do céu para mostrar que a sua oferta era aceite.
Caim ficou muito revoltado com Deus. Afinal, aos seus olhos ele fez tudo correto. Erigiu um altar, trouxe o que tinha de melhor da sua colheita. Porém Caim só prestou obediência parcial. O mais importante ele não fez. Esta era reconhecer a necessidade de um Salvador, de um Redentor.
A Aparência exterior entre Caim e Abel era a mesma. Eles apresentavam o mesmo grau de religiosidade. Os dois eram pecadores e ambos reconheciam o direito de Deus à reverência e adoração.
Mas a diferença interior era bem grande. “Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim”. Hebreus 11:4
Quando Caim viu que sua oferta fora rejeitada, ficou irado com Deus e seu irmão. E no furor de seu ódio, matou seu irmão Abel.
Deus chamou a Caim e perguntou a ele: “Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Sou eu guardador de meu irmão?” Génesis 4:9.
Caim estava tão mergulhado no pecado, que havia se esquecido de que Deus é Onipresente. Esqueceu-se também da grandeza de Deus e também da Sua Onisciência. Mentiu para Deus para esconder o seu erro.
Muitas vezes nós também nos escondemos de Deus, ou pelo menos tentamos nos esconder. Talvez não por causa do nosso pecado, mas porque nos envergonhamos de Deus a ponto de achar que Ele não pode resolver os nossos problemas.
Com a nossa mente coberta de dúvidas, por ter causado algum mal, muitas vezes nos esquecemos de que Deus é maior do que qualquer problema que estejamos enfrentando. E qualquer que for o pecado que tenhamos cometido, se houver arrependimento e contrição Deus se esquecerá para sempre do mal que cometemos.
Com Caim não foi diferente. Ele esqueceu-se que Deus poderia resgata-lo. Ele fugiu da presença de Deus. Não se pode fugir da presença de Deus. O Senhor poderia ter fulminado a vida de Caim. Mas, não o fez.
Deus poupou a vida do primeiro homicida. Com isso Ele apresentou diante do Universo uma lição que diz respeito ao grande conflito.
A tenebrosa história de Caim e dos seus descendentes foi uma ilustração do que teria sido o resultado de permitir o pecador viver para sempre.
Caim viveu apenas para endurecer o coração e se rebelar ainda mais contra Deus. Ele foi dirigido por Satanás.
Tornou-se o tentador para os outros. O seu exemplo e a sua influência exerceram uma força desmoralizadora, até que Terra teve que ser destruída pelo Dilúvio, porque Deus não aguentava mais a maldade que cobria todo o Planeta.
Caim e Abel representam as duas classes de pessoas que existirão no mundo até o final do tempo.
Uma classe aceita que é pecadora e não merecedora do sacrifício de Cristo na cruz do Calvário. A outra classe de pessoas é aquela que se arrisca a confiar em seus próprios méritos.
A história de Caim e Abel pode até causar uma certa repulsa. Podemos até pensar que Deus poderia ter matado Caim com requintes de crueldade. O coração humano pode pensar assim.
Mas Deus não pensa assim. Quando Caim matou Abel, Deus sentiu uma profunda tristeza no Seu coração.
Através de Jesus, Deus é nos revelado como um Deus que busca, um Deus que dá lugar à nossa liberdade mesmo quando isso custa a vida do Filho, Jesus. E acima de tudo Jesus revela um Deus que é amor e que é capaz de perdoar ao mais vil dos pecadores.
Quando pela TV ou pelo rádio, ficamos a saber de quanto o mal cresceu no mundo e quantas pessoas são mortas vítimas de assassinatos, atos de terrorismo e guerras, ficamos revoltados.
Mas, nunca devemos esquecer, que no final do grande conflito o bem triunfará e o mal deixará de existir.

Cristo, a Fonte de Consolação

Onde achar consolação na tristeza? A resposta é: No Senhor Jesus Cristo! Ele é o Príncipe dos sofredores, e é por isso o supremo Consolador. A Bíblia diz: que Ele "como nós em tudo foi tentado, mas sem pecado". Hebreus 4:15
Coloquemos nossas preocupações de lado e reflitamos por alguns momentos, no que Cristo é para nós, nas tristezas da vida:
* Em primeiro lugar, consideremos a tristeza que nos advem quando perdemos alguma coisa, quando os negócios fracassam, quando perdemos as nossas propriedades, ou o conforto a que sempre estivemos habituados.
É aí que as palavras de Cristo assumem sentido especial: "Olhai e guardai-vos da avareza, porque a vida de um homem não consiste na abundância das coisas que possui." Lucas 12:15
Quando sofremos perdas materiais, podemos estar certos de que Deus sabe o que se passa conosco; e que, se confiarmos nEle, algum dia e de alguma maneira o bem nos advirá, e a vida sorrirá de novo.
"Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." Romanos 8.28
* Cristo é o nosso Consolador quando perdemos a saúde. Muitos há que necessitam de ânimo na doença. Alguns necessitam de ânimo mais que qualquer outra coisa. A Escritura diz: "O coração alegre é bom remédio." Provérbios 17:22
Podemos ir a Cristo e obter auxílio na doença , pois Ele é o grande Médico. Enquanto esteve aqui na terra, Jesus aparentemente gastou mais tempo curando os doentes do que pregando a Sua doutrina.
Alguns, Ele curou com uma palavra, outros com um toque, outros foram instruídos a usar certos meios que proviam a cura. Alguns foram curados instantaneamente, outros começaram a melhorar imediatamente.
Cristo andou pôr toda parte fazendo o bem e curando os doentes, cumprindo assim a profecia de que Ele tomaria sobre Si as enfermidades do homem e carregaria com suas doenças. (Mateus 8:17)
Ao vir pois a doença, coloquemo-nos nas mãos de Jesus, pela oração, busquemos Sua ajuda, Sua cura.
Devemos também fazer o que podemos para observar as leis de saúde, pois o nosso corpo é o templo do Espírito Santo. (I Correntios 6:19). Devemos abandonar os hábitos que nos prejudiquem fisicamente como: o álcool, o fumo, e alimentos gordurosos.
Não é negar a fé, buscar a ajuda de um bom profissional quando doentes, mas, necessitamos lembar que toda a verdadeira cura vem de Deus.
* Cristo é nossa consolação na tristeza decorrente da falta de paz e segurança no mundo. Muitos olham a guerra, os perigos do submundo do crime, a violência nas grande cidades, e perdem a esperança, perdem a coragem.
Milhares se preocupam a ponto de adoecerem: "Desfalecendo os homens de medo pela expectação das coisas que sobrevêm ao mundo:" Lucas 21:26
O que crê nas Escrituras, vê nas presentes condições do mundo sinais da breve volta de Jesus. Há conforto para ele nas palavras do Senhor: "Quando, porém, estas coisas começarem a acontecer, exultai e levantai as vossas cabeças; porque a vossa redenção se aproxima." Lucas 21:28
Não importa o que venha, se a guerra, se a fome, se a perda de todas a coisas, até da própria vida, estamos nas mãos de Deus. Nenhum verdadeiro mal nos poderá sobrevir se estivermos nas mãos do Senhor..
* Cristo é o conforto para os que sentem tristeza pelo pecado. Muitos que caem em tentação e pecado descobrem depois que são olhados com desprezo pelos seus amigos.
Isto os desanima e os leva a pensar que não poderão mais ser felizes. Mas, Cristo, tem consolação para todos os que se acham aflitos pelos pecados passados.
A Bíblia nos diz: "Ele não veio para chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento." Mateus 9:13. E "se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e para nos purificar de toda a injustiça." I João 1:9
Se nossos pecados estão perdoados, e eles estão, se na verdade os confessamos, não devemos nos preocupar com eles. Os pecados que confessamos acham-se sob o sangue, na cruz do Calvário, tão longe de nós quanto as trevas estão longe do sol.
* Outra ocasião em que necessitamos do conforto de Cristo é quando perdemos nossos entes queridos e uma grande ferida se forma em nosso coração. Essa tremenda dor vem, em algum tempo, a cada família.
Quando isso acontece, nos oprime, sentimos saudade do toque de uma mão que desapareceu, de uma voz que está em silêncio. É quando somos despojados dos entes queridos que a consolação de Cristo significa para nós mais do que tudo o que existe no mundo.
Cristo compreende as nossas tristezas. E nos dá a promessa: "Como quem recebe de sua mãe conforto, assim Eu vos confortarei." Isaías 66:13
Querido ouvinte, se ao longo da estrada da vida, você foi assaltado pela adversidade ou sofreu uma grande perda, não desanime, não olhe para trás, olhe para o futuro, ao lar eterno, que Jesus quer dar a você e a mim também.
Desse maravilhoso lar que está escrito: " As coisas que olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem , são as que Deus preparou para os que o amam." I Coríntios 2:9
Creia, é nesse Lar de Glória que encontraremos a total felicidade, que será viver para sempre ao lado dos nossos queridos, sem medo, sem problemas financeiros e acima de tudo a maior felicidade que será ver Cristo sempre ao nosso lado.
Amigo querido, neste mundo temos muitas lutas. Jesus prometeu estar conosco aqui nos ajudando. Eu sei que Ele está agora bem do Seu lado. Mas um dia Ele virá e nos levará para o Lar Eterno onde não haverá mais tristezas.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

PRESERVANDO RELACIONAMENTOS

Uma das grandes realizações do ministério pastoral, talvez a maior, é o privilégio de estabelecer relacionamentos significativos e duradouros. Paulo, transformado de perseguidor cruel em pastor amoroso, deixou-nos lições preciosas sobre os nobres sentimentos que mantinha pelas pessoas que levou aos pés da cruz.
Nesta semana, ao preparar a matéria da lição, trago bem nítidas na memória, imagens dos locais mencionados, muitos dos quais tive a chance de percorrer, repetindo o mesmo trajeto da viagem do apóstolo na Grécia, séculos antes. Atualmente, claro, em estradas de ferro e amplas rodovias asfaltadas. Cidades como Kavala (Filipos), Salônica, a Via Inácia, Véria (Bereia), Atenas, o Porto de Pireu, Corinto, etc., são fontes de gratas recordações e inspiração para o estudante da Bíblia.

Povoada por gente de várias nacionalidades, Tessalônica abrigava uma considerável colônia judaica. Os discípulos se hospedaram na casa de Jason. Os primeiros tempos ali devem ter sido muito difíceis como revelam 1Tessalonicenses 2:9 e 2Tessalonicenses 3:8.
Por três sábados, os apóstolos tiveram oportunidade de pregar na sinagoga. Como resultado, “alguns deles creram”. A mensagem foi acolhida no coração de “gregos religiosos, grande multidão, e mulheres nobres, não poucas” (At 17:4).

Oposição em Tessalônica
O rápido “sucesso” de Paulo nessa cidade criou ciúmes e exaltou os ânimos daqueles judeus não convertidos. Novamente, como em Antioquia da Pisídia, o zelo equivocado de alguns entrou em erupção. Não encontrando Paulo nem seus associados, arremeteram contra a casa de Jason e o levaram prisioneiro diante das autoridades, acusando-o de subversão. Porém, esses judeus não se inflamaram tanto como os de Filipos, pois logo “tendo recebido satisfação de Jason e dos demais os soltaram” (At 17:9).

Durante a noite, temerosos pela possibilidade de violência posterior, os irmãos enviaram, Paulo e Silas a Bereia. Timóteo permaneceu em Tessalônica para atender o nascente interesse evangelístico.

Em Bereia
Bereia era uma cidade muito menor que Tessalônica, situada a uns 80 quilômetros a sudoeste, na encosta oriental do Olimpo, o sagrado monte grego.

A Escritura afirma que os habitantes de Bereia foram mais nobres que os de Tessalônica (At 17:11). Aceitaram a verdade que ouviram, comparando-a com a Palavra de Deus. Em outras palavras, os bereanos acolheram avidamente a mensagem, estudando todos os dias as Escrituras para comprovar se o que Paulo ensinava era verdade.

Propositalmente, destaquei essa característica dos crentes de Bereia porque nisso eles são exemplo para nós. Hoje, quando alguns na igreja apreciam contestar, criticar, promover dissenções e dissidências, é de suprema importância que sejamos cristãos que busquem, no estudo assíduo da Palavra revelada, a solidificação da estrutura espiritual de nossa vida religiosa.

Todavia, como havia acontecido antes em Listra, os judeus de Tessalônica não descansaram. Um grupo deles viajou até Bereia e promoveu ali grande agitação pública com o intuito de expulsar dali os pregadores. Conseguiram que Paulo saísse da cidade.
Enquanto Paulo era acompanhado por alguns irmãos a Atenas, Silas e Timóteo (chegado de Tessalônica) permaneceram em Bereia.

Em Atenas – Atos 17:15-34.

Se Paulo realizou a viagem por mar, ele gastou uns quatro dias. Se foi por terra, atravessando a Tessália, deve ter dispendido quase duas semanas. Ao chegar à capital cultural do mundo antigo, ele se sentiu tremendamente só. E através dos bereanos que regressaram, mandou chamar seus companheiros, mas o esperado encontro só aconteceu mais tarde em Corinto.


Em Atenas, Paulo encontrou uma população culta e instruída. Escreveu Ellen White: “A cidade de Atenas era a metrópole do paganismo. Aí Paulo não se encontrou com uma população crédula e ignorante, como em Listra, mas um povo famoso por sua inteligência e cultura. Em todos os lugares estavam à vista estátuas de seus deuses e heróis divinizados da história e da poesia, enquanto magnificentes arquiteturas e pinturas representavam a glória nacional e o culto popular de deidades pagãs. O senso do povo estava empolgado com o esplendor e a beleza da arte. De todos os lados santuários, altares e templos representando enorme despesa, exibiam sua formas maciças. Vitórias das armas e feitos de homens célebres eram comemorados pela escultura, relicários e placas. Tudo isso fez de Atenas uma vasta galeria de arte” (Atos dos Apóstolos, p. 233, 234).

A permanência de Paulo em Atenas de modo nenhum foi ociosa. Na sinagoga e na praça pública, ele disputava poderosamente com os que estivessem dispostos a escutá-lo. Logo, os grandes homens de Atenas ouviram acerca dele. Alguns filósofos epicureus e estoicos foram em sua busca com a evidente intenção de ridicularizá-lo como alguém que estivesse muito abaixo deles, tanto intelectual como socialmente. Porém tiveram uma surpresa. Logo viram que ele tinha um conhecimento muito superior ao deles. Sua capacidade intelectual impunha respeito aos letrados, ao passo que seu fervoroso e lógico raciocínio e seu poder de oratória captavam a atenção de todo o auditório (Atos dos Apóstolos, p. 235).

Finalmente, decidiram dar a Paulo a oportunidade de se dirigir à elite da cidade. A reunião aconteceu no histórico cenário do Areópago, ou Colina de Marte, localizado próximo à entrada monumental da Acrópole ateniense. O discurso que Paulo proferiu ali é uma obra-prima de eloquência. Foi ouvido com atenção comovida, e muitos sentiram a ação do Espírito Santo em sua mente. Porém, quando falou da ressurreição dos mortos, negada pela filosofia grega em voga, os ouvintes encontraram a escusa para não mais o escutarem.

“Terminou assim o trabalho do apóstolo em Atenas, o centro da cultura pagã; pois os atenienses, apegando-se persistentemente à sua idolatria, viraram as costas à luz da verdadeira religião. Quando um povo está inteiramente satisfeito com suas próprias realizações, pouco mais se pode esperar dele” (Atos dos Apóstolos, p. 239).

Quando as grandes verdades da Palavra nos são apresentadas, é muito perigoso fazer como fizeram aqueles filósofos: “Nós o ouviremos em outra ocasião sobre este assunto” (At 17:32).

Esses gregos, talvez, nunca mais tivessem outro encontro como aquele na Colina de Marte. E se o tiveram, jamais ouviram Paulo pregar outra vez. Tanto quanto se sabe, o apóstolo não mais pregou na capital grega, embora deva ter passado por ali mais tarde. A mente humana, como no cultivo da terra, tem estações favoráveis. Em relação ao Evangelho e à vida eterna, a estação favorável é sempre hoje.

A maioria dos ouvintes de Paulo no Areópago zombou dele ou procrastinou uma possível aceitação do Evangelho. Porém, houve pelo menos duas pessoas que aceitaram e se uniram ao apóstolo e sua mensagem: Dionísio, um membro da corte que administrava os eventos da Colina de Marte, “e uma mulher por nome Dâmaris” (At 17:34).

Por que esses dois ouvintes creram, enquanto todos os outros zombaram e adiaram uma aceitação? A única resposta que podemos encontrar é que o vento do Espírito Santo estava soprando naquele dia histórico sobre a Colina de Marte, e usou a pregação de Paulo, para lançar sementes de arrependimento e de vida eterna no coração de Dionísio e Dâmaris.

Pense nisto: pelo menos um daqueles filósofos poderia ser lembrado hoje pelo nome? Como se chamavam aqueles que convidaram Paulo para discursar no Areópago de Atenas? Nenhum deles é lembrado. Ficaram esquecidos na poeira do tempo. Mas o nome de Dionísio e o nome de Dâmaris, que escolheram Cristo, ainda vivem. E viverão para sempre, pois são nomes que estão escritos no livro da Vida do Cordeiro.

Chegada em Corinto – At 18:1-18.
Corinto era a metrópole comercial e política da Grécia. Seu nome era sinônimo de libertinagem. Chegando a essa cidade, Paulo se hospedou na casa de Áquila e Priscila, um casal de judeus vindos de Roma, havia pouco. Eram nativos do Ponto, e tinham vivido um tempo em Roma até que foram alcançados pela expulsão dos judeus, ordenada pelo imperador Cláudio (49 d.C).

Lucas não diz se já eram cristãos ou se Paulo os levou à conversão. O certo é que em seu lar, Paulo encontrou o descanso que anelava para seu corpo cansado e para seu espírito abatido pelo que havia ocorrido em Atenas.

Situada no istmo homônimo, a uns 65 km de Atenas, Corinto era uma cidade cosmopolita, de grande atividade comercial. Porém, seus habitantes eram completamente idólatras, e o culto a Afrodite havia chegado a degradá-los a tal ponto que, mesmo entre pagãos era proverbial sua imoralidade.

F. Godet escreveu: “No alto da Acrópole resplandecia o templo de Vênus, onde se oferecia a seus habitantes e aos estrangeiros, todos os meios de desordem. O povo da nova Corinto sobrepujava em corrupção a qualquer outro, a tal ponto que a expressão ‘viver à coríntia’ indicava o gênero de vida mais dissoluto possível. ‘Banquete coríntio’ e ‘bebedor coríntio’ eram frases proverbiais” (citado por Treiyer).

A permanência de Paulo em Corinto se prolongou por algo mais de um ano e meio. Em seu trabalho, ele usou um método distinto daquele que empregou em Atenas: “Resolveu evitar todas as discussões e argumentos complicados, e nada saber entre os coríntios, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. Iria pregar-lhes não com palavras persuasivas de humana sabedoria, mas em demonstração de Espírito e de poder” (1Co 2:2, 4; Atos dos Apóstolos, p. 244).

Os fatos de maior destaque em Corinto foram:


a. Labores entre os judeus: seguindo seu plano habitual, primeiramente pregou aos sábados nas sinagogas e durante a semana trabalhava em seu ofício de tecer tendas a fim de ganhar o sustento. No tempo em que Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, a resistência dos judeus inconversos se havia tornado agressiva. O apóstolo se voltou então para os gentios. Porém, “a impiedade que via e ouvia nessa corrupta cidade quase o desanimava. A depravação que presenciava entre os gentios, e o desprezo e insulto dos judeus lhe traziam grande angústia. Duvidou da sabedoria de procurar estabelecer uma igreja com o material que ali se encontrava” (Atos dos Apóstolos, p. 250).

b. Uma visão animadora: quando Paulo começou a planejar sua partida para um lugar mais promissor, o Senhor lhe disse em visão: “não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto Eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (At 18:9, 10).

c. Atentado dos judeus: entre os conversos de Paulo estava Justo, cuja casa estava ao lado da sinagoga, e Crispo, que antes de sua conversão havia sido o chefe da sinagoga. Ainda gente de destaque social como Gaio e a filha de Estéfanas, e outros mais. Certo dia, os judeus se levantaram contra Paulo e o levaram preso perante Gálio, o procônsul da Acaia. A acusação era séria, já que apresentaram Paulo como agitador. Porém, Gálio era homem íntegro e não se deixou enganar pelos judeus irados e cruéis. Aborrecido pelo fanatismo e justiça própria deles, não quis dar lugar à acusação. Os judeus, desconcertados, foram expulsos do tribunal, e a multidão que os havia apoiado, compreendendo a verdade da situação, voltou-se contra eles, agredindo Sóstenes, sucessor de Crispo como principal da sinagoga. Parece provável que, depois desse incidente, Sóstenes tenha se convertido (1Co 1:1). Isso deu mais prestígio ao cristianismo (veja Atos dos Apóstolos, p. 252, 253).

d. Envio das duas cartas aos Tessalonicenses: os dois fiéis colaboradores de Paulo, que haviam chegado de Tessalônica, informaram-no acerca de alguns problemas que estavam sacudindo a igreja. Havia alguns irmãos muito abatidos pela morte de seus amados, sem um conceito claro da ressurreição. Outros, fanáticos, aconselhavam a não trabalharem mais, diante da proximidade da vinda de Cristo. Ainda outros estavam caindo em imoralidade, e havia quem não reconhecia plenamente as autoridades da igreja. A todos eles escreveu o apóstolo, animando e corrigindo. É bastante provável que o portador de ambas as cartas tenha sido Timóteo.

Paulo revela sua afeição

“Depois da partida forçada de Tessalônica, Paulo expressou sua amorosa preocupação pelos irmãos que havia deixado para trás. Nesse ponto, o estilo do apóstolo se tornou intensamente emocional. Até mesmo as palavras parecem tremer. A razão para o profundo sentimento que Paulo transpira aqui provavelmente seja que os inimigos da fé tivessem insinuado que a súbita partida dos missionários era prova da falta de genuína preocupação pelas pessoas a quem enganaram. Em contrapartida a tal acusação Paulo enfatizou que, para os missionários, a separação que surgiu foi por eles sentida como nada menos do que terem sido arrancados daqueles a quem amavam com tanta ternura” (Hendriksen, p. 90).

Claramente e com muito sentimento, o apóstolo expressou seu amor pelos leitores, a quem chamou de “nossa esperança ou alegria ou coroa da glória na presença de nosso Senhor Jesus Cristo em Sua vinda”. Declarou que ele e seus companheiros foram “arrancados” dos irmãos.: Repetidas vezes “nos esforçamos com a máxima diligência por ver a vossa face com intensa saudade”. Mas eles foram impedidos por Satanás (1Ts 2:17-20).

“As cartas paulinas são um claro testemunho do coração pastoral do apóstolo. Paulo não era um teólogo erudito, distante das realidades da vida da igreja; ao contrário, a preocupação com as igrejas foi o trampolim para a sua teologia. Paulo também não era evangelista de um único interesse, dedicado apenas a conquistar pessoas para Jesus Cristo; mais exatamente, ele se preocupava em continuar a se relacionar com as igrejas que fundara” (Dicionário de Paulo, p. 911).

Nas páginas que se seguem, quero oferecer ao estudioso destas lições algumas informações que podem ajudá-lo numa compreensão mais efetiva dos temas do trimestre (Material adaptado de “Epístolas do NT” de Humberto Treiyer).

INTRODUÇAO GERAL AO ESTUDO DAS EPÍSTOLAS

O estudo das epístolas do Novo Testamento pode apresentar certas dificuldades, caso não se levem em conta alguns princípios gerais que ajudam em sua compreensão. Por isso, seria de grande proveito analisar, ainda que rapidamente, as características de maior destaque do conjunto desses escritos.

As 21 epístolas do Novo Testamento foram escritas por cinco autores; o mais prolífero deles e o que nos atrai a atenção neste estudo é o apóstolo Paulo. De seu punho procedem 14 cartas, dois terços do total. Elas contêm a essência doutrinal do cristianismo, daí a importância de seu estudo. A igreja cristã não pode prescindir de nenhuma delas.

Características distintivas das epístolas

1. Existe uma harmonia essencial entre as epístolas e os livros históricos do Novo Testamento
Os ensinos de Jesus, registrados nos evangelhos, e as pregações apostólicas, conservadas em Atos dos Apóstolos, constituem as sementes doutrinárias, que se enraízam, crescem e frutificam nas epístolas. Uma única Mente, a divina e infinita, moveu os autores do Novo Testamento. As epístolas não apenas apresentam uma complementação maravilhosa, mas a ausência de contradições. Falam da mesma fonte de Inspiração: “os santos homens de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1:21).

2. Sua forma de redação é epistolar
Enquanto os profetas do Antigo Testamento entregavam suas mensagens em forma de oráculos, cheios de advertências acerca dos juízos de Deus, os apóstolos recorreram ao gênero epistolar, ou seja, cartas compostas conforme o estilo da época. Talvez o estilo que melhor se preste para ensinar, corrigir problemas concretos, expressar sentimentos e elaborar planos de ação. Seus autores estavam conscientes da forma pela qual escreviam.

Os discursos registrados em Atos dos Apóstolos, com poucas exceções, dirigem-se a pessoas não cristãs. Por outro lado, as epístolas são enviadas a crentes, seja a igrejas organizadas, ou mensageiros da Palavra.

Ao escrever as cartas, os apóstolos expressavam a plenitude de suas explicações e podiam extravasar-se em sentimentos próprios do gênero epistolar.

Os tratados sistemáticos, como os que escreveram os retóricos e filósofos dessa época, não teriam conseguido fazer a obra que realizaram as cartas familiares e flexíveis. Nelas os apóstolos não trataram de itens imaginários, mas casos reais, erros ou tendências como os que surgiram nas igrejas.

Os apóstolos escreveram acerca de incompreensões e perversões da verdade, dificuldades que surgiram no trato com os pagãos, de abusos que se efetuavam no culto e nas práticas da vida, de questões e tendências da mente humana que haviam de se apresentar na igreja de Deus e muito mais.

3. Estão intimamente relacionadas com o Antigo Testamento

No conteúdo das epístolas, são abundantes citações e expressões dos profetas do Antigo Testamento. Pelo menos 250 referências textuais e outras tantas alusões entrelaçam harmonicamente as duas porções das Sagradas Escrituras. Isaías, Oseias, Salmos, Habacuque, Levítico, etc. aparecem frequentemente nos escritos de Paulo. Não é exagero afirmar que as epístolas estão saturadas do espírito e pensamento e, às vezes, das palavras do Antigo Testamento. Os Testamentos não foram revelações independentes, e não se pode descartar um sem debilitar o outro.

4. Apresentam unidade doutrinária em seus conteúdos

Em todos os autores das epístolas encontramos o mesmo tema recorrente: Cristo, como Salvador do ser humano, em outras palavras, a salvação mediante Jesus Cristo. Eles apresentam o bendito efeito da morte expiatória de Cristo e Sua ressurreição triunfante.

Descrevem também a origem da igreja, sua unidade, suas relações, sua condição, deveres e destino. Desvendam o fato assombroso de que os crentes são chamados à imortalidade no glorioso destino que lhes espera quando terminar a história de pecado neste mundo.
Acima de tudo, não são revelações independentes. Estão na mais estreita relação com as anteriores revelações inspiradas.

5. São Didáticas
Destinadas a “ensinar... redarguir... corrigir... instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito, inteiramente instruído para toda boa obra” (2Tm 3:16, 17).

Estilos, vocabulário e construções gramaticais diferem entre si, denotando as modalidades individuais. Porém, a doutrina se mantém invariável. Unidade na variedade tem sido sempre o método de trabalho Divino e há de ser visto também nos instrumentos de Deus.

6. São similares em sua apresentação
As epístolas têm início com uma introdução ou preâmbulo, na qual aparece o nome do autor e seus companheiros (embora nem sempre), e os daqueles a quem se dirigiram, geralmente em forma global.

Segue-se o corpo doutrinário, onde a verdade que se quer ensinar é apresentada e ilustrada.

Terminam com uma conclusão característica; algumas vezes com notícias pessoais, outras com recomendações em favor do portador, saudações e uma bênção final.

domingo, 8 de julho de 2012

"A Missão de uma Vela"

Contam que certo dia um fósforo disse a uma vela: “Eu tenho a tarefa de acender-te.” Assustada, a vela respondeu: “Não, isto não! Se eu for acesa, os meus dias estarão contados. Ninguém vai mais admirar a minha beleza”.

O fósforo perguntou: “Tu preferes passar a vida inteira, inerte e sozinha, sem ter experimentado a vida?” - “Mas queimar dói e consome as minhas forças”, sussurrou a vela insegura e apavorada. “É verdade”, respondeu o fósforo, “mas este é o segredo da nossa vocação. Nós somos chamados para ser luz! O que eu posso fazer é pouco. Se não te acender, perco o sentido da minha vida. Existo para acender o fogo.

Tu és uma vela: tu existes para iluminar os outros, para aquecer.

Tudo o que tu ofereceres através da dor, do sofrimento e do teu empenho será transformado em luz; Tu não acabarás por ser extinta pelos outros. Outros passarão o teu fogo adiante. Só quando tu te recusares, então morrerás!”

Querem saber o que aconteceu? Dizem que, em seguida, a vela afinou o seu pavio e disse cheia de alegria: “Eu peço, acende-me”.

sábado, 7 de julho de 2012

A VIDA!

PRECE: Senhor Deus, nós vimos a Ti! Nosso compassivo Redentor; e rogamos-Te, por amor de Cristo, por amor do Teu próprio Filho. Nosso Pai, que manifestes o Teu poder entre os que se achegam a Ti. Precisamos de sabedoria; precisamos da verdade; precisamos que o Espírito Santo esteja connosco, esta noite e sempre. Por Jesus. Amém!
O Alasca foi conhecido como o lugar onde a Natureza reina soberana em todo o seu esplendor. Terra das grandes mon¬tanhas, lugar onde se abrigam grandes manadas de ursos polares e das alegres lontras do mar.
Recentemente as águas límpidas de um dos estreitos do Alasca tornaram-se negras e tóxicas. Aconteceu um derrame de gasóleo de proporções desastrosas. E o mais chocante de tudo, na superfície escura e brilhante das águas poluídas, podia ver-se espelhado o próprio rosto.
O grande petroleiro Exxon Valdez deixou o porto e dirigia-se para o Oceano. Transportava um milhão e duzentos mil barris de petróleo.
Era uma noite calma e clara. Havia apenas alguns pequenos icebergs à vista. O canal de navegação tem 15 quilómetros de largura. Um oficial da guarda costeira disse, "os meus filhos poderiam comandar um petroleiro neste canal".
Inexplicavelmente o Exxon Valdez afastou-se demasiado do leito do canal. O navio de 300 metros de comprido chocou contra as rochas submersas e, quatro rombos abriram o casco do navio, o petróleo começou a sair a uma média de 60 mil litros por hora. A mancha de óleo de 12 quilómetros de comprimento por 6 de largura cobriu a água, milhares de animais e aves marinhos morreram.
A mancha espalhou-se em direcção aos terrenos de desova dos arenques e dos salmões, ameaçando uma das mais ricas regiões de pesca da América do Norte. O óleo era tão espesso, que não conseguia evaporar-se e começou a dissolver-se na água. Isso libertou produtos tóxicos na cadeia alimentar, contaminando tudo, do plâncton às baleias.
Os esforços para conter esse desastre ecológico foram inadequados. Os grupos de trabalho estavam desorganizados. Não havia equipa¬mento suficiente para armazenar o óleo que começou a derramar-se no litoral. A vida no estreito foi lentamente sufocada.
O Éden do Alasca como era conhecido, foi devastado. As perguntas mais frequentes quando isto aconteceu e que vinha nos jornais e telejornais eram: “Será que aprendemos o suficiente com estes desastres que consecutivamente acontecem? Derrame de óleos e gasóleo continuarão a destruir um planeta já tão fragilizado pela poluição?”
Esta noite, gostaria de colocar outra questão, diferente da dos jornalistas: Será que temos alguma responsabilidade na poluição deste mundo?
Antes de responder, vou fazer-vos um convite: Através da nossa imaginação vou convidar-vos a viajar comigo ao Éden original. Aquele jardim que Deus criou para Adão e Eva, um lugar de beleza intacta e de harmonia. Deus disse aos nossos primeiros pais que eles poderiam comer de qualquer árvore do jardim, mas avisou-os para se afastarem de uma determinada árvore: comer do seu fruto seria catastrófico. A poluição do pecado cobriria todo o jardim e consequentemente a morte atingiria todas as formas de vida do jardim!
Na verdade Adão e Eva tinham um canal larguíssimo para conduzir a sua embarcação. O canal era largo e os recifes perfeitamente evitá¬veis. Eles não estavam ameaçados por perigos que não pudessem evitar! Porém, alguma coisa saiu tremendamente errada. Aquele pormenor que chamamos "erro humano" aconteceu. Eva saiu da rota. Adão não estava presente para a ajudar e ambos colidiram com aquela árvore fatídica.
Deixou-se encantar pelo fruto proibido, aparentemente inofensivo mas que resultou em calamidade que rapidamente se espalhou pelo jardim e por todo o planeta. O egoísmo e o afastamento de Deus atingiram toda a raça humana. O pecado original penetrou a história do homem, como uma enorme mancha de óleo que sufoca toda a vida física, moral e espiritual da Terra.
O apóstolo Paulo fala sobre esta calamidade, descreve-a assim: "Como por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram...” Romanos 5:12
Muitas pessoas têm dificuldade em compreender esta ideia do pecado original. Aceitam que a separação de Deus é um grande desastre, mas interrogam-se: qual é a nossa responsabilidade por uma coisa que Adão fez? Por que razão temos que ser condenados por um erro que aconteceu milénios antes do nosso nascimento? Para muitas pessoas isto não parece justo!
Quando vemos as imagens na televisão, do gasóleo que é lançado no mar, de barcos que naufragam e largam milhares de toneladas de gasóleo no mar, e vemos aqueles animais e aves marinhos a morrer sufocados por aquela capa de óleo, ficamos revoltados. Como pode ter acontecido tal desastre?
Parece indesculpável, e concordamos que muitas pessoas são culpa¬das: Os donos das refinarias, o comandante do barco, os armadores que não fazem uma manutenção cuidada. Os oficiais da guarda cos¬teira. Alguém ou várias pessoas, sem dúvida, cometeram tremendos erros, mas uma coisa que a maioria se esquece é de perguntar: E nós, temos nós alguma responsabilidade nisso?
Muitas pessoas que me estão a ouvir, pensam: Quem não tem culpa sou eu! É verdade, não éramos nós que comandávamos o navio, não somos donos das refinarias, nem donos do navio.

Têm razão! Mas todos nós fazemos parte daquela multidão de pes¬soas que andam com carros na rua e exigimos a nossa gasolina ou gasóleo! Consumimos e descartamos uma quantidade incrível de produtos todos os dias que dependem directa ou indirectamente da produção de petróleo! Isso não nos faz responsáveis pelo desastre do Valdez, mas estamos envolvidos.
Não estou a dizer isto para minimizar a responsabilidade de quem tem grandes responsabilidades na prevenção de tais acidentes. É importante localizar o "erro humano" que leva a desastres como aquele do Exxon Valdez, mas não podemos fingir que não temos nada a ver com isso.
É este, exactamente, o ponto de vista que a Bíblia traz na ideia do pecado original e os seus efeitos. Não somos responsáveis por Adão e Eva comerem do fruto proibido, mas estamos envolvidos naquela tragédia! Nós tornamo-nos participantes do pecado que se originou com eles. Queixamo-nos, aos gritos, da corrupção das autoridades, mas será que somos fiéis ao nosso cônjuge, em pensamento e acção? Lamentamos o facto de haver tão pouco amor entre as pessoas hoje em dia, mas amamos verdadeiramente, aqueles que nos são mais chegados? Detestamos as guerras, mas não fazemos as nossas “guerrinhas” por dá cá uma palha?!
Se quisermos ser honestos connosco próprios, não temos dificuldade em reconhecer que estamos de facto envolvidos no pecado de Adão e Eva. Como Paulo explicou, a morte vem a todos nós porque todos pecamos. Todos nós contribuímos individualmente para que a man¬cha de óleo do pecado se estenda ao longo da História da Humani¬dade. Paulo afirma-o claramente: "Porque todos peca¬ram e destituídos estão da glória de Deus." Romanos 3:23
O nosso problema principal não é se somos melhores ou piores que os nossos vizinhos, se falhámos nisto ou naquilo que esperávamos ter feito melhor. Sabem qual é o problema? O grave problema? É que os nossos pecados são uma afronta directa ao carácter perfeito de Deus, e um acto de poluição ao lindo mundo que Ele criou! Então, qual é a solução? O que é que podemos fazer quanto a esta mancha de óleo do pecado na qual estamos envolvidos?
Muitas pessoas, quando confrontadas com o problema do pecado, normalmente respondem: "eu vou tentar melhorar".
E envidam esforços sinceros para serem melhores, mas mais cedo ou mais tarde caem na fraqueza da própria vontade, nas limitações dos esforços humanos. O problema do pecado é muito maior do que possamos imaginar. Sabem, os homens do petróleo, ao tentarem limpar aquela mancha no estreito do Alasca, fizeram uma descoberta! Descobriram que eram infrutíferos os seus esforços diante de um desastre ecológico.
Foi uma situação caótica, foi difícil tentar organizar-se, colocar equipamento disponível em funcionamento. Horas preciosas foram gastas enquanto a mancha de óleo se espalhava. Conseguiram retirar alguns barris de gasóleo. Mas o dispersante químico não funcionou como devia. Alguns cabos de retenção foram colocados, mas ao terceiro dia de ventos fortes, o óleo passou por cima dos cabos.
Todo o esforço humano mais não fez que poluir ainda mais o meio ambiente! Foi a própria Natureza que lentamente diluiu o gasóleo e o óleo nas águas puras. O sol, o vento e a chuva reali¬zaram o trabalho através dos anos. A Natureza foi-se curando sozinha daquela ferida tóxica com mais de dois mil quiló¬metros quadrados!
É extremamente difícil limpar a nossa mancha, não acham? E isto é particularmente verdade em relação ao nosso pecado e culpa indi¬vidual. Deus retrata o nosso problema humano nas palavras de Jere¬mias: "Pelo que ainda que te laves com salitre, ou amontoes sabão, a tua iniquidade estará gravada diante de mim, diz o Senhor Jeová." Jeremias 2:22. Este é, sem dúvida, um versículo bastante apropriado para nós hoje. Escrito para nós, não é?
Amigos, quando se trata de culpa, não nos podemos lavar sozinhos. Podemos tentar removê-la e insistir nisso de mil maneiras, mas ela vai continuar! Podemos tentar melhorar e redimir-nos dos nossos próprios erros e pecados passados, mas a natureza pecadora conti¬nuará aflorando à superfície, como o petróleo. Nunca nos limparemos completamente. Haverá sempre mais e mais egoísmo, orgulho e ódio a sair do nosso coração quando menos esperamos que isso aconteça!
Deus, em pessoa, assumiu a responsabilidade de limpar a grande mancha de óleo do pecado. Ele próprio irá curar a terrível ferida que vive dentro de nós. Leiamos esta maravilhosa promessa: "Vinde, então e argui-me, diz o Senhor. Ainda que os vossos pecados sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã." Isaías 1:18
Jesus, no Calvário, absorveu as consequências do nosso pecado no Seu próprio corpo. Ele desfez o efeito do pecado através de Sua agonia na cruz. Isso exigiu enorme esforço; foi uma tarefa gigantesca, mas o Filho de Deus emergiu daquela provação vitorioso. Ele realizou o que nenhum esforço humano jamais poderia conseguir: Foi-nos concedido o perdão total e de graça. Podemos viver a paz!
Mas Deus promete mais. Ele não só remove a culpa, mas também nos dá um meio para combater a nossa natureza pecadora. O apóstolo Paulo diz: "Assim que se alguém está em Cristo, nova criatura é. As coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo." II Coríntios 5:17
Aqueles que depositam a sua fé em Cristo como Salvador e a Ele se entregam, passam a estar em Cristo. Deus não os vê como peca¬do¬res, mas como pessoas que estão ligadas ao Seu Filho amado. Acon¬tece algo maravilhoso quando uma pessoa se une pela fé a Jesus Cristo: ocorre uma nova criação. A capacidade criativa de Deus é libertada e o Seu Espírito opera em nós, retira todos os velhos hábitos destrutivos, e faz surgir o novo.
Uma das histórias mais conhecidas da Bíblia e ao mesmo tempo mais fascinantes é seguramente o encontro de Nicodemos com o Senhor Jesus! SLIDE 0022 Nicodemos era um homem que ocupava uma posição de confiança muito alta na nação judaica durante o ministério de Jesus! Tinha uma educação superior, era dotado de talentos orató¬rios, íntegro e justo. Era um membro honrado do conselho nacional do seu país.
Como tantos outros dirigentes nacionais mais que uma vez foi ouvir Jesus que ensinava as multidões que acorriam ao Templo. Desde o primeiro instante sentiu-se agitado, o seu coração comoveu-se, sentiu-se atraído pela humildade do Nazareno. As palavras saídas dos lábios do Salvador tinham vida e iam de encontro às suas neces¬sida¬des de homem, de ser humano. É verdade que tinha tudo, mas falta¬va-lhe aquela paz, que ele viu no olhar de Jesus!
Desde que viu Jesus pela primeira vez, não mais deixou de O acom¬panhar. Nicodemos estudava ansiosamente as profecias relativas ao Messias; e quanto mais procurava tanto mais forte era a sua convicção de que este era Aquele que havia de vir. Tinha visto como Jesus recebia os pobres, como curava os doentes, tinha visto as Suas expressões de alegria, e escutado as Suas palavras de louvor; e não podia duvidar de que Jesus de Nazaré era o Enviado de Deus.
Começou a sentir um forte desejo de se encontrar a sós com Jesus, mas não o queria fazer abertamente. Seria demasiado humilhante, para um príncipe judeu, reconhecer que tinha simpatia por um mestre ainda tão pouco conhecido. E especialmente porque Jesus não era seguido pelas pessoas importantes de Israel, mas só pelos pobres, as viúvas, os desprezados da sociedade. E ele era uma pessoa importante. Não queria ser desprezado pelos seus colegas!
Nicodemos conseguiu finalmente descobrir onde Jesus ficava quando visitava Jerusalém. Soube também que Jesus à noite gostava de ir orar para o Monte das Oliveiras. Esperou que a cidade adormecesse para ir ter com o Senhor Jesus.
Pela calada da noite foi ter com O Nazareno. Tinha preparado um grande discurso. No entanto na presença de Cristo, Nicodemos expe¬ri¬mentou uma estranha timidez, que se esforçou por ocultar sob um ar de dignidade e finalmente disse: “...Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.” João 3:2
Pretendia ao falar dos raros dons de Cristo como mestre, bem como do Seu maravilhoso poder para operar milagres, preparar o terreno para poder abrir o coração. Queria ganhar a confiança de Jesus; mas na realidade, as suas palavras exprimiam a sua incredulidade…-------
Em vez de agradecer, o facto de Nicodemos Lhe chamar: “Mestre”, Jesus fixou os olhos no visitante, como se lhe estivesse a ler a alma e viu diante de Si, um homem que sentia a mancha do pecado e com necessidade de ser limpo. Por isso foi directamente ao assunto, dizendo bondosamente: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” João 3:3
Vou fazer uma pergunta directa, no estilo de Jesus! Amigo, porque veio esta noite? É só para ver se esta religião é melhor ou pior que a sua? Ou para poder dizer fui lá… e é tudo igual. Ou veio, porque quer abrir o coração a Jesus para que o limpe da terrível mancha de óleo do pecado? Quer sentir a paz? Sentir a presença de Jesus? Se é com este sentimento, Jesus está aqui e vai ajudá-lo, creia!
Nicodemos tinha ouvido a pregação de João Baptista sobre o arpeei¬dimento e o baptismo, lembrava-se que João tinha falado que após ele viria Aquele que baptizaria com o Espírito Santo: “Eu baptizo com água; mas no meio de vós está Um a quem vós não conheceis. Este é aquele que vem após mim, que foi antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca” João 1:26-27
Nicodemos era um fariseu estrito, um crente praticante, orgulhava-se das suas boas obras. Era muito estimado pela sua beneficência e liberalidade. Poderia considerar-se hoje, um cristão muito praticante, o primeiro a participar nas festas anuais da sua terra, a estar sempre presente em todas as actividades religiosas, a rezar, a comungar. E sentir o favor de Deus.
Prezados amigos deixem-me que vos pergunte, qual é a vossa crença em relação a ter um lugar assegurado no reino de Deus? Deixem-me perguntar o que pensam quando rezam o Pai-nosso: “Venha o Teu Reino!” Será que acham como Nicodemos que não precisam de mudança alguma?! Nicodemos achava-se justo aos seus próprios olhos!
Por isso ficou surpreendido com as palavras de Jesus: “É necessário nascer de novo”. Estava irritado por se sentir directamente visado por elas. O orgulho do fariseu, do bom religioso, lutava contra o sincero desejo, a necessidade que tinha de uma profunda mudança de vida. --------
Apanhado desprevenido, respondeu a Cristo com palavras plenas de ironia: “Como pode um homem nascer, sendo velho?” João 3:4
Como muitas pessoas, quando uma verdade incisiva lhes fere a consciência, dão a entender que não percebem! Resistem, argu¬mentam. Assim fez Nicodemos. Assim fazem muitas pessoas que são muito religiosas, mas sentem o vazio, sentem que têm a religião, mas não a bênção do Espírito Santo. Jesus e o Espírito Santo não viram as costas a ninguém que sinta neces¬sidade genuína.
Quando reconhecemos que estamos vazios, quando reconhecemos a nossa solidão. Que nos sentimos perdidos! Que sem Cristo como Piloto da nossa vida não vamos a lugar nenhum! Nicodemos percebia isto, mas não o queria admitir.
Jesus, não quis discutir. Levantou a mão com solene e calma digni¬dade, acentuou a verdade com maior firmeza, atalhou o raciocínio deste sábio e colocou o dedo na ferida: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” João 4:5
Nicodemos sabia que Jesus Se referia ao baptismo da água. Aquele que João Baptista praticava nas águas do Jordão, baptismo por imer¬são, com o qual Jesus tinha sido baptizado e que é o verdadeiro baptismo cristão. Nicodemos sabia que Jesus Se referia ao baptismo e à renovação da alma pelo Espírito de Deus. Ficou convencido que estava na presença do Filho de Deus.
Jesus continuou: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.” João 3:6
O coração, por natureza, é mau, e “quem do imundo tirará o puro? Ninguém.” Jó 14:4
Nenhuma invenção humana pode encontrar o remédio para a alma pecadora: “Do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituições, furtos, falsos testemunhos e blasfémias.” Romanos 8:7
Ou seja o coração humano está poluído com um óleo bem espesso, mais ainda que o canal do Alasca.
A fonte do coração deve ser purificada para que a corrente se possa tornar pura. Não há segurança para uma pessoa que tenha uma religião meramente legal, uma aparência de piedade. A vida cristã não é uma modificação ou melhoramento da antiga, mas uma trans¬formação da natureza. Deve ocorrer uma morte do eu, o homem e a mulher poluídos com o pecado original devem passar por uma lava¬gem!
Nicodemos continuava perplexo e Jesus usou o vento para ilustrar o seu significado: “O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” João 3:8
Ouve-se o vento por entre os ramos das árvores, fazendo sussurrar as folhas e as flores; no entanto ele é invisível e ninguém sabe de onde vem, nem para onde vai. O mesmo se dá quanto à operação do Espírito Santo no coração.
Mediante um agente tão invisível como o vento, Cristo está conti¬nuamente a trabalhar no coração. Pouco a pouco, sem que a pessoa que está a receber a acção do Espírito do Senhor tenha consciência disso, produzem-se impressões que tendem a atrair a alma para Cristo. Esta vida nova vai acontecendo, damos por nós a pensar mais em Jesus, a ler a Escritura Santa, ou a ter prazer em ouvir a palavra do pregador que fala a verdade eterna. Já não nos contentamos com qualquer coisa, queremos substância, queremos alimento que nutra a alma!
Essa acção de Deus afasta os pensamentos de pecado, de medo de Deus, de castigo eterno. E substitui pelo amor, a humildade, a paz que tomam o lugar da ira, da inveja e da contenda. A alegria e a esperança substituem a tristeza e o semblante reflecte a luz do Céu.
É impossível à mente finita compreender a obra da redenção! O seu mistério excede o conhecimento humano; todavia aquele que passa da morte para a vida percebe que isso é uma realidade maravilhosa!
Enquanto Jesus falava, alguns raios da verdade penetraram no espí¬rito do príncipe Nicodemos. A enternecedora, subjugante influência do Espírito Santo impressionou-lhe o coração. Todavia, não com¬preendeu plenamente as palavras do Salvador. Admirado, disse: “Co¬mo pode ser isso?”
“Tu és mestre de Israel, e não sabes isso?” perguntou Jesus. Uma pessoa a quem era confiada a instrução religiosa do povo não devia ser ignorante de verdades de tanta importância! Às vezes os que ensinam a religião são os que mais desconhecem o amor de Deus e ignoram os Seus santos Mandamentos!
Passou-se comigo. Um dia em conversa ocasional com um sacerdote, perguntei:
– Sabe onde se encontram na Bíblia os Mandamentos de Deus? – E reparei que ele abria a Bíblia nervoso, não sabia onde se encontra¬vam os Mandamentos que Deus escreveu com o Seu próprio dedo! Com amor e muita simpatia ajudei-o a abrir a Bíblia no livro do Êxo¬do 20.
Não havia desculpa alguma para a cegueira de Nicodemos em relação à obra da regeneração. Pela inspiração do Espírito Santo, Isaías es¬creveu: “Todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapos da imundície.” Isaías 64:6
E o rei David orava: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito recto.” Salmo 51:10
E por meio de Ezequiel foi dada a promessa: “E vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o Meu Espírito, e farei que andeis nos Meus estatutos, e guardeis os Meus juízos, e os observeis.” Ezequiel 36:26-27
Nicodemos tinha lido todas estas passagens com a mente obscu¬recida; podia interpretá-las, mas elas não tinham vida; não passavam de um código.
Mas agora estava a ser atraído para Cristo! Quando o Salvador lhe explicou o que estava a dizer em relação ao novo nascimento, anelou experimentar esta mudança em si mesmo. Como poderia isso reali¬zar-se? Jesus respondeu à pergunta não formulada dizendo: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:14,15
Ali estava algo familiar a Nicodemos. O símbolo da serpente levan¬tada tornou-lhe clara a missão do Salvador. Quando o povo de Israel estava a morrer por causa da picada das serpentes ardentes, no de¬serto, fugindo do cativeiro do Egipto, Deus mandou Moisés construir uma serpente de metal e colocá-la no alto, no meio da congregação. Foi então anunciado no acampamento que todos os que olhassem para a serpente viveriam.
O povo sabia muito bem que, em si mesma, a serpente de metal não possuía nenhum poder para os ajudar. Era um símbolo de Cristo. Tal como a imagem feita à semelhança das serpentes destruidoras era erguida para a cura, assim Alguém nascido “em semelhança da carne de pecado” Romanos 8:3, haveria de ser Redentor para eles.
Os que tinham sido mordidos pelas serpentes poderiam ter demorado a olhar. Poderiam ter posto em dúvida a eficácia daquele símbolo metálico. Poderiam ter pedido uma explicação científica. Mas nenhu¬ma explicação lhes foi dada. Deviam aceitar a palavra que Deus lhes dirigia através de Moisés. Recusar a olhar era morrer!
Não é por meio de debates e discussões que a alma é iluminada. Devemos olhar e viver! Nicodemos recebeu a lição e levou-a consigo. Examinou as Escrituras de maneira nova, não para discutir uma teo¬ria, mas para receber vida para a alma. Começou a ver o reino de Deus, ao submeter-se à direcção do Espírito Santo.
Tal como Nicodemos, devemos estar preparados para entrar na vida eterna pelo único meio que é dado aos homens: “Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Actos 4:12
E nem sequer nos podemos arrepender sem o auxílio do Espírito de Deus. A Escritura diz de Cristo: “Deus com a Sua dextra O elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados.” Actos 5:31
O arrependimento vem de Cristo, tão seguramente como vem o perdão!
Como, então, nos vamos salvar? – “Como Moisés levantou a serpente no deserto”, assim foi levantado o Filho do homem, e todo aquele que tem sido enganado e mordido pela serpente do pecado pode olhar e viver.
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do Mundo.” João 1:29
Luz que irradia da cruz revela o amor de Deus. O Seu amor nos atrai. Se não resistir¬mos a essa atracção, somos leva¬dos para o pé da cruz arrepen¬didos pelos pecados que crucificaram o Salvador.
Então o Espírito de Deus, mediante a fé, produz uma nova vida na alma. Os pensamentos e desejos são postos de acordo com a von¬tade de Cristo. O coração e o espírito são novamente criados à imagem d’Aquele que trabalha em nós para sujeitar a Si mesmo todas as coisas. Então a lei de Deus é escrita na mente e no coração e podemos dizer com Cristo: “Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Deus meu”. Salmo 40:8
Na entrevista com Nicodemos, Jesus revelou o plano da salvação e a Sua missão no Mundo. Jesus disse-lhe três coisas essenciais que ele não esqueceu:
1) Nicodemos a salvação é por pura graça,
2) Nicodemos a justificação é pela fé,
3) e serás julgado pela Lei de Deus.
Esta mensagem dirigida naquela noite àquele ouvinte, na montanha solitária não ficaria perdida. Durante algum tempo, Nicodemos não reconheceu publicamente a Cristo, mas observava a Sua vida e ponderava nos Seus ensinos. Quando, Jesus foi erguido na cruz, Nicodemos relembrou o ensino no Olivete: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:14,15 A luz daquela mensagem ouvida naquela noite iluminou a cruz do Calvário e Nicodemos viu em Jesus o Redentor do Mundo. E aceitou-O como Salvador e Senhor da sua vida.

Nicodemos faz-me lembrar um homem chamado Duílio Darpino. Foi em 1992, realizava uma série de conferências na cidade de Roma, uma noite entrou um sacerdote, veio noite após noite. Uma noite falei do novo nascimento, olhei para ele e ele chorava. Levan¬tou-se e disse: “Eu sinto o meu coração nascer de novo”. Assim foi, apesar de ter sido excomungado, de lhe terem retirado as vestes sacerdotais, Jesus vestiu-o com as vestes da Sua justiça. Aprofundou o conhe-cimento da Bíblia numa Universidade Adventista e desde 1994 é pastor da igreja Adventista em Itália.
Nascer de Novo é obra não dos homens, é obra de Deus, assim como a mancha do óleo foi retirada pela Natureza, da mesma maneira a mancha do pecado, é retirada pelo Espírito Santo e pelo sangue tão puro e santo de Jesus.
Enquanto houve a Débora cantar deixe o Espírito Santo entrar dentro da Sua alma, deixe que Ele limpe e ponha vida nova.
Pr. José Carlos Costa

Hino Débora
O PRIMEIRO LUGAR
Minha vida mudou quando Cristo ocupou
O primeiro lugar em meu ser
Nada mais me faltou, grande paz
Inundou todo o meu coração.
Minha dor Lhe entreguei, meu pecado contei
E Seu sangue minh’alma lavou.
Tudo agora mudou, pois Jesus ocupou
O primeiro lugar em meu ser.

Teu viver vai mudar quando Cristo ocupar
O primeiro lugar em teu ser
Nada vai te faltar, grande paz
Vai encher todo o teu coração
Leva pois a Jesus tua dor, teu pesar
Teu pecado Ele vai perdoar.
Tudo pode mudar se Jesus ocupar
O primeiro lugar em teu ser.